Notas iniciais
Olá! Aqui está o penúltimo capítulo dessa fanfic (lembrando que ainda terá parte três). Espero que gostem!

Adrien desceu do carro e encarou o Colégio Françoise Dupoint sentindo seu coração acelerar. Sabia que faltava pouco para aquela história de poemas acabar e ele torcia para que sua amizade com Marinette e sua identidade secreta não chegassem ao fim também. Percebendo que estava nervoso antes da hora, ele respirou fundo na tentativa de acalmar sua pulsação. Mas, assim que viu a azulada se aproximar da escola, seus batimentos cardíacos voltaram a acelerar e o loiro tinha a impressão de que dava até para ouvir. Marinette atravessou a rua calmamente e foi falar com Alya. O modelo observava as duas amigas conversarem e se perguntava se aquela era uma boa hora para entregar o poema que tinha escrito para a menina. "Se eu for agora, ela pode ficar triste e vai ser horrível vê-la assim pelo resto do dia. É melhor esperar. Talvez na hora intervalo eu consiga", pensou.

***

Adrien fazia os exercícios pedidos pela professora de história quando sua mente fez questão de lembrá-lo que ainda não tinha falado com Marinette. O modelo olhou discretamente para a menina sentada na carteira atrás de si. Apesar de estar focada nas questões, ela parecia bem feliz. O loiro sentiu um aperto no coração ao pensar que, talvez, ela não estivesse assim no fim do dia.

Ele sabia o quanto era doloroso ser rejeitado por quem se ama, principalmente porque a pessoa em questão é apaixonada por outra. Sua lady tinha feito isso com ele, dizendo que gostava de outro garoto e, embora continuassem sendo amigos e ele ainda não tenha desistido de conquistá-la, ainda doía quando pensava que a menina poderia estar pensando, naquele exato momento, no garoto que tinha conseguido roubar seu coração. Adrien não sabia quem era o escolhido de Ladybug, mas sentia uma certa inveja dele. Conquistar o amor de sua lady era uma das coisas que mais desejava e aquele cara conseguiu. Como ele era sortudo!

Justamente por saber que a tristeza de uma desilusão amorosa era difícil de ser suportada que ele não desejava fazer aquilo com Marinette. Pelo que tinha lido nas cartas, o amor que a amiga sentia por ele era tão forte quanto o que sentia por sua lady. E decepcioná-la não seria nada fácil. Mas ele não tinha escolha, tinha que contar logo a verdade antes que desistisse ou fosse impedido mais uma vez.

Quando o sinal anunciou o intervalo, o loiro resolveu que não esperaria mais. Viu que a azulada estava conversando animadamente com Alya melhor não interromper, depois eu falo com ela", pensou, mas, logo em seguida, a morena se afastou da amiga. O modelo caminhou até o banco em que Marinette estava sentada, sentindo suas mãos trêmulas. Pegou a resposta que tinha escrito para o poema dela e continuou andando.

— Oi, Marine… — Foi interrompido por um aluno que o empurrou quando passou correndo. Logo em seguida, ouviram um estrondo e outros adolescentes dirigiram-se apressadamente até a saída da escola, gritando. "Akuma", os dois pensaram, tentando imaginar alguma desculpa que explicasse sua saída dali.

— A Alya! Ela me disse que iria falar com a professora. Vou atrás dela! — Disse a azulada, correndo até o banheiro para se transformar. Adrien assentiu e também procurou um local seguro.

Quando os dois heróis finalmente se encontraram, ficaram surpresos ao perceber que o akumatizado não era um aluno, mas um professor. De qualquer forma, derrotaram o vilão facilmente.

— Zerou! — Cerraram os punhos, como de costume, e se despediram.

***

— Consegui filmar a luta toda de novo, não acredito! — Afirmou Alya.

— Nós perdemos praticamente todo o intervalo por causa da batalha e você está comemorando? — Disse Nino.

— Claro! Meu blog vai ter mais um vídeo com boa qualidade essa semana. — Antes que o moreno respondesse algo, a professora de literatura chegou ao local.

— Sei que a nossa prova é na semana que vem, mas hoje irei passar um trabalho. — Falou a Srta. Bustier e conseguiu ouvir alguns alunos reclamando — Não se preocupem, você não vão precisar ir na casa de ninguém, é individual.

— E o que tem que fazer? — Kim perguntou desanimado.

