Notas iniciais
Olá, gente! tudo certo com vocês? mais uma vez, muitíssimo obrigada a todos os que tem acompanhado a fic, a todo mundo que favoritou e a quem comentou... Vocês são uns amores e seus comentários me incentivam muito!. *.* Obrigada por darem uma chance pra minha história! ^^ Eu peço desculpas por não ter atualizado ainda no fim de semana... mas uau! essa foi uma semana cheia de coisas e quase não tive tempo pra escrever. (fiquei mais velha! iei! semana de prova, de aniversário, de festa, de viagem pra visitar família no interiorrr! foi corrido mas foi bom!) Espero que gostem do capítulo... Enfim, sem delongas, boa leitura para todos! *.* ps. #malditoporteiro hahahaha

Contra-ataque



Izaya

Izaya estava parado no meio de seu escritório, estático. Podia ouvir perfeitamente as batidas de seu coração pulsando em seus ouvidos.

Esperou.

Esperou por diversas coisas.

Esperou que estivesse enganado e que não havia visto Shizuo entrar em seu prédio. Mas sabia que nunca se enganaria. Não com isso. Seus olhos não se enganavam, seus sentidos não se deixavam confundir... não quando se tratava de Shizuo. Talvez os anos de perseguição tivessem desenvolvido nele uma espécie de “radar Shizuo”.

Seu “radar Shizuo” estava, no momento, disparado.

Depois esperou que sua campainha tocasse. Mas sabia que isso não aconteceria. Não com Shizuo.

Shizuo não tocava a campainha. Shizuo metia o pé na porta. Shizuo chegava como um fenômeno da natureza e derrubava tudo.

Posteriormente, esperou ouvir seu nome berrado no já conhecido tom de raiva de Shizuo.

Izaya esperava, mal respirando, mas nada acontecia.

Olhou para a porta, esperando o momento no qual ela seria destruída.

Nada.

“Enganei-me?”, pensou.

Já estava quase convencido de que seu “radar Shizuo” estava quebrado, de que o que vira na janela fora sua imaginação lhe pregando uma peça — em resposta aos pensamentos que insistiam em voltar-se sempre à mesma pessoa — quando ouviu uma pancada surda ao longe. A primeira pancada foi seguida de outra, e depois outras. O som se tornava cada vez mais alto e nítido, como se estivesse se aproximando. Então, de repente, com uma última batida alta, o som parou.

Izaya tinha certeza de que o que quer que aquilo fosse estava agora diante de sua porta.

“Passos?! Eram passos?!”, ponderou confuso.

A pressão em seus ouvidos, que se fazia presente desde que vira Shizuo pela janela, aumentou.

Sentiu algo passar perigosamente perto de sua cabeça, fazendo seu cabelo esvoaçar com o vento causado.

No segundo seguinte, viu Shizuo parado a alguns metros diante de si, no lugar onde originalmente havia uma porta. A porta, arrancada de suas dobradiças, jazia na parede oposta a Shizuo.

Shizuo, com uma maçaneta em mãos, olhava para Izaya intensamente.

Izaya, entretanto, olhava da porta para Shizuo e depois novamente para a porta.

– Como conseguiu arrancar a porta e continuar segurando a maçaneta? Empurrou ou puxou?

Shizuo parecia surpreso com a pergunta, como se não esperasse por ela. Olhou para a maçaneta em suas mãos.

– Essa maçaneta não é da sua porta.

– Então...? – Izaya viu-se perguntando.

– O porteiro não queria abrir a portaria do prédio. – disse simplesmente.

Izaya riu alto.

– Espero que não o tenha matado. – disse com a voz embargada pelo riso, dirigindo-se a sua poltrona e sentando-se. Apoiou os cotovelos na mesa diante de si e entrelaçou os dedos de ambas as mãos uns aos outros, posteriormente apoiando o queixo neles.

O informante estava nervoso. Shizuo estava perto demais. Aquele era um lugar pequeno. Não sabia até que ponto poderia escapar se o guarda-costas resolvesse começar uma briga. Ao mesmo tempo, porém, o que mais o tirava do sério era a aparente calma do outro que, mesmo tendo destruído sua porta e andado por seu prédio a passos retumbantes, permanecia apenas olhando para ele.

– Então... a que devo a honra, Shizu-chan? – perguntou com sua habitual ironia – Saudade?!

