Depois de um sonho

17 Promessas descumpridas


Notas iniciais
Olá, olá, olá, gente sedução! *.* Como estão? Obrigada a todos que comentaram, favoritaram e estão lendo a fic! s2 Um hiper mega extremo obrigada de todo o coração pra Kanra pela linda e incrível recomendação! Você é uma fofa! Obrigada por dedicar seu tempo a escrever uma recomendação tão cuidadosa e gentil! Eu a amei! Muito! Muito! Já disse que amei muito?! =D Desta vez não vou escrever mais nada aqui porque o que quero dizer será dito nas notas finais! =D Então, por favor, leiam-nas. Beijo, gente, nos vemos logo mais, =* ps. mentira! Tenho uma coisa pra dizer aqui, mas como é uma dica, coloquei como observação. Quem quiser, coloque a música Addicted To You - Avicii pra tocar. =D

Promessas descumpridas



Izaya

Shizuo era um mostro

Era nisso que Izaya pensava enquanto dirigia-se a Ikebukuro, construindo seu caminho a passos lentos e incertos. Incerteza e lentidão não eram características marcantes em Izaya, que sequer podia considerar-se uma pessoa paciente, mas, naquele momento, não podia evitar que seus passos parecessem mais recuos do que avanços. Ele sentia-se um prisioneiro caminhando no corredor da morte a tentar retardar ao máximo a velocidade de seus movimentos. Mas, talvez se esse fosse o caso, Izaya não estivesse tão hesitante quanto agora. A incerteza de Izaya originava-se, precisamente, na falta de conhecimento sobre sua caminhada, pois, mesmo que o destino deles fosse certo, o informante não sabia para onde aqueles passos o levariam, nem se aquele era o caminho certo, nem o que encontraria quando chegasse a seu destino.

“Um condenado ao menos sabe o que o espera”, pensava, “Mas isso nunca é uma possibilidade com Shizu-chan... Shizu-chan é um mostro! Um monstro imprevisível.”.

Talvez pela particularidade de sua caminhada, Izaya também não conseguia evitar ser tomado pelas reflexões de um condenado e remoer os motivos que levaram à condenação.

Izaya sentia-se enganado.

Enganado por Shizuo. Enganado pelas promessas de morte que nunca, em dez anos, se concretizaram. Enganado pela promessa de morte que se transmutou em choro em um beco escuro de Ikebukuro. Engano pelos toques ousados que se transmutavam em carícias afáveis. Enganado pelas ameaças que se transformaram em beijos. Enganado. Enganado pelo seu próprio corpo que correspondeu e ansiou por novos toques. Enganado pelo próprio coração que agora, em contraposição a seus lentos passos, batia desesperadamente.

Izaya sentia-se traído.

Traído pelas próprias palavras. Traído pelos próprios sentimentos. Traído pelos próprios pensamentos, que, contrariando o que ele tentava convictamente afirmar a si mesmo, desviavam-se constantemente a sussurrarem “talvez ele não te mate”, “talvez ele te perdoe”, “talvez ele te pegue nos braços”, “talvez ele te possua novamente”.

Izaya não se enganava. Nunca.

Izaya não se traía. Nunca.

Nunca... até Shizuo.

Shizuo arrancou à força seu mundo dos eixos.

Shizuo era um fenômeno da natureza, uma tempestade, um terremoto, um tremor de grande magnitude que tirou seu mundo de órbita, inverteu os polos e o virou de ponta cabeça. Assim, de ponta-cabeça, Izaya via como tudo se bagunçava, como o tremor tirara tudo do devido lugar e jogara para lugares impossíveis, transformando-o numa indecifrável confusão. Izaya olhava para si mesmo como alguém olha para a casa destruída por um desastre. Como agravante, ele sentia que não importava o quanto tentasse arrumar, nada ficaria igual. Na verdade, sentia que já nem havia mais um estado ao qual voltar, sentia que as coisas já estavam irremediavelmente destruídas e que não havia conserto para nada. Entretanto, não podia suprimir uma sensação de que as coisas estavam, finalmente e pela primeira vez, no lugar certo, como se aquele fosse o único sentido que as coisas poderiam assumir, como se Shizuo houvesse apagado qualquer ordem que existisse antes dele.

Shizuo era, definitivamente, um monstro. Daqueles que destroem tudo pelo caminho. Mas Izaya não podia evitar olhar para seus cacos espalhados e ver neles beleza. E, a seus olhos castanho-avermelhados tão pouco acostumados à beleza, seu interior brilhavam de forma perigosamente atraente. Brilhantes e perigosos como pareciam, Izaya não podia desviar os olhos de seus cacos.

Quando finalmente deu o primeiro passo para dentro de Ikebukuro não pode evitar que seu coração saltasse até a garganta e todos os pelos de seu corpo se arrepiassem.

– Estou aqui, Shizu-chan – escapou de sua garganta a voz apreensiva.

Mais um passo, e, agora, com os dois pés dentro do distrito, prendeu a respiração e olhou ao redor, examinando cuidadosamente todas as direções.

Um terceiro passo e forçou sua audição a captar qualquer som que indicasse que ele não estava sozinho. Mas ele estava.

Encarou o vazio diante de si.

Talvez naquela noite fria de quinta-feira ninguém mais se aventurasse a sair de casa.

Talvez naquela noite fria de quinta-feira ninguém mais tivesse pendências que forçassem a sair à rua.

Talvez naquela noite fria de quinta-feira ninguém mais tivesse assuntos inacabados com o homem mais forte de Ikebukuro.

