Depois Da Vida
1 Capítulo 1- Passado
Notas iniciais
Oi, vou me apresentar como Shun Armstrong, pois já não lembro mais meu nome, tenho 110 anos, mas estou oficialmente morto dês dos 17.
Para que vocês entendam melhor vou contar como minha historia termina, já que o início e como muitos de vocês já conhecem um romance qualquer em um lugar qualquer, isso não é importante por enquanto. E como todo o romance, ela era simplesmente tudo pra mim, ela era meu mundo.
O fim da minha historia começa poucos dias após eu ter completado 17 anos, soube que ela estava doente e tinha poucos dias de vida, como era de se esperar eu perdi o rumo. Após dias acordado procurando algo que pudesse curá-la na internet, me deparo com uma pagina que falava sobre acordos em troca do que mais desejamos como eu já estava desesperado, desanimado, desmotivado, sem vontade de cantar uma bela canção, comecei a ler, fiquei espantado ao perceber que se trava de acordos com... A morte. Comecei a rir quase que imediatamente, mas pensei “Porque não, isso vai me distrair um pouco, parece interessante”. A final sempre tive curiosidade sobre assuntos paranormais.
Fiz todos os preparativos e esperei a madrugada porque assim todos em minha casa estariam dormindo, quando chegou a hora fiz o que diziam as instruções “não mencionarei aqui, pois não quero que passe pelo que passei”. Me pareceu relativamente simples, depois de terminado fiquei esperando que algo acontecesse não sei por que, já que apesar da curiosidade nunca consegui acreditar nisso. Para minha surpresa me deparo com alguém ou algo abrindo a porta do meu quarto. Era uma mulher muito bonita, alta com longos cabelos ruivos e trajes pouco comuns, pois vestia um sobretudo e carregava uma espada na cintura, ela me olhou nos olhos e apenas disse:
– Vista-se decentemente, minha mestra o aguarda.
“Eu estava apenas com uma bermuda já que pretendia dormir em seguida.”
Então interroguei:
– Mestra? A propósito, quem é você? O.o
– Você não procura uma audiência com a morte? Vim mostrar o caminho.
Eu admito que fiquei com cara de pastel me perguntando se estava com sono de mais ao ponto de delirar dessa forma. Foi então que ela me puxou pelo braço me arrastando porta a fora, ela era surprendemente forte já que como sou lutador tenho um peso acima do normal e ela carregava 75 kg com uma facilidade extraordinária, pouco depois de sair da porta do meu quarto consegui me levantar e tentar demonstrar alguma resistência a ação dela, ela me fuzilou com um olhar que me fez ter vontade de deitar novamente no chão e pedir perdão por viver.
– Rapaz, não estou em um bom dia para você me tirar do sério, vamos logo antes que minha mestra fique impaciente, ela demonstrou um interesse incomum por você.
Então me lembrei da minha garota, e se aquilo realmente era verdade, eu tinha a chance de curá-la. Pedi a ela para irmos logo, ela deu os ombros e estalou ou dedos, foi então que me vi em um lugar difícil de descrever era como uma margem de um rio com uma densa floresta de plantas morta as costas e um pequeno barco de madeira. Estava realmente muito frio la, lembrando que eu ainda estava apenas de bermuda. Ao entrarmos no barco um homem bem velho olhou para a mulher com certo brilho nos olhos e falou
– Olá Lilith, quem é nosso convidado?
Ela sem olhar para ele disse:
– Não é da sua conta, vamos logo.
Ele abaixou a cabeça submisso, e começou a remar, eu me atrevi a olhar para o rio, haviam coisas lá, pareciam fantasmas, pessoas sendo levadas pela correnteza, por medo não pedi explicação nenhuma, mas o homem começou a falar:
– É impressionante não? Apesar de tanto tempo aqui sempre me admiro pelo profundo Rio das Almas.
