Depois do meu amor

1 Capítulo único.


Notas iniciais
Oláa, olha quem apareceu! Hahahah, eu tive que fazer uma one pra shot que me pegou de jeito, Um amor para meu amor foi maravilhosa para mim, e espero que gostem dessa one tanto quanto eu gostei de escrever. Beeijos e boa leitura.

"Você me ensinou a coragem das estrelas antes de partir

Como a luz continua eternamente, mesmo após a morte

Com falta de ar, você explicou o infinito

Quão raro e belo é apenas o fato de existirmos"

Saturn — Sleeping At Last

Mordo meus lábios em total desgosto ao ver a caixa em minha frente. Era luxuosa, um presente que só alguém muito rico poderia dar. A maquiagem tentava encobrir a quantidade de rugas que havia abaixo de seus olhos, olhos cansados, Moira estava recostada na cadeira de balanço, me encarando firme, quase implorando para que abrisse a caixa.

— Talvez ela não devesse fazer isso aqui conosco. — Thea sussurrou para sua mãe que finalmente parecia ter terminado a batalha consigo mesma. — Vamos leva-la até Felicity, ela vai saber o que fazer. — completou, franzo o cenho não gostando da ideia de minha tia.

Minha mãe e eu éramos um assunto complicado. Não éramos a melhor dupla do mundo, não contávamos tudo uma para outra, não fazíamos nada que uma mãe e filha faziam normalmente. Após a morte de Oliver Queen, meu pai, ela dedicou-se ao seu trabalho, a honrar o trabalho que ele tanto amava, eu não a culpava.

Nunca me falaram como ele tinha morrido, eu não sabia muita coisa dele e se eu o conhecia um pouco era graças a minha avó Moira e minha tia Thea Queen.

— Porque? — foi minha única pergunta. Eu estava frustrada, não queria ter que passar meu aniversário ao lado de Felicity Queen. Não que ela fosse uma mãe desnaturada ao ponto de me esquecer em um carro, ou mercado, mas tudo que importava na vida dela era o trabalho. Apenas o trabalho. Mas no fundo eu sabia que ela me amava, ou queria muito acreditar aquilo.

— Porque era isso que Oliver iria querer. — vovó Moira sentenciou. Encarei sua pulseira cheia de diamantes brilhar em contraste ao sol, e sem me conter soltei uma respiração longa. Eu teria que me despedir de Coast City, da praia e do meu plano de passar pelo menos aquele dia em paz antes da faculdade. Apenas concordei com a cabeça para logo depois colocar minha mochila dentro do carro novamente junto com o presente.

O caminho até Central City, onde morávamos agora, foi bem mais rápido do que a ida para minha frustração. Senhor Freddy estranhou nossa volta, o porteiro era como um avô para mim sempre disposto a brincar comigo quando era mais nova, e ele não sabia que eu sabia da sua queda pela minha avó Moira, era notório o olhar de admiração e paixão sempre que ela vinha nos visitar.

Tomei uma longa respiração tentando me preparar para o que viria nos próximos momentos. Os olhos vermelhos foram a primeira coisa que vi, depois a blusa que poderiam caber duas da minha mãe.

— Ava! — sua surpresa genuína me fez sorrir rapidamente. — Você não devia estar em Coast City? É seu aniversário de 18 anos amor. — completou antes de me dar um abraço desajeitado, mas eu sabia que era apenas para limpar as lagrimas. Como se eu nunca tivesse presenciado aquele momento antes.

Sempre era daquele jeito. Todos os meus aniversários, logo após as festas ela chorava. Chorava a noite toda em seu quarto, e então esquecia a dor no próximo dia. 18 anos presenciando aquilo, até o momento em que eu parei de querer festas e comecei a ir em festas e eu sabia que assim ela tinha privacidade para chorar o dia inteiro, sem se preocupar com meu julgamento.

Quando criança eu ficava me perguntando se o motivo dela chorar era eu. E porque ela sempre chorava no meu aniversário. Mas nunca me deram uma explicação.

