Depois dos Seis

7 Festa na Mansão Kuchiki


Notas iniciais
Primeiramente, eu tenho que pedir um milhão de desculpas. I'm sorry. Je suis désolé. Discúlpeme. Gomenasai. É porque a tapada aqui esqueceu dessa história. Isso mesmo. Esqueci! Por vários dias. E, quando lembrei, não pude escrever nada porque precisei fazer alguns trabalhos e não tive tempo mesmo. Vou tentar não demorar mais tanto nas atualizações.

Ichigo pensou que, talvez, Rukia tivesse errado de endereço. Se bem que seria quase impossível ela errar onde ficava a casa do próprio irmão. Mas aquele lugar não parecia em nada com a Mansão Kuchiki. Isso era um fato. Na verdade, parecia mais que eles estavam no meio de algum festival, parque de diversões ou no carnaval. Bolas coloridas para todos os lados, muita comida, uma grande variedade de brinquedos e gente, muita gente. A Seireitei toda estava reunida ali, provavelmente. Além dos convidados do mundo humano.

Quando eles transpuseram os portões da mansão, todos os convidados pararam imediatamente o que estavam fazendo e foram cumprimentar a aniversariante e sua família. Os olhos de Rukia brilharam imediatamente com a visão do gigantesco coelho logo na entrada enquanto Hisana olhava de um brinquedo para o outro, sem saber decidir em qual iria primeiro. Ichigo bufou, contrariado, porque não sabia com qual das duas teria mais problemas na hora que precisasse arrastá-las para ir embora.

— Finalmente, Kurosaki – Byakuya lançou-lhe um olhar frio – Pensei que teria de mandar alguns dos meus empregados para te ensinar o caminho da minha casa.

— Tiiiiiioooo!!! – Hisana agitou os bracinhos para chamar a atenção de Byakuya e o nobre mudou a expressão dura para uma mais suave na mesma hora. Ele carregou Hisana no colo e lhe deu um longo abraço. Rukia sorria de orelha a orelha logo atrás.

— Chega mais, Ichigo – Renji acenou para ele, surgindo de trás do seu capitão – Pessoal – gritou para os outros convidados – A aniversariante chegou!!

Uma roda se formou ao redor de Rukia e Byakuya com Hisana no colo. Todos queriam cumprimentar a aniversariante ou, principalmente Matsumoto e Yoruichi, apertar as bochechas da menina. Ichigo suspirou aliviado porque, aparentemente, ninguém lhe deu muita atenção. Melhor assim. Precisava de um pouco de sossego por ora.

— IIIICHIGOOOOOO!! – Keigo apareceu saltitando feito uma gazela, mas acabou caindo de cara no chão com o golpe desferido pelo ruivo.

— Não aprende mesmo – Mizuiro saltou tranquilamente por cima do amigo nocauteado – Olá, Ichigo. Quanto tempo!

— Tempo mesmo, Mizuiro – Ichigo devolveu o sorriso – Chad! Ishida!

— Já não basta eu ter que ver sua cara quase todo dia, Kurosaki – Ishida chegou ajeitando os óculos – Ainda preciso ver nos dias de folga também.

— Não vem, não. Até parece que eu estou feliz em ver sua cara toda hora também – fez bico.

— Mas hoje é um dia especial – Sado balançou a cabeça.

— Sado-san tem razão – Ishida completou – Não vamos brigar. Vamos aproveitar que hoje estamos todos reunidos aqui com nossas famílias e amigos.

— É mesmo – Ichigo suspirou e sorriu ao olhar para Hisana rindo muito com as caretas de Hirako e Yachiru – Quem dera que momentos como esses durassem para sempre.

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Horas depois do início da festa e Shizuko já estava toda descabelada, tentando inutilmente acompanhar Hisana e as outras crianças. Nem uma mísera atividade foi cumprida dentro do cronograma feito por ela, mas ninguém, exceto Shizuko, parecia se importar. E Hisana aparentava possuir alguma habilidade mágica porque conseguia sumir em um lugar e reaparecer há quilômetros de distância em questão de minutos. Uma hora, a menina estava rindo na companhia de uma das gêmeas Yasutora, Francisca ou Maria, vai saber, dentro da piscina de bolinhas. No minuto seguinte, ela já estava saltitando na cama elástica do outro lado do jardim ou estourando as bolas usadas na decoração da entrada da mansão juntamente com Yasuhiko. De tanto correr para lá e para cá, em determinado momento, Shizuko acabou caindo exausta em cima de uma cadeira e precisou que um dos empregados da família Kuchiki lhe trouxesse um pouco de água com açúcar.

