Depois dos Seis

5 O sexto aniversário


Notas iniciais
Gente, desculpem pela longa ausência, mas é que realmente eu estive muito ocupada e tentando me ajustar as cobranças. A boa notícia é que provavelmente as próximas atualizações não irão demorar porque eu vou pegar umas férias curtas de umas três semanas (ou menos). O outro motivo para demorar tanto a voltar é que eu estou na reta final de uma outra fanfic que estou escrevendo e que me dá muito trabalho. É um crossover de FullMetal Alchemist com Akame Ga Kill. Eu não imaginava o quanto era difícil escrever um crossover até escrever essa história. Se alguém quiser dar uma conferida, o link é esse: https://fanfiction.com.br/historia/695826/A_Assassina_e_o_Alquimista/, mas já vou avisando que tem spoiler pra caramba.

O capitão do décimo segundo esquadrão do Gotei 13, Kurotsuchi Mayuri, ficou espantado ao receber uma mensagem vinda do mundo humano e endereçada por ninguém menos que Urahara Kisuke. O conteúdo da mensagem foi ainda mais surpreendente. O ex-capitão relatava a descoberta recente de uma garganta nos céus de Karakura e nas proximidades da maior escola da cidade. Quem havia descoberto esse curioso fenômeno, por um acaso, fora Shihouin Yoruichi enquanto fazia seu passeio matinal.

Imediatamente, Mayuri resolveu checar isso no seu computador. Era inconcebível a ideia de que nenhum dos seus sofisticados equipamentos conseguiu detectar a presença daquela garganta. E a última coisa que ele queria era que Urahara descobrisse algo assim antes dele.

Depois de digitar algumas fileiras de códigos complicados, ele achou o sinal emitido pela garganta. Como nenhum de seus incompetentes e mal pagos funcionários não conseguiram enxergar aquela garganta? Será possível que ele teria de fazer tudo? Até uma criança de dois anos veria aquilo.

Resolveu verificar também se algum hollow conseguira escapulir para o mundo humano. Não conseguiu encontrar o rastro de nenhuma reiatsu suspeita nas imediações. Mas o capitão sabia que isso não queria lá dizer muita coisa.

— Alertem o Esquadrão 2 – Mayuri acenou para um de seus empregados – Talvez, algum de nossos amiguinhos tenha escapado.

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Ichigo não estava conseguindo acreditar em todo aquele exagero. O aniversário de Hisana seria no dia seguinte e a mansão Kuchiki estava em polvorosa. Byakuya havia contratado uma moça para se responsabilizar pelos preparativos da festa. Só que Shizuko, a moça em questão, parecia desconhecer os gostos mais reservados e discretos do seu patrão. Porém, como ela havia ganhado carta branca dos anciões da família, inclusive poderia gastar o quanto quisesse, não poupou nem mesmo na decoração. A começar por um gigantesco coelho de pelúcia posicionado estrategicamente na entrada do jardim dos Kuchiki. Ichigo sabia que isso era uma clara tentativa de agradar Rukia. Felizmente, Hisana havia puxado ele e não era lá muito amante de coelhos.

Aliás, Shizuko parece ter feito uma extensa pesquisa de como são feitos os aniversários de crianças no mundo humano. Ela ficou impressionada com o fato de que as festas, geralmente, seguiam uma temática. O problema é que, na dúvida sobre qual tema escolher, Shizuko resolveu usar todos os temas possíveis. Então, não era nada difícil encontrar bolas com o rosto da Hello Kitty estampada misturada com lembrancinhas de princesas de contos infantis e máscaras de super-heróis. Além disso, Ichigo não sabia dizer onde Shizuko havia arranjado todos aqueles brinquedos. Pula-pulas, balanços, labirintos acolchoados e uma gigantesca piscina de bolas haviam sido armados no meio do jardim. Ichigo ficou observando a piscina e pensando que, provavelmente, teria que mergulhar ali para tirar Hisana à força quando precisassem ir embora.

— Kuchiki Ichigo-sama – Shizuko apareceu toda atrapalhada, carregando uma pilha de papeis. Ela não podia ver Ichigo que o chamava para opinar em alguma coisa da festa – Organizei o cronograma de atividades. Fiz uma lista dos horários – e estendeu um papel para Ichigo – às dez horas e quinze minutos, iremos fazer uma corrida de sacos de pais e filhos. O senhor, obviamente, correrá com Hisana. Às dez e quarenta, poderíamos fazer aquele jogo do mundo dos humanos que tem que adivinhar uma palavra. Como é mesmo o nome? Forca? – ela nem esperou uma resposta de Ichigo e anotou alguma coisa rapidamente – Às onze e cinco, deixaremos as crianças colorir alguns desenhos. Já às onze e vinte e cinco...

— Acho tudo ótimo – Ichigo a interrompeu e ficou pensando que ela realmente não deve conhecer Hisana. Ichigo estava curioso em vê-la fazer Hisana cumprir os horários.

— Ah, e também estive com dúvida com relação a uma coisa – Ichigo estava quase saindo furtivamente, mas precisou dar meia volta quando Shizuko puxou a manga de sua camisa – Aquelas coisas que tem nas festas de crianças humanas, os palhaços, falei com uma moça que é especialista em festas infantis e ela disse que algumas crianças têm medo de palhaços. Eu já havia contratado alguns, mas se Hisana-sama tiver medo de palhaços...