— Nós a trouxemos de volta. — Thea sussurrou depositando a caixa no centro da mesa enfrente a televisão. Mamãe franziu a testa completamente confusa enquanto eu me jogava no sofá. Eu estava curiosa. E louca para voltar para Coast City, vovó havia prometido que se eu quisesse voltar depois de abrir o tal presente, ela mesma dirigiria até lá para me deixar.

— Nós vemos depois querida? — vovó me encarou, algo me dizia que ela já imaginava minha resposta.

— Você prometeu. — pisquei em resposta, e ela sorriu negando rapidamente. Antes de a vi sussurrar algo no ouvido de mamãe que a abalou, porque pela forma que ambas contraíram o corpo em busca de conforto e os olhos marejados ficou bem claro.

Vovó e Thea logo desapareceram de nossas vistas. Encarei minha mãe, no sofá e minha frente. O olhar perdido, vago, repleto de dor. Meu coração implorava para que eu finalmente perguntasse, eu precisava de esclarecimentos.

— Porque? — minha voz não passava de um sussurro. — Porque você me odeia a ponto de chorar tanto nesse dia? — o olhar perdido se tornou confusão e surpresa, talvez ela não esperasse que eu perguntasse tão cedo.

— O que? Ava, eu não odeio você meu amor. Não poderia fazer isso, você é minha garotinha. — respondeu rapidamente, suas palavras pareciam tão verdadeiras. — Hoje faz 18 anos que seu pai morreu.

Pisquei sem entender. O ar parecia ter fugido de meus pulmões, encarei minha mãe, tão distante de mim. Tento respirar, mas nada funcionava, então logo senti os seus braços em minha volta. Me acolhendo. Aquele abraço que eu sempre desejei. Naquele momento, eu chorava junto de Felicity Smoak Queen. Ela sussurrava uma música calminha em meu ouvido, enquanto afagava minhas costa. Era o que ela fazia quando eu tinha pesadelos.

— Nunca esperei conversar com você sobre seu pai nesse dia. Deus é tão difícil.

— Eu preciso. — sussurrei apoiando as mãos no colo, eu tremia.

— Oliver era incrível. — começou, um pequeno sorriso apareceu em seus lábios consequentemente nos meus. Ela estava lembrando. — E você me lembra tanto ele, é tanta semelhança que me assusta. — completou antes de acariciar meu rosto, sempre me falavam que eu parecia com meu pai, talvez fosse os cabelos loiros e os olhos azuis. Mamãe se aproximou já não se importando com minha distância repentina. — Ele te amava tanto, mesmo ainda estando na minha barriga você e ele tinham uma conexão incrível, você já era a garotinha do papai.

Sorri sem me conter. Era com aquilo que eu sempre sonhava.

— Nossa vida era perfeita, você estava quase para nascer quando soube que ele estava doente. Seu pai estava com câncer em estagio avançado, não havia mais nada a se fazer. Mas antes de me contar que estava doente, ele tentou me juntar com outro homem. — ela riu da lembrança . Oliver era doido. Era o meu doido.

— Eu gostaria de ter conhecido ele. — sussurrei, e foi naquele momento que a ferida dela sangrou. Mamãe caiu no choro a minha frente, como quando eu caia e me machucava de forma muito feia. Ela parecia minha filha naquele momento.

— Você o conheceu. Nesse mesmo dia, há 18 anos atrás Deus me dava a coisa mais preciosa da minha vida mas havia tirado uma parte de mim. Oliver, ele só conseguiu esperar você nascer. Só conseguiu ver seus olhos por um momento antes de partir.

Eu entendia agora, eu soube naquele momento que minha mãe nunca tinha me odiado de verdade, ela só não tinha superado a morte de seu amor. Coloquei uma mecha de meu cabelo para trás e a acolhi em meus braços. Nunca tivemos um momento assim, mesmo sabendo a história de como meu pai morreu eu não poderia estar mais feliz por ta finalmente me acertando com minha mãe.

Entendia agora aqueles olhos azuis em meus sonhos. Somente os olhos azuis, repleto de amor. Era meu pai.

— Eu amo a senhora. — sussurrei aquelas palavrinhas que há tanto tempo não falava. Escutei o ofego dela antes de me abraçar com mais força.

— Me perdoe se eu fui uma mãe terrível para você.