O informante, porém, não obteve nenhuma resposta.

Após alguns instantes, o guarda-costas, que até então estava parado na entrada do apartamento de Izaya, dirigiu-se, ainda em silêncio, a um pequeno sofá negro de três lugares que ficava imediatamente à frente a mesa de Izaya, alguns metros adiante. Sentou-se e continuou a encarar Izaya.

Izaya estava estupefato. Aquela era uma situação inesperada. Shizuo parecia estar docilmente sentado em um sofá diante de si. Não podia deixar de sentir, porém, algo perigoso emanando de Shizuo. Sentia-se na mira de um animal que se preparava para o ataque. Sentiria-se mais seguro se pudesse ver os olhos de Shizuo, assim poderia perceber melhor o perigo com o qual lidaria, mas estes estavam cobertos por óculos escuros.

Cansado de esperar por um pronunciamento, Izaya levantou-se, intencionando ir até a copa.

– Café? Chá? – perguntou num falso tom de anfitrião – Leite? – acrescentou rindo sarcasticamente.

Shizuo franziu o cenho e Izaya teve certeza de sua teoria: Shizuo estava contendo-se. Provavelmente o guarda-costas queria quebrar cada um de seus ossos naquele momento, mas forçava-se a permanecer sentado. Era desse embate interno que vinha, provavelmente, a pressão que Izaya sentia emanar de Shizuo.

O informante parou no meio do caminho entre escritório e a copa e olhou para Shizuo, retribuindo a intensidade do olhar dele.

– Você quer mais, né?! – perguntou enquanto abria um sorriso perverso. – Veio porque quer mais de mim, não é, Shizu-chan?

Izaya sabia que aquele era um terreno perigoso.

Aquele era, afinal, o primeiro encontro depois do que havia ocorrido entre eles no apartamento do loiro. Izaya sabia que Shizuo havia reagido bem enquanto estavam no apartamento dele, mas não fazia ideia de como o guarda-costas reagiria depois de tudo. Shizuo era imprevisível. Izaya sabia que estava se arriscando ao apelar para aquilo, mas talvez aquele fosse o único meio de escapar ileso do apartamento.

Shizuo permaneceu em silêncio, com as sobrancelhas franzidas, olhando-o por detrás de seus óculos. Izaya considerou que aquele fosse, então, um sinal de que poderia continuar naquela linha.

– Estou certo, não é? Não pode se segurar e veio até aqui... Que impaciente, Shizu-chan.

Izaya passou a se aproximar lentamente do sofá no qual estava Shizuo. Sentia-se pisando em ovos. Estava, deliberadamente, se aproximando de um inimigo. Esbarrou sutilmente uma das mãos no bolso de sua calça e sentiu seu canivete ali. Isso o tranquilizava. Poderia reagir caso as coisas não ocorressem tão bem como na noite anterior.

“Shizu-chan estava meio bêbado... Talvez por isso tenha sido tão fácil.”, pensava sua mente a mil. “Eu tinha a vantagem da surpresa. Agora ele sabe por que estou me aproximando.”.

Izaya parou a poucos passos de Shizuo. Aquele era o máximo que podia aproximar-se se quisesse manter a rota de fuga em aberto. Com sua visão periférica via a entrada de seu apartamento: sem a porta, escancarada. Se precisasse, poderia sair sem dificuldade dali. Isso SEpermanecesse naquele lugar, sem mais nenhum passo adiante.

O silêncio de Shizuo o intimidava. “É uma armadilha?!”, Izaya tentava afastar este pensamento de sua cabeça, que insistia em retornar. Sabia, entretanto, que Shizuo era sangue-quente, sempre o julgara incapaz de seguir um plano frio e silencioso. “Mas ele é um maldito imprevisível!”.

Involuntariamente, levou uma das mãos ao bolso e a deixou ali. Podia sentir o frio do metal de seu canivete em sua pele. Isso o deu o impulso que precisava para fechar de uma vez a distância entre eles.

Com o último passo, a porta — ou a ausência dela — sumiu de sua visão periférica. "Sem rota de fuga.", pensou, apertando levemente seu canivete.

Focou seus olhos em Shizuo, que estava a poucos centímetros dele. Se estendesse o braço livre, poderia tocá-lo.

E foi o que fez.

