Depois da Aula
1 Capítulo 1 - Único
Notas iniciais
Mas professor... Eu não fiz nada, foi ele quem começou Choramingou George apontando para um outro garoto da turma..
Não importa quem começou, os dois terão detenção no fim da aula O professor reagiu indiferente à desculpa de George, irritado por terem interrompido a aula dele.
George passou o resto da aula quieto, justo no dia em que suas amigas faltaram, David, o garoto com quem mais tinha inimizade, sentou-se atrás dele. David ficou grande parte das aulas esbarrando propositalmente na cadeira de George, fazendo-o borrar e coisas do tipo, até que o menor se estressou, levantou-se e falou, em um tom alto demais, para David — Para de fazer isso, idiota! — David, com um sorriso malicioso no rosto, empurrou a cadeira de George mais um vez, quase derrubando o garoto e o professor veio falar com eles.
A hora do almoço chegou a ser deprimente, George enfrentou a longa fila completamente sozinho e o almoço foi uma das coisas que mais detestava, carne seca com abóbora. Não parou de pensar nem por um minuto que devia ter se segurado, sempre fora um garoto controlado, teria o salvado de uma hora de detenção. De frente com o inevitável, nada mais lhe restou além de voltar para a sala.
O professor já estava lá, David, porém, não. Armando, o professor de língua portuguesa, indicou uma das cadeiras na frente para que George se sentasse e este assim o fez, depois, o professor saiu da sala um tanto irritado e foi buscar David, quando voltou, fez ele se sentar ao lado do outro aluno.
Vocês devem me entregar uma lista enumerada contendo cem orações subordinadas Armando disse, sentou-se na cadeira do professor e começou a corrigir algumas provas.
Ambos meninos concordaram e começaram a realizar a tarefa. A princípio, parecia fácil, escreviam a uma velocidade um tanto considerável, mas, depois de um tempo, as ideias foram acabando e a velocidade diminuindo. George, em busca de ideias, olhos para o lado e notou que David estava copiando as suas frases, pensou em mudar de lugar, mas o professor reclamaria, também não tinha provas de que foi David quem copiou dele e não o contrário.
Ao término da hora da detenção, George havia escrito oitenta orações e, para sua total indignação, David havia feito noventa. O professor postergou o prazo da detenção até que eles terminassem a tarefa. David acabou primeiro, mas o professor o fez esperar George, ele olhou com um sorriso zombeiro para o menor, como quem diz que é mais esperto. Passou-se mais cinco minutos até George acabar de escrever suas orações.
Assim que foram liberados, George notou que o infortúnio não havia acabado, estava chovendo e ele não tinha trazido seu guarda-chuva, ele não queria se molhar, mas a ideia de ficar ainda mais tempo no colégio era, de longe, muito pior. Tirou seus óculos e os guardou na mochila para não perder no caminho e, sob a visão embaçada, caminhou até a portaria, onde se despediu do porteiro e saiu correndo, sua casa não era muito longe dali.
Já estava a dois minutos pelos tortuosos corredores a caminho de sua casa, não havia ninguém nas ruas, a chuva estava ficando cada vez mais forte, quando notou algo vindo em sua direção, mas sua visão já era bem ruim e estava ainda pior com a chuva para o atrapalhar. Ainda correndo, agora um pouco mais devagar, meteu sua mão dentro da mochila e tateou até encontrar seus óculos.
Colocou-os o mais rápido que conseguiu e olhou na direção de seu perseguidor e lá vinha ele, se aproximando cada vez mais. A boca de George se abriu em um grito abafado pela chuva, mas chegou a seu alvo — David, seu idiota, pare de me seguir! — David vinha correndo sem camisa e nem ao menos diminuiu sua velocidade quando gritou em resposta — Eu moro por aqui também, estupido!.
David já estava correndo ao lado de George quando o menor tropeçou e quase caiu, David o segurou pelo braço e o puxou para sí bem a tempo de algo acontecer. George notou que, apesar de molhado, o corpo do mais alto estava quente, empurrou o peitoral de David, tomando uma pequena distância, envergonhado de ter sido salvo pelo garoto que menos se dava bem.
