Depois dos Quinze
7 Carta Dourada
Acordei com uma dor de cabeça imensa, em um quarto que eu não reconhecia, ele era todo branco assim como tudo que havia nele, era como se eu tivesse acordado de ressaca no céu.
Alguém entrou no quarto sem bater na porta, era Isis e Derek.
—Bia, que bom que você acordou -Derek disse me beijando.
Isis apenas riu, imagino que tenha sido da minha cara de confusa.
—Eu estou...? — perguntei
—Na casa da didi, você não estava em condições de voltar para casa nem ir a para a escola... -Derek começou a dizer
—O que?! Que horas são?! -Perguntei. Eu sabia que toda a vez que eu faltava meu pai era notificado.
—Já é meio dia -Isis falou calmamente, enquanto me via tentar sair da cama.
—vou pegar um café pra você -Derek disse saindo.
Quando ele saiu Ísis foi até a porta e a trancou, olhei pra ela confusa.
—Acho que preciso te dizer que eu já sei sobre você -Ela começou a dizer pausadamente.
—Sabe o que? -eu disse não dando muita atenção
—Você me disse ontem sobre a namorada do seu amigo. Você disse que gostava dela e que ela não é a primeira garota que você gosta.
—haa não de atenção ao que bêbados /drogados dizem -Eu tentei fugir da conversa.
—Então tá. -Ela disse se virando.
Foi até a penteadeira e começou a se despir.
—O-Oque você esta f-fazendo?
—Eu gosto tanto quando você gagueja -Ela tirou o shorts e ficou só com a roupa de baixo.
A lingerie dela era preta com rendas brancas... a calcinha era toda em renda, o que a fazia ser um pouco transparente. O corpo dela era perfeitinho, não tinha nada em excesso, mas tinha tudo. Tentei não dar atenção me virei e comecei a procurar meu celular, até sentir as mãos quentes dela na minha cintura. Então eu entendi.
Eu havia negado o que ela havia dito e agora ela está tentando me seduzir para provar que está certa. E estava funcionando.
Ainda segurando minha cintura ela disse no meu ouvido.
"Eu não conto pra ninguém se você não contar "
Acho que naquela hora até a ressaca passou. Me virei lentamente e ela ainda me segurava. Estávamos de frente uma pra outra, e ela sorriu ao ver que eu estava me aproximando lentamente de sua boca.
—Pode? -falei com meus lábios tão pertos que Ja encostavam nos dela.
—Claro -ela sussurrou pra mim.
Ela me encara esperando que eu desse o primeiro passo para o início do beijo. Acredito que aquela tenha sido a primeira vez dela com uma garota também.
Nosso beijo foi tímido no início, nossas mãos nem se mexiam, até eu começar a me empolgar e consequentemente ela também. Minhas mãos passeavam o corpo perfeito dela, ate eu enroscar um de meus dedos em sua calcinha, como se fosse arraca-la a qualquer momento.
Alguem tentou abrir a porta e nos separamos rapidamente. Ela pegou suas roupas no chão e foi para o banheiro que tinha no quarto.
—Estou me trocando! -Eu disse procurando uma roupa pra trocar.
Quase que no mesmo instante uma camiseta vôo do banheiro direto na minha cara.
"Obrigada Ísis "
Me troquei rapidamente e fui abrir a porta. Derek entrou, olhou todo o quarto
—E a Ísis ? -ele disse colocando o café na comoda.
—No banheiro -Eu disse revirando a cama atrás do meu celular.
—Seu celular ta com o Jason
—haa o Jason! -eu disse levando minha mão até a cabeça. Eu havia me lembrado do que tinha acabado de acontecer entre eu e a namorada dele.
—O que foi? -Derek levantou uma sobrancelha
—Nada. -Eu bebi de uma só vez o café, peguei o meu salto e já ia saindo pela porta.
—Já ta indo?
—sim sim, meu pai deve estar louco. -Eu voltei e dei um beijo nele.
Passei quase que correndo por toda a casa olhando para todos os lugares procurando meu celular, e então dei de cara com Jason.