Com o auxílio da mão livre, empurrou o ombro de Shizuo, de forma que o guarda-costas inclinasse-se para trás e ficasse com as costas afundadas no sofá, sentado, portanto, mais relaxadamente. Apoiou um dos joelhos no sofá, ao lado de uma das pernas de Shizuo, diminuindo ainda mais a distância entre eles.

Com uma das mãos prendendo o corpo quente de Shizuo contra o sofá e a outra pressionando o metal frio de seu canivete, Izaya sentia-se o homem mais poderoso do mundo.

Uma palavra – apenas uma – quebrou tudo o que Izaya sentia no momento, fazendo tudo se transformar em surpresa e confusão.

– Conversar.



****


Shizuo

Conversar com Celty havia ajudado Shizuo a repensar a situação com Izaya.

Se antes ele estava em um beco sem saída, sem saber o que pensar sobre que o havia acontecido entre ele e o informante, após a conversa tinha uma certeza: Izaya estava jogando com ele. Estava jogando com ele E continuaria a jogar.

Seu primeiro impulso foi aceitar o desafio, jogar o jogo de Izaya e vencer. Não podia aceitar que o informante pensasse que o havia ganhado, que havia ganhado dele. Tinha que se impor a Izaya e mostrar a ele que não seria parte de seus joguinhos, que não seria manipulado.

Quando se despediu de Celty na praça, havia resolvido esperar que o informante viesse até ele e o provocasse. Ele se aproveitaria disso e submeteria Izaya, humilhando-o como ele havia feito. Claro, havia pensado, a maneira que usaria seria diferente da usada pelo informante. Shizuo não ajoelharia diante de Izaya nem se sua vida dependesse disso. O informante era um doente em usar sexo como arma. Shizuo não se imaginava fazendo o mesmo.

No caminho de volta para seu apartamento, porém, seu pensamento foi gradualmente mudando de direção. A vergonha pelo papel que havia passado em seu apartamento, gemendo e gozando pelas mãos de Izaya, foi voltando ao centro de suas preocupações. O informante era um doente em usar o sexo, mas ele, reagindo às provocações, também não ficava muito bem... e isso o deixava louco de raiva.

Antes que se desse conta, dirigia-se a passos firmes ao apartamento de Izaya, decido a quebra-lo com os próprios punhos até que dele só restasse o pó.

“Vingança não é mesmo meu gênero. Ele vai pagar sim, mas será agora! Não ficarei esperando por ele.”, pensava massageando os nós dos dedos.

Parou em frente ao portão do prédio de Izaya e o forçou. Sem nenhuma dificuldade, abriu-o e entrou.

O porteiro disse algumas palavras a ele enquanto mexia na porta de entrada, provavelmente trancando-a. Shizuo, porém, nem o ouviu nem se importou com a tranca. Arrancou a maçaneta, empurrou a porta e continuou em seu caminho.

Aparentemente, o porteiro havia desativado os elevadores, pois os mesmos não estavam funcionando. Shizuo não hesitou nem um instante antes de se meter nas escadas e iniciar a subida pelos degraus.

“Forçando-me a subir até lá de escadas!”, pensava raivoso, “A pulga maldita apanhará ainda mais por isso!”.

Os degraus da escada extinguiam-se junto com sua paciência. Terminou sua empreitada no andar de Izaya ouvindo seus passos ecoando por todo o corredor.

Parou diante da porta de Izaya. Fazia tempo desde que havia estado ali. Não ia até o apartamento do moreno com frequência. Somente uma crise de raiva muito grande era capaz de leva-lo até lá. Não se lembrava, porém, de uma vez na qual estivesse tão irritado quanto agora.

Empurrou com mais força do que o planejava a porta de entrada do apartamento e se deparou com Izaya de pé, poucos metros a sua frente, a encará-lo.

Seus músculos contraíram.

Por um momento esqueceu-se do motivo que o havia levado até ali.

Mesmo que a expressão do rosto de Izaya fosse diferente da que ele mostrara na noite anterior, não podia deixar de pensar no que havia acontecido. Lembrava-se do olhar surpreso de Izaya quando o prensou contra a parede, lembrava-se de seus olhos fechados firmemente enquanto se aproximava, lembrava-se de seus pelos arrepiados com o toque dele.

A surpresa no olhar de Izaya era diferente agora, pois tinha um misto de diversão, mas, ainda assim, era o olhar de Izaya... era inevitável não relacioná-lo ao da noite anterior.

As palavras saídas da boca de Izaya o tiraram de seu transe.