— Uma pesquisa sobre o tema que vou escrever no quadro. — Ela respondeu, vendo que os alunos ficaram mais tranquilos. — Mas não é um simples "copia e cola" da internet não! Vocês terão que fazer o texto baseando-se apenas pelo livro que vão pegar na biblioteca.

— Que livro? — Disse Alix.

— O que vocês quiserem, desde que seja sobre o tema que eu pedi. O trabalho deverá ser entregue no dia da prova. — Conseguiu ouvir a reclamação de diversos alunos — E não deixem para pegar o livro na véspera e fazer tudo de qualquer jeito. Se quiserem os melhores livros, seria bom que pegassem logo hoje.

— Vamos na biblioteca depois da aula? — Falou Alya.

— Pode ser. — Respondeu a azulada. A professora passou alguns exercícios e a morena chamou o namorado e Adrien.

Assim que o sinal tocou, os quatro amigos foram para a biblioteca pegar o livro pedido pela professora. Alya e Nino começaram a procurar juntos e o loiro viu que Marinette já tinha encontrado um.

— Onde você achou? — Disse o modelo.

— Aqui atrás tem vários. — Ela apontou para uma prateleira e Adrien observou o título dos livros, procurando algum que parecesse com o tema do trabalho.

— Esse aqui é bom. — Falou a azulada depois de alguns segundos de silêncio. — Já li uma vez, fala sobre as poesias desse autor e as obras do período que estamos estudando. E o bom é que ele não é muito grande. — Apontou para a grossura das páginas do livro e sorriu.

— Já que você recomendou, vou levar esse mesmo. Considerando o outro livro que me indicou, você tem um ótimo gosto. — Ela riu.

— Quando as provas passarem, vou te indicar mais livros.

— Já encontraram? — Perguntou Alya, surpresa.

— Aqui tem vários. — Marinette mostrou a prateleira para o casal de namorados, enquanto Adrien dirigia-se a uma mesa. "Vamos, fale com ela!", dizia para si mesmo com as mãos na bolsa que continha sua resposta ao poema da menina.

Nino e Alya estavam escolhendo os livros quando azulada se aproximou do modelo e sentou-se na cadeira ao lado dele.

— Acho que eles vão demorar. — Ela falou.

— Por quê?

— Estão disputando um livro, disseram que pegamos os melhores. — O loiro olhou para os amigos, que pareciam estar discutindo. — Relaxa, daqui a pouco eles estão bem.

— O trabalho poderia ser em grupo, seria mais fácil.

— Não sei, fazer um texto em grupo é meio complicado. Como iríamos fazer? Cada um escreve um parágrafo? — Disse e os dois riram.

— Verdade, não tinha pensado nisso.

— Seria bom por causa dos livros. Cada grupo ficava com um. — O modelo assentiu e ambos ficaram em silêncio. Ele tirou a carta da bolsa discretamente, mas ainda estava indeciso se iria entregar naquele momento ou não. Olhou para a menina, ela também parecia preocupada. "Será que ela vai falar?", ele pensou. — Adrien, eu… estou querendo te perguntar uma coisa há alguns dias, mas… — "É agora!", os dois pensaram.

— Marinette! Escolhemos! — Gritou Alya e Nino pediu que ela falasse mais baixo, pois estavam na biblioteca. A morena fez uma careta para o namorado e se aproximou da amiga. — Eu tenho que ir, meus pais pediram para cuidar das minhas irmãs porque eles vão sair.

— Eu também vou. — Disse Nino e os amigos se despediram. Quando os dois saíram, apenas Adrien e Marinette continuaram na biblioteca e o loiro achou melhor não conversarem ali.

— Você quer ir a uma cafeteria? A escola vai fechar daqui a pouco. — Ele sugeriu e a azulada concordou.

Adrien mandou uma mensagem para Nathalie avisando que chegaria um pouco mais tarde em casa, torcendo para seu motorista não estar esperando na porta do colégio. Quando a secretária respondeu que não tinha problema, ele quase soltou um suspiro de alívio. Mas, ao perceber que a conversa que tanto evitava aconteceria em poucos minutos, sentiu um frio o percorrer.

O caminho até a cafeteria foi silencioso e Marinette não via a hora de esclarecer aquela dúvida que tanto a atormentava: "o que Adrien tinha pensado das cartas?" Quando chegaram ao local indicado pelo loiro, escolheram uma mesa e fizeram seus pedidos. Sem aguentar mais aquele silêncio, ela tentou puxar assunto.

