Depois da Morte
13 A Culpa
Notas iniciais
Espero que gostem deste capítulo.
Matsuda se aproximava, tínhamos que sair dali. Eu encostei os lábios no ouvido de Light e sussurrei:
-Light, temos que ir...
Ele apenas balançou a cabeça. Então eu peguei em sua mão e me dirigi para a saída dos fundos do cemitério, para não precisarmos passar por Matsuda. Light andava... ou melhor se arrastava atrás de mim, parecia estar péssimo.
Nós estávamos em frente ao portão do cemitério, eu não aguentei mais ficar calado.
-Algo errado Light?
-Sayu... -Ele ainda chorava.- Eu queria vê-la de perto, pelo menos mais uma vez.
-É muito perigoso!
Ele abaixou a cabeça olhando para o chão. Lágrimas escorriam por seu rosto e começavam a molhar sua camisa. Eu me aproximei mais dele e limpei uma das lágrimas.
-Se é tão importante para você... Mas eles não podem nos ver.
Light ergueu o olhar e me encarou, logo em seguida colocou os braços em torno de meu pescoço e sussurrou baixinho em meu ouvido.
-Eu te amo.
Eu lhe beijei a bochecha.
-Vamos.- Apontei por um caminho que passava por trás de vários árvores, a maioria pinos, onde poderíamos nos esconder e mesmo assim ver-los.
Fomos lentamente até o local onde eles estavam. Olhei rapidamente para me certificar, pois eles estavam muito calados. Vi Matsuda abaixado ao lado de Sayu, conversando com ela. Light estava ao meu lado, com os olhos vermelhos de tanto chorar. Eu podia imaginar o quanto ele queria sair do esconderijo e abraçar a irmã, mas ele não podia.
Olhei novamente, Matsuda, agora em pé, falava mais alto, alto o suficiente para escutarmos.
-Você quer ver o túmulo de Light?- Ele fez uma pausa, talvez esperando que a garota respondesse, então começou a empurra-la até um túmulo mais a frente. O túmulo de Light.
Light começou a acompanha-los por trás das árvores. Eu tentei impedi-lo, mas vendo que seria impossível, apenas o segui.
Matsuda ficou parado uns instantes com Sayu na frente de túmulo.
-Sayu, você não deve chorar por ele, ele não merece!- Matsuda disse.
Light não conseguiu segurar mais, começou a chorar novamente. Pareceu não suportar o sofrimento da irmã e caiu de joelhos, chorando, sobre algumas folhas secas.
-Quem está ai? -Matsuda pareceu ter ouvido o barulho que Light fez. Eu me abaixei rapidamente e tampei sua boca com uma de minhas mãos. Light parecia não ter forçar nem para me impedir, pois não se moveu um milímetro, apenas chorava.
-Vamos embora Sayu.- Então eles foram embora.
Assim que se afastaram eu retirei a mão da boa de Light, que estava desesperado. Eu peguei sua cabeça e aconchegue em meu ombro, tentando confortá-lo.
-O que eu fiz?- Light disse em meio ao choro.
-Não foi sua culpa...
-Foi sim! Minha e daquele maldito caderno!
Eu não tinha palavras, pois, embora visse Light se desabando em lágrimas, afirmando ser sua culpa tudo o que ocorreu a irmã, não sabia como confortá-lo, já quer por pior que fosse admitir isso, a culpa realmente tinha sido sua.
Eu me levantei e em seguida ajudai ele a levantar-se.
-Vamos Light, vamos embora.
Nós saímos do cemitério pelos fundos, então eu chamei um táxi. Light não estava bem para caminhar.
***
Dois dias se passaram desde o episódio do cemitério. Light não toca no assunto, eu também não quero o lembrar disso. Passamos estes dois dias na cobertura. Temos tudo o que precisamos ali, e quando nos falta algo, pedimos para alguém comprar. Decidimos que não precisaríamos mais sair daquele lugar.
Era umas onze horas e eu estava comento alguns biscoitos com uma enorme xícara de chá na cozinha. Pensava em tudo o que vivemos até agora, em tudo o que passamos, todos os momentos bons e ruins. Uma mão quente toca meu ombro.
-Por que você insiste em me deixar sozinho a noite para vir comer na cozinha?- Light estava enrolado em um edredom, seu olhar era meio, doce, quase angelical.
-Eu não consigo dormir, ou acostumado a ficar horas sem dormir.
-Então pelo menos podia ficar na cama comigo... — Ele disse, puxando um banco e sentando.
-Ficar deitado me trás lembranças desagradáveis.
-Que tipo de lembranças?
-Da Wammy's, antes de ir morar com Watari. Hey!- Light tinha pego minha xícara de chá.
-Por que você nunca fala sobre seu passado?
-Porque acho ele totalmente desemportante, agora me devolva meu chá!
Ele colocou a xícara sobre a bancada.
-Você já pensou em como seria se aquele caderno nunca tivesse existido?
-Já... E é bem provável que nós nunca tivéssemos nos conhecido.
-Pelo menos algo bom ele fez.
-Será mesmo? Não sei se alguém que não quer que eu saia mais da cama é algo bom.
-Seu bobo!- Ele disse empurrando meu peito.
-Brincadeira, é claro que isso é algo bom.- eu disse me aproximando dele.- afinal, sem ele eu nuca teria alguém... como você.
Eu o beijei. Um beijo demorado.
Light se levantou.
-Vem, vamos, a não ser que ache as rosquinhas mais interessantes do que eu.- E foi na direção do quarto esperando que eu o acompanhasse.
-Desculpem rosquinhas.- Eu me levantei e o segui. Era incrível como ele sempre conseguia o que queria. E era por isso que eu era apaixonado por ele.
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