Notas iniciais
Já faz um tempo que comecei a escrever esta one shot, mas só consegui finalizar agora. Bem, queria muito explorar os pensamentos/sentimentos do JC naquele momento em que o disfarce de Eva desmontou dentro do banheiro da Helena que estava do outro lado esperando ela sair mas quem saiu mesmo foi ele! Spoilers dos capítulos #25 e #26 na versão brasileira, POV JC. Recomendo lerem ao som do tema de JC&Helena, "Sólo Tú, Sólo Yo": https://www.youtube.com/watch?v=Y6tefOu1K3Y

Só você
Só eu
Não há ninguém mais
com quem eu queira estar


Você encheu o ar com seu amor
A dona do meu coração

~

Já passa da meia noite. Como no conto da Cinderela, a carruagem virou abóbora. No caso, a abóbora sou eu. De cara lavada, saio do banheiro ensaiando as palavras para dizer a Helena... que eu sou Eva. Que Eva sou eu. Que Eva e eu somos a mesma pessoa.

Não tenho mais escapatória, o disfarce se foi, as sobrancelhas esfacelaram, a peruca encharcou... tudo estragado. Não há maneira de eu sair daqui sem dizer toda a verdade.

Abrindo a porta com o que consigo reunir de coragem, ando pé ante pé e espio o lado de fora. Ela está deitada no sofá.

“Helena?”

Eu a chamo.

Ela não responde.

Saio do banheiro de vez e vou me aproximando do sofá. Espio para tentar ver o rosto dela.

“Helena?!” torno a chamar.

Eu dou mais alguns passos e me abaixo um pouco para vê-la melhor, aproximo a mão do rosto dela, mas Helena nem se mexe. Ela está dormindo profundamente.

Devo ter demorado tanto dentro do banheiro que a pobrezinha pegou no sono. Também, depois do dia exaustivo que ela teve hoje… felizmente conseguiu fechar o contrato com o Diego Fonticoda.

Ah, Deus! Deu tudo errado. Primeiro o disfarce, agora a minha chance de dizer a ela que estou vivo e que me disfarcei de Eva para me aproximar dela e ajudá-la. Mas, talvez seja melhor assim.

Com cuidado, retiro esses malditos saltos que são meu castigo agora e agacho bem ao lado do sofá onde o corpo lindo de Helena repousa. Com uma das minhas mãos toco delicadamente o cabelo dela enquanto olho para seu rosto adormecido.

Vê-la dormindo… assim, tão tranquila… tão doce… faz meu coração vibrar. O que não daria para poder dizer a ela que estou aqui, do seu lado, e o quanto a amo. Para poder abraçá-la, beijá-la… apenas tocá-la.

Poderia ter sido tudo tão diferente, se não fosse por mim mesmo. Por meu orgulho e meu machismo, por minha estupidez. Se eu tivesse sido sincero com Helena desde o começo… agora não me resta opção além de padecer nos saltos de Eva.

E a maior tortura desse disfarce é justamente ter que me conter noite e dia diante da mulher que eu amo. A primeira. A única. Helena.

“Helena… meu amor.” Sussurro, sentindo o coração quente, apertado, e as palavras que tenho presas aqui dentro acabam escapando. “Te amo com toda minha alma.”

Se ela soubesse… se ao menos soubesse! Não há ninguém mais com quem eu queira estar agora. Justo no dia do meu aniversário.

Seu rosto angelical, tão tranquilo, me transmite a paz e a coragem para me inclinar e tocar seus lábios com os meus. Um beijo suave.

Eu me permito demorar mais alguns segundos nesse contato tão vital pra mim.

Então me afasto, os dedos fazendo um novo carinho nos cachos perfumados. E eu a vejo sorrir no sono. Um sorriso lindo e puro.

Ela suspira e se mexe. Por um instante meu coração dispara pensando tê-la acordado, mas não. Ela se vira para o outro lado e continua a dormir.

Sinto alívio e frustração ao mesmo tempo. É melhor ir embora antes que me arrependa. Levanto e pego uma manta que está dobrada num canto do sofá. Cubro Helena com cuidado e desejo que ela tenha essa mesma paz do sono quando acordar.

Pego os saltos de Eva e, ainda a observar Helena dormir, dou alguns passos para trás. Hora de ir. De deixá-la… mas só por algumas horas. Estarei com ela de novo pela manhã. E durante todo o dia.

Entro novamente no banheiro para pegar a bolsa e a peruca. No caminho para a saída, observo por mais alguns breves segundos Helena dormir. Enquanto vou recuando para a porta, deixo um beijo no ar. Esse é um aniversário incomum pra mim, com certeza. Mas feliz por um único motivo: poder estar perto da Helena.

Armadilha ou não, castigo ou bendição, agora é Eva quem me permite estar perto da mulher que eu amo. Então, que seja assim por um pouco mais de tempo. Até que eu possa dizer a Helena toda a verdade. Que por ela, sou Eva.

~*~

Notas finais
Espero que tenham gostado. Um comentário deixará esta autora muito feliz. =)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!