Antes, porém, de realmente se afastarem, David segurou George pela gola da camisa e o empurrou até o muro mais próximo, onde prensou o menor contra o mesmo — Salvo você de cair de cara no chão e nem me agradece? Acho que tem alguma coisa errada aqui — David falou em um tom cômico, porém sério, depois colocou os braços aos lados de George, impedindo-o de fugir.
Não vou agradecer coisa nenhuma, a culpa é toda sua — Disparou George — Se não tivesse corrido atrás de mim, não, se não tivesse ficado de implicância durante a aula, nada disso teria acontecido — George tentou se soltar dos braços do garoto, mas não conseguiu, era mais fraco que ele, envergonhou-se e se odiou por isso.
George preparou-se para gritar por ajuda quando David aproximou seu rosto do dele e lhe roubou as palavras, para então sussurrar ao pé do ouvido do menor — Cadê o professor para te ajudar agora? — Ao dizer isso, George tremeu, parte por frio, parte por medo, então encarou o garoto moreno em sua frente, assustado e disse O que é que você quer?.
Sua resposta não veio em palavras, David voltou a pressionar o garoto que estava em seus braços, voltou a aproximar suas faces e forçou seus lábios nos do outro. George, assustado e envergonhado, entreabriu seus lábios, uma oportunidade que David não deixou passar, invadiu a boca do menor com sua língua e encontrou a do outro, começando uma dança cheia de desejo.
Os óculos do menor quase caíram de sua cara, David aproveitou da pausa para pegá-lo e guardar em sua mochila, Já George aproveitou a chance para recuperar o ar, respirando rápida e descompassadamente, seu coração aceleradíssimo, tudo o que pensava sobre o moreno lhe fugiu da cabeça, antes de formular qualquer pergunta, David voltou a beijá-lo.
Um estrondoso trovão caiu, assustando o menor que reprimiu um grito em um gemido abafado — Venha comigo — David disse, puxando o menor e, logo, ambos voltaram a correr um pouco mais e pararam a duas quadras de onde estavam. O moreno procurou em sua mochila por um instante e pegou suas chaves destrancando a porta e entrando em casa, George o seguiu.
A casa estava levemente escura — Não tem problema entrarmos assim? Estamos ensopados — Mas David apenas disse para que ele não se preocupasse, deixaram os tênis em frente a porta e entraram. Logo, David puxou George até seu quarto, pegou duas toalhas, jogou uma para o menor. George quase a deixou cair, pegou-a na ponta e secou o rosto e os cabelos, quando voltou a ver, David estava apenas de cueca, uma cueca boxer branca que estava praticamente transparente, George desviou o olhar envergonhadamente.
O que você está fazendo? Tire logo estas roupas molhadas, vai acabar ficando gripado — David falou por alto antes de voltar a se secar — Não estão tão molhadas assim — George disse, mas nem um segundo se passou e uma gota d'água caiu de sua bermuda, David o olhou completamente incrédulo — Pare de graça — E, dizendo isso, jogou sua toalha no chão, agarrou a beirada da blusa do menor e a puxou para cima junto com os braços dele e jogou a blusa no chão.
O garoto se abraçou, tampando o corpo, envergonhadamente, mas o moreno não se importou, agarrou a borda da bermuda de George, quando o garoto notou o que ele estava prestes a fazer, tentou segurar os braços dele, mas foi tarde demais, David escapuliu dos braços de George, puxando sua bermuda até seu pé e, se ele não os tivesse levantado para David tirar a roupa dali, teria sido derrubado no chão.
O maior se levantou com as toalhas em mãos e envolveu George em uma delas — Espere, vou pegar cuecas para a gente — Dizendo isso, David abriu uma das portas de um grande armário que revelou ter várias gavetas. Sem se importar com a presença do outro garoto, removeu sua cueca molhada e colocou outra extremamente igual à que ele tirou, porém seca e pegou dois pacotes de cuecas, ainda lacrados, e arremessou-os para George que apanhou um desengonçadamente e deixou o outro cair.
