Parecia que toda a cidade de Beacon Hills tinha vindo ao funeral do Sheriff. O cemitério estava cheio com todas as pessoas que ele tinha jurado proteger em vida. O respeito que todos tinham pelo seu pai e pelo seu trabalho era um grande motivo de orgulho para Stiles. Contudo, naquele momento, desejava que apenas ele e os seus amigos mais próximos estivessem ali, aqueles que realmente o conheciam.

Stiles não falara durante todo o dia. Tinham sido os colegas do pai que tinham organizado o funeral, como uma última homenagem. No dia anterior, depois de mais um ataque de pânico, Melissa foi ter a sua casa depois de Scott a chamar, para lhe administrar um sedativo, sendo que passara parte do dia a dormir. Naquele momento, tinha os olhos vermelhos, doridos e inchados, e quase que se sentia vazio, com o buraco no seu peito cada vez maior.

Todos os seus amigos estavam ali. Scott de mão dada com Kira. Lydia, com um ar devastado. O seu poder tinha falhado ao não conseguir prever aquela morte, mas isso era assunto para ser falado mais tarde. Danny, Parrish, Dr. Deaton, Chris Argent… também se encontravam lá. E Derek. Se havia pessoa que sabia aquilo por que ele estava a passar seria ele. Perdera a maior parte da sua família para o fogo. No entanto, ainda tinha Cora e, apesar de tudo, Peter.

Stiles não fizera muitas perguntas. Mas pelo que lhe disseram, Kate e Peter tinham aparecido na noite anterior, atacaram-nos depois de a Loba e Malia se terem ido embora. O seu pai pôs-se no meio da luta e acabou gravemente ferido. Tentara retirar algum conforto do facto do seu pai ter morrido a lutar e a defender aqueles que amava, mas era bastante difícil naquele momento.

Depois do funeral e de depositadas as flores na sepultura, as pessoas começaram a ir-se embora. Stiles aceitou as suas palavras de amizade e lamentação com um aceno de cabeça, tentando impedir as suas lágrimas de caírem.

Deixou Scott levá-lo para casa, agora vazia e silenciosa. Disse-lhe que não precisava de nada, só de dormir, e ele deixou-o para descansar. Mas dormir não era coisa que Stiles tivesse vontade de fazer. Sabia que se fechasse os olhos viria o tormento dos seus pesadelos. Entrou no quarto o pai para arrumar as suas coisas, mas só de olhar em sua volta sabia que não iria aguentar, não agora. Por enquanto, tinha de sair dali o mais rápido possível.

Stiles saiu de casa e percorreu o caminho de regresso ao cemitério a pé. Talvez lá encontrasse algum reconforto.

Sentou-se ao pé da sepultura do pai, e pareceu-lhe ficar ali horas a olhar para o vazio, mas por algum motivo já não se sentia tão só e perdido.

O seu telemóvel vibrou e vibrou, até que o desligou. Já era de noite quando sombras se pareceram mover na sua direção. Olhando com mais atenção, as sombras ganharam as formas de Scott e de Derek.

– Ei, amigo… — disse Scott como se tivesse a falar com um animal ferido. – Vamos para casa, está bem?

– Quero ficar aqui mais um bocado. Podem ir, não se preocupem comigo.

– Não podes ficar aqui sozinho durante toda a noite. – Disse Derek.

– Qual é a diferença? Tanto aqui como em casa estou sozinho… Ao menos aqui estou mais perto dele…

– Nós nunca te deixaríamos sozinho. – Insistiu Scott. – O Derek e eu estivemos a falar… Por uns tempos achamos que é melhor não ficares a viver sozinho, eu não tenho muito espaço na minha casa… por isso o Derek ofereceu-se para te deixar viver lá no apartamento.

Stiles desviou o olhar para Derek. Apesar de tudo pelo que passaram, o lobisomem parecia mesmo estar preocupado com ele.

– Está na hora de irmos. As tuas coisas já estão em minha casa. – Derek estendeu uma mão para o ajudar a levantar. Hesitantemente, Stiles aceitou-a e levantou-se, sem nunca desviar os seus olhos dos dele.

– Obrigado. – Disse Stiles.

– Não há problema, és como uma pena. – Respondeu Derek, mas ambos sabiam que não era por aquilo que Stiles agradecera.