— Não! Você não foi horrível, eu só não entendia antes o porque de você sempre chorar no meu aniversário. Agora eu entendo. E eu te amo mãe, você é a melhor mãe do mundo.

— Eu te amo tanto Ava! — fechei meus olhos, realmente vovó Moira estava certa. Eu não queria voltar para Coast City. — Sua avó te deu esse presente? — questionou desfazendo o abraço enquanto secava o rosto. Assenti pegando o presente em minhas mãos.

— Ela fez muito mistério com esse presente. — sussurrei antes de puxar a fita. Estranhei assim que abri, estava cheio de coisas, o pequeno cartão verde tinha chamado minha atenção com rapidez.

"Feliz aniversário princesinha do papai...

Aqui você vai encontrar diversos presentes, um mais diferente do outro. Mas preciso que siga as regras, espero que Felicity esteja do seu lado nesse momento ela vai fazer com que você siga as regras, sua mãe é doida meu amor. Mas enfim, a primeira coisa que vai abrir é essa coisa horrenda marrom... Nós vemos no próximo presente"

— É do papai. — sussurrei com a voz embargada, mostrei o cartão para mamãe e ela rapidamente levou a mão até a boca, assustada. As lagrimas haviam voltado. — Ele te chamou de doida e controladora. — fiz uma piada fraca enquanto pegava o álbum.

A primeira foto era um bebê rindo. A próxima um adolescente, um adolescente com uma menina no colo, um adulto, um adulto com minha mãe.

Ele estava contando a história de sua vida através de fotos.

— Ele era lindo. — sussurrei. — Quem é esse? — apontei para um cara moreno ao seu lado.

— Esse é Thomas Merlyn, melhor amigo do seu pai, você já o conheceu. — mamãe empurrou meu ombro em brincadeira e eu ri corando. Sem saber que era meu tio, eu acabei dando mole para ele em uma de suas visitas aqui em casa. Eu era uma adolescente, estava com os nervos a flor da pele. Sorri enquanto passava pelas fotos, até parar em uma deles dois.

Tão felizes. E grávidos.

— Eu não o conheço mas o amo tanto. — fechei o álbum em pranto. Mamãe me abraçou com força, tudo que eu precisava era aquilo, aquele carinho, mas dos dois. A vida tinha sido injusta em tira-lo de mim assim. No final do álbum tinha mais um cartão, agora em rosa.

"Você sabia que sua mãe diz que rosa é a cor favorita dela? Mas a verdade é que ela não tem cor favorita, ela usa as cores conforme o humor dela. Houve uma semana que ela usou só roupas pretas, ela havia brigado com alguém e não parou de usar preto até que se resolvessem. Ainda bem que durou apenas uma semana, não aguenta mais comprar sorvete de menta..

E eu acho que é exatamente isso que vocês precisam, de sorvete. Então vão ao mercado mais próximo e compre esse sorvete horroroso, desculpa amor mas esse sabor é horrível. Ava vá com sua mãe compre o sorvete e bastante cobertura e quando voltar, pegue um pen drive que está entre os livros do Harry Potter"

Encarei mamãe que lia em voz alta, ela gargalhou quando ele tinha dito que o sorvete era ruim. Como uma menina sapeca me ergui do sofá em um pulo em busca do tal pen drive.

"Eu sei que você foi procurar o pen drive primeiro, por isso só sua mãe sabe onde está os livros Ava, não tente trapacear"

Mamãe terminou o cartão e eu fiz bico contrariada.

— Vamos logo comprar esse sorvete. — resmunguei pegando a chaves do carro. — Valeu papai. — reclamei em falsa raiva. Mamãe sorriu de maneira brilhante. Havia tanto tempo que havia visto ela sorrir daquela forma.

Não demorou mais que 20 minutos ate que voltássemos para o apartamento. Mamãe foi procurar o pen drive enquanto e procurava as colheres, claro que iriamos devorar aquele sorvete.

— Você está pronta? — questionou assim que voltou com o notebook.

— A questão é, você esta? — retruquei colocando os lenços ao meu lado, mamãe riu negando. Mas eu sabia que era necessário, tanto para ela quanto para mim.

