Notas iniciais
Olá, meus queridos! Eu fiquei muito feliz em ter um comentário logo no primeiro capítulo da história e duas pessoas acompanhando (acho que é algo bom, ainda estou tentando entender como funcionam as coisas por aqui). Novo capítulo saindo do forno, espero que gostem!

Acordei em um quarto simplesmente lindo! Parecia que estava num conto de fadas! Todos os brinquedos da televisão num único lugar. A boneca que eu imaginasse estava naquele quarto. Fiquei surpresa. Ao meu lado na cama, havia uma caixa embrulhada em papel cor de rosa e uma grande fita branca. Ao lado do presente, um recado.

“Olá, Charlotte!

Vi a menina linda que está! Fiquei lisonjeado em saber que sempre gostou dos meus presentes, por isso, espero que goste deste. Sua mãe disse que você queria muito uma dessas. Gostaria também de convidá-la para jantar comigo às 20:00 e quero que use o vestido rosa com um laço na frente que está em seu guarda-roupa.

Te espero!

Olaf.”

Meu tio sempre foi um homem de bons e discretos modos. Magro, alto, calvo, nariz arqueado e olhos pequenos; voz firme e grave, no entanto, calma. Eu não estava entendendo nada, entretanto, ao que parecia, estava em sua casa e jantaria com ele usando um vestido rosa com um laço na frente dentro do meu guarda-roupa. Ok.

Abri o presente. Era exatamente a boneca que apareceu no comercial. Não direi que fiquei feliz, uma vez que estava desnorteada e em circunstâncias que não gostaria, porém, estava satisfeita. Tirei a boneca da caixa e coloquei no meio da prateleira do meio, assim, ficaria bem centralizada e destacada das demais. Em momento posterior, contei setenta e quatro bonecas.

Olhei o relógio que ficava próximo da escrivaninha. Marcava quinze para as oito. Abri o enorme guarda-roupa que parecia pertencer a uma princesa e vi as minhas novas roupas. Calças, shorts e blusas de um lado; vestidos longos próximos dos vestidos justos e no meio, os vestidos rodados. Eram vestidos que pareciam de bonecas. Possuíam muitas camadas. Entre os vestidos de todas as cores, estava o que me foi solicitado.

Vesti-o. Calcei sapatilhas brancas, combinando com alguns detalhes do vestido os quais possuíam a mesma cor. Olhei-me no espelho e me senti incrivelmente linda. Linda como uma boneca. Dirigi-me à penteadeira e coloquei uma tiara em meu cabelo. Talvez, morar com tio Olaf não fosse tão ruim, afinal de contas, meus pais queriam se livrar de mim, eu pensava. Olhei novamente o relógio, que marcava cinco para as oito.

Desci as escadas da enorme casa. Parei numa grande sala, com dois enormes sofás e uma televisão enorme. As televisões LCD estavam chegando ao mercado naquela época, e ele era uma das poucas pessoas que haviam adquirido até o momento. Havia também um piano, próximo a uma enorme janela de vidro e grandes cortinas. No chão, um tapete que ficava por baixo de quase todos os móveis com estampa indiana. Depois, descobri que se tratava realmente de uma mercadoria estrangeira.

Entrei em outra sala. A sala de jantar. Uma mesa gigante, porém, não sabia ao certo quantos lugares. O lustre era incrivelmente luxuoso, devendo valer uma fortuna. Eu nunca vi tanta riqueza em toda a minha vida! Fui orientada por Harold, um dos criados (falaremos deles em outro momento), a sentar ao lado direito da ponta, onde meu tio sentaria.

Assim que o relógio marcou vinte horas em ponto, Olaf entrou na sala. Vestia uma camisa social azul clara e calça jeans. Não era nenhum conde Drácula. Ao contrário! Era um homem alegre e com energia leve. Ainda consigo lembrar nossa primeira conversa. Ele cheirou meu cabelo, me cumprimentou e sentou ao meu lado.

— Então, Charlotte, como vai? – perguntou.

— As coisas estão confusas. – respondi – Espero que me explique.

Ele ajeitou seus pequenos óculos, deu um sorriso e disse:

— Bom, minha querida sobrinha... Talvez seu pai tenha comentado com você que perdeu o emprego, não foi?

— Sim, comentou, mas tio, ele me disse que já havia arrumado um emprego até melhor... Eu não entendi nada. Sinto-me deslocada.

A conversa foi interrompida pelo jantar que chegava à mesa. Um leitão inteiro para nós dois. Achei extremo exagero de sua parte, mas ele disse que eu poderia comer o quanto quisesse. Colocamos nossa comida e prosseguimos o diálogo.

— Charlotte... Sua mãe está grávida, certo? De fato, seu pai arrumou um emprego muito melhor! – ele sorriu – O problema, querida, é que os gastos com você estavam cada vez maiores. Sim, o emprego é muito melhor, mas não para criar duas filhas. Ele me disse o quanto sofria ao te ver desejando um brinquedo na televisão e não te dar. Por isso, perguntou se eu não queria criá-la. Eu te digo com toda certeza, meu anjo, o que ele fez foi por amor. E digo mais: se você permitir, te criarei como minha própria filha.

Juro como queria ficar feliz com aquela situação, mas a cada palavra proferida pelo meu tio, a raiva pelos meus pais aumentava. Como podiam fazer aquilo comigo? Mesmo que eu não tivesse tudo que queria, estava satisfeita com o que tinha. Eles queriam se livrar de mim e Olaf fez o favor de me aceitar. Eu estava convencida de que havia sido vendida. O homem ainda falava.

— Sabe, sobrinha, eu nunca tive filhos. Minha ex-mulher, Ella, nunca os quis. Dito isso, Charlotte, eu peço que seja minha filha. A partir de hoje, sua vida mudará. Irei te matricular nas melhores escolas, contratarei um professor de piano, você aprenderá cinco idiomas. Viajaremos o mundo! O que você vir na televisão ou numa vitrine de uma loja, pode me comunicar. Jamais, escute bem, jamais faltará alguma coisa para você.

Não serei hipócrita em dizer que não fiquei satisfeita. Estava me sentindo bem, de certa forma. Como costumam dizer, há males que vêm para o bem. Talvez eu devesse realmente acatar a decisão dos meus pais e ser bem criada pelo meu tio. Claro, minha raiva por eles não diminuiu, mas o carinho por tio Olaf estava começando a surgir.

— O senhor já teve uma esposa? – perguntei.

— Já. Ella. Estamos divorciados há cinco anos. Ainda somos amigos, contudo, o casamento acabou.

— Por quê?

Ele olhou para baixo, suspirou e sorriu.

— Te conto quando crescer.

Devo adiantar que realmente soube quando cresci. Adianto também que a história está longe de acabar. Tempos depois, tive a oportunidade de conhecer a bela Ella. O jantar acabou às vinte e duas horas, após conversamos inúmeras amenidades. Olaf perguntou se eu gostaria de assistir a um filme em seu quarto. Recusei o convite. Ele sorriu e acatou minha decisão.

Entrei em meu quarto e tive interesse em conhecer as coisas que me pertenciam. Talvez eu devesse parar de me considerar uma estranha naquela casa, visto que eu também estava fazendo um favor. Uníamos o útil ao agradável. Meu tio era um homem bom e de hábitos totalmente diferentes daqueles que eu via em minha casa. Eu teria uma vida de princesa! Como isso poderia ser ruim? Mas como eu disse, a história está longe de acabar.

Notas finais
Espero que tenham gostado e não esqueçam de comentar!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.