— Ei! Tive uma ideia – Yasuhiko cutucou Souken e Hisana quando os três e as gêmeas estavam mergulhados na piscina de bolas pela centésima quarta vez e a brincadeira de jogar as bolas na cara das outras crianças já havia perdido muito da graça inicial – Vamos espiar a sala do Mayuri-san.

Yasuhiko era mesmo filho de Urahara. Ele sempre foi muito curioso com relação aos experimentos do pai e, todas as vezes em que visitava a Soul Society, dava um jeito de fugir para espiar o laboratório do capitão da décima segunda divisão, apesar de Mayuri não ser lá muito amigável com ele.

— Não vou – Souken negou imediatamente. Morria de medo de Mayuri.

— Sou-kun tem medo de lá – Maria disse.

— Não tenho, não – Souken se apressou em responder – Mas é que não é para a gente ir pra lá sem permissão.

— E por que não? – Francisca rebateu – Você tá com medo, sim.

— Não tô, não – Souken insistiu.

— Então, mostra que você não tá com medo – Francisca o segurou pelo braço.

Hisana e Yasuhiko também puxaram Souken pelos braços e o arrastaram para fora da piscina.

— Socorro – Souken esperneava e tentava fugir dos amigos – Eles querem me matar. ELES QUEREM ME MATAR!!

— Brinquem direito, meninos – Orihime acenou para eles, com um sorriso, ao lado de Tatsuki.

— Tem certeza que está tudo bem, Orihime? – Tatsuki olhou para o grupo de meninos que se afastava. Souken parou de gritar e esperneava menos do que antes, mas parecia estar seguindo os amigos a contragosto – Melhor tomar cuidado com essas brincadeiras.

— Deve estar tudo bem – Orihime continuava sorrindo – Souken exagera um pouco, às vezes.

— Vou pegar algo para beber. Quer um pouco? – Tatsuki perguntou.

— Vou com você – Orihime a seguiu – Aproveito para ver o que os outros estão fazendo.

Enquanto isso, a festa seguia animada. Renji cantava desafinadamente em um karaokê ao lado de Madarame Ikkaku naquele exato momento. Com o rosto vermelho por causa do saquê, Rangiku Matsumoto ensaiava uma coreografia com Yoruichi Shihouin, Mashiro Kuna e Ayasegawa Yumichika. Kenpachi Zaraki já deveria ter percorrido toda a extensão da propriedade dos Kuchiki atrás de Ichigo para lutar. Kyouraku Shunsui disputava quem bebia mais saquê com Hirako Shinji, Yadoumaru Lisa, Shuuhei Hisagi e Mugurama Kensei. Rukia tagarelava animadamente com algumas das meninas da Associação Feminina de Shinigamis enquanto Byakuya rezava para que toda aquela tolice terminasse logo. Estava feliz por Hisana e Rukia, mas também apreciava muito a paz e tranquilidade da sua casa.

Porém era preferível que toda aquela tolice continuasse do que ser interrompida abruptamente com a chegada de um dos subordinados do capitão Kurotsuchi Mayuri.

— Comunicado urgente, comandante – o oficial disse, com a voz esganiçada, depois de atrair a atenção de todos – O capitão Mayuri acaba de detectar uma alta concentração de reiatsu nos céus de Karakura, exatamente no ponto onde foi descoberta uma garganta dias atrás.

— Concentração de reiatsu? – Kyouraku coçou a barba rala.

— Centenas de hollows acabaram de invadir Karakura, senhor – o oficial gaguejou – Estão saindo da garganta como uma cachoeira.

— Então, Aizen pretendia se aproveitar de um momento de distração nosso para tomar Karakura? – Hitsugaya franziu a testa, raivoso.

