Depois Do Eu Te Amo
1 Capítulo Único - Depois Do Eu Te Amo
Notas iniciais
Depois do eu te amo
Molly Hooper pensava todos os dias na confissão que Sherlock Holmes exigira dela sem motivos, assim como tudo que ele pedia. Lembrava-se do tom de desespero no início, uma relutância ao dizer as três palavras que fizeram seu bobo coração acelerar, a voz contendo certo nível de sinceridade que ele um dia demonstrou. Não importava agora se tal sinceridade fosse falsa, as lagrimas em seus olhos não a deixavam dizer o contrário. Molly queria acreditar, precisava acreditar que Sherlock tivesse um motivo, e talvez assim ela se acalmasse.
Teria duas opções a encarar: Que Sherlock estava debochando de seus sentimentos ou ele realmente dissera a verdade. Ficou tentada a ligar em seguida, e todas as vezes em que discava o número tão conhecimento ela desistia, sabendo dos riscos, e Molly não queria ter aquela decepção. Não causada por ele. Ela não aguentaria, seria demais até mesmo para alguém tão desapegado.
Em todo caso, os dias passaram e continuava executando suas funções, analisando corpos a fim de encontrar rastros para dar alguma resposta. Passava mais tempo com os mortos do que com os vivos, trancada no necrotério evitando qualquer tipo de contato que não fosse o profissional. Contudo, ela sabia que aquele momento chegaria. Era tarde — avançada hora em que encerraria seu turno. O único som era o de metal ao empurrar a gaveta para dentro, guardando o corpo para preservação, e ela soube que não estava sozinha como estava começando a se acostumar. Havia um perfume se misturando ao seu, uma presença que mexia com cada fibra do seu corpo.
— Não achei que estaria aqui em uma noite de sábado. — Sherlock iniciou, parado a porta, esperando um gesto para se aproximar. A expressão de Molly era insegura, a respiração alterada pelo simples fato de vê-lo.
— Se achou isso, por que veio até aqui? — Ela o respondeu, tentando se manter firme e orgulhosa enquanto ele caminhava para ela.
— Para confirmar o quanto conheço você.
— Conhece? — Ela riu nervosa, cruzando os braços. Uma forma de criar alguma barreira invisível, uma forma de enganar os sentimentos e não os deixar transbordar.
— Sim. — Faltava pouco para Sherlock estar perto, mas parou. Molly estava desmoronando na sua frente e não era o tipo de imagem que esperava ver. Ela era como um sol, brilhante e quente, mas agora faltava-lhe aquele toque suave. E soube que Eurus tinha razão ao afirmar que a ferira. Que ferira ambos.
— Que bom para você. Se não se importa, eu já estava indo para casa.
— Na verdade, Molly, eu me importo. — Sherlock jogou as palavras em um fôlego, ele ainda não sabia como lidar com aquelas emoções. — Eu sei que o que te pedi foi irracional e sem contexto, mas...
— Não faça isso. Por favor, não faça isso. — Ela pediu magoada, desta vez às lagrimas já escapavam livres. Não havia por que sentir vergonha, afinal já havia se declarado a ele. — Fiz o que pediu, agora me deixe em paz.
— Eu não estava debochando de você, nunca faria isso. Eu só... Eu... — John tinha razão ao afirmar que ele não conseguiria explicar, e talvez não precisasse. — Você sempre esteve aqui, Molly, sempre apoiou minhas ações mesmo não sabendo o que realmente acontecia. Você confiou em mim, e eu confiei em você. Ouvi-la dizer que me ama me salvou. Literalmente.
— Isso é vergonhoso até para você. — Ela limpou as lágrimas, irritada. — Eu não poderia salvá-lo de nada, Sherlock, porque você nunca deixou. Você se isola, faz coisas sem sentido, entende qualquer um muito mais do que a si próprio, mas eu posso ver você. Você veio até aqui para se desculpar. E está tudo bem. De verdade
— Não está! — Ele gritou, aqueles sentimentos corroendo seus pensamentos e ações racionais. Valia a pena se entregar a eles pelo menos uma vez? — Eu não estou! Tem alguma coisa estranha acontecendo comigo e eu não sei o que é.
— Não posso ajudar você porque somente você pode resolver. Isso é pessoal, Sherlock, e eu não gosto de como está ignorando o fato de que talvez você seja um pouco humano. As pessoas são complicadas, mas os próprios sentimentos são mais difíceis. — Molly pegou a bolsa, disposta a ir embora. — Desculpe, mas não posso ficar aqui.
— Preciso de você. — Sherlock se surpreendeu ao dizer, com sinceridade, aquelas palavras. — Molly, por favor, eu preciso de você.
— Por quê? — Ela indagou com tristeza. Sabendo a resposta que receberia.
— Porque é verdade, Molly. É verdade. Tudo o que eu disse é verdade.
— Por favor, já disse para não fazer isso. — Molly fez menção em se afastar, mas Sherlock foi mais rápido e a manteve ali. As mãos dele estavam frias e havia um certo desastre em sua respiração. — Não faça isso... Não diga mentiras, já não aguento mais esse tipo de coisa.
— Sabe que não minto. Omito, sim, mas mentir não. Diga-me, Molly, alguma fez eu já menti para você?
— Quer que eu conte?
— Nenhuma! — Ele ameaçou o escárnio dela. — Você sempre soube de tudo, todo detalhe, me conhece de verdade. — Ele a puxou com delicadeza, e ela veio aos poucos. — Diga-me, Molly, eu já menti para você?
— Não... Nenhuma vez, mas isso não faz as coisas melhores, Sherlock. Eu preciso saber se tudo isso que está sentindo não foi efeito do que passou, do que me obrigou a dizer.
— Acha que se fosse assim, eu estaria aqui tentando fazê-la entender como me sinto? Nem ao menos me daria esse trabalho se fosse diferente. — Ele segurou o rosto dela com as mãos, abaixando-se a altura dela. A respiração dela agitava seus cabelos. — Eu te amo, Molly.
— Sherlock, eu... — Ela se engasgou com o choro que subia por sua garganta. Pela primeira vez ela não percebeu um tom de deboche ou indiferença, era a pura verdade. A verdade que ela vinha acreditando depois do eu te amo que dissera a ele. Havia necessidade de retribuir tais palavras quando estava explícito no seu rosto a reciprocidade? — Eu também te amo.
As palavras foram abatidas pelos lábios de Sherlock nos seus, e Molly sentiu o coração se agitar ainda mais. Sherlock Holmes era um enigma, contudo um que ela tinha total certeza de saber decifrar.
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