—Oie -Ele disse Animado
—oi.. meu celular por favor? -Disse um pouco apressada
—Claro -Ele me entregou e eu sai sem dizer nada. -Te vejo amanhã! -Ele gritou.
La estava eu de mini saia, camiseta masculina e descalça, porque meu salto tinha se partido ao meio como mágica. Olhei no celular e eu tinha 57 ligações não atendidas, algumas eram até de números que eu não conhecia.
Cheguei na minha rua, e havia um certo tumulto, tinha dois carros de policia na minha casa, alem de muitos curiosos.
Cheguei e minha tia Neide estava falando com um policial, mais chorando do que falando, na verdade. Meu coração começou a apertar.
—O que é isso? -perguntei interrompendo a conversa.
—bianca ! Graças a Deus! -Minha tia disse me abraçando.
—A garota apareceu. -disse o policial no radinho. Ai então ele se virou pra mim. -Eu sou o policial wi...
Eu o interrompi
—O que é Isso! -perguntei dessa vez mais impaciente.
—o seu pai, ele...-Minha tia começou a falar , mas começou a chorar. Na mesma hora corri pra dentro da minha casa, subi as escadas como uma louca, havia muitas pessoas na minha casa mas nenhum me parou. No corredor havia dois policiais conversando perto do meu quarto. Entrei no quarto do meu pai e não tinha nada, então eu percebi que meu quarto estava lacrado com aquelas fitas amarelas escrito "pare". Não pensei duas vezes , e sai correndo para o meu quarto e é claro que dois policiais idiotas não iam me parar.
Abri a porta e vi. A pior imagem que eu poderia ver meu pai estava deitado de costas em uma possa vermelha. Minha respiração parou, acho que o mundo parou por um minuto. Sabe quando você pega o crush beijando sua amiga? E fica encarando pra ver se aquilo vai sumir da sua visão? Era o que eu estava fazendo, encarando sem respirar esperando que todo aquele sangue sumisse. Mas não sumiu.
Lembro que me pegaram e me levaram para o corredor, lembro que os dois policiais discutiam de quem era a culpa de eu ter entrado no quarto. Lembro que foi nessa hora que a primeira lagrima rolou no meu rosto, e depois dela muitas outras.
Ouvi os gritos da minha tia Caroline, fazia tempo que não via ela gritando desse jeito. Me levantei meio que cambaleando. Um dos policias desceu lá em baixo pra dizer o que aconteceu e o outro estava na frente da porta só me observando. Entrei no quarto do meu pai e tranquei a porta.
Minhas lágrimas não rolavam mais, eu só pensava no que meu pai havia me dito quando eu tinha 10 anos.
"Todo mundo morre filha, e um dia eu vou morrer. Mas não se preocupe, ainda pretendo ver você se casar"
~mentiroso -resmunguei
Comecei a vasculhar todas as gavetas do meu pai, eu estava tentando achar o envelope dourado. Meu pai sempre me disse que deixaria ele pra mim caso algo acontecesse com ele. Eu sempre achei isso meio mórbido, mas olha onde estou...
Então eu achei. Abri. E li. Nele havia apenas instruções, e no fim dizia
" Eu te amo, viva experimente a vida porque você pode. Não se meta com as mesmas pessoas que eu me juntei, acredite tem gente que só vem destruir a nossa vida. Eu provavelmente morri, e para dizer a verdade eu já esperava isso, é difícil explicar, a vida não é boa com os mocinhos. Use o que eu estou te dando para se proteger, como eu sempre te ensinei. Não de trabalho as suas tias. Enfim...Adeus"
Meu pai, tão bom com despedidas... Eu chorei lendo a carta, senti tantas emoções lendo apenas o aquele pequeno trecho, e uma delas foi raiva, essa permaneceu até o fim da carta. Meu pai sabia que iria morrer? Fiquei tão nervosa que minha mão tremia e minha respiração ficou acelerada, e por uns instantes pareceu que não havia mais ar naquele quarto.
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