Depois da Ruína - O Fim
11 Luzes Apagadas
Luzes Apagadas — Ilustração Alex
Rafael consegue escutar o próprio coração batendo tão forte em seu peito que parece querer fugir pela boca. Segue na frente, os passos rápidos e ligeiros seguidos por Diego. Os dois rumam até o fim daquele corredor escuro, cuja única luz amarelada vêm da janela de vidro de uma das portas.
Pé ante pé, se aproximam com destreza. Rafael arrisca-se a olhar no interior da janela da porta. Lá dentro, corredores brancos dispõe-se como um labirinto. Ele fecha os olhos para se lembrar da planta que se esforçou a memorizar.
Não vê ninguém.
— Tudo limpo.
Diego, girando o braço para ver os números mutilados em seu antebraço, digita o código da porta, os dez números aparentemente aleatórios. 1654181514.
Ela se destrava com um clique, o sinal na trava eletrônica mudando de vermelho para verde.
Ambos fazem uma careta com o barulho e prendem a respiração por dois segundos.
— Ainda tudo limpo. — Rafa diz, olhando para o interior dos corredores. — Decora essa porra de número. Não sei quanto tempo vamos ter. Eu te dou cobertura.
Diego concorda. Estuda a última sequência de dez números escrita em seu braço — 2152615121.
Ele passa os olhos rapidamente diversas vezes, contando com a memória fotográfica.
— Vamos nessa.
Rafael empurra a porta devagar, adentrando no ambiente branco e extremamente iluminado.
Péssima hora para vestir preto, pensa. Diego fecha a porta devagar atrás de si.
Torcem para os soldados estarem se concentrando do lado de fora, mordendo a isca do grupo A.
Antes de mergulharem no corredor, trocam um olhar significativo de determinação.
Chegou a hora.
A respiração praticamente presa e os passos inaudíveis como os de uma formiga, empunham as arma com os dentes cerrados, prontos para qualquer necessidade de usá-las. A sala de controles fica muito próxima, Diego se lembra, mas parece infinitamente distante enquanto beiram a parede do extenso corredor em que ela se encontra. Acelera o passo até encontrá-la. Uma porta de metal blindada, maior que as outras, mais bem protegida.
Diego não perde tempo. Digita os números que decorara — 2152615121. O inesperado acontece — os números apitam com a cor vermelha.
— Mas que merda?
— O que foi? — Rafael se aproxima, olhando ao redor.
— Não é esse o código.
Ele olha de novo para o número no antebraço. Digita o mesmo. 2152615121. Luz vermelha piscando.
Ele cerra os punhos, furioso, e o bate na parede. A porta não cederá a qualquer investida.
Rafael tira os olhos do corredor para observar Diego e a luta contra a trava da sala de controles quando, de canto de olho, se vê observado. Um homem calvo com uma xícara de café nas mãos olha para os dois, petrificado. Os olhos arregalados de espanto. Diego e Rafael o encaram por um segundo, sem saber o que fazer. O homem, que claramente rumava para aquela sala, deixa a xícara cair no chão. O barulho dos estilhaços ecoando por todo o corredor. Ele põe-se a correr de volta da sala que viera, mas Rafael é mais rápido. Com dois passos já o alcançou, puxando o homem de meia idade para baixo pela gola da camisa e o derrubando ao chão. Aponta a arma para seu peito.
— Uma palavra e eu estouro os sua cabeça.
Os olhos arregalados não conseguem reagir à figura encapuzada e com olhos pintados que ameaça acabar com a sua vida. Ele só leva as mãos ao lado da cabeça em sinal de redenção.
— Esperto. Levanta, anda!
O calvo se põe de pé em um salto, voltando para o corredor branco. O cano da arma em suas costas o guia diretamente para a sala de controles.
— Abre.
Diego apenas observa o corredor ao redor, prevenindo-se.
O calvo hesita, respirando fundo. A arma sai de suas costas e o cano gelado toca sua nuca. Ele treme.
— Abre a porra da porta. — Rafael sente a fúria em suas palavras.
O homem teme por sua vida. Decide obedecer, por fim, levando a mão à trava. Digita um código completamente diferente do que o que o braço de Diego indicara. Eles haviam mudado. A possibilidade havia passado pela cabeça de cada um na hora de formular o plano, mas ela destruiria suas esperanças.
A porta se destrava com um clique, os números apitando em verde. Ela se abre automaticamente, correndo para o lado. Assim que conseguem ver o interior da sala, duas figuras giram a cadeira para olhá-los. Rafael age rápido, antes que eles o façam. Empurra o homem calvo no chão no interior da sala e despeja dois tiros quase certeiros. Um instantaneamente morre com um tiro na cabeça, o outro desaba com um nas costas enquanto tentava fugir.
Diego e Rafael estão dentro. A porta se fecha atrás deles. Diego sabe que o som dos tiros os tira tempo essencial.