– Como conseguiu arrancar a porta e continuar segurando a maçaneta? Empurrou ou puxou? – viu um sorriso no rosto de Izaya.

“Maçaneta? Que maçaneta?!”, pensou confuso, tentando entender o que Izaya falara. Olhou para as próprias mãos e viu que ainda segurava a maçaneta que havia arrancado na portaria quando o porteiro havia se recusado a abrir.

– Essa maçaneta não é da sua porta.

– Então...?

– O porteiro não queria abrir a portaria do prédio.

Ouviu uma risada alta de Izaya e mais algo que não entendeu direito pois o informante falava enquanto se afastava. Viu-o se sentar-se em uma poltrona, apoiar o rosto nas mãos, encará-lo e perguntar ironicamente:

– Então... a que devo a honra, Shizu-chan? Saudade?!

Shizuo sabia que não era saudade, mas vagamente podia lembrar-se do motivo que o havia levado até o apartamento de Izaya.

Forçou a memória, retribuindo o olhar de Izaya. Atrás de Izaya, um pouco à esquerda, viu a porta aos pedaços.

“Sim! Eu estava muito bravo! Essa pulga maldita estava jogando comigo, certo?!”, voltou seus olhos novamente para o rosto sorridente do informante, “Provavelmente, esta agora mesmo jogando comigo...”.

Sua raiva de minutos atrás havia voltado. Olhando para Izaya, porém, viu-o completamente desarmado, talvez aquele fosse um bom momento para manter o sangue frio e não demonstrar raiva. Isso o ajudaria a pegar Izaya desprevenido.

Respirou fundo, tentando conter seus músculos que teimavam em querer fazê-lo pegar um objeto qualquer e jogar contra Izaya, e dirigiu-se ao sofá em frente à mesa do informante.

“Dois podem jogar este jogo, certo?!”, pensou, convencendo-se a permanecer sentado e sentindo o olhar curioso de Izaya em si.

– Café? Chá? – ouviu Izaya perguntar, enquanto se levantava de sua poltrona – Leite? – o informante riu.

“Sua risada maldita me irrita, Izaya! Mais uma dessas e arranco sua língua!”, pensou, franzindo o cenho e encarando Izaya, incapaz de manter-se calmo diante das provocações dele.

– Você quer mais, né?! Veio porque quer mais de mim, não é, Shizu-chan?

Shizuo surpreendeu-se com a pergunta. O que dabos havia sido aquilo? Perguntando aquilo sem mais nem menos? O que Izaya estava querendo dizer?

Querer mais dele?

“Quero que me deixe em paz, pulga maldita!”, refletiu enfurecido pela audácia nas palavras de Izaya.

Não pode deixar, porém, de cair em si e perceber que era ele quem havia ido até ali, com as próprias pernas. Não podia deixar de notar que havia sido ele a arrebentar a porta do outro e sentar-se em seu sofá.

– Estou certo, não é? Não pode se segurar e veio até aqui... Que impaciente, Shizu-chan.

“Não está certo!”, era a única coisa que Shizuo conseguia pensar enquanto olhava para Izaya que se aproximava lentamente dele.

O toque de Izaya quebrou todos os pensamentos que insistissem em invadir a mente de Shizuo.

Sentiu seu corpo afundando no sofá sob o peso que Izaya colocava em seu ombro. Sentiu um novo toque em suas pernas, causado por um dos joelhos de Izaya. E sentiu o cheiro do informante quando este se inclinou ainda mais seu corpo em direção ao dele. Sentiu sua mente gradativamente nublar-se.

“Não!”, tentava se agarrar a qualquer fio de sanidade, “Não mais uma vez!”.

Precisava evitar que caísse mais uma vez nas garras de Izaya, conforme havia decidido durante a conversa com Celty.

Sim, era isso o que precisava: lembrar-se da conversa com Celty.

E então, sem pensar, soltou a única palavra que conseguiu manter em sua mente naquele momento:

– Conversar.

Viu Izaya afastar-se um pouco e tirar a mão de seu ombro. Assim, mesmo que ainda permanecesse próximo, com o joelho apoiado no sofá, agora, ao menos, o cheiro do informante não invadia e nublava os sentidos de Shizuo.

– Conversar? – ouviu confusão na voz de Izaya.

