Depois da Morte - Edição Revisada
9 Madrugada
O vento da madrugada batia em meu rosto. Quatro da manhã. Eu estava na sacada do quarto, sentado em uma cadeira. Em uma de minhas mãos um pires com um pedaço do bolo de morango. A cada garfada eu fechava os olhos e tentava me situar no que estava acontecendo, esperando não acordar pensando que tudo fosse um sonho, e a cada vez que eu abria os olhos estava mais ciente de que tudo o que ocorrera aquela noite foi real.
Olhei para dentro do quarto escuro. Light dormia profundamente em uma das camas de casal. A outra cama estava arrumada, como se não tivesse sido usada, e não tinha mesmo.
Ao chão, as roupas furadas de Light, sobre a mesa suas roupas novas e o bolo de morango. Aquela noite tinha sido a melhor de toda a minha vida, e era difícil acreditar que ela havia ocorrido.
Eu olhei novamente para a cidade escura, iluminada apenas pelo luar. Alguns carros rompiam, de vez em quando, o silêncio da madrugada, a meu ver a mais bela madrugada de todas.
Peguei mais um pedaço de bolo e levei a boca, fechando, novamente, os olhos. Uma risada rompeu o silêncio.
–Parece que a noite foi boa...
–Onde você estava?- Sem mesmo abrir os olhos eu sabia de quem era aquela voz, Ryuk.
Abri os olhos, ele flutuava ao meu lado com uma maçã mordida nas mãos.
–Me escondendo... Você não deve saber, mas o cabelo de ovelha ainda tem um Death Note... Ele ainda pode me ver.
–Hum...
Near ainda tinha um Death Note. E se ele escrevesse nossos nomes novamente no caderno? Não, ele não faria isso, afinal, ele pensava que éramos impostores.
–Ryuk, como conseguiu esse Life Note?- Eu perguntei calmamente.
–Da mesma forma que consegui os Death Notes, enganando seu antigo dono. — Ele deu uma mordida na maçã.
–E quem era o antigo dono?
–Um Tenshi. Asley, eu acho que era nome dele.
–Hum, interessante.
Um Tenshi, Ryuk havia roubado o Life Note de um Tenshi. Isso poderia nos trazer problemas, ou melhor, poderia trazer problemas a ele, afinal, nós não tínhamos nada a ver com isso.
–Me deixe ir, parece que o Belo Adormecido acordou, e pelo que parece ele não gosta muito de mim. — Ryuk deu mais uma de suas risadas irritantes e desapareceu entrando na parede.
Fiquei com os olhos fechados, em silêncio por alguns segundos. O bolo de morangos quase terminado. Senti uma mão fria em meu rosto.
–Sem sono? — Assim que abri os olhos vi Light. Ele estava do meu lado. Havia colocado a calça, porém seu peito estava nu.
–É... Não está com frio? — Eu dizia enquanto espetava um morango com o garfo.
–Não, com você eu não sinto frio. — Ele se abaixou e mordeu o morango que eu estava prestes a colocar na boca.
–As vezes eu penso se o que estamos fazendo é certo... – Eu disse.
–Não precisa pensar se é certo ou errado, basta viver. — Ele me beijou a bochecha esquerda. E se ergueu novamente. — Vem, não gosto de dormir sozinho. — Então saiu na direção da cama.
Era impossível negar um pedido que ele me fizesse. Eu deixando o pires com o resto do bolo sobre a cadeira, e fui até a cama. Havia algo errado, eu nunca havia deixado de comer um pedaço de bolo... Mas eu estava feliz, muito feliz. Como eu queria que aquela noite não chegasse ao fim.
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