Izaya respirou fundo e viu o ar quente de seu suspiro chocar-se com o frio externo, formando uma trilha de fumaça.

Mais um passo e então outros. Depois dos primeiros, os outros já não pareciam tão difíceis, mesmo que ainda estivessem hesitantes e lentos.

Por um momento, Izaya percebeu que durante todo o caminho pensara que Ikebukuro era seu destino final. Não era. Seu destino era outro. Ele riu alto ao se dar conta de que esperava recepção. Riu ao notar que durante todo o caminho acreditou que seria recebido por Shizuo nos limites da cidade.

Mas não.

Lá estava ele, em Ikebukuro, sozinho.

Mesmo que continuassem lentos, porém, seus outrora hesitantes passos agora caminhavam decididos em uma já tão conhecida direção. Não muito tempo atrás ele se colocara dia após dia naquele mesmo caminho com uma trouxa de roupa em mãos e excitação o suficiente para fazê-lo explodir. Era irônico como agora sentia que tinha roupas a menos em uma noite tão fria e nada excitante.

“Eu não me importaria se você ficasse”

Eram aquelas as últimas palavras que escutara naquele apartamento que agora encarava do lado de fora.

E se tivesse fingido dormir? Shizuo teria se calado e nunca mais dito nada como aquilo?

“Acho que não preciso nem dizer, mas se vier atrás de mim de novo, eu te mato, Orihara Izaya.”

Era irônico como as últimas palavras ditas no apartamento contrastavam tanto com as últimas palavras ditas no galpão.

Era irônico como quando lhe pediram para ficar, Izaya se afastou e quando lhe pediram para se afastar, Izaya tenha decidido ficar.

“E por isso você é um monstro, Shizu-chan! As coisas nunca saem certo quando são com você!”, pensava.

Izaya encarou o apartamento de Shizuo, intrigado.

– Nenhuma luz acesa? Ainda está no trabalho, Shizu-chan? – seu hálito quente cortou com um rastro de vapor o frio da noite.

Alívio tomou o peito do informante: sua sentença seria adiada por enquanto. Ele sabia que era covarde pensar daquela forma e se envergonhava disso. Essas eram duas novas sensações para sua lista de sentimentos inconcebíveis despertados por Shizuo: covardia e vergonha. Antes da estranha e próxima relação recentemente firmada com Shizuo, só conhecia estas sensações por nome e através da observação dos humanos. Mas, na verdade, conhecer sentimentos por definições em dicionários ou por experiência de terceiros nunca foi e nunca será uma forma eficiente de conhecimento. Dividido entre a vontade de voltar a casa ou esperar por Shizuo, Izaya permanecia parado no lado de fora, encarando a janela do apartamento do guarda-costas e remoendo o significado da palavra covardia.

– Incapaz de prosseguir em uma decisão, seja por medo ou por fraqueza física ou emocional. – mais uma vez o hálito quente do informante se pronunciou.

“Bom... não é uma definição muito agradável, mesmo no dicionário.”.

Izaya girou os calcanhares e deu as costas para a janela que até então encarava.



****



Shizuo

"Ele apertava fortemente as coxas pálidas do homem em seu colo ao se enterrar nele cada vez mais fundo. Via as marcas que suas mãos deixavam na pele branca, mas o outro não parecia se importar com a força empregada. Longe de serem reclamações, os únicos sons que ecoavam no quarto eram gemidos eróticos que chamavam seu nome.

O cheiro de suor e sexo nublava todos os seus sentidos, fazendo-o louco.

Um gemido escapou de seus próprios lábios, lânguido e gutural e, a fim de calar os gemidos que insistiam em seguirem o primeiro, intensificou o já forte ritmo que impunha, cravando os dentes no pescoço do moreno a sua frente e ouvindo como resposta um gemido que acabou por tirar dele qualquer rastro de sanidade que resistisse às investidas anteriores. Tirou uma das mãos das coxas do outro e a direcionou-a aos cabelos negros, forçando-o a inclinar-se levemente e aumentar a área de acesso ao pescoço.

Uma batida forte em seu peito quebrou o ritmo que impunha.

O cheiro que sentia já não era mais suor ou sexo. A pele que já não era mais pálida manchava-se de um líquido vermelho que cheirava forte e como a ferrugem. Ele conhecia aquele cheiro, já o sentira antes. Forçou a memória e imagens de um lugar amplo invadiram sua mente: um homem caído ao chão com outro homem, dono de um sádico sorriso, diante dele. Aquele era o cheiro que sentia no homem no chão. Um cheiro forte e vermelho.

– Sangue – ouviu-se dizer.

Olhou para o homem sentado em seu colo, ainda possuído por ele: ele tinha os olhos fechados, assim como antes, mas os gemidos já não mais fluíam de seus lábios. Desviou seus olhos para os negros cabelos e agora os percebeu manchados de vermelho. Olhou para sua mão que ainda segurava os fios e encontrou-a da mesma maldita cor. Instintivamente, olhou para sua outra mão, procurando alívio para a visão daquela cor que tanto o afligia, e então percebeu que tudo estava vermelho, suas mãos, as coxas outrora pálidas, o chão ao redor deles...

Olhou mais uma vez para o rosto do homem em seu colo, mas era incapaz de ver ali o único vermelho que seria bem-vindo: os olhos continuavam fechados."

Acordou suado em sua cama. Encarou o teto e esfregou os olhos com força antes de levantar-se, dirigir-se a seu pequeno banheiro e meter-se debaixo do chuveiro, deixando a água morna lavar todo o suor de seu corpo.

