Depois de um sonho

4 Início da reação


Notas iniciais
Olá, pessoal! Agradeço a todos que estão lendo e aos comentários deixados nos outros capítulos! *.* Esperava postar este capítulo antes, mas este feriado prolongado me deixou, contraditoriamente, sem tempo pra absolutamente nada! Fiz um esforcinho pra postar, ainda assim, no fim de semana! - mesmo que falte pouquinho pra segunda! Como sempre, espero que gostem! ^^



Izaya



Sentado em seu apartamento em Shinjuku, o informante refletia sobre os acontecimentos de algumas horas antes.

Sua excursão por Ikebukuro havia terminado tarde, quando finalmente chegou a casa faltava pouco mais de uma hora para o amanhecer.

Aquela havia sido uma noite atípica. Na verdade, ao pensar sobre isso, massageando suas têmporas e rodando nos dedos uma pequena peça de xadrez, concluía que toda aquela semana fora atípica.

– Uma semana atípica fechada com chave-de-ouro! – suspirou perdido em pensamentos.

De alguma forma, achava que devia ter desconfiado. Nenhuma semana que comece com um passeio absolutamente tranquilo por Ikebukuro pode ser considerada normal. Começar a manhã com uma tranquila caminhada pelas ruas do distrito e terminar o dia sem nenhum arranhão era tremendamente surpreendente. A partir do fim deste primeiro dia, já devia ter pensado que alguma grande merda estava acontecendo.

– Mas acho que nem mesmo se forçasse seriamente minha imaginação pensaria numa merda tão grande, né, Shizu-chan?! – deixou novamente seus pensamentos escaparem baixinho.

O informante se esforçava em recapitular os acontecimentos da última semana para encontrar todas as peças do quebra-cabeça enorme e violento que atendia pelo nome de Heiwajima Shizuo.

Primeiro: idas para Ikebukuro que não terminavam em conflitos;

Segundo: sumiço de Shizuo;

Terceiro: a mensagem estranha no chat;

Quarto: finalmente encontrar Shizuo e ser alertado por Celty sobre como aquela não era uma boa hora;

Quinto: Shizuo lutando realmente a sério, como nunca havia feito até então... Lutando como se quisesse, realmente, matá-lo.

O informante franziu o cenho, a partir deste ponto, as coisas começavam a ficar cada vez mais estranhas. Girou, irritadamente, a peça de xadrez nos dedos.

Sexto: Shizuo o pega e... chora!

"Chora!?!", pensou, exasperado.

– Choro, Shizu-chan?! — não conseguiu evitar que as palavras deixassem seus lábios em um quase grito.

Sétimo: Shizuo o bate com força, mas, depois, foge correndo.

Oitavo: Shizuo suspira seu nome enquanto dorme.

Izaya joga longe a peça que segurava, acertando-a em uma pilha de livros.

“Ainda não faz muito sentido”, pensou, inquieto, voltando a rememorar, pela terceira, os acontecimentos da noite. Já conformara-se que não conseguiria dormir, não com seus pensamentos constantemente invadidos pelas lembranças do que acontecera quando Shizuo o pegara algumas horas antes.



** início lembranças**

– Hahahahaha – Izaya ria enquanto se afastava de Shizuo. Havia sido, como sempre, fácil provocá-lo. Pensava que talvez, devido ao sumiço dos últimos dias, Shizuo resistiria em correr atrás dele e responder a suas provocações. Estava, porém, deliciosamente enganado. Shizuo corria com uma vontade admirável.

O informante não demorou a perceber que esta “vontade admirável” estava tornando a já perigosa usual brincadeira ainda mais assustadora.

“Tsc tsc tsc...Shizu-chan está indo com tanta sede ao pote...”, pensou.

Abriu a boca para provocar o já irritado Shizuo, mas teve de fechá-la ao ver-se na mira de uma placa de trânsito.

–IZAYA! – Shizuo gritava, a plenos pulmões, enquanto tentava acertar o informante com uma placa de trânsito que havia arrancado há alguns metros de onde estavam agora.