— Alguns deles têm uma reiatsu muito poderosa, senhor – o oficial continuou – Equivalente a dos antigos Espadas.

— Está bem – Kyouraku deu um pequeno bocejo e acenou para os shinigamis reunidos – Já passamos por um grande problema por causa deles e é melhor não subestimá-los. Precisarei da ajuda de todos os capitães e tenentes disponíveis para isso. Não esqueçam de selar seus poderes para não causarem danos ao mundo humano.

— Eu também irei com você, Rukia – Ichigo segurou o braço da baixinha.

— Sim, Ichigo-san – Kyouraku ajeitou o chapéu – Esperamos contar com toda ajuda possível. Principalmente, a sua. Não duvido nada que esses hollows sejam bastante poderosos. Aliás, preparem-se caso tenhamos que enfrentar o próprio Aizen.

— Ele disse que alguns desses hollows têm uma reiatsu equivalente a dos Espadas – a voz sinuosa de Urahara Kisuke se elevou no ar – Curioso, não?

— Não é hora para achar o que é curioso ou não é – Kensei rebateu – Precisamos é agir logo.

— Isso mesmo – Renji concordou – Quanto mais tempo perdemos aqui discutindo, mais difícil será impedir a destruição de Karakura.

Rapidamente, os oficiais do décimo segundo esquadrão providenciaram os selos para os capitães e prepararam o portão para o mundo humano.

— Nós também podemos ajudar – Uryuu indicou a si mesmo e Sado – Não vamos ficar aqui esperando por notícias enquanto Karakura é atacada.

— Está bem – Soi Fong controlava a passagem pelo Senkaimon – Mas não fiquem no meio do nosso caminho.

— Só sinto por isso estar acontecendo justamente no dia do aniversário de Hisana – Ichigo cochichou para Rukia quando estavam para atravessar a passagem.

— Ichigo – Rukia parecia ter acabado de lembrar algo importante – não podemos sair e deixar Hisana aqui sozinha.

— Tudo bem – ele a tranquilizou – Meu pai e minhas irmãs vão ficar com ela. E, afinal, ela vai ficar segura aqui na Soul Society.

— É. Eu acho que você tem razão – ela sorriu para ele, antes de atravessar o Senkaimon.

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— Eu tô com medo, Hisa-chan – Souken confessou, apertando dolorosamente o braço da menina.

— A gente já tá chegando lá – Yasuhiko ia à frente do grupo – Cê vai ver que não tem nada.

— Olha – Maria cutucou o braço de Francisca – O que é aquilo?

Antes de chegarem perto da décima segunda divisão do Gotei 13, o grupo de crianças parou de andar para observar um estranho fenômeno. O ar parecia ter se rasgado no meio e um buraco negro surgiu suspenso no nada.

— Uma boca – Francisca respondeu.

— Como pode ser uma boca se não tem dente? – Yasuhiko perguntou.

— Minha avó não tem dente e tem uma boca – Francisca encolheu os ombros.

De dentro da tal boca, saia uma voz, quase um sussurro ritmado, que repetia a palavra “Kurosaki” tão baixo que eles demoraram um pouco para entender.

— Acho que tão chamando você, Hisa-chan – Souken indicou a “boca” com a cabeça.

— Kurosaki é o papai – Hisana encolheu os ombros.

— Mas não é seu nome também? – Souken perguntou – Você já sabe escrever seu nome todo?

— Claro que eu sei – Hisana inchou as bochechas.

— Olha lá o que tem dentro da boca e conta pra gente, Hisa-chan – Yasuhiko falou.

— Por que eu?

— Porque a boca tá chamando seu pai – Yasuhiko respondeu.

Hisana se aproximou da boca devagarzinho e ficou na ponta dos pés para espiar o que havia dentro. Mas era muito escuro e ela chegou mais perto para ver melhor. Mais perto. Mais perto até que... Uma mão saiu de dentro do buraco e puxou Hisana pelo braço, fazendo a garota ser engolida totalmente pela boca.

Souken, Yasuhiko, Francisca e Maria arregalaram os olhos de susto e começaram a gritar, antes de saírem correndo para bem longe dali.

Notas finais
Nos vemos logo. Até mais