Depois Da Morte

1 O milharal de lembranças


Notas iniciais
Espero que gostem desse primeiro capítulo.

Eu amo escrever, e tive a ideia de fazer uma história como essa.

Vocês podem não achar esse capítulo legal, mas deixem reviews dizendo o que posso melhorar.

Obrigado. :)

– Lucy? Lucy?

Eu não sabia onde estava. Um milharal talvez. Ou uma fazenda abandonada. Escura. Iluminada apenas pela pequena luminosidade que a Lua concebia.

– Lucy?!

Eu cambaleava enquanto andava sem rumo algum e gritava pelo nome de Lucy. Minha amada Lucy.

Aquela era a pior sensação que já tive. Mas eu sentia que começava a me lembrar de algo. Algo que não havia acontecido muito tempo atrás. Talvez, no mínimo, uns dez minutos antes de eu estar ali. Naquele lugar onde não imaginaria nunca estar.

Sim, eu me lembro. Lembro-me do incrível dia que estava passando com Lucy. Não era um dia tão especial para qualquer pessoa quanto um baile, uma festa, ou coisa do tipo. Mas para nós, era muito especial.

Fazia cinco anos que estávamos namorando, e Lucy, com sua ansiedade grandiosa, queria se casar o mais rápido possível. Nos casamos mês passado. Uma cerimônia simples, só para a família. Nós não tínhamos muito dinheiro para lua de mel e essas coisas, então decidimos apenas comprar nossa casa, viver juntos e, quem sabe, criando nossos futuros filhos.

Lucy tem asma, e de dois meses pra cá, suas crises só pioraram. Semana passada, tive que levá-la ao hospital às pressas, pois ela mal conseguia respirar, e sua bomba de ar não estava adiantando nada.

Ela ficou dois dias internada, e passou por muitos exames. O primeiro resultado seria de que ela não teria muito tempo de vida. Aquilo não podia ser verdade. Por causa da asma ela não poderia viver muito?

Obriguei os médicos a fazerem os exames novamente, e depois de muitas lágrimas de tristeza, chorei de alegria. Ainda lembro como foi quando o médico chegou na sala onde Lucy estava, todo sorridente, e com papeis nas mãos.

"Tenho boas notícias. — o médico entrou na sala e ficou em pé na nossa frente. — Seus exames foram trocados, e você não morrerá cedo, Lucy. Fique tranquila."

"Então qual é o problema dela, doutor?" — perguntei.

"Fiquem felizes, vocês vão ser pais."

Fiquei paralisado, sem dizer absolutamente nada. Admito que fiquei tão feliz, que abracei o médico. Depois disso, ele me explicou o motivo de as crises piorarem na gravidez.

Estávamos muito felizes por isso. Mas nossa felicidade foi interrompida.

Eu e Lucy estávamos na nossa casa. Nossa nova casa. Jantando com os pais dela. Eles disseram que queriam passar um tempo com ela, pois logo voltariam para onde moravam, na Irlanda.

Seus pais saíram de lá por volta das 23h00. Sim, um pouco tarde, mas deveriam voltar pra casa. Eu fiquei muito feliz pelo fato de eles terem aprovado nosso casamento, mesmo me conhecendo só após o mesmo, pois eles não puderam vir para a cerimônia. E pelo o que expressaram, estão tão ansiosos quanto nós com o nosso filho.

Logo após que eles saíram, eu e Lucy ficamos um pouco na varanda, pois a noite estava um pouco quente. Conversávamos sobre o bebê, como sempre fazíamos desde que soubemos da sua gravidez. E naquele momento, um carro preto parou na nossa frente. Dele, desceram dois homens. Os dois, armados.

Nos levantamos das cadeiras, e tentamos entrar em casa antes de os homens fazerem alguma coisa conosco. Mas não adiantou. Umdos homens, sem dizer nada, apontou a arma para Lucy.

Aquilo foi como um choque. Eu não sabia o que fazer. Não sabia se era apenas uma brincadeira, ou um assalto, ou um sequestro. Não sabia nada.

Foi quando ouvi o outro homem dizer Atira logo! que eu percebi que queriam matar Lucy. Eu não tinha ideia de quem eram os homens, ou o que queriam com Lucy, mas a única coisa que me passou pela cabeça foi entrar na frente dela.

Aquele momento passou por meus olhos em câmera lenta, assim como a bala disparada.

Consegui vê-la na minha frente antes dela atingir meu peito. Consegui ouvir Lucy gritar um "NÃO!" antes de atirarem. Consegui ouvir o barulho que causei caindo no chão. Consegui ver Lucy se ajoelhar ao meu lado, não acreditando que eu havia sido baleado, começando a chorar. E consegui ver os homens entrando no carro, e saindo da minha vista, enquanto Lucy gritava por socorro.

"Não Brian, não morre! Brian, pelo amor de Deus! Você tem um filho que vai nascer daqui a alguns meses! Você tem que conhecê-lo! Você tem que continuar comigo, Brian... — ela estava aos prantos. — Eu te amo. Por favor..."

Eu ainda conseguia ver e ouvir algumas coisas. Senti minha vista escurecendo, e antes de morrer, tive tempo de dizer uma última coisa.

"Eu te amo, Lucy."

E depois disso, minha vista escureceu, não ouvi mais nada, fiquei sem ar. Morri.

E então, quando abro os olhos, percebo que ainda estava chorando. Mas não mais no milharal estranho e escuro, mas numa floresta, um pouco escura também, fria, que me fazia lembrar da minha Lucy. Mas ainda estava morto, sem entender o motivo de minha alma não ter desaparecido totalmente.

Notas finais
Sei que ficou meio curto, mas é pra vocês não ficarem com preguiça de ler.

Obrigado se está acompanhando minha história.

:)