“Uou! Perigoso, muito perigoso, Shizu-chan. Você está tentando com força hoje, hein?!” – pensava Izaya enquanto desviava de mais uma investida.

Izaya havia percebido que aquela não era uma perseguição normal. Shizuo parecia focado. Nenhum desvio, nenhuma faca, nenhuma pessoa, nada tirava Shizuo do caminho do informante. Nada o distraía ou retardava.

“Shizu-chan é tão divertido! Quero mais! Muito mais desse Shizu-chan!”

– Kasuka está bem? Soube que ele vai gravar em Shinjuku na próxima semana.

“Isso! Shizu-chan” – pensou eufórico quando viu o guarda-costas soltar o carro que segurava e correr até ele de mãos vazias.

Izaya sabia que Shizuo só usava os próprios punhos quando estava muito – muito! – descontrolado. Normalmente, preferia tentar acertá-lo com uma placa, ou um carro, ou uma máquina de refrigerante, ou qualquer coisa que fosse parar em suas mãos. O guarda-costas só recorria aos próprios punhos quando não queria correr o risco de errar o alvo.

“Está brigando a sério, Shizu-chan?!”, sorriu e empunhou seu canivete, “Estava realmente com saudade de mim, não é, Shizu-chan?!”

Abriu ainda mais seu sorriso.

“Então não vou te decepcionar.”, pensou, investindo firmemente contra Shizuo, rasgando com a lâmina do canivete cada pedaço de pele de Shizuo que conseguisse acertar.

“Tão violento! Sabia que fica cheio de aberturas, Shizu-chan?” – pensou, acertando mais uma vez Shizuo na altura das costelas.

Por mais que acertasse Shizuo, Izaya percebia, porém, que a empolgação do guarda-costas, longe de diminuir, parecia crescer ainda mais. Quase podia sentir Shizuo vibrando de emoção.

“Você é, realmente, um monstro, Shizu-chan!”, pensava, “O mais interessante deles, sem sombra de dúvida, mas, ainda assim, um mostro...”.

O informante desviou de mais um soco de Shizuo. O guarda-costas era definitivamente perigoso quando usava os punhos, sabia que estaria mau se fosse acertado. Não sabia se por excesso de empolgação ou se por qualquer outro motivo, mas, por mais que Shizuo estivesse colocando muita força em seus punhos e estivesse lutando seriamente, sua abertura estava, definitivamente, maior do que o normal. Sem muitas dificuldades, portanto, Izaya girou o corpo e tentou mais um golpe com o canivete.

– I-za-ya-kun – Shizuo sorria maliciosamente – se não ficar paradinho, não poderei te matar corretamente.

– Me matar? – Izaya riu divertido – Nem em seus sonhos, Shizu-chan!

Izaya investiu com canivete em punho para Shizuo. Ao acertá-lo, porém, percebeu que uma expressão estranha estampava agora o rosto de Shizuo.

“Hesitação?! Shizuo hesitou agora?!", pensou, contrariado.

Izaya recuou curioso. Precisava confirmar o que significava aquela expressão. Nunca antes a vira no rosto de Shizuo. O guarda-costas parecia abatido. Ponderou sobre o que havia dito, e sobre a força que havia aplicado no último golpe, tentando encontrar alguma justificativa que explicasse aquela súbita mudança no rosto do guarda-costas. Foi tirado de seus pensamentos por uma voz engasgada.

– Que rosto confuso é este, maldito?! Percebeu que vai morrer e está se arrependendo da sua vida miserável?

Ao olhar para a fonte daquela voz engasgada, encontrou algo que abalou-o completamente: quem proferia aquelas palavras era Shizuo e, mais do que isso, o que engasgava aquelas palavras era um choro.

Não teve muito tempo para pensar sobre o que via, no momento seguinte sentiu seus pés deixarem o chão e algo chocar fortemente contra seu rosto. Sentiu novamente o impacto, e mais outras vezes, repetidamente, mas não se preocupava muito com isso. Havia muito barulho, e, o que quer que fosse que chocava com seu rosto, realmente o fazia sentir dor, mas aquilo não era o mais importante. O informante, acima de tudo, tentava entender o que estava acontecendo.

