Depois Daquele Dia

4 A sinfonia gélida dos seres ignorados.


Notas iniciais
Segundo capítulo do dia. Bom proveito.

Nico

Não conseguia parar de pensar nela em nenhum segundo sequer. Aquilo estava me consumindo.

Minha vida não estava nenhum um pouco fácil. Com casamento de minha irmã se aproximando, minha mãe ficava cada vez mais nervosa e meu pai me ignorava mais e mais.

Não que antes fosse diferente, só estava mais... Incômodo.

Decidi ir vê-la. Por que não? Eu queria isso e precisava sair daquela casa pelo menos por um tempo.

- Nico? O que é que você está fazendo aqui? — Thalia perguntou quando abriu a porta de seu apartamento.

- Oi pra você também Thalia. Tudo bem? Porque eu estou ótimo, obrigada por perguntar. — sorri debochado.

- Oi. O que é que você está fazendo aqui? — insistiu.

- É que por mais que eu tentasse te tirar da minha cabeça, sua imagem sempre voltava. E não te ver já estava me me enlouquecendo.

- Nossa. — ela deu um de seus sorrisos maravilhosos.

- Vim também pra te chamar pra sair.

- Entre. Espere um pouco para eu trocar de roupa rapidinho, já volto. — ela disse logo correndo em meio à um corredor.

Thalia não demorou muito para sair do quarto e me impressionei em como ela conseguiu ficar mais bonita de um jeito tão simples.

Ela estalava os dedos defronte aos meus olhos quando saí de meu transe.

Thalia me seguiu até meu carro, e a levei para o lugar mais bonito que consegui pensar. Não mais que ela mesma.

- É o lugar mais bonito para se tirar fotos nessa época.

- É maravilhoso. — ela respondeu.

Começou a deslizar vagarosamente pelo gelo liso, e sorrir quando viu que era possível patinar ali. Ela se perdeu no que fazia com os olhos fechados, como se nada mais existisse.

Thalia nem ao menos percebeu que tirava fotos do lugar, e não percebi que tirava mais fotos dela do que de qualquer outra coisa.

Em certo momento, involuntariamente parei para observá-la em seus movimentos suaves, uma dança com o frio em harmonia com o gelo. Algo maravilhosamente belo.

Sorri bobamente para o nada, só de pensar que ela estava ali comigo, e por vontade própria.

Naquelas semanas as coisas se complicaram. A única coisa que ainda me prendia na casa dos Di' Ângelo era a pequena Hazel, que não merecia enfrentar sozinha a ignorância de Hades e Perséfone.

Os finais de semana em que eu passava os dias inteiros em casa, eram todos dentro de meu quarto, porque a minha presença do lado de fora tornaria a convivência dos membros da casa mais insuportável do que de costume.

Meu alívio vinha na segunda pela manhã, já que a primeira metade do meu dia era preenchida pela faculdade e a outra pelo trabalho como fotógrafo e jornalista. Não via a hora de me formar e ter dinheiro suficiente para mudar de casa.

Nunca usaria o dinheiro de meu pai. Se o fizesse, o resto de minha vida seria resumido em ouvir o quanto 'ele já me ajudou nessa vida de vadiagem que eu levo' e 'o quanto eu sou ingrato'. Não me submeteria a isso.

Percebendo que estava estragando o momento com a raiva e a repulsa que crescia dentro de mim, tentei desviar meus pensamentos voltando a observar Thalia.

Quando olhei ela estava chorando muito, mesmo que ainda estivesse de olhos fechados e patinando no gelo.

- Thalia? — me aproximei — O que foi?

- Ela se foi, Nico. E ele se foi por causa dela. — ela disse e apesar de eu não saber de quem ela falava, a compreendi de certo modo.

- Shiu... — eu falei e a abracei — Vou fazer você ficar bem, não se preocupe.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.