— Não. Hisana não tem medo de nada. Infelizmente – Ichigo suspirou, coçando a nuca – Eles é que vão ter medo dela quando tudo isso acabar.

— Como ela poderia ter medo de palhaços se ela convive com um?

Renji chegou com um sorrisinho debochado, carregando Hisana em um dos braços. Hisana usava uma máscara do Darth Vader maior do que o rosto dela. Apesar de achar aquilo engraçado, Ichigo não podia deixar de ficar cismado com a preferência de Hisana por vilões.

— Como ela poderia ter medo de palhaços se ela está sendo carregada por um? – Ichigo devolveu a gentileza – O que você está fazendo com Hisana? Cadê Rukia?

— Precisou voltar para o bantai dela – Renji disse, irônico – Cuidar dos sobrinhos do taichou do seu esquadrão fazem parte da obrigação de qualquer fukutaichou do Gotei 13. Não sabia disso?

— Engraçadinho – Ichigo pegou Hisana do colo dele – Heim, Hisana? O que você quer ver na sua festa de aniversário?

— Vai ter o homem de cabelo azul, papai? – a voz de Hisana saiu um pouco abafada por causa da máscara.

— Vai, sim. Tire isso do rosto. Está me assustando – Ichigo removeu a máscara de Hisana com um pouco de resistência dela.

— Desde ontem que ela fala desse homem de cabelo azul – Renji riu pelo nariz – Nem pensei que poderiam ser palhaços.

— Claro que você não pensou. Você é burro – Ichigo rebateu.

— Burro?!! Ora, seu... – Renji parecia estar fazendo um grande esforço para se controlar – Só não bato em você porque tem criança aqui.

— Não bate porque você não consegue – Ichigo provocou.

— Ah é? Coloca Hisana no chão para você ver – Renji respondeu e os dois ficaram se encarando com raiva.

— Errr... Kuchiki-sama? – Shizuko chamou, timidamente. Ela não estava acostumada a ver os dois amigos brigando daquele jeito e pensou que era sério – Está tudo bem, não é?

— Sim. Está tudo bem – Ichigo parecia ter se acalmado – A propósito, Shizuko leve Hisana para dentro da mansão. Preciso conversar algo importante com o Renji.

Shizuko ficou meio receosa em deixar os dois sozinhos porque ela achou ser uma desculpa para os dois se matarem. Mas, como ordens são ordens, ela pegou na mãozinha de Hisana e a levou para dentro da mansão, prometendo doces para a garota.

— O que é tão importante que você queria conversar comigo a sós? – Renji começou depois das duas terem saído.

— Amanhã é o sexto aniversário de Hisana – Ichigo disse, simplesmente.

— E daí? – Renji arqueou as sobrancelhas.

— Daí que você não lembra o que você me disse? – Ichigo respondeu, um pouco impaciente – Que, provavelmente, Hisana teria seus poderes de shinigami despertados agora que for completar seis anos?

Renji ficou alguns segundos sem responder nada, com a testa franzida. A compreensão chegou lentamente ao seu rosto e, ao final, ele deu uma gargalhada e se contorceu de tanto rir.

— Do que é que você está rindo? – Ichigo perguntou, raivoso.

— Depois eu que sou o burro – Renji precisou de um tempo para conseguir falar normalmente – Eu estava brincando com você, Ichigo. É que você não parava com aquela ladainha de que Hisana poderia ser perseguida por ser sua filha e tal, então eu pensei que você ficaria mais relaxado se soubesse que Hisana seria uma shinigami também.

— Mas você não disse que Rukia também teve seus poderes despertados quando ela tinha seis anos? – ele fechou a cara.

— Eu nem lembro quando Rukia começou a usar kidous – Renji encolheu os ombros – Na verdade, eu nem sei quantos anos a Rukia tem. E não existe uma data específica para isso acontecer, Ichigo.

— Quer dizer que eu me preocupei à toa? – uma aura assassina cobria a cabeça de Ichigo.

— Quer dizer que você é burro – Renji riu ainda mais – Nem eu acreditava que você ia cair nessa.

— Agora, sim, você está pedindo para apanhar – Ichigo suspendeu os punhos ameaçadoramente.

— Nem vem. Acabei de almoçar – Renji sacudiu as mãos – Além do mais, eu estou duas vezes mais forte desde a última vez que brigamos, Ichigo.

— Pois eu estou cinco vezes mais forte que antes – Ichigo continuou – E, pelo que eu lembre, quem ganhou fui eu.

— Ah é? Pois eu estou vinte vezes mais forte desde a última vez – os dois rosnavam um para o outro com as testas encostadas.

E o final da discussão todo mundo já sabia como iria acabar. Um empregado da família Kuchiki apareceu na 13ª Divisão procurando por Rukia porque, com exceção de Byakuya, só ela conseguia dar um fim na confusão que começou no jardim da família.

Notas finais
Se virem alguma coisa errada, avisem porque eu sou meio distraída. Beijos e até a próxima.