Quando chegou ao apartamento de Derek já era quase noite.

Derek estava sentado a ler no sofá.

– Ei! – Cumprimentou Stiles. Derek levantou o olhar do livro e sorriu-lhe. Stiles ainda se sentia meio pouco à vontade depois do que acontecera entre os dois. Não tinha dúvidas sobre os seus sentimentos por ele, mas ainda achava tudo aquilo muito avassalador. Largou a mochila no chão e foi sentar-se a seu lado.

– Estive a pensar, e quero-te pedir uma coisa…

Derek olhou para ele com curiosidade, e preocupação.

– Diz. – Disse cautelosamente.

– Quero que me ensines a lutar. A defender-me.

– Não. – Respondeu Derek num tom definitivo.

Stiles levantou-se repentinamente.

– Porque não? Quando eras humano também tiveste de aprender. Eu posso fazer o mesmo.

– Não, Stiles. Esse não és tu. Não te quero a fazer nenhuma loucura. Eu arranjo-te um taco de basebol melhor, pode ser?

Stiles não conseguiu evitar rir. Porém, não iria desistir da ideia tão facilmente.

Derek foi ter com ele, envolveu a sua face entre as suas mãos, e pousou suavemente os lábios nos seus. Stiles respondeu precipitadamente. Tinha esperado durante todo o dia por aquele momento. Pousou as mãos nas suas ancas. As suas línguas roçaram avidamente, e Stiles sentiu arrepios de prazer por todo o corpo. Derek moveu as mãos pelas suas costas até à sua cintura, e mordeu-lhe gentilmente o lábio.

O som de um telemóvel a tocar despertou-os repentinamente. Contrariado, Stiles largou Derek, e este foi ver o que era.

– Que se passa? – Perguntou Stiles ao ver a sua expressão preocupada.

Derek hesitou antes de responder.

– O Peter deixou uma mensagem na casa do Scott.

Mostrou-lhe uma fotografia no telemóvel. Na mensagem dizia: “Tens andado à nossa procura, talvez da próxima vez nos aches. Tens até à lua cheia para vir ter connosco, senão, sabes quem vai pagar”.

– Isto significa que eles estão perto. – Afirmou Stiles. – Podemos seguir-lhes o rasto. Falta menos de uma semana para a lua cheia, temos de arranjar um plano para os parar.

– Sim, mas tu vais ficar fora disto.

– Esta também é a minha luta. Mataram o meu pai, e agora querem matar o Scott, que é o mais perto que tenho de uma família. E tu…

– Estou mais forte agora. Posso lidar com o Peter.

– Derek, eu não te quero perder também. Outra vez.

Derek colocou afetuosamente as mãos nos seus ombros.

– E eu não te quero perder a ti, Stiles. Olha para mim. Vou fazê-lo pagar pelo que aconteceu ao teu pai, por ti.

Stiles olhou para baixo.

– Precisamos de um plano. E eu vou ajudar em tudo o que for preciso. Não vou ficar de braços cruzados.

– Muito bem. – Disse Derek resignadamente. — Vou ter com o Scott agora e vamos à procura do rasto deles.

– Agora? Temos de pensar melhor nos nossos passos. Isso parece-me muito precipitado.

– Não nos vamos aproximar demasiado. Só quero ter uma ideia de onde eles se estão a esconder.

– Eu vou convosco…

– Hoje não… Fica aqui e pensa num plano para os apanharmos.

Sem mais uma palavra, Derek saiu. Stiles chamou-o mas em vão. Foi até à janela, e viu-o entrar no carro e desaparecer pela estrada.

Foi-se sentar. Colocou o rosto entre as mãos. Tentou lembrar-se de tudo o que sabia sobre lobisomens e outras criaturas sobrenaturais. O melhor plano em que conseguiu pensar foi num ataque surpresa, mas sem mais detalhes e informações específicas era bastante inútil por si só. Teriam de contar com o poder crescente de Peter, que conseguira fugir da Eichen House.

Eram dez horas quando o seu telemóvel tocou. Nem olhou para o ecrã quando atendeu.

– Derek?

Alguém se riu do outro lado. Numa voz de mulher.

– Não, Stiles, não é o Derek…

– Kate… o que é que lhe fizeste? – Stiles sentiu o seu peito apertar-se.

– Nada. Mas pelo teu tom, suspeito que ele tenha ido à procura de Peter… o que não me parece nada bem…

– O que é que queres?

– A tua ajuda.

Desta vez foi Stiles que se riu.

– Deves estar a gozar. Mataste o meu pai, lembras-te? – O tom de voz de Stiles aumentou devido frustração.

– Não fui eu… Foi o Peter.

– Tu ajudaste-o. Vai dar ao mesmo.

– Como queiras. Ele obrigou-me. E ele vai matar-me também se não o ajudar. Aliás, vai matar-vos a todos.

– Porquê? O que é que ele quer?

– Poder. Liberdade. Encontra-te comigo amanhã e eu explico-te tudo.

– Porquê eu?

– Se queres justiça vem ter comigo, sozinho, depois das aulas, junto à casa dos Hale.

E desligou.

Stiles sabia que era arriscado, mas tinha de descobrir o que Kate tinha para lhe dizer. Por outro lado, não queria ter de esconder isto de Derek ou Scott. Teria de esperar até ver o que ela lhe tinha para dizer.

Sentia-se exausto. Foi-se deitar na cama de Derek. O seu cheiro era reconfortante. Deitou-se de barriga para baixo, agarrado à sua almofada. Quando fechou os olhos não demorou muito a adormecer.

Acordou ao ouvir passos junto a si. Sentiu Derek passar uma mão pelas suas costas e deitar-se a seu lado.

– Encontraram alguma coisa? — Perguntou.

– Nada. Vamos continuar a procurar amanhã.

Stiles acenou. Não queria ter de esconder de Derek o telefonema de Kate. Para evitar dizer o que não devia, chegou-se mais perto dele e beijou-o, começando pelo ombro, passando pelo pescoço e indo até à boca. Derek respondeu carinhosamente ao seu beijo. Cheirava a terra e a ar fresco. Stiles adormeceu no ombro de Derek.