Depois daquela dança
6 O plano
Notas iniciais
Marinette corria desesperada pelo Colégio Françoise Dupont, acreditando que estava atrasada, mas quando chegou na sala de aula notou que o sinal ainda não tinha tocado e alguns alunos estavam do lado de fora conversando. Ainda ofegante por conta da corrida, a menina falou com Nino, caminhou até seu lugar e cumprimentou Alya. Ela não conseguiu evitar o frio que a percorreu quando o loiro apareceu na porta. A azulada continuou encarando seu amado fixamente até que se sentasse ao lado do amigo. Mas, antes disso, o modelo sorriu e cumprimentou as duas meninas que ficavam na fileira atrás dele e aquilo foi o suficiente para acelerar o coração de Marinette. Cada vez que seu olhar voltava-se para Adrien ela pensava na possibilidade de seu amor ser correspondido, ainda que fosse por seu alter-ego.
A professora de física passou alguns exercícios para os alunos e a azulada começou a fazê-los, mas, logo na terceira questão, não conseguiu resistir ao desejo e encarou o menino. Isso fez com que voltasse à noite anterior, quando pensava no que deveria fazer agora que sabia que seu amor, possivelmente, era recíproco.
Quando descobriu que a admiração de Adrien por Ladybug parecia muito mais que um amor de fã, ela sentiu um frio na barriga ao imaginar que finalmente seus sentimentos pelo modelo eram correspondidos. A primeira ideia que teve foi de encontrar o menino com os trajes da joaninha, mas sabia que a heroína servia para salvar a cidade, e não para resolver seus problemas pessoais, como disse para Tikki no dia dos heróis. A segunda ideia, que foi extremamente impulsiva, foi de revelar sua identidade ao loiro, mas logo em seguida percebeu o quanto aquilo era um absurdo. Lembrou-se do dia em que conheceu Tikki, no qual a kwami dissera que a identidade de Ladybug precisava ser secreta. Desde então, a azulada tinha guardado o segredo de sua melhor amiga, que era uma grande de fã de Ladybug, do seu parceiro na luta contra os vilões e até mesmo dos seus pais. Não era agora que ela estragaria seu disfarce por um desejo egoísta. Embora doesse muito saber que finalmente tinha uma chance com seu amado e não poderia aproveitá-la, a menina resolveu aceitar aquilo e pensar em outra forma de conquistar o modelo, começando a imaginar o que deveria fazer para que seu amado a olhasse da mesma forma que encarava seu alter-ego. "Se ele gosta da Ladybug, não vai ser tão difícil fazê-lo gostar da Marinette, somos a mesma pessoa", foi o que tinha pensado antes de dormir, mas agora estava em dúvida. Como iria fazer para mostrar a ele que queria ser mais do que uma amiga?
Perdida em seus pensamentos, nem escutou o sinal tocar e só percebeu quando a sala estava praticamente vazia. A menina pegou os macarons que tinha levado e foi até o pátio decidida a falar com Alya. "Talvez ela tenha algum conselho", pensou. A azulada ainda percorria o local com olhos quando foi surpreendida por seu amado.
— Marinette? — Como estava distraída, nem viu o loiro chegar e acabou se assustando. — Você viu o Nino?
— Não, eu não vi. Você viu a Alya?
— Não. — Os dois sorriram.
— Acho melhor deixarmos os dois sozinhos. Não sei você, mas eu não quero ficar de vela. — Ele riu.
— Bom, eu combinei com Nino de ir na biblioteca. Você quer ir?
— Claro. — Caminharam até o local e iriam ficar na mesma mesa do dia anterior, mas ela acabou esbarrando em uma prateleira e deixou um livro cair. A azulada iria pegá-lo, mas o modelo fez isso primeiro e estava colocando o objeto de volta no lugar, quando ela olhou a capa do livro. — Ah, eu já li esse, é muito bom.
— Sério? Já que você recomendou, vou pegar emprestado. É sobre o quê?
— É um romance daqueles bem clichê, não sei se você vai gostar.
— Por que você acha isso?
— Sei lá, você não tem cara de quem lê esse tipo de história melosa. — Ele riu.
— Vou levar mesmo assim, vai que eu gosto? — O loiro foi até a bibliotecária e Marinette caminhou até a mesa. "Vai, é a sua chance! Se aproxime dele!", ela pensou quando viu Adrien chegando ao local.
— Acho que é uma história bem melosa mesmo, até a bibliotecária ficou surpresa quando cheguei lá. — Ele comentou e a menina não sabia o que dizer, fazendo o silêncio tomar conta do lugar durante um tempo. "Vai, Marinette, fala alguma coisa!", tentava dizer para si mesma.
— O tempo está estranho hoje, né? — "Ah, é sério? Tempo?", ela pensou, "Qual é o meu problema? Conseguia falar com ele antes como amiga tranquilamente, agora que quero conquistá-lo tento puxar assunto falando de tempo?" Antes que o loiro dissesse algo, Alya e Nino chegaram ao local e começaram a conversar com eles.
***
No horário do almoço, a azulada foi para casa, falou com pais e, depois de comer, foi para seu quarto. Ela encarou uma foto de Adrien, lembrando do poema que ele escrevera no dia dos namorados, o qual, agora, ela sabia que era para Ladybug. Pelo visto, o loiro também acreditava que seu amor pela heroína não fosse correspondido. Ela queria tanto contar a verdade para seu amado, dizer que o sentimento era recíproco. A menina suspirou e jogou-se na cama, o que atraiu a atenção de Tikki.
— O que foi, Marinette?
— Eu descobri uma coisa e não sei se fico feliz ou triste.
— Como assim? — A azulada sentou na cama e encarou a kwami.
— Descobri que o Adrien gosta de mim. Bom, não de mim, Marinette, mas da Ladybug.
