O sol estava-se a pôr quando todos se encontraram. Scott, Kira, Liam, Lydia, Chris. Derek e Stiles juntaram-se a eles perto da cascata.

– Ela telefonou-te? — Perguntou Chris a Stiles.

– Sim... Ela disse para estarmos aqui quando a lua cheia nascesse.

– E depois? Eles vêm e matam-nos? — Perguntou Kira.

– Somos mais que eles... — Disse Scott. — Eles não podem vencer.

Stiles cruzou o olhar com ele. Mesmo sendo mais que eles, não poderiam ter a certeza de vencer sem sofrer perdas.

Passou uma hora até a lua aparecer cheia no céu estrelado. Tudo o que conseguiam ouvir era a água a cair no lago. Stiles, mesmo sem os sentidos apurados dos lobisomens, conseguia sentir no ar o receio e o nervosismo dos amigos.

– Onde é que eles estão? — Perguntou Derek. — Não aguento esta espera...

– E se formos dar uma volta, ver se os encontramos? — Sugeriu Scott.

– E se for isso que eles querem?

– No que quer que seja em que o Peter se transforma agora, tenho a certeza que é instável... — Disse Chris. — Pode ter acontecido alguma coisa.

– Então vamos... — Disse Scott. — Podemo-nos dividir. Eu vou com o Liam. Kira podes ir com o Derek.

– Eu fico aqui com a Lydia e o Stiles...

– Ficamos aqui parados, sem fazer nada, enquanto eles arriscam a vida? — Perguntou Stiles, incrédulo.

– Temos de ficar aqui caso a Kate apareça.

Stiles não gostava daquele plano, mas acabou por concordar. Peter andava à caça de sobrenaturais, e Lydia sendo uma banshee estava sem dúvida na sua lista, precisava de ser protegida, e Chris seria indispensável.

Os lobisomens e a raposa dispersaram então, deixando Stiles, Lydia e Chris sozinhos. Lydia sentou-se numa rocha perto do lago, a olhar para a água.

– Estás a olhar fixamente para mim, Stiles...

– O quê? Certo... Estava a pensar se...

– Não, fica descansado, ainda não senti nenhuma morte a aproximar-se.

– Certo...

Stiles foi-se sentar a seu lado.

– Então... Como estão as coisas com o Derek? — Perguntou Lydia olhando para ele.

– O quê? Estão bem... Ele tem sido...

– Vá lá, Stiles, eu sei que se passa alguma coisa entre vocês os dois...

– O quê?... Não... Porque é que dizes isso?

– Está tudo bem, Stiles, podes contar-me. Eu tenho olhos, sabes...

Stiles riu-se. Não queria mais esconder o que se passava entre ele e Derek, mas não achava aquela a altura indicada para falar sobre isso, não quando estava em risco de poder perder tudo.

– Talvez se passe alguma coisa... — Começou Stiles a dizer, até ouvir um restolhar de folhas atrás de si. — Ouviste aquilo?

– Sim... Também senti... Está mais alguém aqui... — Disse Lydia num murmúrio quase inaudível.

Stiles levantou-se. Lydia puxou pela manga da sua camisa e olhou para ele como dizendo “não vás”.

– Fiquem aqui. — Disse Chris, e desapareceu por entre as árvores, de arma na mão.

Stiles sentiu-se desassossegado. Kate não lhe dissera mais nada. Era provável que Peter a tivesse matado se tivesse descoberto o plano dela para os ajudar. E por pensar nela, o telemóvel de Stiles tocou.

– Kate, onde estás?

– Estou presa... estou presa... — Stiles nunca ouvira esse tipo de medo vindo da voz de Kate.

– O que aconteceu?

– Ele... Um monstro... Matá-los a todos. — E desligou.

Stiles tentou ligar a Scott e a Derek mas nenhum atendeu. Sentia uma ansiedade a crescer dentro de si. Olhou para Lydia e viu o seu ar consternado, queria poder reconfortá-la, mas não encontrou em si nenhuma forma de o fazer.

Sentiu qualquer coisa a mexer-se perto de si, e quando olhou com mais atenção, viu uma sombra tomar forma na luz do luar que atingia o solo. Quando olhou para cima, para a origem da sombra, conseguiu apenas vislumbrar um par de olhos rasgados, de um vermelho de sangue terrível. Não teve tempo para pensar, pegou na mão de Lydia e começou a correr.

Não tinha dúvidas de que a criatura os iria conseguir apanhar, por isso largou Lydia e parou, gritando-lhe para continuar.

– Não, Stiles...

– Tens de ir...

Stiles recomeçou a correr, na direção oposta da de Lydia, e a criatura foi atrás dele. Mas apenas por uns escassos segundos, até voltar a ouvir silêncio. Parou e olhou à sua volta.

– Humano... Insignificante humano... — Era a voz de Peter, mas não conseguiu ver de onde vinha. Era como se estivesse a toda a sua volta.

– Onde é que estás? Mostra-te... — Gritou-lhe Stiles.

– Como queiras...

Peter saiu de detrás de uma árvore. Vinha na sua forma humana.

– Não te deixes enganar... Esta é a minha forma fraca, mas ainda te posso matar com a mesma facilidade.

– Como fizeste ao meu pai?

– Bem... Esse foi um pequeno acidente... Eu até gostava do Sheriff, até ele se atrever a pôr-se no meu caminho. Como tu. Eu penso que tens sido um pequeno grande inconveniente para mim. Negaste a dentada, isso mostra fraqueza.

– Estás enganado. Apenas não quero nada que venha de ti...

– Ah... E se fosse do Derek? Seria diferente?

Stiles já tinha pensado sobre esse assunto. Ser lobisomem não era uma coisa que desejasse, mas não saberia o que dizer se Derek lhe fizesse essa oferta.

– Não, não seria... — Respondeu mesmo assim.

Peter riu-se sinistramente.

– Porque achas que vim atrás de ti? Eu sei... o que significas para ele. Sabes... vê-lo preocupar-se com os amigos mais do que com o tio, parte-me o coração...

– Se tivesses um...

– Eu estive lá nos momentos mais difíceis...

– Tu tornaste a vida de toda a gente mais difícil... Do Scott, da Lydia, até do Derek. Ele merece melhor do que tu.

– Oh, claro... Alguém como tu... — Peter aproximou-se de Stiles e agarrou-o pelo pescoço de encontro a uma árvore. Tentou escarpar-se do seu aperto, mas não conseguiu.

– Larga-me...

– Não... não... Vou ensinar ao meu querido sobrinho uma lição. Vou esmagar aquilo que lhe ele mais gosta neste mundo, e depois, enquanto ele chora sobre o teu corpo arrefecido, corto-lhe a garganta.

De repente, um raio de luar atingiu o rosto de Peter. Ele pareceu vacilar, e quando o seu aperto hesitou, Stiles baixou-se e saiu do seu alcance, indo embater no chão. De onde estava deitado no chão, conseguia ver Peter debater-se com ele próprio. Era óbvio que não tinha controlo total sobre a sua forma, viu-o arquear as costas e gritar de dor.

As suas orelhas cresceram, os seus dentes tornaram-se mais aguçados e os seus maxilares alongaram-se num focinho, os seus ombros alargaram-se e todo o seu corpo pareceu ficar mais alto. Viu a sua pele tornar-se couro, coberta de pelos, de cor castanha. Sobre duas patas, arqueado como se fosse um demónio, as unhas afiadas e compridas. Os olhos fendidos, vermelhos, não como os de Scott, mas sim frios e sem vida nem emoção. À sua frente apareceu o que poderia apenas descrever como sendo um monstro.