Depois do cair das cortinas
1 Desilusão
Notas iniciais
Christine estava tendo mais um daqueles sonhos. Ela estava de volta a Ópera Garnier, ouvia novamente as vozes do coro de bailarinas, que falavam sombriamente: “Ele está aqui, O Fantasma da Ópera! ”, ela também via novamente o lustre cair, a cena do telhado com Raoul, o seu sequestro, Erik prendendo o Visconde e o Persa na câmara dos suplícios, ela aceitando se casar com ele, ele lhe dando um beijo na testa, os olhos dele ao libertá-la, tudo isso formava um furacão de emoções. Ela acordou no meio da noite, assustada e suada, Raoul acordou ao seu lado, preocupado, ele disse:
— O que houve, meu amor? Já é a segunda vez nessa semana.
— Não estou me sentindo bem, acho que estou gripada.
— Querida, eu sei que você é contra a minha viagem, mas por favor, não faça drama apenas por causa disso, preciso ir nesta expedição para ganhar a confiança do comandante, senão ficara difícil de trabalhar lá.
Christine se fechou, ela não queria que o marido pensasse que estava fazendo drama, mas também não queria que ele soubesse a verdade. Era melhor daquele jeito.
— Está bem meu amor, sei como essa expedição é importante para você.
— Então volte a dormir, para poder estar disposta amanhã.
Mas a garota não voltou a dormir, apenas ficou pensando em tudo que havia acontecido, ela tinha idealizado uma vida perfeita com Raoul quando saiu do covil do Fantasma, mas as coisas não foram muito bem, o Visconde havia sido acusado de assassinar o irmão, a polícia veio atrás e ele pegou toda a fortuna dos De Chagny que conseguiu, uma singela quantia, mas muito grande mesmo assim, eles fugiram para uma cidade pequena próxima de Paris, ali Christine tinha conhecidos e arranjou uma pequena casa, simples e aconchegante, eles arranjaram documentos falsos, ( É incrível o que se pode fazer com uma boa quantia de dinheiro numa prefeitura), se casaram na Igreja e no papel, até ai estava tudo bem, só que a garota não conseguia entender o motivo do marido ter escolhido AQUELE lugar. Era uma cidade rústica e as pessoas eram duras, existiam cidades melhores com pessoas melhores, porém ela descobriu o motivo em uma semana, quando Raoul quis entrar para trabalhar em um porto, mesmo tendo muito dinheiro e estudo suficiente para ter um emprego melhor e menos cansativo, geralmente ele ia em navios cargueiros para outras cidades e ficava uma semana, quando ele voltava, ficava com um gosto maior para cerveja e whisky, bebia tanto que a esposa tinha de jogar água em sua face para que este acordasse, e então ele ia irritado para o banho, nunca ele havia batido nela, porém ele e tornara ciumento, quando ele sentia ciúmes fazia muitas perguntas e a cantora tentava manter um ar mais inocente possível, mas mesmo quando a sessão acabava, ficava um clima estranho e ele olhava pra ela de modo diferente, o Visconde também estava obcecado pela ideia de um filho, chegando a perguntar para um médico da região o que uma mulher devia fazer e comer para engravidar com facilidade, o homem lhe dera uma lista e ele pediu para Christine que seguisse aquelas regras à risca e então ele a levava para cama e derramava sua semente dentro dela, ela não ficava infeliz com a ideia de um filho, apenas confusa com o comportamento dele, de vez em quando ele se tornava doce de novo, mas depois voltava atrás e ficava rude e ciumento, ela escolhera Raoul, mas ganhara um novo Fantasma, quando o seu esposo saiu para o porto de manhã, Christine se aconchegou na poltrona enquanto Diane (a empregada) limpava o chão, e pensou na vida perfeita, que nunca conhecera, estava tão absorta em seus próprios pensamentos e quase não notou quando alguém bateu na porta e a empregada foi atender, fechando a porta estrondosamente atrás de si:
— O que houve Diane?
— É um homem meio estranho, mal-encarado, quer falar com a senhora, se chama P...Persa.
A cantora arregalou os olhos, o Persa? O que ele queria ali? Ela acenou para que a garota deixasse o homem entrar, quando a porta se abriu o Daroga entrou, usava roupas meio velhas e a pele ficara mais morena e queimada de Sol, ele parecia preocupado e falou:
— Christine Daaé, peço que mande a moça embora para podermos conversar.
A soprano se levantou, sabia o quanto Raoul era ciumento e a ideia era horripilante:
— Senhor, se mandar ela embora, ela contara para meu esposo que fiquei sozinha com um homem, e então seria um ataque de ciúmes desnecessário.
— Não seja por isso.
Ele deu alguns francos a empregada e lhe falou:
— Estou a serviço da polícia, não fale nada a seu chefe, não há nada do que suspeitar. — Ele a olhava nos olhos, como se hipnotizasse ela. — Entendido?
A garota balançou a cabeça e saiu pela porta, as moedas tintilando:
— O que aconteceu, Persa?
— Erik aconteceu, senhora.
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