Depois da Tempestade
12 Capítulo 12
Quando chegou a casa, foi diretamente, para as estantes de livros de Derek. De certeza que ele teria um livro com uma explicação para o que acontecera a Peter.
Estava sentado no chão a folhear um livro bastante antigo sobre a origem do licantropo quando Derek entrou.
– Que estás a fazer? — Perguntou Derek. — O que te aconteceu à cara?
Stiles esquecera-se completamente de limpar a ferida que fizera quando Kate o empurrara. Derek olhou para ele com uma expressão interrogativa.
– Sei onde o Peter tem estado escondido. — Respondeu Stiles, e contou-lhe o que tinha descoberto nessa tarde.
Derek ficou pensativo.
– Não devias ter ido sozinho...
– Já sei...
Derek olhou para ele, sorriu e abanou a cabeça.
– É inútil dizer-te que isso foi irresponsável, não é?
Stiles acenou.
– Sou muito pouco influenciável.
– Certo...
Derek foi ajoelhar-se ao seu lado.
– Não vais encontrar nada aí.
– Sabes o que aconteceu ao Peter? Como ficou assim?
– Não. E a situação dele não me parece nada bem. Seja como for, temos de lidar com isto seja de que maneira for.
Stiles fechou o livro, levantando uma pequena nuvem de pó.
– Já pensaste em arranjar versões digitais destes livros? — Perguntou Stiles. Derek riu-se e inclinou-se para ele. As suas testas tocaram-se, Stiles fechou os olhos, e sentiu a proximidade familiar de Derek e como era calorosa a sua presença. Derek afagou o seu cabelo, e Stiles aproximou-se mais para o beijar. Colocou as mãos em redor do pescoço de Derek, e os seus lábios, húmidos e quentes, roçaram sofregamente.
Derek afastou ligeiramente os lábios dos seus.
– Temos de ir...
Stiles suspirou.
– Tem mesmo de ser?
Derek sorriu, beijou-o na testa, e levantou-se.
Stiles seguiu-o.
– Quero ver se o Peter ainda está lá...
– E se a Kate lhe disse que eu estive lá?
– Podemos sempre tentar apanhar-lhe o rastro. Mas primeiro vamos tratar desse corte na testa...
Derek limpou-lhe a face com um pano húmido suave, quando chegou à ferida, Stiles sentiu uma dor aguda na têmpora e estremeceu. Derek fez um sorriso enviesado.
– Dói-te?
– Já tive pior... — Respondeu Stiles.
Derek colocou-lhe um pequeno penso no corte, e acariciou-lhe a face.
Eram dez horas quando se encontraram com Scott e Kira perto da cascata.
– Eles não estão aqui... — Disse Scott. Estava meio nu e todo molhado, devia ter atravessado o lago para ir procurar na caverna.
– Consegues sentir o cheiro deles? — Perguntou Derek. Andava de um lado para o outro por entre as árvores.
– Ligeiramente... — Respondeu Scott. — Não sei se os conseguiremos seguir, é demasiado ténue.
– Eu transformo-me em lobo. O meu olfato é melhor nessa forma.
Derek despiu o casaco e começou a correr. Stiles só conseguiu ver as suas roupas a cair no chão, antes de um lobo preto aparecer na sua frente. Os seus olhos eram de um azul vivo e brilhante, e quando se cruzaram com os seus, Stiles reconheceu neles a viveza do olhar de Derek.
O grande lobo farejou aquele lugar de uma ponta à outra, até que parou, como se algo lhe tivesse chamado a atenção. Fez um sinal de cabeça a Scott e este seguiu-o.
Stiles sabia que não valia a pena segui-los. Sentou-se com Kira perto do lago.
– Eles vão ficar bem, não vão? — Perguntou-lhe Kira.
– Sim... Claro... — Respondeu Stiles afagando-lhe o braço.
Não se ouvia um som na floresta, apenas a água a cair. A lua estava quase cheia, refletida no pequeno lago, dando às árvores à sua volta um tom fantasmagórico de cinzento.
Passou-se meia hora, uma hora, talvez duas, até que Stiles ouviu passos algures à sua direita. Levantou-se e virou-se a tempo de ver uma figura esguia aproximar-se. Quando o luar encontrou a sua face, viu as feições de Scott e suspirou de alívio.
– Onde está o Derek? — Perguntou Stiles num tom preocupado. Ouviu um roçagar de folhas ao seu lado, e viu o grande lobo aparecer por entre a vegetação. Passou por ele a correr, tão perto que Stiles sentiu o seu pelo nas sua mão.
