Depois da mentira.
1 Primeiros erros.
Notas iniciais
Karina
Eu só ouvia os sons das pessoas falando ao meu redor, enquanto tentava processar pra saber se tudo realmente era real, se o que Jade dizia tinha nexo, mas não podia ser mentira depois que vi o rosto de Bianca vermelho e seus olhos coberto por lágrimas enquanto gritava com a bailarina. Eu não sabia se acreditava ou se enlouquecia, acho que a segunda opção era mais realista. Sabe quando você escuta algo que os seus ouvidos se negam a aceitar? É dessa forma que me encontro. Depois de estar parada por alguns minutos virei de costas e andei, Pedro desceu do palco como se uma tragédia estivesse anunciada, olhei bem no fundo daqueles olhos e perguntei "Isso é verdade?" O mesmo não conseguiu esconder, seu rosto lhe entregava, o olhar dizia que havia mentido na cara dura, aceitado um dinheiro fácil para que pudesse reunir sua bandinha, e o custo disso foi minha confiança.
Depois de tudo que ouvi, ainda permaneci parada lembrando de tudo que vivi com o aluno da Ribalta, das vezes que ele fez de tudo para me conquistar e eu o socava, dos beijos no meio da praça, das fugas do meu pai, e agora pensar que nada mais daquilo ia acontecer me partia mais ainda ao meio. Era como um soco no estômago ou algo pior.
As luzes pareciam não mais refletir o palco, foi quando Dandara pediu para que fechassem a cortina, minha mente estava nublada e desconexa.
Jade continuou falando "Nada se compara a mentir pra sua irmã, você é pior do que eu Bianca." Vociferou como se fosse atacá-la a qualquer momento. ”Eu nunca enganei ninguém a troco de dinheiro." Depois a única coisa que ouvi foi sobre um sequestro e não aguentei ficar mais ali, queria sumir no mundo e não voltar mais.
Doía mais do que um tiro, ou uma facada, não sei, naquele momento a dor parecia indescritível, queria dar um soco na cara de Pedro e dizer o quanto me arrependia de ter acredito naquele guitarrista mentiroso. Para eles eu fui tão fácil de manipular, de ser enganada, mas como poderia esperar menos da minha irmã que sempre pensou em si mesma como protagonista de tudo, como se sua vida fosse uma novela e ela a mocinha injustiçada e eu provavelmente, seria a irmã ruim que ficava impedindo seu caminho de ser feliz. Logo concluí que tinha correlação com Duca, por quem tive uma quedinha boba que pensava ser paixão. Bom, eu nunca fui boa com romance, sempre achei que fosse um fracasso nisso. Eu corri alguns passos e senti minhas pernas vacilarem de fraqueza, o emocional me causava impotência, não conseguia pensar em muita coisa, então sentei na calçada e abracei os joelhos. Malditas lágrimas que rolavam em meu rosto, queria que me deixassem em paz.
Ao longe ouvi alguns passos pesados e apressados, meu pai Gael soltou um "Karina!" tão audível que a praça toda podia ouvir, minha cabeça infelizmente não estava concentrada ao meu redor, parecia que tudo estava mudo e eu ouvia somente a palavras de Jade na minha cabeça.
— Karina, minha filha, precisava correr assim? — Questiona com as sobrancelhas erguidas e a respiração descompassada, provavelmente por ter corrido atrás de mim. — Eu não sei o que está acontecendo, mas vou matar o Pedro, eu juro. — Ele sentou ao meu lado e abraçou-me pelos ombros.
— O senhor não vai precisar fazer isso, não valeria apena sujar suas mãos com aquele mentiroso. — Gael parecia duro, entretanto conseguia ser sentimental. — Sua filha Bianca parece ser boa com isso também, só não entendo como alguém que é filha do Gael, poderia mentir a troco de nada. — Apertei meus olhos num choro desesperado. — Eu confiei nela, confiei no Pedro, o que me resta agora, Pai?
— Minha filha, eu queria entender o que a sua irmã fez, eu repúdio mentiras, mas você sabe que não posso consertar a burrada dela não é? — assenti com a cabeça. — Resta o seu pai aqui, se quiser ficar com raiva deles fica Karina, você tem esse direito, sei que assim como eu não suporta mentiras. — Enfatizou alisando meus cabelos curtos.
Gael sempre foi muito duro no assunto mentir, nunca gostou de ver a gente esconder nada ou omitir e muito menos criar situações. Chorei mais do que podia, além do que queria, estava doendo eu havia sido golpeada numa noite que ia me divertir. Eu realmente me sentia perdida, mas pelo menos tinha o meu velho pai a quem eu podia confiar. Ele me levantou pelos ombros e fomos rumo a nossa casa, estava completamente cansada. Pensei o quanto estava surpresa pela minha reação, ao invés de ter socado Pedro, eu simplesmente fugi, não escolhi ser agressiva, naquele momento aquilo parecia ser uma ideia distante.
Meu pai me levantou pelos ombros e fomos rumo a nossa casa, ainda sim tive forças para tomar banho e deitar, estava tão nervosa que Gael me trouxe um daqueles remédios calmantes, mas rejeitei. Nem o mesmo acreditava que aquela foi minha reação, de não fazer nada, de nem se quer xingar e bater em todo mundo. Pela primeira vez quis fugir de tudo e não voltar mais, mas sei que depois disso tudo, eu iria confronta-los de alguma forma, todos sabiam do meu temperamento, o que me tornava ainda mais insegura comigo mesma. Sempre fui difícil de lidar, arrumava briga e não tinha muita paciência, depois do que Pedro fez isso voltou a tona, conclui que realmente só sendo pago para alguém ficar comigo. O pior de todas as coisas era como eu ia conseguir confiar nas pessoas a partir de agora? Além dos outros, como eu ia conseguir reconstruir minha confiança em mim mesma? Depois de tanto pensar adormeci e acordei somente horas depois, meu celular estava ao lado e havia centenas de mensagens de alguém que parecia desesperado, o número era desconhecido, mas já última mensagem estava escrito: " K, sou eu o Cobra, assim que puder me responde."
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