Sentiu seu corpo sendo largado e cair duramente no chão. Agora, parado, em silêncio, o informante podia refletir melhor sobre os últimos acontecimentos.

“Shizu-chan está brincando comigo!”

“Eu vi errado, aquilo não eram lágrimas!”

“Com certeza era suor, eu o fiz correr por Ikebukuro inteira antes de ser encurralado neste canto...”.

Izaya riu alto, satisfeito com a reposta encontrada.

“Mas, uau, aquilo agora a pouco eram socos, certo?! Shizu-chan é realmente incrível. Realmente o mais forte de Ikebukuro. Mas, bem, ainda estou inteiro... vamos ver o que mais pode fazer, Shizu-chan!”, pensou, voltando a provocar o guarda-costas.

– Shizu-chan está tão sério! Shizu-chan vai me matar... Que assustador! – provocou com a voz mais irônica que foi capaz de fazer.

Viu Shizuo se abaixar e olhou para o seu rosto, abrindo os olhos intensamente em surpresa.

“Não era suor”, pensou atônito, “Aquilo não era suor! São, definitivamente, lágrimas. Por que lágrimas? Isso significa que Shizu-chan está chorando? Shizu-chan chora?”. Via as lágrimas deslizando rapidamente pelo rosto de Shizuo, passando pelo corte que havia feito há poucos minutos com o canivete e escorrendo pelo queixo. Ouviu quando Shizuo resmungou algo baixinho, mas não conseguiu entender o que ele havia dito. Tudo o que conseguia pensar era no porquê daquilo.

– Shizuo? Tudo bem? – surpreendeu-se ao perceber que as palavras haviam saído de seus lábios. “Tudo bem?! Foda-se o 'tudo bem'! Foda-se o que aconteceu com Shizu-chan!”. Mas, mesmo pensando dessa forma, não podia deixar de olhar para a expressão dolorida de Shizuo. Viu quando o guarda-costas balançou a cabeça e sentiu um novo golpe, ainda mais forte que os anteriores. Estava desnorteado, tanto pelo impacto do soco quanto pelas lágrimas que vira instantes antes. Não fez esforço de abrir os olhos. Sua cabeça doía.

Seu corpo se desencostou da parede do beco enquanto seu tronco era levantado, mas não o suficiente para fazê-lo levantar-se totalmente. Sem olhar, concluiu que Shizuo o levantava pela camisa. “Reaja, Izaya! Você ainda tem seu canivete!", gritava a si mesmo, seu corpo, porém, não se movia.

Sem conseguir agir, Izaya apenas apertou os olhos, preparando-se para mais um soco, mas nada veio. Esperou por infinitos instantes, incapaz de abrir os olhos para procurar a razão por trás da falta do golpe. Quando pensou em, finalmente, mover-se, sentiu algo molhar seu rosto. Abriu subitamente as olhos castanho-avermelhados, esperando que aquilo que molhava o seu rosto não fosse o que imaginava. A última coisa que captou antes de ser novamente largado no chão do beco foi o rosto todo molhado de Shizuo mostrando uma expressão de desespero.

Sentou-se a tempo de ver Shizuo correndo para fora do beco. Passou a mão pelo rosto e, como imagina, o que havia molhado seu rosto eram as lágrimas de Shizuo.

“Mas que porra é essa, Shizuo?!”.

Levantou-se e limpou as lágrimas do guarda-costas nas roupas.

Ponderou ir imediatamente atrás de Shizuo. Precisava de uma explicação. Shizuo devia-lhe uma explicação. Uma boa explicação.

Tentou mover-se, mas parou antes mesmo de dar o primeiro passo. Todo o corpo lhe doía horrorosamente.

“Uma maravilhosa explicação, eu espero! Ele me bate quase até a morte e quem sai chorando é ele?!”, exasperava-se, “Shizu-chan é tão dolorosamente incompreensível.”.

Largou-se novamente na parede do beco, teria que esperar um pouco antes de tentar mover-se novamente.

