Depois daquele Beijo

9 Capitulo IX: Dias Sombrios – parte I


Notas iniciais
~ Sentiram minha falta?

Pensei que realmente poderia. Que poderia largar aquela vida. Mas que ideia ridícula. Especialmente vindo de alguém tão inteligente como eu. Que ridículo achar que poderia cortar minhas relações com a máfia. Dessa vida só se sai morto. E comigo não poderia ser diferente.

A primeira coisa que senti foi dor. Dizem que quando se está morrendo toda sua vida passa diante de seus olhos... Duvido que essa pessoa tenha levado um tiro. A dor era excruciante. Sei que estou afogando no meu próprio sangue. E meu único pensamento é que deveria ter dito que o amava.

Como eu amo aquele Stupid Bean. Ele corre em minha direção ou estou tendo uma alucinação... “Sinto muito” tento dizer, mas sinto o gosto do meu próprio sangue. Ele parece estar gritando, mas não consigo ouvi-lo. Mal posso vê-lo. Ele beija suavemente meus lábios e o imagino dizer “Vai ficar tudo bem...” enquanto sinto suas lagrimas na minha bochecha.

Porque não disse que o amava? Tento novamente, mas respiro pela ultima vez e sou engolida pela escuridão.

... Dias antes...

– Velho maldito – grita Raku atirando o celular do outro lado do quarto.

– O que aconteceu? – perguntei vestindo a camisa dele.

Ele andava de um lado para o outro pensando em uma solução. Estava apenas de jeans. Havia novas cicatrizes no seu abdome divinamente definido. Senti uma onda de calor percorrer todo meu corpo. Queria desligar meu corpo daquela maldita atração. Mas quando ele aparecia, sempre cedia.

Ele respirou fundo e me olhou nos olhos.

– Ele se aposentou. Maldito. Sou chefe agora. Ele me entregou o comando da Yakusa.

– Sinto muito, sei...

– Case-se comigo.

Eu tinha acabado de correr uma maratona. Ou estava tendo uma taquicardia. Meu coração parecia querer explodir no meu peito. Minha mente estava em branco. Ele se sentou na cama, pegou minha mão elevou aos lábios.

– Eu te amo...

Essa frase me arrancou do transe. Não, ele não me amava. Em suas fotos sempre usava o pingente da garota da promessa. Só o tirava quando vinha se encontrar comigo.

– Poucos sabem sobre nós. Sempre apareço com uma mulher diferente e nunca demonstrei interesse por nenhuma. Mas agora não posso arriscar sua segurança. Já foi muito perigoso permitir que você estudasse...

– Permitir?... – Disse lentamente – Você não é meu dono. – gritei me afastando dele

– Eu. Sou. Sim. – disse cada palavra com uma ferocidade que antes me excitava, mas agora me assustou. Ele tentou se aproximar e inconscientemente dei um passo para trás. Ele percebeu – Droga, Chitoge!

Afastou-se de mim. E começou andar como um animal feroz em uma jaula. Então se acalmou e suspirou

– Você é a única coisa boa na minha vida. Nessa droga de vida. Eu preciso de você. Eu não trocaria nossos momentos por nada. Daria minha vida por você. Mas sou egoísta demais para desejar que seja feliz com outra pessoa. Sinto muito, mas nunca vou abri mão de você.

– Então você vai me levar para essa sua droga de vida? É isso que você tem que me oferecer?

– Chitoge...

– Eu te odeio.

Ele sorriu. E toda minha determinação começou a ceder

– Você fica irresistível quando está zangada. — disse com a voz rouca que me deixava toda arrepiada.

Não havia hesitação em seus passos.

Um.

Dois.

Três.

E eu estava sendo pressionada contra parede por aquele corpo. E seus lábios atacavam os meus. E meu maldito corpo não impunha nenhuma resistência. Na verdade se sentia mais vivo. Minhas pernas abraçaram sua cintura. Queria mais. Queria tudo. Todos meus sentidos correspondiam ao desejo dele.

