Depois da Morte

2 Vermelho acinzentado


Não consigo distinguir a força que precisei fazer para abrir os olhos e mantê-los abertos enquanto tentavam se acostumar com a claridade.

No início, tudo era apenas luz.

Uma claridade branca e incômoda, que parecia atravessar minhas pálpebras e alcançar diretamente o cérebro. Pisquei algumas vezes, tentando afastá-la, enquanto formas indistintas começavam, aos poucos, a tomar contorno diante de mim.

O teto.

Luzes fluorescentes.

Uma parede branca.

O cheiro característico de antisséptico.

Hospital.

A percepção veio de maneira lenta, quase amortecida. Como se minha mente estivesse alguns segundos atrás do meu corpo, tentando juntar as peças de alguma coisa que eu ainda não conseguia compreender.

Então veio a lembrança.

O disparo.

O impacto.

O chão.

E ela.

Meu corpo reagiu antes que eu pudesse pensar.

Tentei me levantar de uma vez.

Uma péssima ideia.

Uma dor dilacerante atravessou meu abdômen, arrancando de mim um gemido involuntário. Meu corpo despencou de volta contra o colchão, enquanto uma série de fios presos ao meu braço e ao meu peito se esticava junto com o movimento.

Alguns aparelhos quadrados e desajeitados estavam posicionados ao meu lado e atrás da cabeceira. Um deles começou a emitir um som insistente.

— Ei, ei, ei...

A voz conhecida veio acompanhada de passos apressados.

Lisbon.

Ela entrou na sala praticamente correndo e, ao me ver tentando transformar uma cama de hospital em uma maca improvisada, veio imediatamente em minha direção.

— Calma. Calma!

— Eu estou bem.

Minha tentativa de me convencer pareceu diverti-la por um segundo.

— Claro que está.

Ela segurou meu ombro e me ajudou a recostar contra os travesseiros.

— Você acabou de levar um tiro, Jane.

— Tecnicamente, fui eu quem levou.

Ela me lançou aquele olhar.

Aquele olhar de Lisbon que dizia que não estava com paciência para minhas observações.

Deixei a cabeça repousar novamente sobre o travesseiro e respirei fundo.

A dor continuava ali.

Profunda.

Pulsante.

Mas não era a dor que ocupava minha mente.

Era a lembrança.

Fechei os olhos por um instante.

E ela apareceu novamente.

O rosto.

Os olhos.

Aqueles olhos que haviam permanecido presos aos meus enquanto eu tentava me manter consciente.

As mãos dela sobre o meu ferimento.

A maneira como sua voz tremeu quando pediu que eu não fechasse os olhos.

E aquele instante...

Quando perguntei a mim mesmo, sem encontrar resposta, por que alguém que eu nunca havia visto antes parecia tão familiar.

Abri os olhos novamente.

Lisbon continuava ao meu lado, observando-me com uma expressão preocupada.

— O que foi?

Não respondi imediatamente.

Passei a língua pelos lábios ressecados.

— Lisbon...

— Hm?

Olhei para ela.

— Você viu a mulher?

Ela franziu a testa.

— Que mulher?

Minha respiração ficou presa por um instante.

A pergunta pareceu absurda até para mim.

Olhei para o teto.

Talvez fosse efeito da anestesia.

Talvez da perda de sangue.

Talvez meu cérebro estivesse simplesmente tentando preencher as lacunas do que havia acontecido.

Mas eu conseguia vê-la.

Com uma nitidez que não deveria existir em uma lembrança tão fragmentada.

— A mulher que estava comigo.

Lisbon permaneceu em silêncio por alguns segundos.

— Jane, você estava sozinho quando a equipe chegou até você.

Virei lentamente o rosto para ela.

— Não.

Minha voz saiu baixa.

— Não estava.

Ela me observou atentamente.

— Você foi encontrado ferido. Havia algumas pessoas no local, mas... há! Você deve estar falando da Sra. Gray.

Ela concluiu.

— Sra. Gray?

Meu peito apertou.

