Depois da Ruína

8 Preciso Parar


Notas iniciais
Oi!! Como prometido, aos que se interessaram, vou disponibilizando os nomes dos atores que eu imagino fazendo cada personagem. Me facilitou muito a vida! Os personagens ficam mais reais e pois é eu só escolho gostosão mesmo Ivan - bob morley Gabriel - matthew fox (um pouco mais velho) Levi - dacre montgomery

— Vamos, me ajuda aqui! — Ivan pede, ofegante. Já está de pé.

Alex não hesita. De supetão, se põe de pé e ajuda o irmão a empurrar a pedra de volta para onde estava, tapando a saída do pequeno túnel. Ainda escutam o alarme, distante. Alex olha para cima. O bunker se estende infinitamente, como se tocasse o céu. Como sua casa por quase metade de sua vida pode ser uma farsa?

— Alex, precisamos ir! — O irmão grita, já se distanciando dela. — Ainda estão atrás de nós!

Sua ficha cai. Não é hora de tirar satisfações. Respira fundo, ainda se recuperando da claustrofóbica experiência minutos antes, e se põe a correr atrás do irmão. Ambos entram em um matagal extenso, um campo aberto. A vegetação roça na altura de suas coxas. A terra úmida sob seus pés os torna mais lentos do que gostariam. Os dedos dos pés de Alex estão congelando.

São mais ou menos cem metros até chegarem às árvores, onde estariam camuflados pelo escuro. Estão quase lá. Ivan diminui ligeiramente o passo para ficar atrás da irmã e lhe dar cobertura. Estão completamente expostos. “O pior pode acontecer a qualquer instante”, ele pensa.

E seus pensamentos tem uma força gutural. Mais de uma dezena de homens os encontram. Ambos olham para trás apenas por um segundo antes de manterem o foco e seguirem em frente. Conseguem ouvir os passos e ver parcialmente pequenos feixes de luz das lanternas que os homens carregam.

— Estão ali! — Um eco de gritos denuncia a mesma coisa: eles os encontraram.

— Não pare! Estamos quase lá! — Ivan grita para a irmã. Alex não pensa em desistir. Não sabe como suas pernas estão obedecendo seus comandos, tão agilmente.

E estavam realmente quase lá. Alex já sorria vitoriosa ao ver os troncos das árvores tão próximos. Vinte metros, ela calcula. Só mais vinte metros...

É incrível como tudo pode ir por água abaixo de um segundo para outro. Em um passo, Alex sorri ao olhar para as árvores. No outro, o barulho de uma rajada de tiros a faz levar as mãos na cabeça e olhar abruptamente para trás. No outro, Ivan está no chão.

X

Ivan cai sobre a terra bruscamente. Primeiro os joelhos e depois, o peito. Seus gritos de dor se misturam com o som das balas e a sirene. Ele abraça sua perna de modo que estanque o sangramento – coxa esquerda, logo acima do joelho. A bala saíra, e a dor se alastra de forma abismal, mesmo com a adrenalina dominando seu corpo.

Alex se ajoelha logo ao seu lado ao ver o irmão ferido. As folhas do matagal os cobrem por completo, mas os outros não demorariam muito a encontrá-los. Ela pensa rápido e tira seu agasalho. Por baixo, uma regata. Seu corpo não responderia ao frio agora. Amarra a blusa branca de modo a estancar o ferimento, e a vê logo se encharcar de sangue. O ferimento está pior do que pensava.

Mil soluções lhe vêm à cabeça, mas nenhuma ao seu alcance agora. Sua boca está entreaberta, como se procurasse palavras para dizer.

Ivan envolve o punho dela com suas mãos ensanguentadas. Tem sua atenção, e seus olhos carregam o que ela temia.

— Vá.

— Não!

— Vá, ou tudo isso terá sido em vão.

— Eu acabei de te ter de volta. — Sua voz quase não sai. — Eu não vou te deixar aqui!

Ele tenta se levantar, sem sucesso. Nunca sentira tamanha dor.

— Vá!

— Não!

Ela não é mais uma garotinha. Ele não precisa protege-la, de novo. Ela não vai deixá-lo e correr, de novo.

Seus olhos grandes e marejados passam todo o recado. Ela o abraça, e Ivan não insiste mais. Estão prontos para morrer juntos.

X

Braços fortes envolvem Alex e a puxam para longe de Ivan. Nunca se debatera tanto na vida, tentando se livrar das amarras, mas quem a segura é mais forte. Porém, a puxa para o lado contrário do bunker. A puxa na direção da floresta, da liberdade. Ela para por um segundo e analisa a situação. Não estão a levando de volta, estão a salvando.

A salva de tiros continua, mas, agora, vinda de sombras camufladas na floresta. Estão lhes dando cobertura. Duas das sombras encapuzadas tiram Ivan do chão. Ela não teme mais. O homem que a segura a coloca no chão e correm juntos com o mesmo destino. Ivan amparado logo atrás. Estão seguros.

