Depois do fim o começo

1 Depois do fim, o começo


Notas iniciais
Olá gente, segue a one shot sobre Meu mundo é você. Espero que gostem, por favor comentem!!

Mesmo com o tempo fechado, era possível sentir que a tempestade havia passado já algum tempo e que certamente demoraria a retornar. Caía uma chuva fina no final tarde e Sam gostava de aproveitar aqueles momentos de paz e tranquilidade para sentar ao lado do marido e conversar sobre suas vidas antes de irem jantar com o restante da família.

Naquele momento os dois se encontravam na biblioteca onde uma vez haviam se beijado no meio da noite entre as estantes abarrotadas de livro. Sam lembrava que minutos antes, ela lia um livro sobre a América, terra que os dois acabaram escolhendo para começar uma nova vida da qual foram retirados abruptamente por causa dos problemas que os acompanharam até ali. Uma rusga de preocupação surgiu em sua face tranquila ao lembrar-se de seu passado turbulento como espiã.

Quando jovem, Sam participara de um grupo rebelde descendente de suíços que tentavam derrubar toda a coroa francesa por causa de guerras que haviam acontecido entre os dois reinos no passado da qual a França saíra vencedora e dona de vastas terras da Suíça.

Sam ignorara completamente o fato de que quando criança se deixara apaixonar pelo herdeiro do trono e acabara por arruinar todo o plano ao deixar de por todos os reinos vizinhos contra a família real.

Ela conseguira documentos que provavam a ambição e a deslealdade do pai de Freddie, o rei da França, mas optou por ficar ao lado de Freddie, ainda que não se aliasse a sua família, ou tampouco deixasse de ser pelos seus amigos.

Assomado a isso, havia outros problemas que muito afetava a relação dos dois, como ambição de um duque que fingia ser aliado da França, mas que pretendia na verdade usurpar o lugar do herdeiro e um tratado que a família de Freddie firmara com os Italianos visando fortalecer a dinastia.

Esse tratado determinava que Freddie deveria se casar com a princesa do reino italiano, mas ele não apenas era indiferente a moça, como também era apaixonado por uma espiã que conhecera ainda criança quando se perdera na floresta.

O resultado disso tudo foi uma invasão ao castelo francês por parte de espiões e outros camponeses, cansados dos altos impostos cobrados pela coroa e da tirania do rei que também havia prendido algumas pessoas suspeitas de serem aliadas da espiã Samantha, que aquela altura já havia sido descoberta.

Freddie conseguiu controlar a situação com a ajuda de Sam, mas os dois acabaram fugindo para a América, pois o rei não aceitava o relacionamento dos dois e o que parecia ser o final feliz acabou se convertendo num quadro ainda pior do que o que eles haviam deixado.

Revoltada com a rejeição, Charlote exigira que a família rompesse com a França, mas eles não fizeram isso, pois consideravam a aliança muito valiosa para ser desfeita apenas por aquele motivo.

Então o duque aproveitou-se disso para se aproximar dela. Ele e charlote se casaram escondidos e se mudaram para o ducado onde começaram a manter contato com o reino da suíça e como Charlote sabia muito sobre os franceses, isso facilitou bastante as coisas para os dois.

Ela contou a todos que a irmã de Freddie, Carly, não era filha legitima dos reis de modo que seus filhos não poderiam governar o país e isso revoltou a maior parte dos súditos franceses, entre camponeses e nobres que desconheciam o fato e passaram a exigir o retorno de Freddie.

Freddie já estava na América há sete anos quando resolvera voltar, deixando bem claro que possuía uma família e que não havia possibilidade de retornar sem eles.

O rei não teve escolhas e se viu obrigado a receber Samantha Puckett como a futura rainha da França. Ela e Freddie já tinham um filho, Louis, de sete anos que a principio ficou assustado com a história da sua família e sua ascendência real, mas pouco a pouco se acostumou a ideia.

Assim todos passaram a conviver sob relativa paz dentro do castelo, até Sam perceber o quanto o rei estava disposto a fazer com o neto, o que não conseguira fazer com Freddie: Transformá-lo numa versão mais jovem dele mesmo. E pra piorar, o garoto gostava bastante do avô e quando Sam tentou afastá-los, já era tarde demais.

Ela conversou com Freddie e cogitou retornar a América, mas ambos reconheciam a impossibilidade de tal atitude uma vez que o duque Humbert continuava a tramar contra a França.

Os anos se passaram, Sam e Freddie tiveram mais dois filhos, Louise e Henri que também foram rapidamente conquistados pelo avô que Sam tinha de admitir, parecia gostar muito das crianças, ainda que do seu jeito. As três crianças tinham cabelos escuros como pai e a exceção de Louise, olhos claros como os da mãe.

