Depois da batalha

1 Lembrem-se de seus queridos...


Notas iniciais
Olá, fãs de HP!
Venho com essa fic para deixar aqui um possível desenvolver do que poderia ter acontecido após a batalha de Hogwarts.
Esse primeiro capítulo é um pouco triste, mas coisas boas estão por vir.

Enjoy!

Hogwarts estava irreconhecível. A vista era de torres caindo aos pedaços, arcos e estátuas espalhados pelo chão, janelas e portas completamente inexistentes e uma quantidade absurda de corpos sem vida, esses pertencentes em sua maioria aos seguidores de Lord Voldemort que morreram em seu nome durante a última batalha, dentre eles gigantes, aranhas e trasgos. Mas a pior visão que se podia encontrar ali era no salão comunal, onde os corpos das pessoas que morreram foram colocados todos juntos, sem distinção a qual lado pertenciam.

Harry vinha adentrando o Salão ao lado de Rony e Hermione, que de mãos dadas conversavam algo em um tom baixíssimo, inaudível para quem estava longe deles. Hermione argumentava com uma expressão triste algo para seu recém-namorado que o fazia desviar o olhar, enquanto lágrimas se formavam no fundo dos olhos do rapaz. Ela sabia que ele estava sofrendo muito com as mortes dos seus próximos assim como ela, mas a perda de Fred Weasley fez com que uma sensação de vazio eterno inundasse tudo, ou melhor, a vida de todos. Ela tentava fazer com que ele chegasse perto dos Weasley, mas Rony se negava a ver o irmão morto mais uma vez. Ele olhava de longe sua mãe inconsolável abraçada a Arthur, que tinha ao seu lado uma Gina com olhos inchados e hematomas espalhados pelo corpo, com vestes ensanguentadas. Percy Weasley estava sentado a uma pouca distância, com o olhar depressivo perdido no tempo, enquanto ao lado Gui abraçava Fleur que chorava compulsivamente, velando não somente o corpo de seu cunhado, mas os corpos de Tonks e Lupin, que foram colocados lado a lado de mãos dadas, da mesma forma que partiram dessa vida.

Hermione resolveu que era melhor deixar Rony agir de acordo com sua própria vontade e cochichou ao rapaz:

- Ronald, não tem problema se você não quer vê-lo agora. Isso não te faz uma pessoa ruim, você está sofrendo. Todos estamos sofrendo. Não se sinta mal por isso, eu também prefiro lembrar de Fred como ele era em vida. Nós somos só seres humanos, não se force a nada. — Ela acariciava o rosto dele e ele beijou a mão da menina quando esta passou em sua bochecha. Ele sabia que ela entendia o que ele estava sentindo.

- Hermione, você se importa de me deixar ir pensar um pouco sozinho? — Ele tirou a mão dela de seu rosto e a segurou junto a dele — Eu preciso arrumar as coisas na minha cabeça.

- Claro que não me importo, vá. Volte quando achar que deve.

Ela sorriu para Ronald, que depositou um beijo demorado em sua testa. Hermione sentiu o toque gelado dos lábios dele e soube que o garoto ainda estava assustado com aquela situação terrível. Ele soltou as mãos dela e se dirigiu para fora do castelo, certamente indo para algum lugar escondido onde poderia chorar. Ronald ainda não chorava na frente dela, o que ela achava desnecessário pois seria a primeira a chorar junto dele.

Hermione olhou para dentro do Salão e viu Harry conversando com McGonnagal, que dava pequenos toques no ombro dele e dizia algo que o fez sorrir. Harry também avistou a amiga de longe e pediu licença a professora, indo em direção a garota. Ela por sua vez já caminhava em direção aos Weasley e foi direto abraçar Gina, sua melhor amiga, que desmoronou aos prantos no abraço de Hermione. Harry chegou perto das duas e se uniu ao abraço delas, sendo abraçado de volta. Molly Weasley, que se levantava de perto do corpo de seu filho, viu aquela cena e sentiu que aquelas duas crianças mesmo não possuindo seu sangue, já eram como filhos para ela. Ela puxou a mão de Arthur e ele aceitando foi guiado por ela para perto das suas crianças que se abraçavam. Ao perceber a aproximação da mãe, Gina desfez o abraço de Harry e Hermione e pegou nas mãos de seus pais, sorrindo com os olhos. Harry e Hermione também observaram Molly e sorriram com o olhar, mesmo esses olhares estando carregados de dor.

