Dependente
1 único
Rebeca abriu os olhos e viu seu gato Belinho na cama ao lado, se levantou da sua e milagrosamente acordou cedo nesse dia. Aproveitou e tomou sol na sacada, enquanto Belinho se esfregava em suas pernas. Seu exame de sangue dera que sua vitamina D estava baixa, mas era de se esperar de uma pessoa que não saia de casa.
A televisão estava ligada no canal de reportagens, seu pai sentado numa cadeira tocava violão. Depois de 30 minutos, Rebeca saiu do sol com muito calor no corpo, e foi para o seu quarto mexer no computador, enquanto se refrescava com o ventilador de teto. Sentia uma dor no peito, mas sua família já sabia, não adiantava muito falar.
Estavam acostumados.
Ela sabia que todos estavam seguindo suas vidas, e que ela ficara pra trás ou um pouco atrasada. Mas queria companhia, tinha a sensação que se não tivesse ninguém ao seu lado não conseguiria progredir... mas ela não podia também esperar que fizessem por ela ou ser um fardo na vida deles.
O elo tinha que ser rompido. O fruto proibido que abriria seus horizontes assim que comesse. A transa que tiraria o brilho no seu olhar puro. E quando ficasse velha e visse que não viveu nada disso, era tudo sua culpa e não daqueles que não estiveram por perto. Pelo menos era isso que ela acreditava por agora.
O que era ser adulto, independente, maduro?
Vivia com a dor, só não sabia se seu corpo aguentaria por mais um tempo.
Sua alma estava acostumada.
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