Não são do meu tamanho, então acho que alguma pode caber em você — George olhou as embalagens, deveriam ter sido presente, uma delas era do tamanho dele, desculpou-se mentalmente e abriu o pacote, pegando uma cueca preta. Envolveu-se mais na toalha, de modo a esconder suas partes intimas enquanto ele tirava a cueca molhada e trocava pela nova, depois estendeu sua toalha ao lado da de David, na janela.
David segurou o menino por baixo de seus braços e o jogou na cama, antes de também subir nela — Você poderia devolver meus óculos? — Mas o outro negou — Não, eles serão bem inconvenientes. Mas, logo depois, George tornou a pedir, o moreno não conseguiu resistir às expressões do menor e pegou os óculos na mochila, colocando-os suavemente no rosto do garoto.
Seus óculos ainda estavam meio embaçados, mas serviam aos seus propósitos, ele estava enxergando muito melhor agora, então, olhou de cima a baixo para o garoto que estava em pé levemente curvado para si ao seu lado, ele era levemente musculoso, diferente dele que era bem magro — Que foi? — David perguntou — Nada, é que eu nunca havia reparado em você dessa forma — Respondeu espontaneamente, envergonhando-se bastante depois.
David sorriu para ele e subiu novamente na cama, deitou-se em cima de George e voltou a beijá-lo. O menor colocou ambas as mãos nas costas do outro e o arranhou levemente enquanto David tinha um braço como apoio na cama e usava o outro para acariciar o corpo do garoto embaixo de si. Então, desceu seu rosto para o pescoço do menor e sugou a região, arrancando um gemido do garoto.
George pegou no braço de David que estava apoiado na cama, desequilibrando-o e usou o momento para girar, trocando suas posições. Agora ele estava por cima, mais livre para seus movimentos, levou os lábios até a orelha do maior e mordiscou sua extremidade, David, para conter um gemido, apertou a bunda de George. O garoto que estava por cima voltou a beijar os lábios de David, que aproveitou a oportunidade e trocou de lugar, voltando a sua posição inicial sem interromper o beijo.
David intensificou o beijo, exploravam a boca um do outro, então separou os lábios dos do menor, mas não parou de beijá-lo, beijou seu queixo, seu pescoço, seu peito, onde ele parou por uns instantes para mordiscá-los, arrancando um gemido do loiro e continuou descendo até chegar bem próximo a virilha do garoto, quando sentiu a mão dele em sua nunca se enroscando em seus cabelos, puxando-os levemente. Olhou um nos olhos do outro, iniciando um dialogo mudo.
George jogou a cabeça para cima, quebrando o contato vidual, mas David entendeu o sinal, deu um último beijo na região e tornou a subir, puxou o queixo do garoto, reconectando seus olhos, George estava completamente envergonhado, mas David tomou seus lábios e recomeçou a beijá-lo árdua e voluptuosamente.
De repente, ambos os garotos ouviram a porta abrir e fechar em um rangido que mais parecia um lamento — David, por que o corredor esta tão molhado? — Um garoto falou batendo na porta do quarto. O garoto instantes depois, só dando tempo dos garotos puxarem o lençol até a altura de suas barrigas — Daqui a pouco eu seco, Fred — David o olhou despreocupadamente.
Ah! Não se preocupe, eu seco. E quem é esse? — O garoto apontou para George — Verdade, esqueci as apresentações, Fred, este é George, da minha turma e George, este é meu irmão Fred, ele estuda no mesmo colégio que a gente, só que é duas sérias a cima — David explicou e ambos os garotos trocaram um aceno — Então esse é o tão famoso George... — Fred estava dizendo, mas David o cortou — Fred! — Gritou.
O irmão mais velho sorriu brincalhão, era bem parecido com David, porém mais baixo, e saiu do quarto — Não vou atrapalhar vocês. Já almoçaram? — Os garotos negaram. O mais velho disse que faria o almoço e que os chamaria quando estivesse pronto, após dizer isso, fechou a porta. Não precisa se preocupar com ele — David disse, puxando George para mais perto do seu peito e ligou a televisão em um filme qualquer.
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