Esse era um ritual que o seguia já há algumas semanas, alternando entre dias.

O sonho nunca era o mesmo, diferindo consideravelmente nos detalhes, mas o fim era sempre igual: Shizuo sujo com o sangue de Izaya. No início era apenas a repetição do salvamento de Kasuka: Izaya, machucado, desfalecido aos pés de Ueno; nesses sonhos, Shizuo matava Ueno e corria para Izaya, mas o moreno, todo ensanguentado, perecia em seus braços. Depois, progressivamente, o sonho foi se modificando e trazendo novos elementos, como, por exemplo, a mistura com os sonhos nos quais Shizuo matava Izaya, os quais Shizuo já julgava superados há meses. Ou, ainda, Shizuo matando Ueno e, no fim, percebendo que o sangue em suas mãos era de Izaya. Recentemente, entretanto, o sonho adquirira teor erótico: Izaya sucumbindo diante da força empregada no ato sexual. No fim, não importava qual eram os pormenores do sonho, Shizuo sempre acordava coberto de suor e o coração disparado.

O guarda-costas não entendeu de início o que aqueles sonhos poderiam significar, mas, desesperado com a possibilidade de assistir Izaya morrer nos seus braços todas as noites, resolvera conversar com Celty. De experiências anteriores, Shizuo sabia o quanto dizer em voz alta – mesmo que relutantemente – ajudava a organizar os pensamentos.

Desde os acontecimentos no galpão, Celty insistia veementemente em conversar com Shizuo, o que o loiro negava com o mesmo fervor. Aparentemente, ela e Shinra haviam-no visto saindo do galpão, mesmo com seu trabalho em fazer-se despercebido. Assim, os amigos, após socorrerem Izaya, procuraram-no para saber dos detalhes do acontecido que os levou até um Izaya ferido no chão de um galpão nos limites do distrito.

A Shizuo foi dito que Izaya se recusava a dizer palavra sobre os acontecimentos que desembocaram em seus machucados: ele não dizia absolutamente nada nem sobre o que acontecera a ele, nem sobre o que acontecera a Kasuka. Não conseguindo explicações com Izaya, Celty e Shinra voltaram-se com força total para Shizuo. O guarda-costas, entretanto, só recentemente tinha decidido abrir-se, ao menos minimamente, com os amigos.

Em seu banho, Shizuo recordava-se da conversa com o médico e a entregadora:


**início lembrança**

“

– Shizuo, nós o vimos saindo do galpão um pouco antes de entrarmos. Celty te viu de relance quando você saia com Kasuka apoiado em seus ombros. Primeiro pensamos que você estivesse fugindo porque tinha batido em Izaya... – Shinra, sentado no sofá de seu próprio apartamento, o encarava apreensivo. Não era difícil para Shizuo sentir a hesitação do médico, que em muito diferia da sempre animada e curiosa expressão que ele usualmente trazia. – Mas dai Celty me lembrou de que quem me chamou foi você... E você esperou até que nós chegássemos... E dai ficou tudo confuso de novo...

“Shizuo” – Celty digitou, chamando para ela sua atenção – “O que aconteceu depois da ligação de Izaya para você?”.

Mesmo hesitante, Shizuo resolveu contar a eles o que acontecera no intervalo entre a ligação de Izaya e a ligação para Shinra, sem forcar-se, entretanto, em nenhum ponto particular, narrando apenas o essencial.

“Fico feliz que tudo tenha acabado bem!...” – Celty digitou em seu celular, ganhando como resposta um aceno positivo do namorado e um suspiro de Shizuo, que, acreditava, encerrara com sucesso sua narrativa dos acontecimentos. O guarda-costas estava, entretanto, terrivelmente enganado e se deu conta disso ao encarar as palavras na tela do celular da dullahan que foi novamente posto diante de seus olhos – “Mas... como acabou assim?”.

Shizuo se sentiu acuado com a pergunta, não entendia qual era o ponto da dullahan, mas sabia que, provavelmente, seria algo que o incomodaria. Diante do silêncio do guarda-costas, Celty voltou a digitar em seu celular, mas, antes que o mostrasse novamente a Shizuo, Shinra começou a dizer:

– Você não nos esperou dentro do galpão porque receava matar Izaya se ficasse lá dentro? O que aconteceu com o outro cara... digo... Ueno, não é?

Antes, porém, que Shizuo pudesse responder as perguntas de Shinra, o celular de Celty foi colocado novamente diante de seu rosto ao mesmo tempo em que, com a mão livre, a dullahan calava o namorado, impedindo-o de continuar suas perguntas. Conhecendo Shizuo como ela conhecia, provavelmente suspeitava que o número de perguntas que Shizuo toleraria responder era bem limitado e, portanto, as perguntas teriam que ser precisas e objetivas, e, portanto, não deveriam trazer dúvidas que poderiam ser sanadas a partir de outras respostas. Assim, substituindo as duas perguntas de Shinra, Celty lançou uma — apenas uma — mas tão precisa que faria Shizuo revelar boa parte do que escondia:

“- Por que você ajudou Izaya?”.

Se houvesse na vida real algum sino que soasse “Bingo!” toda vez que alguém acertasse, certamente ele estaria soando freneticamente com a pergunta de Celty.

O guarda-costas, involuntariamente, engoliu em seco.