– Conversar. – Shizuo sentia-a inútil por apenas conseguir repetir a palavra. Na verdade, não tinha intenção nenhuma de falar nada, nem sabia o que falar. Mas mantinha-se apegado à palavra que o havia salvado.

– Shizu-chan quer conversar? Você é capaz disso? Você sabe o que conversar significa, Shizu-chan?! Significa falar e não quebrar nada nem ninguém! – Izaya afastou-se um pouco mais, inclinando-se para trás e rindo escandalosamente.

Shizuo agarrou a gola da camisa de Izaya.

“Ele está querendo briga! Essa pulga maldita! Claro que eu sei o que é conversar!”. Puxou Izaya de volta para si, trazendo o rosto do moreno próximo ao seu. Shizuo refletia sobre qual seria a forma mais dolorosa de fazer Izaya engolir as provocações que havia soltado.

– Exatamente, Shizu-chan. Como eu suspeitei. Você não sabe o que é conversar. – disse inclinando ainda mais o corpo e apoiando ambas as mãos no sofá, de modo que elas cercassem Shizuo – Conversar significa que você não pode puxar a outra pessoa pela gola da camisa. Significa que não precisa ficar assim tão perto. Significa usar a boca para falar. – abriu um enorme sorriso – Mas a gente pode usar melhor a boca, certo?!

Shizuo estava preso. Novamente preso. Novamente encurralado. Novamente à mercê de Izaya. Mas nada disso passava pela sua cabeça agora. O correto seria dizer que nada passava por sua cabeça agora.

Shizuo era todo sentidos.

O cheiro de Izaya invadia suas narinas. A visão de Izaya inclinado sobre si nublava seus olhos. A lembrança do sabor de Izaya fazia-o salivar. A voz maliciosa de Izaya arrepiava-o. O calor do corpo de Izaya, a sensação do joelho dele tocando sua perna, queimavam-no.

Antes de poder se conter, Shizuo tirou seus óculos e os jogou longe, segurou os braços de Izaya e o girou, fazendo-o deitar-se no sofá. Colou seu corpo ao dele e sussurrou, mordendo o lóbulo da orelha de Izaya:

– Certo.

Antes de tudo, sentia em si a urgência em provar novamente o gosto do informante. Aquele maldito gosto que ficara rondando seus pensamentos o dia todo. Nunca havia provado nada como aquilo. Era doce. Muito doce. Era viciantemente doce.

Desceu seus lábios para o pescoço do informante e roçou ali sua língua. Não era um toque carinhoso. Era necessitado. Era urgente.

Cada centímetro que provava o fazia querer mais.

Muito mais.

Afastou-se bruscamente do informante, deixando ambos os troncos livres.

Sem nenhum cuidado rasgou a camisa de Izaya, deixando-o nu da cintura para cima.

Olhou-o intensamente.

“Mais!”, pensou em desespero, antes de se inclinar novamente sobre o informante, atacando-o novamente no pescoço.

Ouviu um gemido baixo e afastou-se para olhar novamente para Izaya.

O informante tinha os olhos fechados e os lábios entreabertos. Tocou-o com a ponta dos dedos no pescoço e viu seus lábios tremerem com um novo gemido.

“Ele me deixa tocá-lo”, pensou em êxtase.

“Ele quer se tocado.”

Pousou mais uma vez os lábios no informante, desta vez em sua clavícula. Enquanto seus lábios exploravam aquela parte do corpo de Izaya, suas mãos percorriam o seu peito nu.

Shizuo substituiu as mãos pelos lábios e, com o auxílio da língua, explorou toda a extensão do peito e barriga do informante.

Shizuo sentia-se inebriado. Não podia negar que Izaya era a coisa mais saborosa que já havia provado.

Com as mãos ainda massageando o corpo de Izaya, Shizuo tocou sem intenção um dos mamilos do informante e o notou duro.

Sem pensar duas vezes, direcionou seus lábios para lá. Circulou-o com sua língua, enquanto suas mãos apertavam fortemente a cintura de Izaya. Sentiu o informante curvar-se ao seu toque, forçando o corpo na direção de Shizuo. Empolgado com a última ação do informante, Shizuo arriscou-se a morder o mamilo que se encontrava aos cuidados de sua língua. Ao fazê-lo, sentiu as mãos de Izaya agarrarem fortemente seus cabelos ao mesmo tempo em que ouviu um gemido alto.

“Mais! Mais! Mais! Mais!”, gritava sua mente.

