Depois do cair das cortinas
7 O que ele está tramando?
Notas iniciais
Os pés de Christine iam por conta própria, se arrastando na direção do cômodo, ela passou por vários guardas, dando seu nome, então chegou a porta, bateu suavemente, a sultana possuía um lindo quarto, com uma cama de casal com lençóis lindos, no canto havia um sofá, e no outro havia um amontoado de almofadas com uma estante cheia de livros, Mazenderã e a prima estavam sentadas, o coração da garota parou, por que a prima da sultana estava ali? Provavelmente haviam descoberto as intenções reais da soprano, e ela estava ferrada, se ao menos estivesse com a pistola do Persa. Mas ela continuou a se dirigir as duas, sem vacilar, e parou na frente de Mazenderã, sustentando o olhar da mesma:
– Oh, você veio, sente-se por favor, esta é minha prima Roya, ela é prometida de Erik e o que tenho de falar tem relação com isso. – A garota engoliu em seco e falou:
– Bem, e qual é o assunto, se me permite a ousadia?
– Meu marido irá voltar de viagem semana que vem, ele é um grande comerciante, e estará muito estressado, ele, bem, nós sabemos que é difícil vencer os pensamentos machistas, e ele, apesar de bancar, acha uma grande besteira ensinar alguma coisa a mulheres, e eu preciso o contrariar, quero uma apresentação muito boa, que contradiz o velho costume de apenas mostrar o corpo e rebolar, quero algo que faça sentido, misture essas danças ocidentais e o velho espirito do Oriente Médio, entende? – Christine se sentiu aliviada e falou:
– Claro, irei dar o meu melhor, já tenho até ideias, será uma imensa honra! – A sultana sorriu e completou:
– Você vai poder usar o salão do térreo e aqui tem uma carta que lhe dá a autoridade, mas se você quiser me sabotar, eu sempre posso contratar um grupo para dançar e entreter convidados. Entendeu?
– Sim, não lhe decepcionarei.
– Ótimo, pode se retirar, mas lembre-se de praticar com suas alunas um pouco de valsa, já que vocês a dançaram no meu baile também, e não esqueça que eu preciso de outra apresentação um pouco mais formal para o casamento de minha prima, se você for útil aos meus propósitos, ganhará um quarto aqui no terceiro andar e eu considerarei um título de acompanhante.
A menina acenou com a cabeça e saiu um tanto avoada, ajeitando nervosamente a burca, foi quando esbarrou em um homem alto, e deu de cara com Erik, que falou:
– Te agradou?
– O que me agradou?
– Ora, quem você acha que falou para Mazenderã te convidar para coreografar uma turma inteira? Você me pareceu bem centrada, resolvi te dar uma oportunidade.
– Obrigada, não era necessário.
– Não foi nada, apenas não nos decepcione.
A menina saiu correndo do lugar, entrando desesperadamente no quarto, onde anunciou para as garotas:
– Tenho boas notícias. – Em um idioma árabe um tanto precário. – Venha cá Indra. – Todas a olhavam, curiosas. – Indra, por favor, traduza meus dizeres para o árabe.
– Bem, semana que vem o marido de Mazenderã volta de viagem, e a sultana quer uma apresentação de dança, eu farei a coreografia, e apresentaremos esta semana que vem, eu tenho uma carta da própria sultana que me dá direito de fazer tal coisa. – E estendeu a carta, para provar. Um monte de garotas pegou a carta e a passaram de mão em mão, dando risadinhas animadas, e quando acabaram de ler esta, olharam para Christine, perguntando quando começariam os ensaios e a menina não perdeu tempo:
– Agora, sigam me, vamos até o salão. – O salão era incrível, com grandes paredes douradas e uma abobada enorme, as garotas entraram e se espalharam, de frente para a soprano, que começou mandando elas se aquecerem, dando instruções básicas, e observando, a maioria delas não tinha muita flexibilidade, mas a menina daria seu jeito:
– Tudo bem garotas, vamos lá, a sultana quer algo mais clássico, então eu quero um pouco de ballet na coreografia, eu tenho uma ideia para o começo, vamos fazer uma meia-ponta, depois nós iremos arquear um pouco o tronco para trás, eu aceitarei sugestões, alguém tem alguma? – Femke levantou a mão, insolentemente:
– Eu sugiro que você pare de ser ridícula, Anisah.
– Pensei que tinha pedido sugestões, não demonstrações de inveja, pare de se envergonhar, alguém quer dar uma sugestão útil? – Várias garotas se apressaram para dar sugestões e Femke ficou com uma cara incrédula, a aula prosseguiu dali em diante, e a maioria já havia aprendido um pouco da coreografia, e quando elas voltaram ao dormitório, várias garotas conversaram com Christine, rindo e perguntando como era o quarto de Mazenderã, a soprano contornou algumas perguntas e respondeu outras, até que uma garota perguntou:
– É verdade que você vai casar com Erik?
– É... Claro que não, ele estava apenas sendo gentil.
– Ah... É que um homem como ele sozinho é bem raro.
– Aliás, tenho uma notícia relacionada a isso, mas só revelarei próxima semana.
– Ahhh...
Elas conversaram sobre vários outros assuntos e terminaram a noite assim, no outro dia a menina descia as escadas para a aula, quando sentiu algo cair da burca, era um bilhete, e dizia:
– Me encontre no arco do jardim na hora do almoço. – A moça passou o dia curiosa, e na hora do almoço correu para o arco, esperando que Erik estivesse lá, mas quem estava era um garoto tipicamente persa, com cabelos pretos bagunçados e os olhos verdes de Mazenderã, rapidamente Christine reconheceu-o como filho da sultana, e se assustou:
– Por que me chamou aqui?
– Preciso falar com você Anisah.
– Sobre o que?
– Eu andei te observando nas aulas em que não usa burca, sei que é errado, mas eu estou apaixonado por você, és tão doce, por favor aceite, eu posso te dar uma vida de rainha, presentes, joias, criados, vestidos, tudo! Por favor aceite.
– Não posso fazer isso, você é poderoso, eu sou uma moça simples, não podemos fazê-lo!
– Claro que podemos, você tem a beleza dos anjos, por favor aceite. – O rapaz se ajoelhou. – Eu me chamo Parham, olhe, até aprendi um pouco mais de francês para me comunicar com você! – Ele segurou os braços da menina.
– Por favor, me solte, existem várias mulheres poderosas e bonitas, você vai achar uma, é um rapaz bonito, tem várias chances na vida.
– Se me acha bonito, por que nã... – O rapaz foi interrompido por uma mulher falando:
– Parham! – Mazenderã gritou e pegou o filho. – Como ousa, espiona a moça, lhe importuna, mil desculpas Anisah, recentemente o irmão dele casou então ele anda tentando achar uma mulher também. – A sultana arrastou o filho para longe e Christine virou para o outro lado, já indo embora, quando se deparou com o Fantasma, que sorria:
– Garotos na puberdade são tão volúveis, essa idade dos 18 anos é difícil, vim te acompanhar, está bem?
– Sim, ele me assustou um pouco, mas foi só isso.
– Pensei que você fosse ceder, várias garotas cederiam para um garoto da realeza. – A soprano percebeu o rumo estranho da conversa.
– É, mas deu para perceber que ele estava um tanto insano.
– Mas eu concordo com algumas coisas que ele disse, beleza dos anjos... Chegamos no seu quarto, boa noite Anisah. – O homem deu um sorriso, e saiu, dentro do quarto a garota foi questionada várias vezes, a história já corria pelo castelo, mas apenas uma pergunta não saia da cabeça da moça, o que Erik estava fazendo?
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