Sempre evitava procurar Shizuo em seu apartamento. Afinal, grande parte da graça era provocar publicamente Shizuo e causar um grande espetáculo. Teria, porém, que quebrar esta regra autoimposta. Iria procurar por Shizuo tão logo pudesse levantar-se. Antes disso, porém, procuraria ele mesmo por uma resposta para o descontrole de Shizuo, seria mais fácil do que tentar arrancar a explicação dele. Discou rapidamente alguns números em seu celular.

Sua primeira aposta era, claro, Kasuka. “Tão amado irmãozinho!”, pensou com doçura fingida.

Depois de uma rápida conversa com um dos produtores do ator, – uma fonte preciosíssima de informação que Izaya havia adquirido recentemente – o informante descartou a ideia de que algo tivesse acontecido com o garoto.

Em seguida, discou o número de Shinra. Se algo estivesse errado com o guarda-costas, com certeza o médico saberia. Riu com ideia de que algo estivesse errado com o corpo de Shizuo.

“Hormônios, com certeza! Shizuo está entrando na puberdade e não sabe o que fazer com seus hormônios. Talvez monstros também tenham TPMs chorosas!”.

Riu, desta vez alto. Imaginou-se tocando a campainha de Shizuo com uma sacola cheia de chocolates em mãos e encontrá-lo de pijamas, comendo sorvete e vendo alguma comédia romântica.

Shinra não atendia ao telefone. Talvez estivesse com algum paciente, ou com Celty.

“Celty! Claro! A Celty! Ela com certeza sabe o que há de errado com Shizu-chan! Ela mesma me aconselhou a ficar longe dele. Então ela sabia que ele estava estranho.”, cruzou os braços, “Pensando nisso, Celty nunca havia me pedido diretamente que não brigasse com Shizu-chan. Nunca assim, tão enfaticamente ao ponto de correr até mim e digitar freneticamente que eu deveria ir embora porque aquela não era ‘uma boa hora’”. Izaya franziu as sobrancelhas, sentia que havia algo de muito importante que estava perdendo. “Celty parecia, em específico, querer dizer que aquela não era uma boa hora ‘para mim’, se somar a isso o fato de que Shizu-chan estava me evitando, isso significa que o problema sou eu?”

Izaya sorriu largamente. Isso tornava tudo bem mais interessante. Sem poder se conter, dirigiu-se rapidamente ao apartamento de Shizuo. Era um pouco longe de onde estava e ainda sentia dores quando se movimentada, mas nada disso importava para Izaya. Essa era mais uma de suas brincadeiras divertidíssimas com Shizuo. Sem perceber, o informante intensificada cada vez mais seus passos, que de caminhada passaram a pulinhos e de pulinhos a uma corrida leve.

Pouco tempo depois estava em frente ao prédio de Shizuo, olhou para a janela correspondente à do guarda-costas e percebeu a luz apagada.

“Será que ele não chegou ainda?! Ou será...”, bateu uma palma empolgada, “que Shizu-chan está dormindo?!”.

Não foi difícil entrar no pequeno prédio de apartamentos no qual Shizuo morava, Izaya era muito habilidoso com seu canivete. Dirigiu-se animado ao apartamento de Shizuo, subindo as escadas enquanto imaginava o que poderia fazer com Shizuo antes de acordá-lo. “Amarrá-lo? Assim ficaria mais fácil segurá-lo enquanto o torturo em busca de uma confissão sobre sua atitude estranha!”.

Arrombou o apartamento de Shizuo e mal pode conter um risinho satisfeito. Shizuo estava, realmente, deitado na cama.

Aproxima-se lentamente, torcendo para que aquele olfato de animal de Shizuo não o alertasse de sua presença. Prendeu a respiração quando percebeu que Shizuo se movia na cama. Observou-o por alguns instantes, mas o guarda-costas não reagiu novamente. Voltou a aproximar-se, mas teve que parar mais uma vez: Shizuo se virou na cama, voltando seu rosto em sua direção. Izaya tremeu de empolgação.

“Oh, esse é um lado de Shizu-chan que não conheço. Nem parece um mostro dormindo dessa forma. E, mais ainda, não dorme feito um urso hibernando... aparentemente tem um sono bem agitado”.