A pergunta de Celty não era uma pergunta simples como as que Shinra fizera, principalmente porque, longe de ser somente uma pergunta, carregava em si também uma afirmação: você o ajudou. Esse era um ponto crucial que havia escapado à atenção de Shinra, já que o médico de imediato assumiu que Shizuo ainda poderia matar Izaya. Na verdade, esse era a mais provável interpretação a se chegar quando os homens em questão eram Shizuo e Izaya, então nada mais normal que Shinra assumi-la como fato: todos em Ikebukuro sabiam um dia o guarda-costas e o informante iriam se matar. Mas este ponto, longe de ser apenas um erro pequeno de interpretação, era o mais importante de toda a narração. E era exatamente neste ponto que Celty era diferente de Shinra e todos os outros moradores de Ikebukuro, já que ela conhecia dois fatos que todos desconheciam: 1) sabia que Shizuo já havia tentado, sem sucesso, matar Izaya uma vez, e, mais importante que isso, 2) sabia que Shizuo estava apaixonado por Izaya. De posse dessas informações, Celty via a história de uma perspectiva completamente da do namorado. Assim, enquanto Shinra via “Shizuo fugindo do galpão”, Celty via “Shizuo esperando com Izaya até que o médico chegasse”; quando Shinra ouvia “Eu percebi que Ueno era o culpado”, Celty ouvia “Eu deduzi que Izaya não era o culpado”; quando Shinra ouvia “Kasuka estava bem, com alguns poucos machucados”, Celty ouvia “Eu notei que Kasuka estava bem enquanto Izaya estava todo machucado”. Portanto, enquanto o namorado se debatia com a dúvida do porquê de Izaya ter sido poupado por Shizuo, Celty tinha a certeza que Shizuo o ajudara. A questão que a dullahan não entendia, entretanto, era o porquê da ajuda, o porquê de Shizuo assumir que Izaya precisava de ajuda quando, até então, acreditava ela, Izaya era o culpado de tudo e, portanto, não teria a misericórdia do guarda-costas.

Shizuo respirou fundo e tirou um maço de cigarros do bolso das calças. Ignorando o olhar que dizia claramente “não fume no meu sofá!” lançado a ele pelo médico, levou um cigarro aos lábios e o acendeu.

– Eu soube que precisava. – respondeu somente. Poderia ter negado a situação, mas sabia que a amiga não se contentaria com uma explicação barata e, sinceramente, ele considerava muito trabalhoso negar.

“- E precisava por quê?” – a dullahan voltou a mostrar-lhe o celular, sob os olhos atentos do namorado que se admirava com a súbita mudança do clima em sua sala.

– Porque eu devia uma a ele. – “E porque não poderia abandoná-lo daquela forma, Celty”, acrescentou mentalmente.

“- Shizuo, terei que fazer pergunta por pergunta até você me dizer tudo? Tudo bem... por que você devia a ele?” – a dullahan parecia impaciente diante das poucas palavras do amigo.

– Porque ele ajudou Kasuka antes. – Shizuo declarou, contrariado. Sabia que com esta declaração, as coisas se tornariam mais claras para Celty e mais confusas para Shinra. O médico abriu os lábios surpreso, mas Celty mais uma vez o calou, aguardando pacientemente que Shizuo continuasse a narrativa, o que levou alguns minutos. – Eu sei que você quer perguntar como eu sei que ele ajudou Kasuka, mas eu não sei a resposta para esta pergunta, Celty. É ruim para mim dar uma resposta idiota como “eu senti”, mas isso é tudo o que posso dizer. – o guarda-costas tragou mais uma vez seu cigarro, profundamente – Quando cheguei ao galpão, enlouqueci e quis matar qualquer um que aparecesse na minha frente. Mas... quando vi Izaya caído no chão... isso era estranho.

“- Estranho?” – Celty perguntou.

– Estranho. Celty, há dez anos eu tentava deixar Izaya daquela maneira. Eu já o acertei inúmeras vezes... Já o persegui incontáveis vezes. Já o peguei com placas e máquinas de venda automática, e com socos e com chutes, já corri atrás dele por Ikebukuro inteira e... – mais uma pausa para um trago rápido no cigarro – e... eu nunca o deixei daquela forma. Vendo-o daquela forma, eu sabia que tinha algo errado. E dai aquele panaca recuado que era incapaz de manter as pernas firmes na minha frente disse que Izaya era fraco. Antes que eu me desse conta, eu estava questionando isso... Izaya é um bastardo filho da puta...

“- Mas não é fraco” – Celty emendou. – “Entendo, Shizuo.”

– Dai o panaca disse algo como “usar Kasuka contra Izaya”.

– Mas por quê? Kasuka não tem nada com Izaya. Na verdade, foi Izaya que queria machucar Kasuka, para início de conversa... Como usar Kasuka contra Izaya? Que ideia idiota. – Shinra exclamou.

“- Mas funcionou, não é?” – Celty concluiu e Shizuo apenas acenou positivamente com a cabeça.

– Depois... Kasuka pareceu preocupado com Izaya. E... enfim... isso estava muito errado.

“- Então com ‘porque ele ajudou Kasuka antes’, você quer dizer que acha que Izaya se deixou abater para proteger Kasuka e por isso estava tão machucado?!” – Celty perguntou, e Shizuo podia sentir a expectação nela e em Shinra.

Shizuo se limitou a tragar novamente o cigarro, sem confirmar ou discordar da dullahan.

“-Acha que ele se arrependeu?” – Celty perguntou.

– Se arrependeu de ter sequestrado Kasuka? Izaya?! Mas por quê? – Shinra perguntou, claramente confuso.