Quando Derek voltou, trazia apenas as calças vestidas e vinha a vestir a camisola. Stiles não conseguiu evitar olhar.
– Encontraram alguma coisa? — Perguntou Kira.
– Seguimos-lhes o rastro, mas foi ficando cada vez mais fraco, até desaparecer. — Respondeu Scott. — Fomos até à zona industrial, andámos por lá, entrámos em fábricas e armazéns abandonados, e nada. Até que apareceu a Kate...
– A Kate? — Perguntou Stiles.
– Ela disse-nos que o Peter tinha encontrado um novo esconderijo depois de encontrar o teu cheiro aqui. — Respondeu Scott. — Ele não confia nela, deixou-a sozinha para nos despistar.
– Onde é que ela está agora?
– Recusou-se a vir connosco. Está à espera de novas ordens do Peter.
– E agora? — Perguntou Kira.
– Agora esperamos. — Respondeu Derek. — Se a Kate nos quiser ajudar, tem de ter a confiança de Peter. Amanhã, antes da lua cheia, o Peter fará a sua jogada e nós teremos de estar prontos.
Stiles fixou o seu olhar nele. Não podia pensar que mais um vez os seus amigos teriam de pôr as suas vidas em risco. Se perdesse mais alguém, era provável que se perdesse a ele próprio também.
– Vamos para casa. — Derek olhou para ele. Stiles acenou.
Despediram-se de Scott e Kira e entraram no carro de Derek.
–--
Stiles sentia-se inquieto. Derek estava deitado na cama, enquanto Stiles olhava pela janela.
– Vai dormir, Stiles.
Stiles foi sentar-se na cama. Derek colocou os braços em redor da sua cintura e encostou a testa ao seu cabelo. Sentiu a sua respiração na parte de trás do pescoço, fazendo arrepios descer-lhe pela coluna abaixo. Stiles virou-se e olhou para Derek. Ali quase no escuro, apenas iluminado pelo luar que entrava pela janela, Stiles conseguia ver mesmo assim todos os traços da sua face. E como adorava olhar para Derek. Nunca sentira esse tipo de atração por mais ninguém em toda a sua vida.
– Posso dormir aqui? — Perguntou num sussurro.
– Claro... — Respondeu Derek, acariciando-lhe o cabelo e dando-lhe um beijo rápido nos lábios.
Deitaram-se os dois de lado, a olharem um para o outro. Stiles não conseguiu evitar sorrir.
– Eu amo-te. — Tinha de o dizer. Não queria correr o risco de o perder sem nunca lho ter dito.
Derek pareceu surpreso com as suas palavras, mas agarrou afetuosamente na mão de Stiles e apertou-a.
– Eu também te amo. — Stiles conseguia ver nos seus olhos que era verdade. Sentiu o seu coração saltar uma batida.
Derek puxou-o para si e colocou os lábios sobre os seus. Stiles agarrou na sua camisola e despiu-lha. Sentiu os seus músculos definidos por baixo dos seus dedos. Foi a vez da sua camisola voar. Derek beijou-o no pescoço, no peito, na barriga. Desapertou-lhe as calças e despiu-lhas, tirando também as suas. Stiles enrolou as suas pernas em redor das de Derek. Sentir os seus corpos nus assim tão próximos gerou uma onde de prazer através de Stiles. As suas mãos desceram pelas costas de Derek até ao seu traseiro. Ao apertá-lo sentiu o sorriso de Derek enquanto se beijavam.
A mão de Derek deslizou da sua anca para dentro do seus boxers. Um pequeno gemido saiu-lhe dos lábios.
Na manhã seguinte, Stiles acordou nos braços de Derek, com a cabeça no seu ombro. Mal conseguia acreditar no que acontecera na noite anterior. Estar assim com alguém, estar assim com Derek, era a melhor sensação que alguma vez experimentara.
– Stiles... — Derek acordou. Ouvir o seu nome na sua boca provocava uma onde de calor pelo seu peito.
– Ei... — Derek beijou-o na testa. Stiles fechou os olhos e aconchegou-se no ombro de Derek, quanto mais tempo pudesse evitar o dia que se seguia melhor.
– Tens de ir para as aul... — Começou Derek a dizer.
– Hoje não. — Respondeu Stiles num tom definitivo.
Derek riu-se.
– Nunca tinha feito aquilo, sabes... — Disse Stiles.
– Eu sei.
– Foi bom, certo?
– Sim. — Derek apertou os braços à sua volta. — Foi ótimo.
– Ainda bem... — Stiles deixou-se envolver no seu cheiro e no calor do seu corpo, e adormeceu de novo.
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