Olhei para minhas próprias mãos pensativo. Tudo parecia tão confuso naquele momento. Definitivamente Lisbon não estava falando da mesma pessoa que eu. Mas aquele pensamento também me atormentava. Como poderia ser ela?

Por um instante, quase pude sentir novamente o calor dos dedos dela envolvendo os meus.

O sorriso.

Aqueles olhos.

A voz.

Quem é você?

Fechei os olhos.

Como aquilo poderia ter parecido tão real?

Talvez tivesse sido um sonho.

Uma alucinação provocada pelo trauma.

Ou talvez...

Talvez eu finalmente tivesse enlouquecido.

Um pequeno sorriso involuntário surgiu no canto da minha boca.

Porque, se aquilo havia sido apenas uma invenção da minha mente...

era, sem dúvida, a mulher mais bonita que meu subconsciente já havia criado... a minha Angela.

Toc... toc...

O som de duas batidas suaves na porta me arrancou dos pensamentos.

— Pode entrar!

Lisbon foi mais rápida do que eu para raciocinar e responder ao pedido educado de quem quer que estivesse do outro lado.

A porta se abriu lentamente.

Meus olhos ainda estavam baixos quando, primeiro, enxerguei apenas a bainha de um vestido preto que se movia suavemente a cada passo. Meus olhos acompanharam o movimento quase sem que eu percebesse, subindo pelas pernas torneadas, levemente bronzeadas, até a cintura perfeitamente alinhada e contornada pelo tecido escuro.

Então subi mais.

E parei.

Meu coração simplesmente pareceu esquecer como bater.

Eu conhecia aquele rosto.

Conhecia aqueles olhos.

Aquela expressão delicada.

A maneira como ela parou diante da porta, como se não tivesse certeza se deveria entrar.

Era ela.

Minha Angela.

Por um instante, todo o resto desapareceu.

A dor no abdômen.

O quarto.

Lisbon.

Os aparelhos ao meu redor.

Até mesmo a lembrança do tiro.

Tudo ficou distante.

Porque ela estava ali.

Diante de mim.

Viva.

Inteira.

Linda.

Exatamente como eu me lembrava.

Como um anjo que havia atravessado o impossível apenas para voltar até mim.

Ela me encarou.

Havia preocupação em seus olhos, mas também aquela gentileza acolhedora que eu conhecia tão bem. A mesma que, durante anos, havia sido capaz de fazer qualquer lugar parecer menos hostil.

Então, lentamente, um sorriso tímido surgiu em seus lábios.

E meu peito apertou.

Meu coração voltou a bater — dessa vez forte demais.

Minha Angela havia voltado.

Ela estava ali.

Bem na minha frente.

Seus olhos se moveram de mim para Lisbon e depois retornaram para mim. Fez isso algumas vezes, discretamente, como quem tentava descobrir se havia interrompido alguma conversa ou se sua presença era inconveniente.

Eu conhecia aquele gesto.

Conhecia aquela insegurança.

Lisbon deve ter percebido, porque sorriu para ela.

A mulher pareceu relaxar um pouco.

— Oi... — disse, finalmente. — Espero não incomodar.

Eu apenas a encarei.

Não consegui responder.

Não consegui sequer pronunciar uma sílaba.

Havia tantas coisas que eu queria dizer que, pela primeira vez em muito tempo, minha mente parecia completamente vazia.

Queria perguntar onde ela estivera.

Queria perguntar por que havia demorado tanto.

Queria tocar seu rosto apenas para ter certeza de que ela era real.

Queria dizer que sentira sua falta todos os dias.

Mas nada saiu.

Lisbon olhou para mim e depois para ela.

— Não, Sra. Helena. Veio em boa hora. Jane acabou de acordar.

Helena.

O nome atingiu minha consciência como um ruído dissonante.

Helena?

Meu olhar se desviou imediatamente para Lisbon.

Ela parecia absolutamente natural.

Nenhuma hesitação.

Nenhum sinal de que tivesse cometido um engano.

Voltei os olhos para a mulher diante de mim.

Ela continuava me olhando.

E, de repente, alguma coisa dentro de mim começou a se desfazer.