– Não sei se ele se arrependeu. E nem sei direito se estou certo ou se estou poupando Izaya sem motivos. Ou se estou criando motivos na minha cabeça para poupá-lo. Não sei por que poupei Ueno, também... Eu não tenho uma resposta para nada disso. – Shizuo admitiu, frustrado por colocar em palavras as dúvidas que o atormentavam nas últimas semanas.

“- Você ‘sentiu’, hum?!” – apesar do tom da pergunta, Shizuo sentia que não havia nenhuma dúvida ou ironia nas palavras de Celty, estranhamente, sentiu diversão e alguma doçura nelas. Shizuo sempre se admirava por poder ‘sentir’ vibrações por trás das palavras de Celty, mas acreditava que talvez pela incapacidade de demonstrar seus pensamentos através das expressões faciais, ela tivesse adquirido uma forma muito eficiente de se expressar através de sua ‘aura’. – “Se for assim... por que não foi atrás dele?”.

“Ah sim! Claro que você perguntaria isso, Celty!”, pensou.

– Por que Shizuo iria atrás de Izaya? Mesmo que ele tenha se arrependido — o que acho difícil se tratando de Izaya -, isso não quer dizer que ele pediria desculpas ou algo assim! Você quer desculpas dele, Shizuo? – Shinra continuava confuso e deslocado da conversa que evoluía entre Celty e o guarda-costas.

Shizuo permaneceu em silêncio, mas não impediu que Celty digitasse algo em seu celular e mostrasse a Shinra, nem se incomodou em tentar ler o que a dullahan escrevera. Soube, entretanto, o conteúdo da mensagem ao ouvir um “ah!” surpreso escapar dos lábios abertos em choque do médico clandestino.

– Recentemente – Shizuo começou a dizer, ignorando a ainda expressão chocada do médico e chamando de volta para si a atenção de Celty – eu tenho sonhado com Izaya. – admitiu, acendendo mais um cigarro – Nos sonhos, ele acaba morto.

Shizuo sabia que aquela afirmação não era nem de longe eficiente na função de narrar seus sonhos. Mas, por hora, era tudo o que poderia dizer e já se sentia aliviado ao dizer aquilo em voz alta.

“- Sonhos? Izaya morto?!” – Celty parecia confusa com a declaração do amigo – “Shizuo... por que não vai atrás dele?” – ignorando a confissão de Shizuo, Celty retornou à pergunta anterior.

– Shinra, – Shizuo chamou o médico, que o olhou, confuso e em espera – o quanto Izaya se machucou?

Sem entender direito os motivos da pergunta, Shinra enumerou:

– Deixe-me ver... Foram cinco fraturas: tornozelo esquerdo, nariz, duas costelas e um dedo da mão... Fora isso... Escoriações pelo corpo todo, principalmente nas costas.

Shizuo encarou Celty. Sua resposta estava dada.

“- Então... os sonhos... Shizuo! Você está se afastando para protegê-lo?” – a dullahan parecia ter compreendido as insinuações de Shizuo – “Mas ele se arrependeu certo? Ele não faria isso de novo!”.

– Não sei nada disso, Celty. É o Izaya! Ele poderia surtar de novo e colocar Kasuka em risco novamente. Talvez numa segunda vez ele não tivesse tanta sorte... E, você viu como acabou. Ele pode se colocar em risco! Ele é louco! Nunca se sabe qual a próxima idiotice que ele fará! E se ele acabar morto na próxima? Eu já assisto isso toda noite, droga! Não quero ficar assistindo essas merdas! Não quero que aconteça por minha causa! Que merda você tá pensando, hein?! – quando deu por si, Shizuo estava de pé, com seu cigarro caído no chão e seu peito subindo e descendo freneticamente, sentindo todo seu corpo tremer de raiva. Ele percebia que acabara de gritar com Celty e se sentia mal por descontar na amiga a raiva que ele sabia direcionar-se a ele mesmo e a mais ninguém: gritar para Celty era gritar a ele mesmo, convencer Celty era convencer a si mesmo.

Celty levantou de supetão e colocou ambas as mãos diante do rosto do amigo, num pedido silencioso de “acalme-se”.

Shizuo sentou-se novamente e, pelas próximas horas, permaneceu na mesma posição: sentado no sofá da sala dos amigos, sentindo em si a atenção e preocupação de ambos os anfitriões.

”.


**fim lembrança**

“Shizuo, por que você não vai atrás dele?”

As palavras de Celty ainda martelavam em sua cabeça.

Desde que elas lhe foram ditas há duas semanas, elas mantinham com ele uma relação ambígua: ora Shizuo queria ignorá-las terminantemente, ora queria repeti-las até a exaustão. O problema era que Shizuo era capaz de encontrar em si argumentos contra e a favor a mensagem por trás das palavras. Se por um lado ele pensava que deveria ir atrás de Izaya porque, caralho!, era isso o que ele queria; por outro ele repetia a si mesmo as palavras que dissera para Celty: forçar-se a Izaya era arriscado, arriscado para todo mundo e, principalmente, para Izaya. Ele entendia que seus sonhos representavam exatamente esta dicotomia: se ele possuísse Izaya, Izaya escaparia dos seus braços, independente do que isso lhe custasse.