Carly e Vincent, casados já algum tempo, tiveram apenas um filho, Jean e os três viviam no condado da família de Vincent desde que todos descobriram a verdadeira origem de Carly. Não que não a quisessem mais no castelo, ela simplesmente preferia assim e sempre que podia visitava a família.

Spencer partira para o condado com a irmã e se casou com uma tecelã que conhecera no condado.

Quem também visitava o castelo com frequência eram os amigos de Sam, o que desagrava m pouco a Freddie, mas eles ficavam por pouco tempo, estavam todos casados, cuidando da própria família e apareciam mais para deixá-la informada do que por qualquer outro motivo.

O rei teve que admitir que ter Samantha como aliada era bastante vantajoso, uma vez que os amigos dela a mantinham informada sobre o que acontecia nos povoados franceses e também em outros, mas o fato dela sempre discutir a favor dos camponeses diante de ministros e conselheiros o levava acreditar que Freddie poderia ter feito uma escolha melhor.

Mas então, o rei adoeceu e faleceu alguns meses depois, vitima de uma forte pneumonia a qual nenhum médico o conseguiu curar. A esposa dele, mãe de Freddie não conseguia esconder sua tristeza diante da perda e foi ficando cada vez mais difícil vê-la fora do castelo.

Freddie foi corado dois meses depois, numa cerimônia simples restrita a família e aqueles cuja presença se fazia obrigatória, como padres e ministros. Mas no restante do reino, a comemoração seguiu-se por três dias, as pessoas soltaram fogos, cantaram e dançaram para comemorar a o inicio do novo reinado.

A família inteira ainda estava triste com a morte de Fredward VII, mas a vida precisava seguir e então Freddie, com a ajuda de Sam começou a determinar as mudanças que seriam feitas no reino e como obteve a aprovação de todos, ele pôde aproveitar da melhor maneira possível os seus primeiros anos como rei.

Então os dois gostavam de aproveitar ao máximo qualquer tempo que pudessem ter juntos, pois não raramente Freddie era obrigado a viajar para resolver problemas políticos ou simplesmente para participar de cerimônias. A essas últimas, Sam quase sempre participava a menos que os filhos estivessem com algum problema.

Dos três filhos que tiveram Louis sempre fora o mais fácil de lidar. Talvez por ser o mais velho e por tantas vezes ser encarregado de tarefas importantes, ele raramente se envolvia em problemas e era muito obediente. Mas Louise, nove anos mais nova e separada do caçula Henri por apenas dois anos, gostava bastante de chamar atenção e provocar os irmãos, conhecia a história dos pais e sempre que podia ameaçava fugir e virar uma espiã como a mãe. Henri era uma criança normal e gostava muito de ficar perto do irmão mais velho.

Foi naquela tarde de outono em que lia na biblioteca ao lado de Freddie que, Sam observou quanto o tempo havia passado. Os filhos estavam com 18, 9 e 7 anos e ela e Freddie com 37, era como se uma eternidade a separasse da sua adolescência, como se fosse em outra vida que todos aqueles fatos houvessem se passado.

Ela olhava distraidamente para as duas crianças brincando sob os cuidados da avó paterna sentiu saudade da mãe que ficara na América após se casar novamente. Sentiu saudades do pai que costumava contar história e lhe dar conselhos sempre que precisava, como se fosse capaz de ler seus pensamentos.

Sam só percebeu que chorava quando sentiu a mão do marido alisando-lhe os cabelos presos numa longa trança. Ela evitou encará-lo e enxugou o rosto rapidamente voltando-se ao livro que tinha nas mãos.

–Sam o que foi? –Perguntou ele.

–Eu não sei. –Ela o olhou de relance. –Acho que me deixei levar pelas lembranças.

–Lembranças boas ou ruins?

–Boas. Estava pensando nos meus pais.

Ela viu a preocupação perpassar no rosto ainda jovem do marido e sorriu tentando quebrar aquela situação.

–Está tudo bem, Freddie só estou um pouco emotiva. Desculpe.

–Não tem que se desculpar. –Ele mirou a janela ficando em silêncio por algum tempo. –A Louise me disse que quer aprender a lutar.

–E qual o problema nisso?

–Queria saber sua opinião.

–Sou totalmente de acordo. Freddie, ela é uma princesa, sempre será alvo dos inimigos, então é bom que saiba se defender.

–Prefiro que sempre tenha pessoas protegendo ela.

–Eu também. Mas não podemos prever o futuro.

Ele assentiu e tentou se voltar ao livro, mas percebeu que não estava mais interessado na leitura. Aproximou a cadeira ainda mais da desposa e tomou as mãos dela entre a sua tentando obter sua atenção.

–Já disse o quanto você é linda hoje?

–Logo pela manhã, após sair de cima de mim.