Enfiei uma colherada de sorvete assim que ela apertou o play. Encarei admirava a face linda de Oliver Queen, meu pai. Era uma filmagem simples, ele, mamãe de alguém.

— Sarah estava linda naquele dia. Soube que estava grávida naquele dia. — ela sussurrou observando a filmagem concentrada. Não era preciso falar nada, o amor que aqueles dois exalavam era maravilhoso e lindo. Mamãe se movimentava pela pista de dança desajeitada, ela apoiava a mão na barriga fazendo um leve carinho enquanto encarava a camêra firma, mais precisamente ela encarava meu pai, foi naquele momento que eu soube que ela estava grávida.

O primeiro arquivo era apenas aquilo. Para mostrar que eles realmente se amavam. Eu entendia o luto da minha mãe, um amor como aquele é difícil de achar. Mamãe me encarou temerosa antes de dar play no segundo e ultimo arquivo.

— Oi minhas meninas. — o rosto dele parecia diferente, mais ainda sim tão belo quanto antes. Segurei o choro. — Sei que não devia começar esse vídeo falando isso, mas se vocês tão vendo isso agora é porque eu morri e Ava já esta completando 18 anos. Eu não vou e nem quero tá me lamentando nesse vídeo porque tudo que eu quero é celebrar com minhas meninas. Felicity, meu amor, eu sei como você sente porque eu me sentiria completamente perdido se fosse o contrário, mas eu preciso te pedir que não pare sua vida, não fique apenas na empresa que eu sei que é isso que você tá fazendo para diminuir a dor. Não preciso ser gênio para saber disso. Viva sua vida meu amor, você tem muito o que viver ainda. — ele deu uma risadinha cansada antes de se movimentar na cadeira. Apertei pausa para encarar minha mãe que chorava como uma criancinha. Agora eu entendia o porque do sorvete.

— A gente pode parar se for demais. — sussurrei, ela negou prontamente antes de voltar a apertar o play.

— Ava, eu realmente espero que você comece a namorar só depois dos trinta, não quero minha garotinha se envolvendo com cara sem futuro. Brincadeiras a parte, sei que agora que completou 18 anos você está prestes a ir para a faculdade, e acredite em mim tudo que eu queria era estar nesse momento com você. Queria ter sido o pai que você merece, mas infelizmente a vida não é justa. Eu só quero que você seja feliz minha menina. Enfim, você pode pegar o mapa que está no final da caixa?— fiz o que ele pediu em prantos. — Ótimo, como eu sou ruim de matemática não devo ter calculado isso bem, mas nesse mapa eu marquei os melhores lugares para se visitar. Faça isso antes de ir para a faculdade, porque eu quero minha menina se formando no tempo certo. Esse é meu presente para você amor, sua avó Moira aqui. — ele mostrou o rosto mais jovem da vovó que revirava os olhos para a exibição dele. — Ela concordou com muita luta que só entregaria isso para você quando fizesse 18 anos, mas eu sempre estive na sua vida. Sempre em pequenos presentes entregues por ela, eu mesmo comprei, sabe a pulseira com a flecha eu comprei para você princesinha, enfim, eu só espero que seja feliz minha princesinha porque eu fui.— então o vídeo terminou. Meus soluços eram altos, acariciei a pulseira em meu braço levemente sentindo o peso dela. Meu pai sempre esteve presente em minha vida eu apenas não percebia.

Abri o mapa vendo aos pequenos pontos. Brazil, Paris, Inglaterra entre outros. Sorri ao ver o post-it verde.

"Leve sua mãe para o Havaí, ela sempre quis ir"

— Vou leva-la papai. — sussurrei olhando para cima. Eu a levaria e faríamos todo esse tuor juntos, e enfim eu poderei ir para a faculdade em paz. — Obrigada por ser o melhor pai do mundo. — agradeci encarando sua foto.

Notas finais
E então! Me contem nos comentários. Confesso que depois de um certo tempo sem escrever nada a gente perde o jeito, mas eu amei escrever cada palavrinha dessa one, espero que gostem também. A gente se vê nos comentários. Até quem sabe, breve.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!