Era nisso que pensava Shizuo enquanto se enxugava de seu já rotineiro banho matinal e vestia-se para mais um dia de trabalho. Ele sabia que, independente do que pensasse sobre Izaya, ele teria que trabalhar naquela quinta-feira sem graça e fria. Até agradecia por seu trabalho: trabalhar era manter sua mente ocupada. Shizuo não era acostumado a refletir ou questionar-se tanto sobre algo, então livrar-se disso, ainda que por apenas algumas horas, era o céu para ele.

O dia de trabalho não fora particularmente fácil nem difícil. Apesar do estresse de ser o guarda-costas de um cobrador, o trabalho não oferecia muitas novidades: negações, pedidos, sustos, algumas ameaças, às vezes algumas lágrimas e alguns gritos. Nada particularmente emocionante.

Já há alguns dias Tom parara de perguntar sobre os motivos que faziam o guarda-costas parecer diferente nos últimos meses, e mesmo Celty já não o pressionava por mensagens de texto. Kasuka, no início, também parecera preocupado com o irmão, mas não pedira em detalhes ou exigira dele explicações; desde crianças, Kasuka era muito bom em permanecer ao seu lado sem fazer demasiadas perguntas ou comentários, o seu apoio sempre fora silencioso e Shizuo agradecia por isso.

Despedindo-se de Tom no fim do dia, Shizuo sentiu como se, aos poucos, as coisas estivessem voltando ao normal, a como elas eram antes de cair por Izaya. A única exceção era que se antes ele tinha o jogo de gato-e-rato com Izaya, agora ele já não tinha nada. Ele poderia pensar que era como nos tempos que Izaya sumia de Ikebukuro para, provavelmente, foder a vida de pessoas em outros distritos, mas ele não podia deixar de sentir que eram diferentes dias e que, talvez, ele não voltasse a ver o informante tão logo. Ele quase ria do quão fodido era lamentar o sumiço do homem que tentara por dez anos expulsar de sua vida, um sumiço que, na verdade, fora exigido por ele através de uma ameaça de morte.

Não que Shizuo precisasse de uma prova, mas a ausência de Izaya confirmava a vontade que ele sentia de que o informante ficasse. Ele nunca iria admitir em voz alta, mas a ausência de Izaya pulsava fortemente nele. Tanto que, às vezes, ele dava por si no caminho para Shinjuku. Não foram poucos os dias nos quais, distraído, pegava-se nos limites do distrito.

Aquela quinta-feira fria era um destes dias.

Shizuo, entretanto, nunca chegara tão perto do apartamento de Izaya quanto naquela fria quinta-feira. O guarda-costas sempre parava ao sentir o cheiro de Izaya, o que significava que ele sempre mantivera, no mínimo, a distância de um quarteirão. Naquele dia, entretanto, quando caiu em si estava diante do prédio do moreno, encarando a ampla janela do último andar, e não sentia sequer uma nota do cheiro de Izaya.

A vibração do celular em seu bolso o despertou de seu momentâneo transe contemplativo.

“Você não está em casa.”

Não havia nada de errado com o conteúdo da mensagem. Era verdade: ele não estava em casa e isso, verdadeiramente, não era nada importante. Entretanto, não pode evitar que seu coração gelasse e seus olhos prendessem-se às letras na pequena tela do celular.

Era um número privado.

E só havia uma pessoa no mundo que usava um número privado para contatá-lo.

Sem sequer um segundo de hesitação, Shizuo pôs-se no caminho de volta para Ikebukuro.



****



Izaya

“Você não está em casa”.

Izaya, sentado em uma cadeira no balcão do Russia Sushi, encarava na tela de seu celular a mensagem enviada a Shizuo. Não que o informante esperasse resposta para o que escrevera, mas, ainda assim, não podia baixar o celular para longe de seus olhos.

Enviara aquela mensagem pouco antes de dirigir-se ao restaurante, quando decidira que, definitivamente, encontraria com Shizuo naquela noite não importa o que isso significasse. Não fora uma decisão fácil e, ainda agora não tinha certeza se deveria ter ficado e, principalmente, se deveria ter avisado Shizuo de sua presença. Sim, ele tinha certeza de que Shizuo, no momento que a recebesse, saberia que fora Izaya quem enviara a mensagem. E talvez fosse por esse exato motivo que Izaya não podia deixar de encarar a mensagem: era a forma de convencer a si mesmo que, agora, irremediavelmente, encontraria Shizuo e acabaria com a agonia que o possuía há meses.

Não que Izaya soubesse o que faria quando visse Shizuo irromper pela porta do Russia Sushi e provavelmente fora justamente por não saber o que faria Shizuo que resolvera enfiar-se no restaurante. O Russia Sushi era seu trunfo: era possível que a presença de Simon suprimisse a ira de Shizuo. Não que acreditasse que Simon pudesse parar um Shizuo decidisse a fazê-lo pagar por ousar desrespeitar sua ordem e voltar a Ikebukuro, mas talvez com a interferência do russo o guarda-costas não o acertasse imediatamente e ele conseguisse um tempo.

“Mas faço o que com o tempo?”, perguntava-se, incapaz de encontrar uma saída, enquanto comia mais um sushi de seu sushioke.

Não era como se Izaya pudesse pedir desculpas ou pedir para que Shizuo o deixasse ficar, isso era inconcebível por diversos motivos, mas, naturalmente, o mais forte deles era que Izaya nunca o faria, e, mesmo que Izaya houvesse feito nos últimos meses coisas que nunca faria, essa não era uma exceção que ele estivesse disposto a abrir. Mas, ainda que por uma “possibilidade tão ínfima que nem merece consideração” – como ele chamava em sua cabeça – ele tentasse dizer qualquer uma dessas coisas, nada garantia que Shizuo iria ouvi-lo ou mesmo acreditar nele.

