Depois da Guerra
7 Igual, mas diferente
Notas iniciais
Na manhã seguinte, quando acordou, viu Tyrion dormindo numa das enormes poltronas que decoravam o quarto. Usava a mesma roupa do baile da noite anterior. Parecia estar cansado e mal se mexia, se não fosse pela respiração lenta, Sansa poderia dizer que estava morto. Sansa achava que nunca havia visto-o assim. Por onde andou Tyrion Lannister? Ela sabia que Tyrion tinha as suas rameiras em Porto Real, mas não acreditava que ele pudesse ter saído à procura delas em Winterfell. Decidiu que era melhor deixar o esposo dormir e foi trocar de roupa para andar por Winterfell.
Havia muito que fazer. Muitas visitas, muitas cartas a serem respondidas, muitas ordens a serem dadas. E apesar de ter chego há menos de dois dias Sansa sabia que não deveria dormir até tarde.
Foi até a banheira, lavou-se e se vestiu sem ajuda das aias. Deixou o cabelo solto com leves cachos balançando enquanto andava. Usava um vestido de lã azul escuro que apesar da simplicidade não desmerecia em nada sua beleza.
Tyrion ainda dormia quando ela terminou de se arrumar. Ficou observando-o por algum tempo até que achou melhor não acordá-lo e deixá-lo dormir mais um pouco. Mas antes de sair, Sansa cobriu-o com um dos cobertores que estavam em cima da cama.
A meio caminho das cozinhas encontrou com Arya, já arrumada para cumprir as tarefas do dia todo. E diferente do que Sansa estava acostumada a vê-la usar, Arya usava calças e carregava uma espada, apesar disso, continuava parecendo à Sansa a menina que sempre fora, com o rosto angelical e que odiava costurar.
- Sansa, já em pé? Não deveria tirar mais algumas horas de sono?
- Já dormi o suficiente. Parece que tenho muito que fazer por aqui e quero começar o quanto antes.
- Reunirei o Conselho o mais breve possível e mandarei avisá-la.
- Isso pode esperar um pouco mais enquanto eu e você faremos o desjejum como duas irmãs, apenas, certo?
Arya ria, assim como costumava fazer quando eram crianças. Era um som familiar de que Sansa sentiu muita falta, estar de volta e ainda mais, ter Arya ao seu lado era excepcionalmente reconfortante. Sabia que dali para frente, estariam juntas para o que der e viesse.
- É bom que tenha dito isso, o cheiro da torta de limão que vem da cozinha está me fazendo salivar.
Caminhando ao encontro da cozinha encontraram com Bran e Rickon conversando e rindo. Apesar de já terem feito o desjejum decidiram acompanhar as irmãs.
- Onde está o Jon? – Sansa havia visto o meio-irmão no baile na noite passada, mas pouco haviam conversado. Gostaria de esclarecer algumas coisas e ter a companhia do meio-irmão, que passaria o resto da vida da Muralha, pelo maior tempo possível.
- Jon está voltando para a Muralha. Partiu na primeira hora da manhã. Muitos castelos ainda estão sendo reconstruídos e ele acha melhor estar lá para manter tudo em ordem.
- Ah, é uma pena. Gostaria de ter conversado um pouco mais com Jon. Quem sabe eu consiga fazer uma vizinha a ele e conhecer a Muralha. – Sansa sempre ouvira histórias sobre os Irmãos Juramentados da Patrulha da Noite e da Muralha, mas nunca a havia visto e o único patrulheiro que conhecera fora o tio Benjen Stark, que morrera logo depois do combate na Muralha devido a uma enfermidade que o pegou quando se perdeu no Punho dos Primeiros Homens.