Aquele rosto era o mesmo.

Aquele sorriso era o mesmo.

Aquela presença...

Meu Deus.

Era ela.

Então por que Lisbon a chamara de Helena?

Meu olhar voltou para Lisbon, procurando qualquer vestígio de brincadeira, confusão ou reconhecimento.

Nada.

Ela simplesmente parecia não perceber a tempestade que acabara de provocar dentro da minha cabeça.

Olhei novamente para a mulher.

Helena.

Lisbon deve ter percebido que havia alguma coisa muito errada comigo.

Eu continuava imóvel, encarando aquela mulher como se, se desviasse os olhos por um segundo, ela pudesse desaparecer.

Foi então que Lisbon pigarreou.

— Helena...

Ela se aproximou e a cumprimentou com um abraço.

Um abraço íntimo demais para duas pessoas que acabavam de se conhecer.

Aquilo me incomodou.

Não porque Lisbon costumasse ser reservada — embora fosse —, mas porque havia uma naturalidade naquele gesto que eu não conseguia compreender.

— Que bom que ele acordou — Helena disse.

Sua voz.

Meu Deus.

Era a mesma.

Ela se aproximou mais da cama e, quando passou por mim, uma corrente de ar atravessou o quarto.

O perfume chegou antes dela.

Fechei os olhos por um instante.

Era ela.

O mesmo perfume.

A mesma fragrância que eu conhecia tão bem. Aquele aroma que havia ficado impregnado em minhas roupas, em meus lençóis, na minha memória.

Não podia ser coincidência.

Não podia.

Então ela segurou minha mão.

Foi um toque simples.

Quase inocente.

Mas bastou.

A pele quente contra a minha foi a confirmação de que eu precisava.

Ela era real.

Eu não estava sonhando.

Sem pensar, puxei-a em minha direção.

Helena soltou um pequeno arquejo quando caiu contra meu peito, e meus braços a envolveram com força.

Muita força.

Eu sabia disso.

Mas não conseguia me importar.

Enterrei o rosto em seus cabelos.

Ela estava viva.

Minha Angela estava viva.

Depois de tantos anos acreditando que a havia perdido, depois de tantas noites imaginando como seria tê-la novamente em meus braços...

Ela estava ali.

Eu podia senti-la.

— Jane!

A voz de Lisbon me alcançou, alarmada.

— Vai machucar a Sra. Helena!

Afrouxei os braços imediatamente.

Mas não a soltei.

Levantei os olhos para o rosto dela.

— Helena?

A palavra saiu baixa.

Quase uma acusação.

Quase uma súplica.

Ela pareceu constrangida.

As bochechas ganharam um tom levemente avermelhado, exatamente como acontecia com Angela quando eu a elogiava em público ou a beijava sem me importar com quem estivesse olhando.

Meu coração apertou.

Era ela.

Tinha que ser.

— Sim...

Ela hesitou.

— Meu nome é Helena Gray.

Grey.

O sobrenome ficou suspenso entre nós.

— Eu vim agradecer pelo que o senhor fez.

Semicerrei os olhos.

Senhor?

Aquilo não fazia sentido.

— O quê?

Os olhos dela correram rapidamente até Lisbon, como se procurassem alguma explicação.

— Você não se lembra?

Ela falava com cautela agora.

— Nós nos conhecemos em frente à floricultura. Digo... foi tudo tão rápido. Eu estava distraída escolhendo algumas flores quando você apareceu, me abraçou e me protegeu do tiro.

As palavras dela abriram uma porta dentro da minha cabeça.

E, de repente, eu me lembrei.

Eu havia ido até aquela floricultura comprar flores para Angela.

Para minha Angela.

Mesmo morta.

Mesmo depois de tantos anos, eu ainda comprava flores para ela.

Talvez fosse uma maneira idiota de fingir que alguma parte dela continuava existindo.

E então eu a vi.

De costas.

Inclinada sobre um buquê, sorrindo enquanto sentia o perfume de suas flores preferidas.

Meu cérebro não registrou a diferença.

Não registrou o tempo.