– Izaya, mais um sushi? – perguntou Simon, tirando-o de seus pensamentos.

– Não, Simon. Não é como se eu pretendesse ficar muito mais aqui – era uma mentira, mas Simon não precisava saber. Mesmo contrariado e incerto sobre o que faria, Izaya tinha certeza que não sairia de Ikebukuro até encontrar Shizuo.

“Bom... encontrar não é um problema... o problema é o que farei com ele...”, pensava desatentamente sob o olhar vigilante de Simon. “Eu deveria provoca-lo? Começar uma briga e voltar tudo como era antes?!”

– Você está armando para alguém, Izaya? – sua atenção foi novamente chamada, mas, diferente do tom risonho e quase infantil usado na primeira pergunta, as palavras soaram agressivas, com uma ameaça velada. Precisou de alguns instantes para compreender as palavras ditas no idioma estrangeiro e, como sempre, admirou-se sobre como a personalidade e o tom de Simon mudavam quando falava seu idioma materno.

– Desta vez, eu acho que armaram para mim, Simon. Estou bem fodido agora, na verdade. – admirou-se com as palavras ditas tão logo elas deixaram seus lábios, não esperava e sequer tinha intenção de ser sincero com Simon. O russo claramente também não esperava por uma resposta como aquela e, agora, fitava curioso Izaya.

“Ótimo, informante, fale demais! Shizu-chan desgraçado... sempre fodendo tudo... é sua culpa essa merda! Quando eu te vir, talvez EU te mate!”.

Izaya estudava em sua mente todas as possibilidades de abordagem possíveis, oscilando entre desculpas e brigas, ameaças e promessas, beijos e socos, mas nada, absolutamente nada, parecia a ele como certo ou mesmo viável.

“Que se foda! Não dará certo mesmo! Aquele desgraçado provavelmente vai chegar destruindo tudo e jogando meu plano direto no lixo. Monstro maldito! Shizu-chan cuzão idiota!”.

Izaya, agora, tamborilava os dedos inconscientemente na mesa. A frustração de ver-se de mãos atadas não era familiar a ele, de forma que ia, progressivamente, tornando-se instável e impaciente. Nem mesmo saber que era vítima do olhar alerta de Simon o fazia conter-se.

– Oh, Shizuo! Veio comer sushi? – a voz de Simon retumbou no restaurante.

Involuntariamente, Izaya contraiu-se em sua cadeira, tencionando-se.

Tão submerso estivera em seus pensamentos que não notara a aproximação do outro, mas depois do anúncio em alto e bom som, Izaya sentia em todos os seus nervos a presença do guarda-costas.

Forçou-se a relaxar novamente, mas seu corpo desobedecia-o completamente.

Tentou levantar a voz e provocar Shizuo, chamando-o de “Shizu-chan” como sempre fazia.

Tentou virar-se para encarar Shizuo que, sabia, estava nesse exato momento a poucos metros atrás de si.

Tentou parecer indiferente e forçar-se a comer mais um sushi.

Mas a única coisa que pode fazer foi permanecer sentado, tenso, com os sushis a sua frente e Shizuo às suas costas.

– Então você voltou, hein?! – seus ouvidos pulsavam de tal forma que mal pode distinguir as palavras que deixaram os lábios de Shizuo.

A voz de Shizuo varreu para longe quaisquer teimosos pensamentos que insistissem em popular a mente de Izaya; ouvindo-a ressoar por seu corpo, o informante sentia mais uma vez o efeito monstruoso que Shizuo tinha nele.

“Você é um monstro, Shizuo”, pensou, desnorteado.

Prendeu a respiração ao sentir Shizuo se aproximar e parar imediatamente atrás de si.

– Está surdo, desgraçado? Disse que ia te matar se aparecesse aqui. O que merda está fazendo em Ikebukuro?

Silêncio.

Às palavras de Shizuo seguia-se o silencio absoluto. Izaya sequer podia ouvir seu coração pulsando em seu ouvido, como antes.

Como se o silêncio absoluto não fosse suficientemente opressor, Izaya ainda sentia em si poderosos olhos julgando cada uma de suas reações. Atrás destes olhos podia sentir, também, olhos menores a observá-lo com a respiração suspensa: Izaya sabia que cada uma das pessoas do restaurante olhava apreensiva a ele e a Shizuo.

Sentiu um puxão forte desequilibrá-lo, forçando seu corpo a virar-se e, antes que se desse conta, estava suspenso pelo pescoço, forçado a encarar o rosto de Shizuo.

– O que diabos você quer? – viu os lábios do homem que o mantinha preso moverem-se e liberarem mais uma vez aquela voz que preenchia cada uma de suas células.

Antes que pudesse responder, porém, sentiu algo chocar-se brutamente contra seu corpo. Demorou alguns instantes a perceber que, na verdade, fora seu corpo a chocar-se contra algo e não o contrário: atrás de si estava a parede do restaurante, a sua frente uma pilha de cadeiras e mesas desarrumadas, e, a uma distância considerável, Shizuo a encará-lo.

“Ah, nossa! Eu sabia que você faria uma bagunça e desarrumaria tudo. Simon ficará bravo com isso, Shizu-chan...”, não pode evitar pensar ao encarar o rastro de destruição que deixara ao ser arremessado por Shizuo na direção contrária a que estavam. Inutilmente tentou olhar em volta em busca de Simon, mas não podia tirar seus olhos de Shizuo, que agora caminhava em sua direção, diminuindo novamente a distância entre eles.