Parou diante da cama e abaixou-se, ficando com o rosto bem próximo ao de Shizuo, sentia a respiração do guarda-costas esquentar seu rosto.

“Hahaha! Quando é que eu poderia imaginar chegar assim tão perto da fera sem ser mordido! Obrigado pelo intenso e emocionante momento, Shizu-chan”, pensou divertido.

Espantou-se ao sentir uma alteração na respiração de Shizuo. “Será que me percebeu?!”. Viu quando Shizuo crispou os lábios e os abriu, deixando escapar um suspiro.

Teve que se conter imensamente para não rir. “Que suspiro erótico, Shizu-chan! O que está sonhando?”. Sua expressão divertida esvaiu-se, porém, diante de um novo suspiro de Shizuo:

– I-Izaya...

Izaya congelou em um primeiro momento. Para depois levantar-se bruscamente e afastar-se rapidamente de Shizuo, batendo com a perna em um móvel que estava ali perto, mas que não pode reconhecer por causa da escuridão do quarto.

Susteve a respiração diante do barulho que aquele esbarrão fez, e quase sentiu seu coração parar quando viu Shizuo abrir sonolento os olhos, olhando diretamente para ele.

Ficou parado, com as mãos levantadas instintivamente em posição defensiva. Nenhuma defesa fez-se, entretanto, necessária. Shizuo voltou a fechar os olhos e, aparentemente, voltou a dormir.

**fim lembrança**



Lembrar-se de tudo, exatamente com havia acontecido, longe de ajudá-lo na busca pela resposta, havia o deixado ainda mais confuso. Nada fazia sentido. Na verdade, até poderia encontrar uma explicação para as coisas, separadamente.

Primeiro: idas para Ikebukuro que não terminavam em conflitos; segundo: sumiço de Shizuo; e terceiro: a mensagem estranha no chat: Shizuo havia se cansado das brigas com Izaya, finalmente. Afinal, mesmo que Shizuo não tivesse as mesmas reações de um ser-humano comum, uma hora, com certeza, ele ia cansar-se de todas as provocações. Mas, sabendo que Izaya não desistiria assim tão fácil de seu brinquedo favorito, tinha que sumir por um tempo, esperando que o informante também se cansasse ou percebesse que Shizuo não ia mais brincar com ele.

Quarto: encontrar finalmente Shizuo e o aviso de Celty para ir embora; e quinto: Shizuo lutando realmente a sério, para matá-lo: fácil, Shizuo havia decidido matar Izaya, e acabar definitivamente com a brincadeira. Era o recurso de Shizuo caso o afastamento não funcionasse. E o afastamento, claramente, não funcionara, então a única resposta era matá-lo.

Até ai, tudo bem. Tem sentido. Evitar. Afastar. Matar. Tudo dentro do esperado em uma relação com Izaya.

Sexto: Choro; sétimo: bater e fugir: ok! Aqui tudo complicava um pouco. Shizuo queria matá-lo, mas o incomodava matar alguém. Então quando viu que estava com o sangue e o corpo de Izaya nas mãos, se descontrolou e fugiu. “Meio covarde, e inesperado se tratando de Shizu-chan, principalmente a parte do choro. Mas, ainda assim, possível. Principalmente se eu acrescentar que Shizu-chan nunca age como o esperado”.

Mas, o último evento... Aquele último evento o quebrava totalmente. Chorar: mais ou menos ok! Fugir, vá lá... Mas “suspirar o nome de Izaya enquanto dorme” era um passo além do que Izaya podia esperar, mesmo para o imprevisível Shizuo.

Não podia esquecer, também, que Shizuo estava suspirando eroticamente antes de suspirar o nome de Izaya. Lembrou que a primeira coisa que pensou quando ouviu o suspiro de Shizuo era que ele estava em um sonho erótico.

– Shizu-chan sonhando eroticamente comigo! – berrou gargalhando.

“Shizu-chan é mesmo o melhor! E ele me chama de masoquista! Alguém deve ter batido muito forte na cabeça dele para que ele confundisse a tensão da violência com a tensão sexual!”, pensava, gargalhando ainda mais alto.

