Depois Daquele Adeus ...
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Apenas três caps
Aquele adeus estava lhe corroendo por dentro, havia ultrapassado seu coração e o atingido terrivelmente na alma !
“Saiba que eu quis muito ficar ...”
Há alguns dias, ele vinha a observando.
Ela não parecia bem e ele estava muito preocupado, mas cada vez que tentava lhe falar, ela se esquivava, saia pela tangente e o deixava falando sozinho.
Naquela mesma noite, ele tentou, mas não teve êxito.
“Te amo desde sempre ...”
Estirado no sofá de sua casa, ele se pôs a tentar entender a atitude dela.
Seu medo de que ela o abandonasse se tornou real e ele teve um choque.
Se ela o amava tanto, por que tinha agido daquela maneira ?
Entendia que ela precisava de um tempo, que aquele trabalho estava a destruindo aos poucos, que ela passara por momentos terrivelmente angustiantes. Mas por que, abandoná — lo ?
Como ela mesmo havia lhe escrito, a vida com ele tinha sido ótima. E era fato ! Tinha sido mesmo.
Ele era um homem de poucas palavras, mas ela o entendia perfeitamente.
Apenas o fato de estarem juntos, fazerem coisas juntos, já bastava. Mesmo que o silêncio preenchesse o maior espaço de seus encontros.
Quando ele a encarava e seus olhos procuravam os dele, era como se suas mentes entrassem em sintonia, como se seus corações estivessem em um mesmo sorriso. Pois era isso, seu coração sempre sorria quando ela estava por perto.
Chegaram até mesmo a planejar um casamento discreto, nada muito pomposo, apenas regularizar a união, tê – la como esposa, acertar as aparas e viverem suas vidas.
Sara gostava de fazê -lo dormir em seus braços, frequentemente.
Ela acariciava seus cabelos, beijava inúmeras vezes o topo de sua cabeça e confessava baixinho que o amava.
Ele se acalmava se ajeitando em seu colo, enquanto sentia seu perfume fazer uma dança deliciosa em sua mente.
A cada dia, eles se viam com mais frequência, em uma necessidade de companhia que gritava pelos cantos daquele apartamento.
Hank ficava enlouquecido quando a via. Era impressionante.
Ele adorava observar seu cão interagir com ela que, costumava conversar com ele como se fosse um garoto. Ela o amava demais.
Mesmo que estivesse nervosa, ou então impaciente, ela nunca deixava de sorrir para ele, que vivia a seus pés.
Grissom olhou aquela massa caramelo, firme, enrolada no tapete, lhe fazendo companhia e sentiu vontade de ir atrás dela.
Mas não faria isso, não era exatamente o que ela queria e ele precisava lhe dar um tempo, só queria que ela fosse feliz.
….......
Ele estava saindo do banho quando ouviu seu telefone tocar, com calma se enrolou na toalha e pegou o aparelho jogado em cima da cama sem nem ao menos se preocupar em olhar no visor.
_Gris ?
_Sara ?
Ele engoliu em seco e quis acreditar que ela estava à sua porta, dizendo que precisava entrar e havia esquecido a chave !
Houve um silêncio dolorido, e cada um pensou que a ligação pudesse ter caído, longos segundos se passaram até que ela conseguiu destravar.
_Eu … queria saber como você está ?
_Bem …
Novamente o silêncio, ela tomou fôlego e desabafou.
_Me perdoa, Gris … eu não podia mais … saiba que … foi uma decisão muito difícil.
“Você me abandonou, nem ao menos uma despedida , nem ao menos … o alento de um abraço !”
_Tudo bem. Você apenas fez o que era preciso !
_Você … está bem ? Está zangado comigo ? — Ele parecia medir as palavras, ela sentiu como se ele estivesse sufocado em uma pequena caixa, prestes a gritar por socorro. Sim ! Ele estava bastante magoado !
“Triste, vazio e sentindo a sua falta !”
_Não ! Estou tentando levar as coisas … vou me acostumar. Onde você está ?
Uma semana havia se passado, sem ao menos um simples telefonema que o fizesse tirar um pouco aquela angústia, aquele sentimento de impotência de não ter conseguido segurá – la junto a ele. Fracassado, este era o termo real.
_Em São Francisco … na casa de minha mãe !
Mãe ? Aquela informação lhe pegou de surpresa.
_E como ela está ?
_Bastante frágil … na verdade …. ela está se esforçando para retomar sua vida, acredito que tenha vindo em boa hora.
_Entendo.
Sua voz parecia bastante triste e ela sentiu um aperto em seu coração, tinha que lhe dizer alguma coisa que o fizesse entender.
_Tenho pensado demais em nós … sinto a sua falta …
Com os olhos trêmulos, ele viu através do espelho sua expressão mudar, a visão ficar turva e sua voz falhar. Sua garganta secou e ele apertou o aparelho como se buscasse ar, como se precisasse lhe socar o peito para fazer seu coração voltar a bater.
_Sara, por favor … ! - “Não me torture desse jeito, se não for para estar aqui …”
Desta vez, ela não conseguiu segurar o choro e ele ouviu, fazendo um esforço quase sobre-humano para não sucumbir à fraqueza. Ele ouviu um gemido triste que atravessou sua mente entorpecida.
_Desculpe, Gris … eu não queria que fosse assim, eu juro.
Naquele instante era como se ele pudesse encontrar uma breve resposta para uma pergunta inquietante que não se cansava de bater à porta de sua existência.
_Por favor, não chore … eu sei que preciso entender, eu sei o quanto estava difícil para você. Eu devia ter insistido para que tirasse uma licença, até que se sentisse forte o bastante para enfrentar o laboratório, ter ficado mais ao seu lado … ter lido nas entrelinhas …
_Não … meu amor …. claro que não, mais cedo ou mais tarde isso … seria inevitável. Meus fantasmas, Gris …. eles me acompanhavam dia após dia.
_Como tem lutado contra eles ?
_Estou tentando retomar as coisas, tentando varrer a minha alma, e procurando ganhar forças. Isso não podia incluir você, acabaria te destruindo … e ... eu te amo, Grissom, tanto que só o que me conforta são as lembranças de nossos momentos.
Desta vez ele se abandonou às lágrimas, mas em silêncio, ela não podia saber, não podia se mostrar tão quebrado. Ela não queria isso, ia se sentir ainda mais culpada !
_Gris ?
Ele apertou os lábios, num esforça para se conter.
_Hum … estou aqui !
_Você não está bem, não é ?
_Tem sido muito difícil, não posso negar, mas sei que algumas coisas precisam de mudanças para se renovarem.
_De verdade ? Acha que pode mesmo entender … minha posição ?
_Estou tentando … ! - “Só não sei se vou conseguir !”
_O que tem feito ?
_Trabalhado, é só o que tem me restado.
_E … o Hank ?
_Está sentindo a sua falta.
_Ele é tão adorável, não tem como não sentir falta dele também.
_Tem razão. — Ele buscou o ar para encher seus pulmões, e poder suportar aquela sensação horrível que a cada dia se agigantava.
_Eu … estou alugando um apartamento …. talvez na próxima semana consiga fechar o contrato. Mas por hora, minha mãe está precisando de companhia. Tenho uma tia que também está sozinha e quem sabe, consiga que elas fiquem juntas, para se apoiarem. Minha mãe se animou com a ideia.
_Seria bom …
A conversa foi interrompida pelo latido grave de Hank.
_Querida … eu preciso sair com Hank … tenho que desligar.
_Claro … sei como ele é … vá … nos falamos a semana que vem.
Ele não respondeu nem mesmo quando ela disse por fim.
_Eu te amo !
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