— Mas… todo mundo em Paris gosta da Ladybug.
— Não, não é isso, é que… eu acho que gosta mesmo dela, tipo do jeito que eu gosto dele. Acho que ele é apaixonado pela Ladybug.
— Ah, entendi… Mas por que você acha isso?
— Bom, ele falou que ela é incrível, ele acompanha o blog da Alya sempre, fica meio estranho quando apareço com a máscara perto dele e… — Ela mostrou a carta amassada que Adrien tinha escrito no dia dos namorados.
— Esse é o poema que ele escreveu? Mas o que isso tem a ver com… — A menina começou a falar as palavras que já sabia de cor, mas parou no verso que, para ela, confirmava que a carta tinha sido escrita para a heroína
— "Quem será por trás desse disfarce, meu amor?"
— Então você acha que essa carta foi escrita para a Ladybug? — Marinette assentiu e as duas ficaram em silêncio durante alguns segundos. A kwami estava preocupada, temia que a insistência da azulada resultasse na descoberta da identidade de seu parceiro.
— E, bem, era para eu estar feliz com isso, mas… — Disse a menina depois de um tempo.
— Ele não pode saber que é você. — Tikki completou.
— Exatamente! Descobrir isso não mudou nada. — A kwami se sentiu triste, gostaria de ajudar a menina, mas não sabia como fazer isso sem colocar as identidades dos heróis em risco. — Tudo vai continuar do mesmo jeito, declarações de amor não feitas por falta de coragem, cartões não assinados, saídas de amigos ao invés de encontros e, agora, conversas sobre tempo!
— Não precisa ser assim, você ainda pode tentar mudar isso.
— Mas acontece que ele está tão vidrado na Ladybug que não vai conseguir olhar para mim. — Tikki se aproximou da menina e abraçou sua bochecha.
— Marinette, você é a Ladybug. Se ele gosta da menina com a máscara, já é apaixonado por uma parte sua. Você só precisa fazê-lo amar sua outra parte e, para isso acontecer, você tem que mostrar a ele essa garota incrível que você é. — A azulada sorriu e a kwami pegou o poema que a menina segurava. — O que acha do plano antigo?
— É isso, Tikki! O poema! Obrigada, obrigada, obrigada!
— Está assinado dessa vez, não é? — A menina riu enquanto pegava uma caneta e um papel. Iria escrever mais uma declaração de amor para seu amado. Quando terminou o rascunho e ficou feliz com o resultado, passou tudo para um cartão igual ao do primeiro poema. Tikki leu a carta, que tinha como título "segredos" e parabenizou a menina, já que conseguira escrever o que sabia sem revelar sua identidade. Mesmo estando preocupada com a possível revelação, não conseguiu ficar triste quando encarou o sorriso de Marinette.
***
A professora de literatura escolhia alguns alunos para responder as perguntas que fazia sobre a matéria da prova, mas azulada não estava com a mente nos escritores que a mulher mencionava. A menina encarou a bolsa de seu amado no chão, que estava aberta, e viu uma boa oportunidade para entregar seus poemas sem falar pessoalmente com o modelo. Ela pegou os dois cartões que estavam na mochila e se aproximou lentamente da bolsa de Adrien, tentando parecer o mais discreta possível.
— Marinette, pode me falar sobre esses poemas? — A professora de literatura perguntou, fazendo a azulada se assustar e quase derrubar os cartões.
— Poemas? Mas que poemas? — Disse ela, visivelmente nervosa, enquanto escondia as duas cartas. Ainda com o coração acelerado por conta do susto, não conseguia parar de pensar em como a professora descobriu sobre seus poemas. Percebeu que todos os alunos, incluindo Adrien, a encaravam, deixando-a ainda mais nervosa.
— Sobre os poemas da literatura francesa, não é sobre isso que estamos estudando? — A srta. Bustier disse e Marinette não conseguiu evitar um suspiro de alívio. Por um momento, tinha achado que todos iriam saber sobre suas declarações de amor.
— Ah, esses poemas!
— Claro, se não fossem esses, quais seriam? — A menina riu e respondeu a pergunta da professora, citando características da poesia francesa.
***
Com o teste surpresa de química e o ataque de um akuma, a azulada acabou esquecendo de entregar as cartas e, apenas quando o sinal anunciou o fim de mais um dia de aula e ela viu o motorista de Adrien o chamar, lembrou que, mais uma vez, não conseguiu entregar as declarações de amor. Mas recordou as palavras de Tikki e disse para si mesma que talvez aquele não fosse o momento certo e que o dia de sua declaração chegaria em breve.
***
Adrien estava lendo mais uma postagem do Ladyblog em seu celular quando Plagg o interrompeu.
— Ah, é sério? Você ainda está procurando alguma pista sobre a identidade dela? Pensei que já tivesse desistido.
— Por que pensou isso? Ela pode não retribuir meu amor, mas isso não vai me fazer desistir. — O kwami revirou os olhos.
— Achei que tivesse gostando daquela menina da sua sala, a Marinette. Vocês dançaram juntos e tudo…
— O quê? Não! A Marinette é só minha amiga. — Plagg deu um tapa na própria testa, se segurando para não gritar que as duas eram a mesma pessoa quando eles escutaram batidas na porta do quarto e o kwami foi se esconder.
— Seu pai quer falar com você. — Disse Nathalie.
— Ah, eu… já estou indo. — Respondeu um pouco desanimado. "Deve ser mais um desses eventos que ele insiste que eu apareça", pensou.
Quando chegou ao escritório de Gabriel, o loiro surpreendeu-se: pelo semblante do pai, não era nenhum convite para eventos.
— Soube que você fugiu da sua sessão de fotos nessa semana. Pode me explicar o porquê?
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