Então pensei comigo “Rio das Almas? São pessoas mortas? Onde é que eu fui me meter?”. Antes que eu pudesse dar qualquer declaração ela disse:
– Enfim chegamos, vamos logo.
Eu apenas obedeci e levantei, estava tremendo muito por causa do frio. Nisso ela olhou para mim e viu como eu estava vestido e ficou realmente furiosa.
– PORQUE AINDA ESTA VESTIDO ASSIM?
– Não me lembro de ter me dado tempo para vestir algo, sabe, não estava esperando que fosse buscado para falar com a morte.
Ela novamente me fuzilou com o olhar, mas sabia que não tinha me dado tempo para me vestir, então tirou o sobretudo e o deu para mim, eu não tinha reparado ainda na roupa que ela usava por baixo, era uma regata bem justa, e uma calça. Ela era realmente muito bonita, eventualmente percebeu que eu olhava para o corpo dela e se virou e começou a caminhar, provavelmente era impressão, mas ela me parecia um pouco corada. Eu vesti o sobretudo e comecei a segui-la, era uma trilha em meio a floresta, que deste lado do rio era bem menos densa, chegamos a uma área aberta circular no meio da floresta com várias outras trilhas, no centro havia um grande trono com alguém completamente coberto sentado. Ao olhar para aquele ser tive a sensação que toda a vida que tinha em mim havia sido sugada, fiquei ofegante e tonto, se não fosse por Lilith me segurar eu provavelmente teria beijado o chão. Ao nos aproximarmos daquilo, ela se ajoelhou e disse:
– Mestra, eu o trouxe como ordenou.
Aquilo respondeu com uma voz doce o que me surpreendeu.
– Muito obrigado Lilith, enfim nos conhecemos senhor Armstrong.
Eu estava paralisado não conseguia sentir o chão sob meus pés, foi então que Lilith se levantou e deu um tapa na minha cabeça falando:
– Verme imundo, como ousa ignorar uma pergunta da minha mestra.
Eu já um pouco mais lúcido perguntei:
– Desculpa, mas ainda não entendi o que estou fazendo aqui, e quem são vocês?
Lilith visivelmente irritada começa a desembainhar a espada, nesse me momento eu realmente fiquei arrependido de perguntar aquilo, mas não tenho culpa estava muito confuso. Para minha sorte aquilo no trono fala:
– Calma Lilith, a reação dele é esperada a final, não me apresentei.
Aquilo se levanta do trono e vem em minha direção, era bem menor do que eu, ainda coberto por uma túnica com capuz, aquilo estende o braço para me cumprimentar, para minha surpresa era uma mão muito delicada e extremante branca com unhas pretas. Lilith parecia surpresa, então cumprimentei, a mão estava muito gelada e me passou a impressão de que eu estava frente a frente com algo que esta muito alem da minha compreensão. Foi quando ela falou:
– Prazer, Morte.
– Errr, prazer ??.
– Se me procurou daquela forma, é porque deseja algo, o que seria?
Disse ela virando as costas e sentando novamente no trono, acho q só nesse momento eu realmente consegui me focar, firmemente falei:
– Eu preciso que salve a vida de alguém. Dou qualquer coisa em troca.
Ela me olhou por debaixo do capuz, consegui ver um sorriso malicioso ali.
– Qualquer coisa? Uma vida no caso é algo muito valioso, quero algo de valor equivalente em troca.- Preciso que salve Yakisoba, ela é muito importante para mim.
– A doente, interessante, estou disposta a dar o que você quer, porem quero a sua alma em troca, você vai trabalhar pra mim caso aceite, e então, temos um acordo?
Sem ter que pensar muito aceitei, ela me olhou novamente com aquele sorriso apesar de não parecer, aquilo era realmente a morte. Foi então que ela me estendeu a mão, com um tipo de colar a ponta do pingente era apenas uma pedra lisa preta.
– Isso servirá para identificar você como aprendiz, e vai te dar os poderes básicos para trabalhar pra mim. Pegue.
