Depois de um coração partido
3 Ao te ver
E ao te ver toda dor vai embora, é apagada com um sorriso, levada para longe com o seu olhar. Como é possível? Como posso te odiar e amar, te querer e repudiar?
Você brinca comigo em prol de suas necessidades, logo você que eu achei ser a ideal, a perfeita pessoa para não me machucar. Eu te dei amor e você me retribuiu com dor, com desespero e desprezo.
Você que passou seu tempo comigo, me conheceu, me viu como um ser tridimensional, não te doeu me quebrar? Você pensou mesmo em mim? Ou esse tempo todo tu apenas se amou? Porque, às vezes, essa é a sensação que me vem, a sensação que fui usada para satisfazer seu ego, sua carne.
Você diz que a amizade é acima de tudo, mas me ignora, me desconcerta, me joga fora. Então, decides voltar e bagunçar todos os cômodos da casa que eu havia acabado de arrumar. Eu não consigo te entender, não consigo olhar para ti e não te amar, mas o pior é que você sabe disso, o pior é que você usa isso para tirar aquele pouquinho de sanidade que me restou e roubá-la para você, quase como se isso fosse lhe fortalecer.
Mas não se engane, menina, eu não sou como o resto. Eu não vou entrar na forma da loucura ou rebeldia porque perdi você, eu não vou passar mais um segundo pensando em como eu a queria de volta, porque você vale a pena, mas não para mim. Você e eu somos incompatíveis, quase rivais iguais a dois urubus disputando a mesma carcaça à mercê.
Ao invés de pensar em você, ao invés de querer me moldar para ser a pessoa que te faz feliz, eu vou apenas ser a pessoa que me faz feliz e trabalhar forte para ser a melhor possível.
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