Abandonou o mamilo de Izaya e desceu os lábios para a barriga do informante, que se contraiu ao seu toque.

“Cócegas?!”, pensou rindo contra a barriga de Izaya, roçando de leve seus dentes.

Sentiu seus cabelos sendo puxados para cima e levantou os olhos na direção de Izaya. Surpreendeu-se ao notar que o informante havia inclinado sua cabeça para um dos lados, deixando seu pescoço livre. Era um pedido silencioso de Izaya: ele queria mais atenção ali.

Shizuo não pode reprimir um riso.

Se estivesse em plena consciência, perceberia que havia conseguido sua vingança: Izaya não só estava a sua mercê, como estava pedindo para ser tocado por ele.

No momento, porém, só conseguia pensar em como Izaya estava, de alguma forma muito estranha, delicioso e adorável.

Levou seus lábios novamente ao pescoço de Izaya e sentiu-o apertar-se contra si.

As mãos de Izaya puxavam levemente sua camisa, levantando-a um pouco. Sem hesitar, Shizuo abriu entre eles distância o suficiente para que pudesse tirar a própria camisa.

Ao inclinar-se novamente sobre Izaya, Shizuo não pode evitar um gemido, ao qual se juntou um gemido de Izaya. Era a primeira vez que eles se tocavam de uma forma tão intensa, pele com pele. Aparentemente, isso mexia com Izaya tanto quanto mexia com ele.

Ainda atacando o pescoço de Izaya, Shizuo direcionou uma de suas mãos às calças do informante, tencionando tirá-la.

Ao tocar a parte de baixo do corpo de Izaya, pode sentir o quanto o informante estava excitado.

Abriu o botão da calça e baixou o zíper. Com um último chupão na clavícula do moreno, afastou-se consideravelmente e puxou de uma só vez a calça e a roupa íntima de Izaya, deixando-o completamente nu.

Quando ia aproximar-se novamente de Izaya, sentiu algo cortar seu tronco.

Afastou-se ainda mais para olhar o que o havia atingido e viu o informante sentado apontando para si um canivete.

Por reflexo, abriu maior espaço entre ele e o informante, sentando-se na ponta oposta do sofá.

O informante abriu um sorriso maligno e impulsionou o corpo para frente, ficando ajoelhado com o braço estendido e o canivete a poucos centímetros do rosto de Shizuo.

– Se se aproximar de novo, eu te corto, Shizu-chan.

Sem um pingo de raiva pela ameaça, Shizuo riu.

– Sua ameaça soaria melhor se não estivesse nu de pau duro na minha frente, Izaya-kun. – disse num tom cantado.

Izaya alargou ainda mais seu sorriso e deu de ombros.

– É o melhor que posso fazer no momento, Shizu-chan...

– Não é não. – respondeu Shizuo, segurando o pulso de Izaya e o puxando para si – Você pode fazer algo bem melhor que isso no momento.

Shizuo direcionou o pulso de Izaya para trás de seu próprio pescoço, de forma que Izaya foi obrigado a envolver seus braços nele para não desequilibrar-se. Qualquer um que olhasse para aquela cena chocaria-se: Izaya estava, agora, ajoelhado entre as pernas de Shizuo, envolvendo-o em um abraço. Shizuo, por sua vez, mantinha uma de suas mãos no pulso direito de Izaya, mantendo-o imóvel para não ser ferido pelo canivete, enquanto a outra mão descansava calmamente na cintura do informante.

– Solte o canivete, Izaya – pediu Shizuo com o rosto a poucos centímetros do de Izaya.

– Não. Ele é parte de mim. Encare como um ménage: eu, você e ele. – disse irônico.

– Não vai soltar? – perguntou Shizuo rindo, seu humor estava, incrivelmente, muito bom.

– Não. Considere como uma apimentada na relação. Dor e prazer são dois lados da mesma moeda, Shizu-chan. – disse tentando mover o pulso na intenção de liberar seu canivete.

Shizuo riu novamente.

– Você sabe, eu não gosto de violência. Então prefiro manter seu canivete longe. – disse, e acrescentou malicioso – Mas se você gosta, posso pegar mais pesado contigo.

– Uau. Um lado de Shizu-chan que eu não conhecia... – disse rindo divertido – Acho que agora, ainda mais, eu quero manter meu adorado canivete comigo.