Não registrou nada.

Apenas reconheceu aquele corpo.

Aquela silhueta.

Aquele perfume.

Angela.

Foi o que pensei.

E então vi o homem.

Ele surgiu ao lado dela, puxando uma arma da cintura.

O movimento foi preciso.

Profissional.

Ele apontou diretamente para ela.

E meu corpo simplesmente reagiu.

Aniquilei a distância entre nós em uma fração de segundo.

Envolvi-a com meu corpo.

E então veio o disparo.

Fechei os olhos por um instante.

Era isso que um marido fazia, não era?

Dava a própria vida pela mulher que amava.

Era isso que eu deveria ter feito naquela noite.

Quando Red John levou Angela de mim.

Talvez, se eu tivesse sido mais rápido...

Talvez, se eu tivesse me colocado entre eles...

Mas eu não havia conseguido.

Dessa vez, porém, eu não cometeria o mesmo erro.

Eu não perderia Angela duas vezes.

Abri os olhos.

Ela ainda estava diante de mim.

— Você...

Minha voz saiu baixa.

Mas fui interrompido.

— Hel, querida, precisamos ir.

A voz masculina veio da porta.

Levantei os olhos.

Um homem alto e elegantemente vestido entrou no quarto sem cerimônia.

Terno impecável.

Postura ereta.

Cabelo cuidadosamente penteado.

Aquele tipo de homem que nunca precisava levantar a voz para ser obedecido.

Observei-o por alguns segundos.

Havia alguma coisa nele.

Uma espécie de confiança silenciosa, quase arrogante.

Nobreza.

Ou dinheiro.

Provavelmente os dois.

Mas não foi isso que chamou minha atenção.

Foi a maneira como Lisbon mudou discretamente de postura ao vê-lo.

Interessante.

Ele entrou no quarto como se tivesse todo o direito de estar ali.

E talvez tivesse.

— Hel, querida.

Querida?

Semicerrei os olhos.

Ele caminhou até Angela e tocou seu ombro com uma familiaridade que me incomodou imediatamente.

Não era um toque casual.

Era possessivo.

Uma pequena demonstração silenciosa de que ela tinha dono.

E ela tinha.

Eu.

Ou pelo menos deveria ter.

Angela se afastou de mim.

Por instinto, segurei sua mão.

Ela parou.

Olhou para os nossos dedos entrelaçados.

Depois para mim.

Havia surpresa em seus olhos.

E um pouco de medo.

Levantei os olhos para o homem.

Ele me encarava agora.

Não gostei dele.

Definitivamente não gostei dele.

Mas, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Lisbon se colocou entre nós.

— Está tudo bem, Jane.

Seu tom era cuidadoso.

Cuidadoso demais.

— Este é o Sr. Gray.

Ela fez uma pausa.

— Ele é marido da Sra. Helena. Veio buscá-la.

A palavra atravessou minha cabeça.

Marido.

— Marido?

Minha voz saiu baixa.

Raivosa.

Lisbon me encarou imediatamente.

Eu conhecia aquele olhar.

Por favor, Jane. Não me meta em confusão.

Mas era tarde demais.

Meu corpo inteiro estava tenso.

Eu queria levantar.

Queria atravessar aquele quarto.

Queria apagar aquele sorriso pretensioso do rosto daquele homem.

Se fosse necessário, eu o faria com as próprias mãos.

— Está tudo bem, Sr. Jane.

A voz dela me interrompeu.

Olhei para ela.

— Ele é meu marido.

Foi como levar outro tiro.

Só que dessa vez não havia anestesia.

Nem cirurgia.

Nem possibilidade de retirar a bala.

Aquelas quatro palavras atingiram exatamente o lugar que ainda estava tentando cicatrizar.

— Não.

Minha resposta saiu antes que eu pudesse impedi-la.

Os olhos dela piscaram algumas vezes.

Ela realmente parecia confusa.

E, agora, havia medo.

— Sim — disse o homem.

Ele segurou Angela pela cintura e a puxou para mais perto de si.

Meu sangue ferveu.

Tentei me levantar.