- Podemos arrumar tudo para que consiga viajar até a Muralha, Sansa. E consiga falar com Jon. Ele me disse que gostaria de conversar com você, mas o tempo está correndo rápido demais e ele teme que possa haver mais alguns selvagens para-lá-da-Muralha pensando em atacar novamente. Apesar de todos acharmos que não há mais risco. Os selvagens estão com número reduzido e... – Dizia Bran, quando foi interrompido por Rickon.
- Por favor, não vamos começar a falar dos selvagens por enquanto. Sansa vai acabar tem indigestão com toda essa conversa. – O irmão mais novo sorriu para Sansa, um sorriso verdadeiro, que ela sentira falta. — Não vamos falar mais disso, pelo menos, não agora.
Sansa estava um pouco sem reação, não esperava tanta amabilidade por parte do irmão mais novo. Para falar a verdade, ela pouco esperara de Rickon. Quando o deixou ele era apenas uma criança, que tinha medo das histórias da Velha Ama e adorava brincar nos jardins. Agora já era um homem quase formado, a barba começava a crescer no queixo e a voz tornava-se mais grossa a cada dia.
- Onde está seu marido, Sansa? – Apesar de Arya ter tentado fazer a pergunta como se fosse apenas mais uma casualidade, deu para perceber uma certa desconfiança na sua voz com relação a Tyrion. Não seria fácil fazer Arya aceitar o seu casamento com uma Lannister. Não seria fácil para ninguém ali se acostumar com ele, mas com ela era um pouco mais complicado. Não posso culpá-la por isso, tudo começou com os Lannisters. E agora ela tem um embaixo do próprio teto que ajudou a reconstruir.
- Tyrion não dormiu bem à noite, preferi deixá-lo descansando mais algumas horas. – Não era uma completa mentira, Sansa apenas não tinha certeza de que ele havia sequer dormido durante a noite. À resposta que Sansa deu Rickon apenas deu aceno breve com a cabeça como que pare reconfortar a irmão, Bran se sentou rígido na cadeira e Arya pareceu desconfiada.
O clima ali não era uma dos melhores. Era fácil perceber isso. Pelo modo como a cozinha havia ficado em silencia ou pelo como Arya tocava na torta de limão em seu prato. Eram vários os jeitos de perceber. Sansa já não mais queria comer, não sabia se devia dizer alguma coisa ou continuam como se nada tivesse acontecido. Mas, felizmente, não foi preciso que fizesse nada. Arya levantou-se da mesa e dirigiu-se especialmente para Sansa:
- Acho que acabamos por aqui. Se aprouver à Vossa Graça eu gostaria que reuníssemos o Conselho e começássemos a tratar de assuntos que realmente importam.
De onde toda aquela formalidade havia saído Sansa não tinha certeza. Nunca ouvira a irmã dizer nada do tipo. Nunca. E agora ela agia como se fosse apenas uma serva da Rainha e nada mais. Talvez eu devesse começar a agir como uma Rainha então.
- Quanto mais rápido fizermos isso melhor.
Arya fez uma reverência e saiu para reunir o Conselho. Bran e Rickon ficaram sem ação por um momento, como se tivessem em transe. Bran foi o primeiro a sair.
- Com licença, Vossa Graça. Vou ajudar Arya com os preparativos para a primeira reunião do Conselho. – Fez uma reverência e se foi, deixando-a ali com Rickon.
Sansa sentia-se estranha sendo tratada dessa forma. Entretanto sabia que era assim que rainhas e reis eram tratados. Ela nada poderia fazer.
- Vossa Graça, se me permite, gostaria que chamasse senhor Tyrion para fazer parte de reunião também.
- É claro. Irei chamá-lo.
Rickon levantou-se da cadeira e ajudou a Sansa a levantar-se da sua. Sansa sorriu para ele, e ele sorriu de volta um sorriso tímido e receoso, como se soubesse que não era assim que deveria agir ao lado da rainha. Rickon fez uma reverência e Sansa pôs-se a andar em direção ao quarto.
Era hora de serem apresentados formalmente e colocarem as mãos para trabalhar.
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