– Pelo seu bem, Shizu-chan, espero que eu esteja enganado...

Izaya levantou-se alegremente da poltrona na qual estava sentando desde a hora que chegara a seu apartamento. Olhou pela janela do seu escritório e percebeu que já havia amanhecido. Tinha gasto um tempo considerável antes de chegar a uma conclusão sobre o comportamento de Shizuo e, mesmo assim, sua conclusão não era definitiva e não o levava a lugar algum. A única resposta que tinha era que, provavelmente, Shizuo gostaria de tocá-lo de forma intensa, possivelmente violenta, mas não para machucá-lo. Riu satisfeito. “Isso vai ser divertido, Shizu-chan. Vamos mudar um pouquinho a brincadeira.”.

Sabia, entretanto, que antes de agir devia descobrir a extensão e a natureza das vontades de Shizuo. Até que ponto aquele homem absurdo havia se apegado a ele.

Havia desistido de dormir. Não conseguiria. Mal podia conter-se.

Decidiu tomar um banho e planejar detalhes de seu ataque.


****

Namie entrou no apartamento e estranhou o som com o qual foi recebida.

– Izaya está cantando no banheiro? – não conseguiu segurar e exclamou surpresa – Oh, tenho pena de quem será morto ou enganado hoje... Ele parece bem animado.

Dirigiu-se à sua mesa e acomodou-se, olhando para a agenda distraidamente, pensando se conseguiria adivinhar quem seria a vítima dentre aqueles nomes marcados para encontrar o informante hoje.

– Namie-san, bom dia! – Namie levantou os olhos e fitou um informante extremamente sorridente, com os cabelos ainda molhados.

– Você fez uma baita bagunça com suas peças. – disse ela apontando para as peças de xadrez jogadas no chão – Quero deixar claro que não sou paga para arrumar seus brinquedos.

– Você é tão má, Namie-san. – reclamou o informante com um bico – Não fui eu quem bagunçou tudo. Foi uma peça, em específico, que tirou tudo de ordem. – um falso ar inocente brilhava no rosto de Izaya – Mas não se preocupe, eu vou endireitar esta pecinha logo, logo.

Namie olhou para o sorriso perverso que agora estampava o rosto de seu chefe.

– Hoje, às 9h, você tem um encontro com um membro da máfia. Depois, às 11h, você tem que estar naquele galpão na Rua 5 para encontrar com um solicitante. Shinra ligou ontem à tarde e pediu para que você fosse à casa dele à tarde, algo relacionado com um apagamento de digital ou algo assim, disse a ele que você estaria lá às 14h.

– Muito solícita, como sempre. – disse irônico – Hoje à tarde, porém, já tenho um compromisso. Ligue para Shinra e diga que passo lá agora. Acorde-o se necessário. – acrescentou ao ver que Namie olhava para seu relógio de pulso. A secretária deu de ombros e pegou o telefone.

Ao ver o chefe se afastar cantarolando, porém, decidiu perguntar.

– Algum compromisso que eu deva saber?

– Hoje à tarde, cara Namie? Nada profissional... – respondeu com um sorriso aberto – Mas posso te contar se quiser. – e antes que Namie pudesse dizer algo, acrescentou – Terei um importantíssimo encontro casual com alguma garota bonita sem senso de perigo que goste de sushi e que tenha a noite de hoje livre para mostrar Ikebukuro para um rapaz bonito e charmoso, porém inocente, vindo do interior.

– E esse rapaz seria...?

– Eu, naturalmente! Não percebeu pelos adjetivos?! – gargalhou.

Izaya afastou-se, deixando Namie intrigada. “Ele parece realmente satisfeito... rindo de alguma piada interna, provavelmente...”.

– Um encontro! Um encontro! – cantarolava irônico o informante enquanto remexia em alguns papéis.

“Isso vai ser divertido, Shizu-chan! Mal posso esperar!”.

Notas finais
Obrigada por lerem! Ficaria feliz se comentassem o que acharam. Acredito que meu esquema de postagem será uma cap por semana, mais provavelmente sendo publicado entre sexta e domingo... Beijo!