–Sam, não fale isso assim, alguém pode entrar e ouvir! –Ele sorriu levantando. –Eu vou mandar as crianças entrar e quando voltar jantamos, está bem?

Ela assentiu ainda sorrindo e o observou deixar a sala com sua habitual elegância desnecessária que continuava a lhe arrancar suspiros secretos.

Alguns minutos depois as portas se abriam abruptamente e Louise entrou com um ar amedrontado seguida de Henri que parecia igualmente preocupado. Atrás dos dois vinha Freddie com um encarando-os aborrecido.

–O que aconteceu? –Perguntou Sam levantando.

–Quem vai começar a contar? –Perguntou Freddie.

Louise enrolava uma mecha de cabelos entre os dedos e evitava encara os pais.

–Mamãe, eu prometi que não ia contar. Aí o pai chegou e ouviu o Henri falando, por que ele não sabe falar baixo...

–Louise minha queria, por favor, diga logo o que está acontecendo. –Sam falou com uma paciência forçada.

–Eu não tive a intenção de ler as cartas do Louis, eu só estava procurando um jogo divertido... –ela começava a chorar. –Então eu vi, ele recebe cartas da Beatrice e acho que escreve pra ela também... Eu me sinto muito mal por ter lido, me desculpem.

–Podem sair agora. –disse Freddie antes que Sam falasse alguma coisa. –Depois converso com vocês.

Os dois saíram rapidamente, felizes de se livrarem do castigo ainda que por pouco tempo.

Sam esperou os filhos sair e então se deixou cair na cadeira em que estava sentada antes. Temia pelo que viria a seguir, mas pelo semblante de Freddie não estava enganada. Beatrice era filha do duque Humbert com Charlote, garota de 16 anos que o filho devia ter conhecido em alguma festa ou cerimônia em que fora com os pais na qual conseguira se manter fora da vista desses por algum tempo. Às vezes Sam e Freddie encontravam a família do duque em uma situação ou outra e se cumprimentavam educadamente, mas não cogitavam passar disso.

–O que vamos fazer, Freddie?

–Vamos conversar com ele.

–Se falarmos com ele só o deixaremos mais interessado na moça.

–Meus pais nunca conversaram comigo sobre você, eles nem ao menos te conheciam. Eu acho que não há nada que a gente possa fazer, Sam é a vida dele.

–Está me comparando a ela? Eu nunca ofereci perigo a sua família!

–Sam, você invadiu esse castelo.

–Mas eu amava você! E continuo amando! Mas e se essa garota só estiver usando o Louis? Ele vai sofrer muito! Freddie, eu não quero que meu filho sofra!

–E você acha que há alguma coisa que a gente possa fazer? Ele sabe da história toda, e mesmo assim mantém contato com a menina...

–Está bem. – Sam falou após um longo suspiro. –Vamos conversar com ele. Mas estou avisando, Freddie não vou permitir que meu filho seja usado nem que pra isso eu precise usar uma espada novamente.

Freddie passou as mãos nos cabelos e permaneceu calado esperando o momento em que Sam se convenceria de que não havia nada que ela pudesse fazer para mudar os sentimentos ou as escolhas dos filhos.

No fundo ele achava que a vida estava fazendo com que eles vissem sua própria história por outro prisma.

Mas também se preocupava muito com as reais intenções da família Haze permitindo que a filha se aproximasse de pessoas que eles mesmos consideravam inimigos, já quer certamente era mais difícil pra uma moça enviar cartas sem dar uma boa explicação.

A noite, quando todos já haviam se recolhido, Freddie se preparava para deitar quando percebeu que Sam ainda estava bastante incomodada com a situação. Eles ainda não havia falado com Louis, nem sabia se fariam isso, mas estavam certo de que os sentimentos do filhos era a verdadeira questão ali. Os problemas políticos não eram dignos da mesma preocupação que o bem estar das crianças.

–Eu sei como se sente. –Ele disse ao deitar ao lado dela. –Não pense que não estou preocupado.

–É como se andássemos em círculos.

–Vai ficar tudo bem, Sam o Louis é um garoto inteligente. Talvez seja só uma amizade.

–Meu filho é bonito demais pra isso.

Freddie gargalhou e ela também riu sentindo os ombros relaxarem.

–Mas em uma coisa você está certo. –Ela disse descansando a cabeça obre o peito de Freddie. –Vai ficar tudo bem.

Ele a abraçou soprando a vela ao lado da cama e ambos sentiram que tudo sempre ficaria bem desde que estivessem juntos. Pois um sempre representaria o mundo do outro.

Notas finais
O que acharam?? Por favor comentem pra eu saber, ta bem??Gente mais uma vez obrigada por ler, um feliz Natal e um 2015 cheio de luz pra todos nós.Bjos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!