- Harry, Hermione, vocês estão bem? — perguntava Molly com a voz fraca, e os dois confirmaram com a cabeça. — Onde está Rony?

- Ele pediu para ficar um tempo sozinho, Sra Weasley. — Hermione respondeu, em um tom gentil — Ele disse que precisa organizar a cabeça.

- Ah, meu Ronald... Ainda não consegue chorar na frente de outras pessoas... — Molly dizia com carinho tais palavras, sendo evidente seu amor por seu filho — Ensine-o a ser mais corajoso, Hermione. — ela pegou a mão da menina, a olhando nos olhos — Sei que você consegue fazer isso.

- Ele é corajoso, Sra Weasley. Ele só ainda não sabe disso. — respondeu Hermione, sorrindo para ela.

Harry sorriu ao ver que a amiga e a mãe de seu melhor amigo amavam o garoto a ponto de esquecer suas diferenças, tendo na memória algumas discussões da garota com a Sra Weasley por causa de Rony. Molly tinha medo de perder seu garoto caçula, como a maioria das mães, mas parecia ter mudado de ideia depois de tudo que aconteceu. Harry só parou de as observar quando um corpo entrou no Salão Comunal sendo carregado por Hagrid. Era Snape. Naquela hora todos olharam para a cena, a maioria com uma expressão fria tendo em conta tudo que achavam que ele tinha feito. Só Harry sabia da verdade. Só Harry sabia que aquele era o homem mais corajoso que ele havia conhecido.

Hagrid colocou o corpo de Snape na mesa principal do salão, onde os professores ocupavam seus lugares nos banquetes da escola até pouco tempo atrás. Harry foi em direção até ele e Hermione e Gina foram atrás, com Gina segurando a mão de Harry e ele a apertando com força quando ela o fez. Ao chegar perto do corpo Harry não conteve as lágrimas. Ele se lembrou de tudo que tinha visto na penseira, de como o amor daquele homem por Lilian, sua mãe, tinha durado até o momento da sua morte. Lembrou-se de todas as vezes que Snape salvou sua vida, mesmo ele se parecendo tanto com James, o homem que fez com que ele vivesse para sempre amargurado. Harry sabia que precisava contar a verdade a todos, pois não seria justo que Snape fosse chamado de traidor para sempre. Ele se virou encarando o Salão repleto de pessoas mortas e pessoas velando entes queridos, e falou em voz alta:

- Eu sei que esse não é o momento mais apropriado para isso e que o que vocês menos querem é me ouvir falar agora, mas eu peço que me ouçam. Eu preciso lhes dizer a verdade sobre este homem, Severo Snape, e tudo o que ele fez. Muitos de vocês o chamam de traidor e covarde, mas eu vi as lembranças dele e ele está bem longe de ser isso que dizem.

Hermione estava quase em frente a Harry enquanto ele falava, observando Gina que estava ao lado do também recém-namorado segurar a mão dele com força e o olhar com ternura, o que a fez lembrar que Rony ainda não voltara. Não passou muito tempo desde que ele saiu sozinho dali, mas ela já estava preocupada. Ela resolveu ir procurá-lo, mas antes de sair percebeu que todos olhavam Harry espantados com a verdade que ele contava. Muitos choravam, alguns se sentindo culpados por pensarem mal do antigo professor de Poções e outros porque a história era realmente triste. Ela não achou que Harry falaria disso tão abertamente, mas sabia que era o certo a se fazer, só que ela escutaria essa história depois. Ela precisava achar Ronald.