– Sim? Ok! Segure ele firme, então.

Shizuo pode notar a surpresa de Izaya com suas palavras. O informante provavelmente esperava que ele fosse força-lo a largar o canivete com o uso de força bruta. Shizuo, porém, tinha uma ideia melhor para convencer Izaya a soltá-lo.

Shizuo ajeitou melhor o corpo no sofá, endireitando a coluna e colocando o corpo mais reto, de forma que agora Izaya não estava mais inclinado sobre ele, apoiando seu peso no peito de Shizuo, e sim, apoiado totalmente nos próprios joelhos.

Com maior liberdade em seus movimentos – mas ainda restringindo os de Izaya com uma das mãos – passou a explorar mais profundamente o corpo recém-desnudado de Izaya. Naquela posição, tinha acesso mais fácil a todo o corpo do informante do que quando estavam ambos deitados.

Mordeu com força o pescoço de Izaya – que estava diretamente em frente ao seu rosto – enquanto apalpava com força suas nádegas.

Lambeu lentamente onde havia mordido, e direcionou a mão livre para o pênis do informante.

Shizuo havia percebido, desde aquela vez em seu apartamento, que o pescoço era a parte fraca de Izaya. Ele perdia completamente o controle quando era acariciado naquele local. Somando-se a isso a massagem contínua que Shizuo aplicava ao pênis do moreno, e Shizuo sabia que Izaya estaria bem mais inclinado a obedecê-lo e soltar o canivete.

O informante já estava bem mais dócil do que antes, dessa forma, liberou o pulso dele e com a mão livre, voltou a apertar as nádegas de Izaya.

O informante, provavelmente, sequer havia percebido que o guarda-costas o havia soltado.

– Solte o canivete. Sim? – sussurrou no ouvido do informante, obtendo um resmungo negativo como resposta.

Shizuo estava se divertindo como nunca ao ver as reações de Izaya. Ele era tão rebelde, teimoso, irônico e malicioso quanto normalmente, mas, naquele momento, isso não o irritava.

Mordeu o lóbulo da orelha de Izaya e pediu de novo.

– Se não soltar... – Shizuo parou subitamente os movimentos com as mãos. Soltando o pênis de Izaya e parando as carícias. Levantou ambas as mãos em posição defensiva na altura do rosto de Izaya.

Izaya olhou para as mãos de Shizuo e sorriu com um misto de diversão e frustração. Shizuo achava que só agora o informante havia percebido que sua mão com o canivete já estava livre há algum tempo, ou seja, se quisesse, Izaya já poderia ter afastado e machucado Shizuo.

Izaya afastou-se levemente e sentou-se nos próprios calcanhares.

Shizuo observou enquanto o moreno apontava novamente o canivete em sua direção para depois dar de ombros e jogá-lo longe.

– Ok! Mas, posso pedir algo em troca? – disse com um riso sarcástico.

– Não. – respondeu Shizuo simplesmente e o puxou novamente, forçando-o a ficar de joelhos, e recomeçando o ataque.

Ouviu Izaya rir mais alto. Riso que logo se transformou em mais uma série de gemidos.

Com o auxílio de saliva e da lubrificação que escorria do pênis de Izaya, Shizuo lubrificou dois de seus dedos.

Já não conseguia se parar, queria Izaya por completo. Tê-lo completamente satisfeito.

Com toques sutis, iniciou uma nova carícia nas nádegas de Izaya. Desta vez, mais invasiva do que nas outras. Com o objetivo de lubrificar a entrada de Izaya.

– Shizu-chan... – Izaya suspirou.

Incentivado pelo suspiro, inseriu um dos dedos no informante.

Sentiu Izaya agarrar fortemente seus cabelos e intensificou os movimentos de masturbação.

Inseriu mais um dedo e passou a movê-los. Sincronizando os movimentos de ambas as mãos ao mesmo tempo em que iniciava um novo ataque à clavícula e ao peito do informante.

Ouviu os gemidos de Izaya se tornarem cada vez mais altos. Sabia que o informante estava chegando ao seu ápice.

Shizuo se sentia ainda melhor do que quando era ele a receber as carícias do informante em seu apartamento. Ter à sua mercê o informante era incrível. Vê-lo sentir prazer e saber ser o responsável por isso era extasiante. Era um lado de Izaya que Shizuo nunca havia imaginado.