Mordi a curva do seu pescoço. E ele gemeu me apertando ainda mais. Eu entendia o que ele sentia. Nunca poderia abrir mão dele.

– Sim. – sussurrei ofegante – Eu ainda te odeio, mas me caso com você.

– Preciso da minha jaqueta – ele sussurrou tempos depois.

Maldita maquina. Ele era uma maldita maquina. Eu não conseguia me mexer depois de tudo o que ele fez com meu corpo. Ele parecia querer marcar cada pedacinho dele. E aposto que tinha conseguido. Definitivamente tinha conseguido, sorri dolorida.

Ele me deu outro sorriso irresistível e tirou de sua jaqueta uma caixinha de cristal. Sentou na cama e tirou um anel de ouro branco com um único e gigante diamante azul.

– Nunca se sabe quando vai surgir o momento perfeito. Eu simplesmente tinha que estar preparado. – disse colocando o anel no meu dedo. – Estou carregando essa porcaria há meses, praticamente durmo com ele debaixo do travesseiro...

Ele ficava muito fofo todo vermelho.

– É perfeito – consegui dizer deixando uma lagrima escapar.

– Você é minha.

Eu apenas concordei com a cabeça. Se eu dissesse qualquer coisa iria chorar como uma menininha. E não seria a gorila por quem ele se apaixonou.

...

Nos casamos em segredo três dias depois. Raku não queria arriscar que eu mudasse de ideia. Mas eu havia desistido de tentar fugir daquele sentimento. Ele foi meu primeiro amigo. Primeiro amor. Segundo e terceiro. Agora era meu marido. Meu amor. Meu.

Mas ainda me sentia insegura. Ele sempre teve tantas opções. E se essa obcessão chegasse ao fim. E se isso fosse tudo o que sentia por mim? E se a garota da promessa aparecesse? O que eu faria sem ele?

Perder nosso bebe foi devastador, mas perde-lo me destruiria por completo. Então eu tentei fugir. Mas agora eu desisti. Só quero o máximo que ele puder me dar. Só queria que ele realmente pudesse me amar.

Era tudo tão assustador. Estávamos em seu jato particular voltando para o Japão. Quando era criança tudo parecia mais inocente. Mas agora eu era esposa da máfia. Isso realmente me assustava.

Suas cicatrizes me incomodavam. Ferimentos feitos à bala, faca, espada e sabe se lá o que mais. Não alterava nada. Seu corpo ainda era divinamente perfeito. Ombros largos, peito sarado. Meu deus grego havia tido muitas batalhas. E era exatamente isso que me incomodava.

Eu queria protegê-lo. A primeira coisa que faria era eliminar a ameaça da Beehive. Por isso não avisei que havia marcado um encontro com Claude, meu antigo e mais super protetor segurança.

...

E esse foi o seu erro.

...

Raku não era o único obcecado por Chitoge. Quando seu pai voltou para os Estados Unidos, Claude ficou no comando da Beehive no Japão. Apesar de ter falhado com a filha de seu chefe, ainda se culpava por não a ter protegido de Raku.

O garotinho covarde finalmente havia virado homem, e não deixava ninguém da Beehive chegar perto dela. E o pior é que seus próprios pais concordaram com aquela absurda situação.

Mas ele não era bom o suficiente para ela. E ele iria fazê-la enxergar. Ninguém era bom o suficiente para ela. Ninguém além dele. Em anos ele finalmente teria sua chance. Faria Chitoge perceber. Afinal ela vinha ao Japão especialmente para vê-lo.

...

Não queria ter atirado nela. Não queria ter gritado com ela. Sua mente estava em branco. Com se tudo tivesse acontecido em câmera lenta. Não se lembrava do porque ter atirado nela.

Nem tentou reagir enquanto Raku esvaziava o pente de sua arma em seu corpo. Ele havia atirado em quem jurou dar a vida para proteger. Sim, ele merecia morrer.

...

Notas finais
~ E então, como ficou?