Ela caminhou entre os corpos das criaturas mortas e procurava com o olhar algum sinal de Rony. Desceu as escadas para a casa dos barcos, lembrando que foi ali onde Snape morreu. Ela sentiu o cheiro do sangue que sujava as paredes e se surpreendeu ao encontrar Rony ali, sentado dentro de um dos barquinhos, que boiava na água, amarrado por uma corda a uma estaca no chão. Achou que teria procurar mais, mas deu graças por achá-lo tão rápido. Ele não chorava mas seu nariz estava vermelho, provavelmente por causa de um choro findado ou do frio que fazia ali por conta da água. Ela parou de andar e o observou de longe, tentando não chamar a atenção dele tão rapidamente, mas o ruivo se virou e sorriu para ela, demonstrando que a esperava.

- Eu imaginei que não ficaria sozinho por muito tempo. Estava contando com isso. — ele sorriu timidamente a olhando, esticando a mão como um sinal para chamá-la para perto dele. Hermione foi até seu encontro e com a ajuda dele entrou no barquinho, sentando ao lado dele e se equilibrando no balançar da água que os movimentava.

- Você está um pouco melhor? Sua mãe perguntou por você. — Ela disse enquanto passava seu braço por dentro do dele, apoiando sua mão na de Rony.

- Sim, um pouco. Mas nada consegue me tirar da cabeça a raiva que eu sinto de tudo que aconteceu. — Ronald estava de cabeça baixa, mas Hermione viu suas sobrancelhas se curvarem em um "V". Ele estava tenso ao extremo.

- Ronald, não alimente isso. Olhe para mim. — ela levantou o rosto dele com as duas mãos — Você pode dizer o quiser para mim, ok? Você confia em mim, não é?

- Claro que eu confio, Mione. Mas eu não quero conversar, vamos só ficar aqui, tudo bem?

- Tudo bem. — Ela soltou o rosto dele e sorriu, juntando suas mãos as dele. Nesse momento Rony se aproximou e lhe deu um beijo rápido, como um toque nos lábios. Ela se surpreendeu, mas não o impediu. Fechou os olhos e continuou com eles fechados dois segundos depois que seus lábios se desencontraram, os abrindo e encontrando uma expressão carinhosa no rosto de Rony, mas ele arregalou os olhos e suas bochechas coraram quando seus olhares se encontraram.

- Me desculpe, isso foi um pouco repentino. — disse Rony, desviando o seu olhar do dela.

- Não se preocupe, Ronald. Faça disso um hábito daqui pra frente.

A resposta da garota o deixou bobo, pois ele a conhecendo achou que Hermione o repreenderia e diria para se controlar, mas ela o olhava com carinho e ele sentiu uma felicidade que achou estar perdida invadir seu peito. A puxou então para um abraço e ela retribuiu, se aconchegando nos braços dele. O balanço do barquinho trazia uma sensação de paz a um bom tempo desconhecida, e estar ali com Hermione o consolava mais que qualquer palavra dita. Ela o olhou com seus olhos castanhos inclinando a cabeça para trás, estando um pouco abaixo dele, e em seguida o beijou delicadamente. Rony retribuiu aquele beijo carinhoso enquanto acariciava os cabelos dela, e o beijo se aprofundou de forma tranqüila, os distraindo por um bom tempo. Tempo esse que era feliz, ao contrário do que os esperava no Salão mais acima.

...

Passaram-se longos minutos depois do beijo que Hermione e Rony trocaram e eles jogavam conversa fora, observando a paisagem do Lago Negro e Hermione dizendo quais plantas eram as que viam nos arredores de onde estavam. Resolveram que era hora de voltar quando viram que o sol estava subindo bastante, o que indicava que provavelmente eram quase 10 da manhã. Saindo do barquinho, Hermione encarou mais uma vez a parede suja de sangue, onde Snape foi assassinado por Nagini.

- Ronald, quando você chegou aqui embaixo Hagrid já tinha levado o corpo de Snape?

- Não, ele estava chorando sentado ao lado do professor quando cheguei aqui. Disse para mim que sentia pena de Snape, por morrer tão violentamente, apesar de já ter sido maltratado no passado por ele. — Rony se aproximou e deu a mão para Hermione. — Você viu onde Hagrid colocou o corpo?

