Depois do amanhecer
6 Buscas
P.O.V. Alec.
Estamos indo cada vez mais fundo na floresta. E procurar algo sem um rastreador é complicado.
É como caçar, mas apesar de eu e todos os outros membros da guarda sermos bons caçadores. Caçar não é mesmo que rastrear.
Rastreadores tem mais clareza nos sentidos e um foco incrível. Eles inalam o cheiro e aquele cheiro em específico predomina sob todos os demais.
—Parece que achamos alguma coisa. O cheiro dela tá aqui, mas tem outro.
Félix pegou uma blusa qualquer de dentro do carro que estava estacionado no acostamento da estrada de terra.
—Eca, cheiro de filho da lua.
—Tudo aqui fede a filho da lua.
—Foco!
Tomei a blusa das mãos de Félix e senti o cheiro.
—Não reconheço o cheiro, mas Félix está certo. É um lobisomem. Tem uma estrada. Vamos seguir. Eu vou pela floresta e vocês vão pela estrada.
P.O.V. Renesmee.
Eu não acredito. Nem mesmo um Volturi seria capaz de algo tão baixo.
—Funcionou não é? Ele é um híbrido.
—É. E seu pescoço tá completamente curado, você não tá com febre, demência ou alucinações. O sangue da criança não só cria essas monstruosidades, mas também cura mordida de lobisomem. É mole ou quer mais? Se o Alec e os Mestres se apossarem de você, se ele pegar esse moleque, ele ganha.
—Então me ajude a esconder o bebê deles. Me ajude a fugir.
—Eles vão te encontrar. Vão massacrar sua família, pegar o seu filho e fazer mais monstros híbridos. Escravos que fazem tudo o que ele manda. Ele vai afogar o mundo sobrenatural e provavelmente o mundo humano em sangue.
Ele pegou a faca e começou a se aproximar.
—Thiago, por favor. Tem que haver uma alternativa, você não precisa fazer isso.
Quando ele chegou perto o suficiente eu enfiei a estaca na perna dele e ele derrubou a faca.
—Isso foi burrice.
—Se afasta dela!
Disse o outro, o híbrido.
—De que te interessa?
—Eu mandei se afastar!
—O que?
—Davi, ele vai me matar e vai matar você também. Ele acha que híbridos são perigosos demais para viver e você precisa detê-lo!
Eles começaram a se atracar, me arrastei, consegui chegar na faca e cortar o lacre. Enquanto eles brigavam eu fugi correndo, mas sabia que era burrice fugir de um lobisomem no território dele, então depois de ter corrido uma boa distância, me escondi atrás duma árvore e fiquei esperando de tocaia com a faca em punho.
Ouvi alguém pisar num galho, ai quando a pessoa se aproximou... eu ataquei.
—Oh, me perdoe. Achei que estava em perigo. Parece que eu me enganei.
Era o Alec. Num ato de desespero, alívio, sei lá, eu o abracei.
—Você não vai acreditar no dia de merda que eu estou tendo.
Eu tinha que perguntar. Eu tinha que saber.
—Vamos, vou levar você pra casa.
—Espera. Preciso saber uma coisa antes.
—O que?
—Tem algo que precisa saber sobre o bebê.
—O que?!
P.O.V. Alec.
Ela me contou tudo. Tudo sobre a teoria maluca, as visões da bruxa e como o lobisomem achava que eu pretendia usar minha própria filha como uma bolsa de sangue.
—Por favor me diga que não é verdade. Por favor me diga que não sabia. Que não planejou isso.
Falou chorando.
—Me recuso a acreditar que até mesmo um Volturi desceria tão baixo. Diga alguma coisa. Por favor.
—O que quer que eu diga? Que não estou ofendido por você ter acreditado nesta teoria idiota de que eu usaria meu próprio filho como uma bolsa de sangue ambulante fazedora de híbridos?!
—Pode me culpar? O que foi que você disse quando descobriu que eu tava grávida? Mate-a e o bebê. De que me importa?
Disse fazendo uma terrível imitação da minha voz.
—Você não poderia estar mais pouco se lixando para o bebê, só quer que ela nasça pra poder usá-la e fazer mais híbridos escravos. Mas, novidade. Do jeito que... Davi estava agindo era mais... como se estivesse ligado á mim.
