Depois da morte de Augustus Waters
26 Capítulo 25
Notas iniciais
Já fazia uma semana que eu não conseguia falar com Isaac.
Já fazia um mês que ganhamos na loteria e hoje é o dia do meu transplante. E Isaac não atendia ao telefone. A empregada ficava dando desculpas quaisquer e a mãe dele dizia que não podia falar no momento. Além de estar morrendo de fome por causa das 12 horas de jejum, eu ainda estava muito, muito irritada com Isaac.
– Será que aconteceu alguma coisa com ele? – perguntou minha mãe.
– Não sei. – respondi sem prestar atenção.
– Isso é muito estranho. – ela comentou antes de avisar que iria comer alguma coisa na cafeteria do hospital. – Eu já volto. – disse a mim e ao meu pai antes de sair.
Respirei fundo e apertei o celular, na esperança de que ele retornasse uma de minhas ligações.
– Calma, Hazel. Daqui a pouco ele liga para você. – consolou papai.
– Ele disse que viria falar comigo antes do transplante. Só que ele não atende nenhuma ligação. Ele praticamente não quer ser encontrado.
– Talvez tenha acontecido alguma coisa e ele quer ficar um tempo sozinho.
– Não faz sentido. – reclamei.
– Você tem que se acalmar, querida. É seu grande dia.
Respirei fundo e mandei mais uma última mensagem para Isaac.
“Por favor, venha logo, ainda tenho 1 hora antes da cirurgia. Hazel.”
– Vou pegar um cafezinho ali no corredor, já volto. – disse meu pai.
– Ok. – falei frustrada tentado telefonar mais uma vez.
Depois do terceiro toque ele atendeu.
– Isaac! – gritei no telefone, muito brava.
– Hazel. – ele falou um pouco triste, mas eu o ignorei.
– Já faz absolutamente uma semana que eu estou te ligando e você não atende, você nem sequer me ligou ou respondeu alguma mensagem!
– Me desculpe, Haz. – disse com a voz um pouco chorosa.
– Poxa. Você está bem? Sua voz está...
– Eu estou bem. Er... Eu estou indo aí, só... Espere quinze minutos.
– Ok. – falei e ele desligou o telefone.
Fiquei uns cinco minutos encarando o celular até meu pai entrar no quarto novamente.
– Isaac telefonou?
– Sim. Quer dizer, eu liguei para ele e ele atendeu.
– Ah, que bom. E o que ele disse?
– Que está vindo.
– Ah! Que ótimo! Viu? Eu disse que estava tudo bem.
Mas pela voz de Isaac não estava tudo bem. Ouvi-lo daquele jeito me deixou aflita, tomara que ele chegue logo.
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