Na casa de número 86, vivia Mélanie, loira, dos olhos extremamente verdes, e um pouco baixa para uma francesa. Tinha 25 anos de idade, e morava ali há 2 anos, ela trabalhava como freelancer de uma revista de moda de Paris, mas ela não escrevia exatamente sobre moda, ela tinha uma coluna de humor. Ela fazia humor sobre a moda. Ela também tinha uma loja de flores, o que era sua verdadeira paixão. Mélanie acordava todo dia ás 7 em ponto da manhã, colocava primeiro o pé esquerdo sobre o chão, — e então se lembrava do ditado “começar com o pé direito” então fingia que na verdade o pé direito tinha tocado primeiro no chão, o que as vezes realmente acontecia, mas ela estava tão acostumada em errar o pé, que fingia do mesmo jeito – abria os olhos, e ia para o banheiro, lá ela tomava um banho demorado, e escovava os dentes. Em seguida se vestia para trabalhar na sua loja de flores, tomava café, que ela nunca conseguia terminar uma xícara, tinha medo de não dormir a noite, e saia de casa com seu carro, e de lá esperava um pouco. Esperava até seu vizinho do 88, o outro francês da Rua 23, passar e ela poder ficar o observando, em seguida segui-lo já que sua loja de flores ficava em frente do restaurante do outro francês. Mélanie não sabia porque fazia aquilo todo dia, ela sabia que ele era casado, além do mais ela sabia que ele não prestava já que apesar de ser casado e ter um casal de filhos, ela já o vira traindo sua mulher, que diga-se de passagem, Mélanie achava muito mais bonita que ela mesma. Talvez ela achasse a vida do outro francês interessante.

90. A última casa, a maior casa da rua 23. Morava a família Sacer, o Senhor Sacer era 12 anos mais velho que a Senhora Sacer, os pais da Senhora Sacer não queriam que ela se casasse com ele, a Senhora Sacer devia ter escutado os pais dela. Os Sacer têm dois filhos, Daniel, o mais novo de 17 anos. E Julia de 24. Sim, era meio incrível Julia ter 24 anos e morar com seus pais, o problema era que o Senhor Sacer não deixava seus filhos trabalharem, ele achava que isso atrapalharia os seus estudos e como Julia estava cursando o 5º período de sua faculdade de história, ela não podia fazer muita coisa. Na verdade ela podia sim, podia arranjar um trabalho, e ir morar com a sua namorada, o problema era que os outros Sacer não sabiam que Julia tinha uma namorada, muito menos que ela “cortava pro outro lado”, como diria o Senhor Sacer. O mais novo Daniel, era o verdadeiro agente do diabo, quando Julia tinha 17 anos, Daniel a viu beijar uma garota, e depois de 7 anos ele ainda faz chantagem com ela, e pensar que quando ocorreu dele a pegar no flagra ele tinha apenas 10 anos. Porém, Daniel também tem um ótimo motivo para sofrer uma leve chantagem, ele observava a vizinha 78, na verdade ele a espionava, sabia de tudo sobre ela, que seu cabelo agora era castanho, mas provavelmente era por causa de seu trabalho, porque ela chegou na Rua 23 ela era ruiva e Daniel acreditava que era ruiva natural, que seus olhos não eram nem castanhos nem verdes, e sim mel, um dia ele passou ao seu lado na rua, e ele percebeu que ela devia ser uns 10 centímetros mais baixa que ele, Daniel só não sabia seu nome, nunca teve coragem de perguntar. A vizinha do 78 era a mulher dos sonhos de Daniel, literalmente, certo dia ele a viu se trocar pela janela de seu quarto, ele não era virgem, mas definitivamente a vizinha do 78 era a mulher mais bonita que ele já tinha visto nua. Naquela mesma noite, ele sonhou com ela, e acordou com a maior e mais dura ereção de sua vida. Desde então ele passou a observa-la e tirar fotos dela, e se masturbar pensando na vizinha do 78 todas as noites. Daniel era sujo, porém era tão prisioneiro do Senhor Sacer, quanto qualquer outro daquela família, mas definitivamente a mais sufocada ali era a Senhora Sacer. Quando ela se casou, ela o amava, agora era diferente, ela havia atingido um estado de apatia em relação ao Senhor Sacer, entretanto de vez em quando, ela sentia raiva dele. Sentada na mesa da cozinha, a Senhora Sacer voltava a sua adolescência, pensava no seu ex-namorado Apolo, e no dia em que ele a pediu em casamento quando ela tinha apenas 16 anos, o problema é que ela havia conhecido o Senhor Sacer e estava grávida dele. Apolo havia pedido a Senhora Sacer em casamento pois uma gravadora de fora tinha contratado ele para escrever musica pros cantores que viriam futuramente, a Senhora Sacer lembra de ter visto Apolo se ajoelhar e fazer o pedido, aquele ex-namorado fazia jus ao seu nome, tinha ganhado por causa do Deus Apolo, e assim como o Deus, Apolo era muito bonito, o homem mais bonito que ela já tinha visto. Agora com mais de 50 anos, a Senhora Sacer se perguntava, se Apolo ainda era o mesmo, e se ele ainda a amava. Provavelmente não, deduzia ela.