Intensificou ainda mais o movimento no pênis de Izaya, enquanto alternava sugadas e leves mordidas em um de seus mamilos.

Sentiu o corpo de Izaya convulsionar e no instante seguinte sua mão e seu abdômen estavam molhados do gozo do moreno que, agora, respirava pesadamente com o rosto apoiado no peito de Shizuo.

Shizuo retirou lentamente seus dedos de dentro dele, sentindo-o se contrair. Apanhou um pano que estava ali por perto — pela cor, pensou ser a camisa de Izaya -, limpou-se e, num impulso, virou Izaya de costas para ele, sentando-o com as costas apoiadas em seu peito.

Quase no mesmo instante, Izaya afastou-se bruscamente e olhou com as sobrancelhas franzidas para Shizuo.

Shizuo viu-o abrindo a boca para dizer algo, mas um som alto o interrompeu e assustou a ambos.

Shizuo olhou confuso para Izaya, que deu de ombros e dize apenas:

– Ignore.

O informante havia sentado diante de Shizuo, na outra extremidade do sofá, e, ainda nu, o encarava profundamente.

Shizuo ia protestar contra o olhar, mas um riso alto e malicioso o interrompeu.

– Tudo bem aqui, Shizu-chan?! – disse, esticando uma das pernas e, com os pés, tocando o pênis de Shizuo por cima das calças.

Shizuo reprimiu um gemido. “Claro que não está tudo bem! Parece que vou explodir!”, pensou enquanto tentava reprimir mais gemidos causados pelas carícias que o informante fazia movendo o pé contra sua virilha.

– Sua vez, Shizu-chan? – perguntou irônico, parando os movimentos do pé e avançando para cima do guarda-costas.

O som alto os assustou novamente.

– Só um minuto, Shizu-chan... – disse Izaya levantando-se e caminhando em direção a uma parede do escritório onde, notou Shizuo, havia um interfone.

Shizuo captou algumas partes da conversa, mas sua mente estava focada demais no corpo nu do informante para concentrar-se em outra coisa.

Ouviu um estalo de dedos e olhou para o rosto informante. O informante sorriu e apontou para o próprio rosto, movendo os lábios lentamente nas formas das palavras: “Olhe para o meu rosto, Shizu-chan”.

Shizuo sorriu, mas seu sorriso morreu ao ouvir as últimas palavras que Izaya disse antes de desligar o interfone.

–... Ele já está indo embora. Se não for, eu mesmo chamarei a polícia.

– Izaya... – começou a dizer, mas foi interrompido.

– Você ouviu... Shizu-chan, “melhor sair daqui, agora!”. – disse numa clara imitação das últimas palavras ditas por Shizuo em seu apartamento na noite anterior.



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– Pulga maldita! Maldito! Desgraçado! Vai me pagar! – exclamava Shizuo enquanto andava, sem camisa, pelas ruas que ligavam Shinjuku e Ikebukuro.

Izaya o havia expulsado do apartamento com a ameaça de que chamaria a polícia sem sequer deixa-lo vestir novamente sua camisa.

O choque da expulsão, a excitação latente turvando sua mente, a ameaça: tudo havia contribuído para fazer com que Shizuo simplesmente abandonasse o apartamento sem dizer nenhuma palavra.

Agora, na rua, refletindo melhor sobre tudo, Shizuo havia finalmente caído em si. E estava possesso, até mais do que quando estava indo para o apartamento de Izaya.

Agarrou uma barra de ferro na lateral da calçada e a destruiu como se fosse feita de papel.

Todo o bom-humor que Shizuo demonstrara dentro do apartamento havia morrido. Ele dizia-se profundamente arrependido de ter não ter acabado Izaya quando teve a chance.



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Izaya ainda ria de Shizuo, observando-o ao longe através da janela de seu apartamento andando sem camisa pelas ruas.

– Parece um tarado, Shizu-chan.

Voltou seu olhar para o seu apartamento. Franziu o cenho.

– Shizu-chan maldito! — exclamou em voz alta. — Você fez aquilo de novo...

Apoiou a testa na vidro frio da janela.

– Não estou entendendo mais nada, Shizu-chan...

Notas finais
Oi de novo! ^^ e ai? o que acharam? Foi meu segundinho lemon, então me arrisquei um pouquinho mais! Qualquer tipo de opinião é bem-vinda! Deixe reply e faça uma autoria insegura feliz! =D Beijos e queijos, Max