X

Alex não enxerga mais que um palmo a sua frente. Apenas sente uma mão apertada puxá-la pelo punho, e sabe que alguém a segue logo atrás. Não estão mais correndo. Não depois de quase uma hora. Mas andam rápido. Não sabe onde está seu irmão nem para onde estão a levando, mas sente que ele está seguro.

A adrenalina em seu corpo abaixa. Ela volta a sentir tudo – os dedos dos pés insensíveis por baixo das meias geladas. Os braços e o peito congelando com o vento gélido que passeia pela mata espessa. Os tornozelos gritando pelas incontáveis vezes que caíra, tropeçando em raízes, galhos e pedras ao ser puxada por alguém cujo rosto nem conhece.

— Preciso parar. — Consegue murmurar e desacelera o passo. O que a puxa não para, e Alex tem certeza de ter o ouvido resmungar. — Por favor.

— Não podemos parar agora. — Ele diz, virando-se para ela. Contradizendo-se, ele para por um segundo, mas não a solta.

— Estamos correndo há horas, eu estou congelando...

Ela puxa seu punho de volta, soltando-se, e abraça o próprio corpo, tentando sem sucesso aquecer-se.

— Dê um minuto a garota, Levi. — Uma voz grossa murmura próximo a eles. — Não estão mais nos seguindo.

O cujo nome aparentemente é Levi solta uma risada abafada.

— Você que manda, tio.

Uma pequena fonte de luz se acende, suficientemente forte para que tenham visão um do outro. Levi tira a bandana da boca e o capuz da cabeça. Um homem bonito com cara de arrogante. Uma barba rala desenha seu rosto, que por sua vez também está pintado com uma tinta preta, assim como a de Ivan. O desenho é diferente — três faixas pretas cortam seu olho esquerdo. Os cabelos são louro-escuros, curtos nas laterais. Ele se senta em um tronco de árvore próximo e tira uma garrafa de água da mochila, dando um longo gole. Depois a atira para Alex, que por pouco não a pega.

Com um aceno de cabeça, agradece. Não fora com a cara dele.

O outro homem se aproxima dela, com a pequena lanterna nas mãos. Um homem mais velho, forte, com tatuagens fechando o braço esquerdo. Estão a mostra quando ele estende seu casaco para Alex. Rugas no rosto, o cabelo raspado crescendo em uma mistura de preto e branco. A mesma pintura no rosto.

Alex não queria aceitar a blusa, mas sabe que provavelmente terá uma pneumonia se não o fizer.

— Obrigada. — diz, pegando timidamente a blusa lhe oferecida. O calor do agasalho a abraça.

— Sou Gabriel. — Ele se apresenta.

— Alex. — diz, depois de um gole bem dado na água lhe oferecida.

— É, nós sabemos. — Diz o tal Levi, com um sorriso debochado no rosto.

A garota joga a garrafa de água de volta.

— Onde está Ivan?

— Provavelmente melhor que nós. — Responde Gabriel.

— Não graças a você. — Levi.

Gabriel o fuzila com os olhos. Ela lembra de ele ter sido chamado de “tio” pelo garoto, segundos atrás.

— A ideia foi nossa, a culpa não é dela.

Alex olha de um para outro, tentando desvendar a conversa.

— Posso culpar você então?

— Culpar pelo que, exatamente? — Sua voz já se eleva.

— Por quase nos matarmos por causa dela. Estávamos muito bem passando esses anos despercebidos e arriscamos nosso couro pra que?

— Por um bem maior, seu mimadinho de merda!

Levi se levanta. Não parece ofendido, apenas ri de escárnio.

— Duvido que ela vá nos ajudar.

— Não é você quem vai nos dizer.

— Eu estou bem aqui. — Ela corta a discussão de ambos. — Preciso entender o que está acontecendo.

Sua fala sai quase como uma súplica. Tem tanta informação para processar que sente que pode vomitar de nervoso a qualquer instante.

Os dois se entreolham e parecem concordar.

Gabriel leva uma das mãos a mochila e procura por algo.

— Espero que você valha o risco. — Ela se vira para olhar Levi, e no instante seguinte, sente uma picada no pescoço. Como se um inseto a mordesse.

Ela tenta levar uma das mãos ao local, mas não consegue. Seu corpo não responde.

Alex consegue olhar para Gabriel. Ele injeta uma seringa em seu pescoço, e não diz uma palavra.

Seu corpo apaga. A última coisa que se lembra é de ser amparada pelo loiro antipático antes de cair no chão.

Notas finais
Oi meu amores ♥ o que estão achando? leitorezinhos fantasmas, por favor se pronunciem! opinião é muito importante pra mim :)