Assim que peguei ela estendeu a outra mão, nela tinha uma pedra rosada.
– Essa pedra é a vida dela, ela tem poucos minutos de vida, acho melhor você se apressar.
Eu peguei a pedra e sai correndo em direção a trilha, meio sem saber pra onde ir, então no caminho coloquei o colar. Minha roupa imediatamente se transformou eu usava uma roupa parecida com a que Lilith usava. Eu comecei a correr em uma velocidade sobre humana. Chegando ao rio eu vendo que não conseguiria parar a tempo, pulei ao chegar na beirada, para minha surpresa eu cheguei ate o outro lado com meu pulo e acabei entrando na floresta, então me vi sobre a cidade que eu morava, o sol estava nascendo, eu cai em cima de um prédio mas estava longe do hospital. Comecei a correr por cima dos prédios então, cheguei lá relativamente rápido em função da minha nova velocidade. Entrei pela janela no quarto onde ela estava, coloquei a pedra sobre o peito dela e então ela absorveu a pedra, nisso Lilith entrou pela janela e disse:
– Ela vai viver agora, enquanto for para ela viver. A mestra me ordenou para providenciar sua morte, assim amanha você começa o treino. Agora vá para casa, mais tarde te encontro. Esteja pronto.
Eu tive que sair logo do hospital, pois os seguranças me viram nas câmeras, então fui para casa, evidentemente não dormi, estava feliz por ter curado ela, e me perguntava como seria minha morte. Esperava que Lilith não estivesse tão estressada caso contrario provavelmente ela faria algo doloroso, notei que meu colar não estava mais comigo, provavelmente ele voltaria quando eu morresse. Assim que todos na minha casa haviam levantando, falei que iria ao hospital. Pouco antes de chegar ao hospital percebi Lilith em cima de uma casa me olhando, então vi que tinha chegado minha hora, comecei a atravessar a rua, quando percebi um caminhão vindo em alta velocidade, ainda olhei pra ela com um sorriso sarcástico antes de ser atropelado. Eu pisquei na hora, ao abrir os olhos me vi na frente do trono novamente. Ao lado da morte estava um homem, ela me mando chegar mais perto:
– Bem vindo, este é Baal, vai ser o responsável por te treinar.
–...
– Muito bem, podem começar o treino agora, já tenho planos para você.
Em meio a treinos sobre coisas que eu nunca pensei que poderiam existir eu observava minha amada, vi ela viver ate os 29 anos, passando por mãos de homens que nunca amaram ela, e que só abusavam dela em todos os aspectos, ela morreu de HIV. E eu continuei aqui carregando a culpa por não ter deixado ela morrer em paz, e feito ela sofrer por mais 12 anos. É assim que termina minha historia como vivo. Agora com 110 anos de trabalho para a morte, tenho certa experiência e fui promovido diversas vezes por grandes feitos. Eu recebi muito mais poder do que qualquer outro já havia recebido. Sou o maior ceifador de almas da historia.
Em uma tentativa falha de me recompensar por isso, a morte me apresentou a Lisa, uma aprendiza que morreu aos 18 anos. E eu seria responsável por treiná-la, ela é incrivelmente atraente, olhos azuis cabelo preto comprido, e dispensa comentários em relação ao corpo. Quando fomos apresentados a morte já sem a túnica com uma aparência de menina de oito anos vestida de branco “não se deixem enganar pela aparência, a presença dela ainda me faz tremer”. Me olhava com um olhar malicioso e Lisa extremamente tímida, pois já tinha ouvido falar de mim, foi então que ela falou:
– Assim que completar o treinamento dela, ela será sua assistente, é uma recompensa pelo trabalho prestado ate hoje.
– Não preciso de assistente me virei bem sozinho ate hoje, e isso não vai mudar.
– Ela tem muito a aprender contigo, essa é minha palavra final. *Olhar malicioso*
Acho que assim começa outro capitulo da minha historia.
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