Depois da morte de Augustus Waters
17 Capítulo 17
Notas iniciais
– Sério?! — perguntei.
– Sim! Ele disse que se lembra de você e eu acho que ele ficou meio chocado...
– Porquê?
– Não sei. — ela se inclinou para a frente de repente e perguntou: — Você o quer?
– Não! — respondi surpresa.
– Por que não tem problema Hazel. — disse.
– Não, não quero Kaitlyn, eu já... — quase deixei escapar sobre Isaac.
– Você já o quê? — perguntou Kaitlyn maliciosamente.
– Que eu já tinha o Gus. — inventei.
– Com todo respeito, mas o Augustus não está mais aqui Hazel. — essas palavras me feriram mais do que se Kate tivesse jogado na minha cara: "O Augustus está morto, Hazel.". Inconscientemente baixei a cabeça e senti um vazio no peito que eu não sentia há algum tempo. Mais especificamente desde... desde a aproximação com Isaac.
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto e Kaitlyn chegou mais perto e segurou minhas mãos.
– Ah, querida, eu não queria dizer isso... Me desculpa, eu sei que você o amava. É tudo muito recente e eu não tinha esse direito.
– Não. Tá tudo bem Kate, na verdade não foi por isso, é outra coisa. — expliquei.
– Posso saber que coisa é essa? — pediu. Resolvi que não havia problemas em contar para Kaitlyn, minha melhor amiga.
– Pode sim. É aquele garoto cego, o Isaac.
– Isaac, o cego?! — exclamou e não pude deixar de rir.
– Sim.
– Tá, mas o que que tem com ele?
– Não sei o que tem.
– Como assim não sabe o que tem?
– Não sei nem se tem. — disse.
– Explica. — pediu.
– Bom, nós já éramos amigos, mas nos aproximamos mais depois da morte do Gus e tal. — resumi.
– Só isso? — ela reclamou incrédula fazendo biquinho. — Não teve beijinho?
– Teve. — contei.
– Teve?!? — gritou saltando do sofá.
– Teve. — repeti.
– Me contaaa!!! — gritou pulando de volta no sofá.
– Bom eu acordei no hospital e ele estava sozinho lá, fazendo uma visita. Fiz algumas perguntas e de repente ficamos cara a cara — óbvio que eu não contaria que me lembrei do sonho em que o tinha beijado e inconscientemente comecei a me inclinar. — e então ele perguntou se eu ia beijá-lo porque de certo ele sentiu minha respiração e eu disse que não e ele continuou insistindo e eu mentindo que não e...
– Espera! Mentindo? Então você ia beijá-lo mesmo! — interrompeu. Bosta! Porque eu falei aquilo?
– Não! Só estávamos perto e foi isso! — gritei.
– Ah Hazel! Para com essa conversa fiada! Você tá caidinha pelo ceguinho e não quer confessar. Pare de omitir as coisas! — reclamou e eu ouvindo com a boca aberta.
Fui salva pela minha mãe que acabara de chegar.
– Oi meninas! Tudo bem? Tentei ser o mais rápida que pude.
– Tudo ótimo, Sra. Lancaster! Tudo direitinho! — relatou.
– Que bom Kaitlyn! Fico feliz! Vai ficar para jantar?
– Não Sra. Lancaster, fica para outro dia. É o aniversário da minha avó hoje.
– Ah, bom. Então eu levo você até a porta.
– Obrigada! Tchau Hazel! – ela veio me dar um abraço e sussurrou cantarolando no meu ouvido – Você não vai escapar! – e depois em voz normal: — Até!
– Até Kate, obrigada por vir!
– De nada, flor. Amigos servem pra isso, não é mesmo? – me deu uma piscadela e saiu.
Minha mãe voltou e comentou:
– Kaitlyn é uma ótima amiga.
– É sim.
– Foi boa a tarde?
– Sim, foi bom passar um tempo com a Kate.
– Que ótimo!
– Ah, mãe?
– Que?
– Assiste ANTM comigo?
– Agora não posso Hazel, depois ok? Tenho que fazer a janta, querida.
– Ok, depois então. Vou subir está bem?
– Aham.
Subi para o quarto e deitei na cama. As palavras de Kaitlyn ecoando em minha cabeça:
“Ah Hazel! Para com essa conversa fiada! Você tá caidinha pelo ceguinho e não quer confessar.”
– Não estou caidinha pelo ceguinho. – falei pra mim mesma.
Talvez.
– Talvez. – concordei.
Senti-me extremamente culpada assim que disse isso. Tinha acabado de dar uma olhada através do buraco no muro.
Lembrei-me do livro que a Sra. Waters me deu de aniversário, o bilhete, uma lembrança do Augustus que caiu no meu esquecimento.
Há algum tempo, eu nunca esqueceria nada que fosse sobre o Augustus, ele era inteiramente parte da minha vida. O que aconteceu comigo?
Peguei o livro dentro da bolsa em que meus pais levaram minha roupa para o hospital. Agora eu iria ler e nada iria me atrapalhar.
Abri o livro e fui direto ler o bilhete na contracapa do livro.
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