A dor no abdômen explodiu, mas eu não me importei.

Lisbon colocou imediatamente a mão sobre meu peito, impedindo que eu avançasse.

— Jane!

— Solte-a.

O homem ergueu uma sobrancelha.

Angela ficou imóvel entre nós.

— Jane, chega.

— Ele não é marido dela.

Lisbon me encarou como se eu tivesse acabado de perder completamente o juízo.

— Ele está confuso — disse ela ao casal. — Devem ser os medicamentos.

— O quê?

Minha voz saiu quase em um rosnado.

Lisbon apertou o ombro do meu braço.

— Jane, por favor.

Então ela olhou para Helena.

— Sra. Gray, seria melhor que vocês saíssem agora e voltassem em outro momento.

Helena não se moveu imediatamente.

Seus olhos encontraram os meus.

E, por um segundo, vi algo naquela expressão.

Uma dúvida.

Uma pergunta que ela também não sabia formular.

Ela olhou para minha mão.

Depois para o meu rosto.

E finalmente para o homem ao seu lado.

Eu não sabia o que estava acontecendo.

Mas sabia de uma coisa.

Aquela mulher podia se chamar Helena Gray.

Podia ter outro sobrenome.

Podia ter outra vida.

Podia até ter outro marido.

Mas, quando olhei para aqueles olhos...

Eu via Angela. Minha angela.

Com olhos empáticos, carregados daquela sensibilidade que somente Angela tinha, Helena me olhou, insinuando a despedida que viria a seguir.

Sem dizer uma única palavra, ela suspirou profundamente, virou-se lentamente e caminhou em direção à porta, acompanhada pelo homem que dizia ser seu legítimo marido.

Mas, antes de desaparecer, ela me fitou uma última vez.

Seus olhos encontraram os meus.

E eu soube.

Soube o que ela pensava, assim como sempre fui capaz de ler minha esposa, a mulher da minha vida. Havia um peso naquele olhar. Uma tristeza insondável. Algo que não precisava ser dito, porque eu conhecia aquela mulher.

Ela poderia se chamar Helena.

Mas carregava a alma da minha Angela.

Meu corpo se pôs a segui-la instintivamente, mas foi impedido pela própria Lisbon, que segurou meu peito com certa força.

E então eu a vi desaparecer pelo corredor do hospital.

— Jane! O que foi isso?! O que você pensa que está fazendo?! A pobre mulher ficou constrangida!

— Ela não ficou constrangida. Ela estava triste, Lisbon. — Minha voz saiu baixa, quase sem força. — E aquela mulher é Angela. Minha falecida esposa.

Lisbon me encarou de boca aberta.

Eu podia imaginar perfeitamente o que se passava em sua mente. Provavelmente estava começando a acreditar que eu havia enlouquecido de vez.

— Você enlouqueceu de vez!

Eu estava atônito demais para me gabar ou ironizar aquela situação.

Tudo estava contra mim.

Meu corpo parecia se enrijecer aos poucos e, então, percebi o motivo.

A dor.

O anestésico provavelmente estava perdendo o efeito.

— Argh...

Arfei, tentando me levantar novamente.

Eu precisava alcançá-la.

Precisava ir atrás de Angela.

Precisava trazê-la de volta.

Mas a dor fez minhas pernas vacilarem. E, então, senti um líquido viscoso se espalhar sob o avental hospitalar, fazendo o tecido grudar em minha barriga.

Baixei os olhos.

Uma mancha avermelhada crescia rapidamente através do pano.

— Opa...

— Opa mesmo! Você arrebentou os pontos! Enfermeira!

Lisbon gritava, procurando desesperadamente por algum profissional.

A tontura começava a se tornar cada vez mais intensa. As vozes ao meu redor ficaram distantes, abafadas, como se eu estivesse afundando lentamente em algum lugar muito profundo.

Já não consegui distinguir quem havia chegado para me socorrer.

Homem.

Mulher.

Não importava.

Minha visão escureceu nas bordas.

A última coisa que consegui pensar foi nela.

Angela.

E, então...

Tudo ficou escuro.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.