Observam a sala. Pequenos aparelhos televisivos estendem-se até o teto mostrando as câmeras de todos os corredores, inclusive dos setores.
— Consegue trancar a porta? — Pergunta, deixando a arma apontada para as costas do indivíduo no chão.
— Consigo, essa é a parte fácil.
Diego rapidamente se senta em uma das cadeiras anteriormente ocupada por um dos homens que Rafael se livrara.
O painel à sua frente é de fácil manuseio.
Rafael observa as câmeras. Os corredores começam a ficar movimentados. As pessoas correm de um lado para o outro. Soldados armados rumam em direção à eles.
— Rápido.
— Cala a boca.
Diego manuseia os botões do painel como se soubesse exatamente o que está fazendo. Rafael tem medo de perguntar se ele realmente sabe.
Dois cliques e escutam o som da trava atrás deles.
— Feito. Não vão entrar aqui com código nenhum.
— Se tiver outra sala de controle, conseguem entrar aqui?
— Vou bloquear qualquer conexão que venha daqui de dentro, só eu vou mexer nisso aqui. — Ele estala os dedos, ansioso.
— E agora? — Ele faz um sinal com a arma para que o homem no chão saia de seu caminho e vá para um canto. Não é desumano para matar alguém que acabara de ajudá-los. Mesmo assim, não baixa a guarda.
Diego mexe nos comandos como se jogasse um vídeo game. Olha para as telas antes de fazer seu primeiro movimento.
— Pronto?
— Manda ver.
Com apenas um clique, desliga toda a eletricidade do bunker, mantendo apenas a sala de controles na ativa. Ele vê a confusão dos soldados pelas câmeras. Tudo mergulha na escuridão. Eles sorriem para a mais bem vinda aliada. Deram início ao plano.
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Naomi, abaixada enquanto segura a tampa da escotilha, olha de Alex dentro do bunker para Lucas em pé atrás dela. Faz um sinal com a cabeça para o amigo, que concorda. Vira para trás, para a espessa floresta, e assovia com dois dedos na boca. Uma salva de urros de aprovação gradualmente arrepia cada um deles até a alma.
Como uma onda, o grupo C mergulha no interior do bunker, armados até os dentes com o que conseguiram retirar dos abrigos.
Naomi guia cada um deles com sangue nos olhos. A queda da energia mergulhara o bunker em escuro e caos. Luzes de emergência se acendem, fracas, quase inexistentes, saindo do rodateto dos corredores.
Ela se aproxima da primeira porta e digital o código cortado em seu braço. 6181545131.
A tranca se abre com um clique.
Alex, ao seu lado, empurra a porta até criar uma fresta. As duas se encaram por um demorado instante. Nenhuma palavra dita até então, mas sabem que irão se separar. Seus olhares passam o recado que querem.
Naomi empunha o rifle e escancara a porta com fúria. Ruma à direita do corredor, seguida de seu grupo. Alex, à esquerda, seguida por Nic. O resto dependerá deles.
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A porta destrava com o código riscado no braço de Maia.
Ela e Levi se encaram segurando a passagem pela qual os amigos passaram minutos atrás. Atrás deles, Gael segue com a arma em mãos, todo o grupo prostrado atrás dele, esperando a deixa.
Os três que lideram trocam um olhar significativo. Levi aperta a mão de Maia por um segundo. Os sons que sucedem a escuridão aproxima-se deles.
Maia aperta sua mão de volta. Com um chute, escancara a porta. É agora ou nunca.
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Alex é seguida por Nic e por mais ninguém. O som de tiros que começa a ser disparado pelos corredores à arrepia. É um empurrão para que corra mais rápido.
À fraca luz de emergência, Nic decifra apenas Alex à sua frente. Ele sabe exatamente que caminho seguir — decorara o trajeto quantas vezes necessário. Sabe que pode confiar em Alex quanto a isso, mas mesmo assim decide aproveitar das pernas esguias para ultrapassá-la e tomar a frente na direção.
Alex não discute. Por cada corredor paralelo que atravessam, sente o peito apertar de nervoso, esperando o pior. Não quer usar a arma tão cedo. Não sabem que estão indo naquela direção. Irão todos para cima dos grupos B e C, expostos, mas ela não baixa a guarda.
O fim daquele extenso corredor se aproxima.
Nicolas conta as portas de trás para frente. Ela faz o mesmo.
Primeira, segunda, terceira esquerda.
Estão prestes a virar a sala quando Nicolas freia bruscamente. Sua audição aguçada capta passos vindos da ala em que supostamente têm que entrar. Breca a passagem de Alex, que segura-se no braço do amigo para parar. De ré, escondem-se uma sala antes.
Um hall pequeno e vazio com alguns armários inutilizados.
Alex e Nic se encaram. Não sabem quanto tempo ficarão ali. Tudo depende de eles chegarem ao próximo corredor. Precisam de outro plano.
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