- No Salão Comunal, junto com todos os outros. E por sinal, Harry estava contando a verdade sobre Snape para todos. Nós precisamos saber sobre isso depois.

Eles se olharam concordando entre si e seguiram em direção ao Salão Comunal para encarar tudo aquilo que eles tinham que encarar. A vida continuava apesar de tudo, e agora eles tinham um ao outro.

...

Quando Rony e Hermione chegaram ao Salão vários corpos estavam sendo colocados em caixões feitos de madeira encontrada nos destroços, através de feitiços. Uma passeata se formava, com várias pessoas os carregando em direção a saída. A passeata seguia até os jardins perto do Lago Negro, onde foi feito o funeral de Dumbledore a um ano atrás. Primeiro saíram Hagrid, Harry, Minerva e Neville carregando o caixão de Snape, guiando os que vinham atrás. Logo após vinham os Weasley e alguns alunos de Hogwarts, carregando os caixões de Fred, Lupin e Tonks, e junto deles Abeforth, o irmão de Dumbledore e Kingsley Shackebolt. Jorge, Arthur, Percy e Gui levavam o caixão de Fred, enquanto Molly vinha ao lado com Gina e uma das mãos apoiadas no caixão. Lupin era levado por Simas, Dino e Luna, e quando Rony os viu se juntou a eles. Tonks era levada por Fleur, Abeforth e Kingsley, e Hermione resolveu se juntar ao cortejo levando junto deles o caixão da Ninfadora. Vários outros caixões eram levados, em uma fila enorme que descia lentamente em silêncio, esse que só era interferido por soluços e lamentos chorosos.

Todos os caixões foram colocados lado a lado, seguindo a ordem de chegada nas margens do Lago Negro. Os Weasley em volta do caixão de Fred foi uma das coisas mais dolorosas que Hermione e Harry já viram na vida, e eles resolveram se manter um pouco distantes em respeito à família. Harry sabia que teria que falar novamente durante o funeral, pois todos esperavam isso dele. Após todos estarem organizados e um tempo se passar para que dessem seu último adeus a quem deviam, ele tomou a frente:

- Eu não queria estar falando essas palavras aqui hoje, mas infelizmente não pude salvar todos vocês. Eu sempre irei lembrar de cada um que partiu aqui hoje e que lutou do nosso lado até o fim. Sei como é perder uma pessoa amada e queria que mais ninguém tivesse que sentir essa dor. Só peço que cada um aqui lembre-se dessa pessoa querida a você que partiu hoje como alguém corajoso, disposto a ajudar e a lutar por aquilo que é certo. Minhas palavras não vão trazer ninguém de volta nem consolar o coração de quem chora, mas eu digo isso na esperança de poder representar a dor de cada um de vocês nesse momento. Perdemos pessoas insubstituíveis e que vão deixar um lugar vazio pelo resto de nossas vidas, mas é como alguém me disse uma vez: as pessoas que amamos nunca se vão de verdade. Podemos encontrá-las sempre em nossos corações.

As palavras de Harry foram simples e cheias de consolo, fazendo com que todos os presentes chorassem ainda mais. Hermione não conseguia mais segurar o choro e chorou junto aos Weasley que velavam Fred, Lupin e Tonks. Abraçava Rony e mantinha a cabeça baixa. Harry estava ao seu lado, perto também do caixão de Snape. Minerva então começou o enterro e todos os corpos foram enterrados em covas separadas lado a lado, com exceção dos de Lupin e Tonks que foram enterrados juntos. Assim como no funeral de Dumbledore, os sereianos do Lago Negro se comoveram e cantavam uma música maravilhosa e triste, em respeito a aqueles que ajudaram a salvar Hogwarts de um destino ainda pior. Jorge, vendo a cova de seu irmão já coberta e com uma escritura improvisada, tirou do bolso a varinha do irmão e uma vomitilha, as colocando em cima do túmulo. Todos os Weasley se abraçaram a ele e depois seguiram de volta ao Salão Comunal, sendo seguidos pelo resto das pessoas que tinham em comum a exaustão e a expressão de esgotamento.
Havia uma vida para ser vivida.

Notas finais
A vida continua.
Até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.