— Você já veio aqui? — Marinette perguntou, sentada na cadeira ao lado do modelo.

— O Nino me chamou uma vez, mas eu tinha sessão de fotos e não pude vir. Desde aquele dia, fiquei com curiosidade de vir aqui, ainda mais depois dos elogios dele.

— Sério? E hoje você está com a tarde livre?

— Para minha felicidade, sim. A minha agenda é meio cheia. — Ele riu levemente.

— Imagino. Tem as aulas de esgrima, piano, chinês, os compromissos de modelo… — Adrien a encarou, surpreso, ela sabia mais sobre ele do que imaginava. Percebendo que tinha falado demais, ela tentou se corrigir. — Não que eu tenha sua agenda inteira no quarto, mas… quer dizer, você falou tudo isso uma vez, não foi? — O garoto riu com o nervosismo dela e a azulada fez o mesmo.

— É… eu faço isso tudo mesmo. — "E ainda sou um super-herói, mas acho que ainda não está na hora de falarmos sobre isso", pensou — Mas e você? Faz alguma atividade? — Marinette imediatamente pensou nos momentos em que se transformava para salvar Paris.

— Não, só ajudo meus pais na padaria. E, no tempo livre, gosto de desenhar e costurar. — Antes que dissessem mais alguma coisa, os pedidos chegaram e os dois voltaram a ficar em silêncio.

Adrien pegou a carta que tinha escrito novamente, sentindo suas mãos trêmulas e suadas molharem o papel. Por que estava tão nervoso? Iria apenas entregar sua resposta para a amiga. Embora estivesse preocupado, foi levantando a mão que segurava o poema lentamente, como se pudesse adiar aquele momento. Será que finalmente tinha chegado a hora?

Marinette encarou seu amado, percebendo que ele parecia nervoso. Pensou em esperar para ver se ele falaria algo, mas lembrou-se das palavras de Alya na noite anterior. E no que ela mesma tinha dito para a amiga, que resolveria aquela situação.

— Adrien, como eu disse na biblioteca, eu queria te perguntar uma coisa. — Ele se sentiu aliviado por ela ter começado o assunto, mas ainda estava com as mãos trêmulas. A azulada fez uma pausa e suspirou, estava na hora. Tinha ficado muito tempo guardando aquela dúvida para si e precisava saber a opinião de seu amado sobre os poemas. — Há alguns dias, eu coloquei umas cartas no seu armário da escola e… queria saber se você leu.

O modelo a encarou em silêncio durante alguns segundos. Ela finalmente tinha resolvido falar sobre as cartas, tinha feito o que ele não teve coragem de fazer. Enquanto a fitava, começou a pensar nos momentos em que passaram juntos. Marinette era tão maravilhosa. Sempre ajudando as pessoas e dando seu melhor em tudo que fazia. Era corajosa, dedicada, prestativa, linda por dentro e fora. Ao encarar aqueles belos olhos azuis, parecidos com o de sua parceira, ele percebeu que, se não fosse apaixonado por sua lady, com certeza seu coração seria roubado por Marinette. Foi então que lembrou o que deveria fazer: dizer que gostava de outra pessoa. A amiga ficaria triste e ele sabia a dor que ela sentiria por experiência própria. Seus olhos voltaram-se para as pequenas sardas no rosto da azulada e, logo em seguida, para seus lábios. Sentiu um desejo crescer dentro de si, como se ali na sua frente não estivesse sua amiga Marinette, mas seu grande amor, Ladybug. Encarando a linda menina à sua frente, começou a pensar no forte sentimento que ela nutria por ele. Um amor que ele tanto desejava ter de sua parceira. Marinette amava seus dois lados e ele não podia negar que sentia-se muito feliz quando a encontrava. Segurou o queixo da azulada e o levantou, aproximando-se lentamente de seu rosto. Ainda não tinha certeza se iria mesmo fazer aquilo, mas tinha pensado tanto nos últimos dias e não adiantou nada. Sentiu que deveria voltar a agir um pouco mais por impulso, como fazia de vez em quando. Não demorou muito para que Adrien selasse os seus lábios com os de Marinette.

Notas finais
Então, o que acharam? O próximo e último capítulo será postado na quarta-feira. Obrigada por ler!