Ela parecia realmente crer que eu faria aquilo á minha filha.
—Então, acredita no lobisomem?
—Eu não sei em que eu acredito! E esse é o problema. Você é absolutamente inconsistente! Num momento quer que as bruxas me matem e matem a criança, então é super-protetor, ai de novo... age como se não desse á mínima! Pelo amor de Deus tome uma decisão!
—Bem, estamos tendo problemas no paraíso. Eu acabo de encontrar um cadáver. Com o coração arrancado.
—Não é apenas um corpo.
—O que quer dizer?
—Pergunta pro seu irmão. Quem sabe ele responde!
—E onde pensa que vai?
—Vou pra casa. To cansada dessa confusão e se eu tiver que matar a guarda inteira pra ir embora que seja.
Ela saiu correndo. Tentei ir atrás dela, mas Jane me impediu.
—Não. Você vai explicar. Agora.
Jane me arrastou até a cabana onde estava o cadáver.
—O que tem de especial neste corpo?
Respirei fundo.
P.O.V. Jane.
Quando a resposta saiu da boca dele eu fiquei chocada.
—É o corpo de um híbrido. Um híbrido como eu.
—Espera, o que?
—Thiago Marini trouxe a Renesmee aqui para testar uma teoria. Que o sangue da criança poderia ser usada para gerar híbridos. E além disso, ele alega que eu sabia disso e que planejava usar o sangue do bebê para criar um exército.
—E planejava?
—Não! Até você J? Você é claro presume que é verdade. Quer dizer, porque outro motivo eu demonstraria qualquer tipo de interesse na minha própria carne e sangue? Um bebê chorão aponta o dedinho pra mim e minha própria irmã, entra na fila... ansiosa para acreditar! O quão rápido você presume o pior e especialmente vindo... dela.
—Ah, me poupe da indignação. Quando descobriu que ela estava grávida ia deixá-la para morrer! E quando demonstrou qualquer tipo de preocupação com a Ness ou o bebê dela além dos seus próprios interesses egoístas?! Eu não sei mais quem você é. Depois que virou híbrido... meu irmão morreu. Meu irmão, a pessoa que me acalmava quando eu ficava triste, que me abraçava quando estava solitária se foi!
Jane começou a chorar, mas é claro sem lágrimas.
—Estou tentando... muito te salvar. Eu quero o meu irmão de volta! Eu quero mio fratello de volta! Mio gemilli! Mas, tudo o que eu tenho é uma casca vazia!
—Não estou vazio. Estou transbordando! Estou me afogando! Não consigo me focar, não consigo pensar, não consigo fazer nada! Minhas emoções estão me comendo vivo! Minha mente está cheia de imagens de coisas terríveis, atrocidades sem fim que eu cometi!
Coitado do meu irmão.
—Eu não queria esse filho Jane. Eu não sirvo para ser o pai de alguém. Não neste momento. O que vou ensinar para a minha filha? A ser impiedosa, violenta e a gostar de matar?! Eu não tenho condições de fazer isso Jay, mas eu a amo ainda assim, amo as duas. Me culpo porque a única razão de Renesmee e a criança estarem em constante perigo, dela ter sido sequestrada, duvidar de mim... sou eu! Passamos séculos de nossas vidas... nossas existências fazendo inimigos em todos os lugares do mundo! Massacramos Clãs que sabíamos que eram inocentes! Muitos dos vampiros da guarda... tiramos todos eles de suas famílias!
Ele tava até passando mal. E ele é um vampiro. Um imortal com pele de diamante. Se pudesse estaria roxo de raiva, estaria chorando de fúria. De culpa.
—E agora? Agora eu trouxe para este mundo uma arma que podem e vão usar contra mim! Trouxe uma criança inocente para uma zona de guerra!
P.O.V. Félix.
Uau! Alec Volturi é meu amigo. Ele é um dos vampiros mais poderosos se não o mais poderoso agora que é um híbrido que eu conheço. Também é uma das pessoas mais fortes que conheço. E agora, estou... estou vendo ele quebrar bem na minha frente.
Vejo o medo, o pavor em seus olhos, a culpa, a angustia.
—Não sei como demonstrar amor. Eu não sei mais. Porque estou me afogando.
Então, a híbrida se aproximou. Ela não disse nada. Só... o abraçou. E ele chorou compiedosamente.

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