Notas iniciais
A loja era ainda era a mesma, uma pequena casa espremida entre dois prédios no centro da cidade. Sobre a porta um pequeno toldo vermelho. Sobre a grande vitrine um letreiro com as palavras Chibi Shounen, loja de brinquedos.
Eu havia prometido a mim mesmo que não voltaria a comprar brinquedos quando fiz 21. Bem... Estava na hora de quebrar aquela promessa.
Paguei o taxista e desci.
Abri a porta, a qual ainda fazia o mesmo barulho com o sininho. Tudo estava igual. As prateleiras cheias de brinquedos, o balcão e a registradora. A única coisa que havia mudado era a quantidade de clientes que a freqüentavam. Quando eu era menor, aquele lugar sempre era cheio de crianças comprando brinquedos, mas agora, apenas um pai e seu filho conversavam com o velho dono da loja. Parece que as crianças deixaram de gostar dos brinquedos de verdade.
Eu me aproximei lentamente e fingi olhar algumas prateleiras enquanto o comprador não ia embora.
-Mas pai, eu quero um jogo que eu vi na Loja ali da frente, não esses brinquedos velhos.
O homem parecia estar decepcionado com o filho.
-Me desculpe senhor, fazê-lo perder seu tempo.- Ele disse, voltando-se ao velho.- Parece que as crianças hoje em dia não gostam mais de brinquedos.
-Não se incomode com isso, já estou acostumado.- O velho senhor de cabelos e bigode grisalhos respondeu. Era impossível não notar a decepção dele.
O homem saiu da loja, puxado pelo filho e eu continue olhando a prateleira, esperando que o velho viesse me atender.
-No que posso ajudar senhor?- O velho disse se aproximando.
-Talvez você tenha algo para... – Me virei para ele.- Um velho amigo.
Ele sorriu.
-Meu Deus, quanto tempo Near, mas o que o trás aqui em minha loja?
Eu me aproximei e apertei sua mão que estava estendida.
-Preciso que faça alguns brinquedos para mim.
-Pensei que nunca mais fosse ouvir isso novamente.- O velho disse animado, e correu para trás do balcão pegando uma folha de papel e um lápis para anotar o que eu precisava. – O que precisa?
-Lembra do meu ultimo pedido?- perguntei olhando alguns brinquedos nas estantes.
-Como poderia esquecer, você era o único que pedia brinquedos sob encomenda.
-Então senhor Mitsu, quero tudo igual, mas desta vez quero que acrescente um anjo na coleção.- Eu disse, lembrando do maldito Tenshi.
-É tão bom ter trabalho novamente.- O homem dizia enquanto anotava no caderninho.- Faz alguns anos que as vendas estão muito fracas. As crianças de hoje em dia só querem saber daqueles malditos jogos eletrônicos.
-Quando posso pegar minha encomenda?- Eu disse cortando o papo do senhor.
-Amanhã mesmo. Não tenho muitas...
-Então até mais.- Eu disse saindo da loja. Nunca fui muito bom com as pessoas que vivem ao meu redor, e, embora o senhor Mitsu fosse um velho conhecido, ele falava de mais sobre a vida dele, o que definitivamente não me interessava em nada.
Acenei para um taxi, que imediatamente parou em minha frente.
- Para o hotel Tengoku.- Eu iria esperar no meu quarto, afinal, tinha muitas outras coisas para fazer antes de iniciar minha vingança.
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