Assistiu Shizuo parar imediatamente a sua frente e abaixar-se para encará-lo. E então outro choque. E desta vez teve certeza que algo chocara-se contra ele e não o contrário.

O punho de Shizuo afastou-se brevemente para, em seguida, voltar a acertá-lo no rosto. Agradeceu mentalmente por, assim, poder virar o rosto e não ser obrigado a encarar Shizuo.

– O que você quer aqui? Hein?

Mesmo sem saber o que responder, Izaya abriu a boca e tentou foçar-se a dizer algo, mas, incrivelmente, nenhuma palavra saiu da sempre ativa boca do informante de Ikebukuro.

E, então, mais uma vez um sentimento nunca outrora sentido apossou-se de Izaya: tristeza.

O informante sentia cada uma de suas células inflar com a necessidade de dizer a Shizuo que não se importaria de ficar mesmo que ele já não quisesse mais sua presença. Mas nenhum som saía de sua boca.

– Hein? – o homem voltou a gritar para ele, acertando-o mais uma vez.

Incapaz de dizer qualquer coisa, Izaya fez a única coisa que poderia fazer: tirou seu canivete do bolso de seu casaco e o mostrou a Shizuo.

– Essa é sua resposta, então? – ouviu-o perguntar.

“Sim... é minha resposta”, pensou, pousando levemente seu canivete no chão, empurrando-o com o máximo de suas forças para longe e, pela primeira vez naquela noite, olhando Shizuo nos olhos.

Viu os olhos de Shizuo estreitarem-se em sua direção, desviarem-se na direção do canivete e posteriormente, voltarem a fita-lo.

Assistiu a mão de Shizuo aproximar-se novamente de seu rosto e, instintivamente, fechou os olhos. Mas, diferente do duro golpe em sua bochecha, sentiu algo macio tocando de leve seus lábios. Abriu os olhos instantaneamente e encarou os cílios de Shizuo, imediatamente diante de seus próprios olhos.

– É uma ótima resposta – a voz de Shizuo voltou a soar em seus tímpanos e, agora, Izaya podia encarar novamente todo o rosto do guarda-costas – Não vai dizer nada, pulga? O gato comeu sua língua?

Sentiu uma das mãos de Shizuo em seu queixo e seu rosto aproximar-se novamente, para, então, sentir novamente aquele toque macio em seus lábios. Um leve aperto em seu queixo forçou-o a deslocar-se minimamente, e, tão logo o fez, sentiu o toque macio intensificar-se e espalhar-se de seus lábios para sua língua.

– Ah! Na verdade não... ainda está aqui... – a voz de Shizuo voltou a ressoar.

– Beijo... você me deu um beijo...? – a voz de Izaya havia, finalmente, regressado a seus lábios, talvez despertada pelo toque macio que os ocupara antes.

E, então, pela primeira vez de muitas que viriam, Izaya encarou o gesto mais inestimável no qual pousaria seus olhos castanho-avermelhados: um sorriso de canto de boca preenchia o rosto de Shizuo.

– Na verdade, foram dois. – Shizuo aproximou-se novamente e Izaya, instintivamente, fechou os olhos – Até agora.

Notas finais
Oiiiii, gente! Tudo sucesso até aqui? Obrigada por lerem até o fim! =D Então, as notas finais! Rs! São duas as coisas importantes que tenho que dizer: um aviso e uma surpresa! Primeiro, o aviso: *rufem os tambores* Este é o penúltimo capítulo da fic! E por isso eu demorei a postar: estava lendo os capítulos anteriores para que nenhuma ponta ficasse solta! =D E, sinceramente, obrigada por lerem até aqui! Rs! Preciso voltar e revisar os capítulos, o começo da fic é meio ruinzinho! hahahahhahaha Obrigada por me aguentarem até aqui! s2 Fora o último capítulo (18, porque meu número da sorte é 8 =D), eu tenho um especial pronto e outro em produção. Mas, se quiserem pedir alguma coisa, como por exemplo uma cena que gostariam de ver ou alguma parte da fic que pulei, fiquem a vontade, eu não posso prometer porque imaginação nem sempre é uma constante, mas me esforçarei para atender! =D Segundo: uma surpresa! Eu nunca fiz isso antes, mas como essa é minha última chance, vou deixar uma prévia! =D Mas será uma prévia surpresa, feita só com uma parte de um diálogo e sem nenhuma informação adicional. (porque não quero estragar a surpresa do capítulo =X) Então, lá vai: " (...) -Você está bem? - Sim... mas... que tipo de animal bate em uma pessoa que acabou de se recuperar? - Que tipo de animal sequestra o irmão de alguém? - Oh... isso é um bom ponto, Shizu-chan. - Que tipo de animal acaba caído todo machucado em um galpão idiota? - Shizu-chan...? - Se fizer isso de novo, eu te mato de verdade. - Bem, tecnicamente não fui eu a fazer isso... “apanhar” não é uma ação ativa, sabe?! - Cala a boca, pulga. – ... – A única pessoa que pode te deixar de cama sou eu! - Isso não soou muito como uma ameaça, Shizu-chan... – ... – Hum! Ah!... ok... acho que isso foi uma ameaça bem perigosa, na verdade!... Ah!... Para de mexer a mão, Shizu-chan! Hum... (...) " Bom, é isso o que precisava dizer! No fim, as notas finais ficaram enormes! =D Beijos, até o próximo,