Depósito De Histórias E Idéias.
1 Rua 23. Part 1.
Na Rua 23 tem 14 casas, 9 casas do lado direito, e 5 do lado esquerdo. Na direita elas são enumeradas de 76 á 85. Na esquerda elas são enumeradas de 86 á 90.
Na casa número 78 estava Sarah, com 33 anos e nunca havia casado. Era independente, tinha amigas de 30 anos que também não eram casadas, tinha um bom emprego, sua casa não era a maior da Rua 23, mas em compensação era a mais moderna, não tinha gatos nem cachorros, odiava o modo como eles soltavam pêlos por ai. Ela pensava que não existiam mini-aspiradores de pó o suficiente pra um cachorro da raça Shit-Zu. Sarah é corretora de imóveis, ela é um clichê. Tem noção disso. Porém não sabe decidir, o que é mais triste em seu clichê de vida. Se é o fato de ser bem sucedida no trabalho e horrível no quesito amor, ou de ser apaixonada pelo seu melhor amigo e de que ele vai se casar em um mês. Ah, sem esquecer de que ela não havia casado por falta de querer. Foi sim por uma série de fatores, mas jamais por falta de querer.
O dono da número 88 era Fabien, francês, ele era bonito, alto, tinha 44 anos e era casado. Porém, sua esposa mais passava tempo viajando do que em casa. Com 4 anos de casamento, Fabien descobriu que Sandra, sua mulher, tinha um caso com um homem 10 anos mais novo que ela, que morava em outro estado, e ela sempre se encontrava com ele nas suas viagens. E o nome dele era Thiago, tinha 28 anos, ele era fotógrafo, enquanto Fabien era um entediante chefe de um restaurante que se chamava Fabien Cosiña, que era como ele falava "cozinha" já que seu forte sotaque francês não deixava com que ele pronunciasse o "z" e o "nh" direito. O nome foi dado por Sandra. Depois de 1 anos tendo plena sabedoria da infidelidade de sua mulher, ele a confrotou. Ela chorou, pediu desculpas, prometeu que não faria novamente, e a única coisa que Fabien conseguia dizer ao ver Sandra chorando aos seus pés era: "Porrr favorr, Santra, as crianças estan dorrmindo." Ele falava isso e continuava com uma expressão dura, mas a verdade era que apesar da traição, Fabien ainda amava sua mulher.
Na primeira casa da Rua 23 morava Henrique, um jovem advogado que acabara de herdar a firma de seu pai, e com o dinheiro extra e agora sendo seu próprio chefe resolvera aproveitar e aumentar sua casa, estava construindo 3 andares a mais, o último deles seria simplesmente uma área de entretenimento, as paredes seriam de um vidro temperado extra forte. Henrique tinha 27 anos e era solteiro e com orgulho, tinha uma melhor amiga chamada Katherine, ela era casada. Ele odiava o marido de Katherine, não, ele não odiava, o marido dela porque secretamente ele a amava, mas ele odiava o marido de Katherine porque Katherine tem uma irmã chamada Bárbara, pelas costas de Katherine, Henrique era envolvido com Bárbara, que mais tarde veio a descobrir que Bárbara também era envolvida com o marido de Katherine, que não época não era marido e sim noivo. Dia 6 de junho, Henrique foi "a madrinha" de Katherine e foi obrigado a aparecer no altar acompanhando a noiva com um ombro deslocado e um olho roxo, enquanto o noivo se encontrava com o nariz quebrado, dois dentes faltando na boca, e o dedo anelar da mão esquerda apontando para uma direção bem estranha. Bárbara não estava no acontecimento, ela e a sua irmã não se falam há anos, acabou que não foi sequer convidada para o casório. Henrique deu aleluia. Porém, naquele dia, ele ouviu vários "Porque você não me ligou?" ou "Eu te conheço de algum lugar..." O que com certeza, concluiu ele, foi bem mais agradável do que encontrar Bárbara lá.
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