Notas iniciais
~ Voila! Mais um capítulo pra vocês, amores! Espero que gostem! ~

Levantei da cama num salto e fiquei ali sentada. Levantar assim fez meus pulmões doerem. Minha cabeça estava cheia de Isaac e do beijo, do beijo e de Isaac. Eu tentava afastar esses pensamentos, mas, meu Deus, como eu pude sonhar com uma coisa dessas? Eu devia estar louca.

– Hazel? Está tudo bem, querida? – perguntou minha mãe no vão da porta.

Demorei um pouco pra responder.

– Sim. Foi um sonho ruim, mãe. – respondi.

– Ah, bom.

– Pode ir. – falei.

– Claro. Durma bem Hazel. – disse sorrindo e saiu.

Se dormir bem era dormir sonhando que eu estava beijando o Isaac, então, não, eu não queria dormir bem. Mas tive que ceder ao sono e acabei dormindo.

Não sonhei mais com beijos e Isaac e fiquei muito satisfeita ao acordar pela manhã e notar isso. Prometi a mim mesma que iria esquecer esse sonho. Retirei o PICC e ajeitei os tubos de oxigênio e desci para tomar café. Eu me sentia muito bem, pronta para um novo dia.

– Mãe, — falei descendo as escadas. – O que acha de irmos ao shopping? – Queria comprar alguns livros novos.

– Sério Hazel? – ela parou e olhou para mim. Eu não era muito de sair, as únicas vezes que saí foi mais com Augustus. Mas agora a tendência era voltar à vida monótona de antes, só que eu não queria voltar para a minha vida da antes, então achei melhor fazer coisas novas dentro do meu padrão de possibilidades.

– Sim, quero algo novo para ler. – respondi.

– Tudo bem. – Ela me olhava com um brilho de esperança no rosto. Sorri sem graça para ela e fui ver America’s Next Top Model na televisão. Depois de sentar no sofá, lembrei-me de avisá-la que eu iria ir passear com Kaitlyn amanhã.

– Ah, mãe? – chamei.

– Sim?

– Eu marquei de passear com Kaitlyn amanhã. Tudo bem?

– Aham, sem problemas! — Ela parecia que ia pular de emoção. – E não esqueça que você pode marcar coisas com Isaac também, Hazel.

Isaac. Argh, eu queria era evitar Isaac. Eu queria evita-lo, isso sim. Voltei a minha atenção para a eliminação de garotas nojentas no ANTM, mas não conseguia mais prestar atenção. Então deitei no sofá e deixei meus pensamentos fluírem. Talvez assim se organizassem.

A primeira coisa que eu pensei, melhor: lembrei, foi que os sonhos são às vezes coisas que ficaram em nosso subconsciente e que são (tcham tcham tcham tcham) : não! Desejos reprimidos. Loucura. Eu não queria beijar o Isaac, ou queria? Não! Eu não queria, eu não queria. Eu ainda sinto muita falta do Augustus e talvez apenas esteja fragilizada. Mas confundir Augustus e Isaac? É loucura.

Ou também posso estar ficando louca, talvez a morte do Gus tenha me afetado de tal maneira. Mas o beijo do sonho não era nada parecido com o beijo do Augustus. Era diferente e a lembrança ainda era bem nítida.

Mas aí, outro pensamento veio à tona junto com lágrimas, como eu podia fazer isso com o Gus? Eu sei que ele estava morto, mas, fazia muito pouco tempo. Quase dois meses apenas. Eu me sentia muito mal, eu sentia muita falta dele e se ele não tivesse morrido nada disso teria acontecido. Eu comecei a chorar.

– Gus, me perdoa... – sussurrei.

Virei-me de lado no sofá, com esperanças de me concentrar no ANTM, pois, daqui a pouco minha mãe iria servir o almoço e eu não queria que ela me visse chorando.

– Hazel, pode vir almoçar. — chamou a minha mãe depois do que pareceu uma meia hora.

Eu estava com muita fome e a comida da minha mãe era muito boa, mas não podia comer muito se não corria o risco de vomitar tudo, um efeito colateral do câncer.

– Então, como se sente? — perguntou minha mãe. Não entendi porque ela perguntou isso.

– Me sinto bem, normal, graças ao Falanxifor. – respondi achando que ela se referia ao câncer.

– Ah, sim. Graças ao Falanxifor. – ela repetiu meio sem graça. – Mas, digo, como você está, sabe... Sem o Augustus.

– Ah... É, mãe... É difícil. – falei em poucas palavras. Por que ela tinha que tocar nesse assunto, eu não queria falar disso.

– Filha... – ela começou, mas eu a interrompi.

– Mãe. Agora não, por favor.

– Tudo bem. Só, sabe que se precisar desabafar, querida, pode contar comigo. – Imaginei se ela tinha visto eu e Isaac? Que vergonha! É óbvio que ela deve ter visto. Ela deve ter subido para ver se estávamos bem e nos viu.

“Nos viu”. Parecia até que estávamos fazendo algo de errado e fomos pego em flagrante.

– Vou subir. – anunciei. Eu estava muito irritada. Por que a minha mãe sempre tinha que me espionar? Ela não devia ter feito isso, meu Deus, que vergonha!

– Mas já? – ela perguntou confusa. – Hazel, está tudo bem?

Olhei pra ela e forcei o melhor sorriso que consegui.

– Sim, mãe. Está tudo bem. Obrigado mesmo. Estou só um pouco cansada.

– Ainda vamos ao shopping, não? – perguntou ansiosa.

Tinha me esquecido desse detalhe. Eu não queria mais ir. Mas apenas disse:

– Não sei mãe. Estou cansada. A gente vê. – e subi de uma vez.

Notas finais
Sei que devem estar loucos por mais momentos da Hazel e do Isaac juntos, mas precisamos ir com calma. É um sentimento que tem que florescer da Hazel e não algo programado. Espero que estejam gostando. ~ e não deixe de comentar ~