Depósito De Histórias E Idéias.
4 Empório Doces. Part 1.
1... 2... e 3... píííí!.
É o meu forno.
– Daniel, sinceramente, você precisa sair mais. – Falou Adam, meu melhor amigo, — e grande mulherengo – sentado em um banquinho, bebendo uísque, no balcão da minha cozinha.
– Eu saio, Adam. Só não saio com você, — tirei a forma com o bolo do forno, e olhei para ele com um olhar contrariado – não muito, e também não vou pros mesmos cantos que você.
– Está errado, Daniel!. Devia sair, pegar umas mulheres partir uns corações, já que, bem... o seu foi partido. – Adam bateu o copo na mesa.
– Êêêê!. Não ouse mencionar o nome que não é do bem nesta casa, muito menos nesta cozinha. O nome de nós-bem-sabemos-quem.
– Ok, essa é nova, porque não pode falar o nome da Ele... – antes que ele pudesse terminar de falar eu o interrompi.
– Porra Adam!. É sério. O nome que não ousamos mencionar, muito menos na minha cozinha.
– Isso parece “Larry Potter”, claro, tirando a parte da cozinha.
– Burro, sem infância, é “HARRY Potter”. O problema é, se você falar o nome dela, meu bolo vai sair ruim.
– Porque em nome de Deus, isso poderia acontecer? – Retrucou Adam se levantando, e cheirando o bolo quente ainda na forma.
– Porque toda vez, que eu fazia um bolo com ela no mesmo recinto, o bolo saia ruim.
– Claro que ia sair ruim, vocês transavam a cada dois minutos, o bolo queimava! – Adam bateu o punho com força na mesa.
– Vish, se acalma. Mas agora falando sério, tem que admitir que desde que ela foi embora até o cheiro dos meus bolos são melhores.
Adam deu outra cheirada, dessa vez do seu lugar no ar que tinha na cozinha.
– Não, a mesma coisa.
– Mentira.
– Ah cara, vamos, agente tem que sair, pegar umas mulheres, ser bem idiota, como eu disse quebrar uns corações. E depois pisar em cima três vezes, e tocar fogo até virar pó. – Assim como eu Adam, também tinha uma mulher/demônio no seu passado.
– Adam, pela milésima vez, eu não consigo ser bem idiota, eu não posso quebrar corações, eu sou confeiteiro, eu faço...
Era pra ele continuar, mas ele fechou a cara, e gritou: — Ah, não, Daniel, não vou continuar essa tua frase idiota. Desculpa esfarrapada!
– Qual é o espírito?. Eu sou confeiteiro, eu faço...
– DOCE!. – Falou Adam com a boca bem aberta, os olhos propositalmente vagos, e com uma voz bem burra. – Eu não acredito que eu vou cair nessa de novo.
– Sendo assim, eu por natureza, sou...
– DOCE!. Idiotice. Você não consegue superar a Elena, e fica nessa.
– Pronto, meu bolo vai sair ruim.
– ELENA, ELENA, ELENA!. PRONTO AGORA O TEU BOLO VAI SAIR COM GOSTO DE MIOJO!.
– Ou pior. Que raiva. Minha sobrinha tá vindo pra cá. – Eu cortei pedaços do bolo. – Eu vou fazer em formato de coração, vê se tá bom. – Entreguei um prato com os pedaços na frente de Adam.
– Desde que a Elena foi embora, é só isso que você faz, doce e me dá pra comer, nesse ritmo em três meses eu vou estar pesando mais do que você, que tem o dobro da minha altura.
– Prova logo, se estiver ruim, você que vai ter que fazer outro.
Ele colocou um pedaço particularmente grande na boca, e voltou a reclamar: — Sabia que eu gosto do meu estilo mignon?. Eu sou compacto, fácil de levar pra casa. Diferente de você, que é um gigante de all star.
Olhei para o meus all stars vermelhos novos. Balancei os pés pensativamente, levantei uma sobrancelha.
– Qual o problema com os meus all stars?
– Na verdade nenhum. Só é interessante de se olhar. Estranho pra ser mais exato, um homem adulto, andando de all star vermelho. Ergh. – Ele encheu a boca mais uma vez com o bolo.
– E ai, como tá o bolo?
– Tá bom, como sempre, o mesmo gosto de sempre.
– Valeu, Elena não tem mais efeito nos meus doces.
– Daniel, quando foi mesmo, que você decidiu ser confeiteiro?. – Adam mastigou mais, e botou outra garfada na boca. – Ah foi, quando você viu que as mulheres gostavam de um cozinheiro. Vamos sair!.
– A Luci está vindo pra cá, Adam. Se você quiser pode ficar.
– O QUÊ?!. Tá doido?, uma noite com o confeiteiro e a aborrecente. Nem que eu não tenha mais planos nenhum para hoje.
Ding!
– Isso não foi o meu forno.
– Não Daniel, isso foi o barulho do holocausto se aproximando, e foi o barulho que significa que está na hora de eu ir embora.
– Ela tá adiantada.
– Tchau Daniel.
– Tchau nada, você me atrasou, agora vai ficar ai e me ajudar. Atende a porta.
Adam saiu xingando, e foi abrir a porta.
– Adam!. – Luci gritou enquanto abraçava Adam na porta que não retribuía o abraço.
Ele fez cara feia, e falou com a voz mais apática do mundo – Oi, Luciana.
Luciana ficou com os braços arredor dele por um pouco mais de tempo, e ele suspirou fundo. – Daniel!, faz ela me largar.
– Tio Dan!. – Gritou Luci mais uma vez, dessa vez me abraçando.
– Oi linda. Como você está?
– Eu estou bem, e você, — falou ela colocando o dedo no recheio de beijinho que ia pro bolo — confeiteiro?
– Estou até bem. Obrigado por perguntar.
– Eu pergunto como você está, mal agradecido. – Falou Adam, voltando a sentar no seu lugar.
– Eu não disse nada pra você, Adam.
– Mas me lançou cara feia.
– Claro que não.
– Ah, tio, a mãe tá subindo ai, tá trazendo minhas coisas.
– SUAS COISAS?! – Gritou Adam, exagerado e escandaloso como sempre.
– Daniel!. Me ajuda com isso aqui. – Gritou minha irmã, Juliana, do elevador.
Eu fui até o elevador, e peguei todas as coisas que ela estava carregando. Duas bolsas de costas, um grande travesseiro, e mais uma bolsa menor.
– Meu irmão lindo, desculpa, me desculpa mesmo. É questão de morte. A Luciana pode ficar aqui com uns dias? – Falou Juliana com as mãos juntas entrando de costas no meu apartamento.
– Não seria de vida, OU morte?
– Não Dan, só morte mesmo, o irmão do meu marido morreu, o Felipe. – Não soou nem um pouco afetada ou triste.
– Ah, aquele idiota?. Overdose de alguma coisa né?
– De tudo, Dan, de tudo.
– Vish, o negócio foi sério então.
– É isso ai, Dan. Pois é, ninguém exatamente gostava dele, nem o Jorge gostava, mas fazer o que né?
Ela sentou no banquinho do lado de Adam.
– Fala Adam.
– Oi Ju. Como vai a vida?
Ela fez uma cara de “tanto faz” e falou – Êrr.. Nada demais, o de sempre. E a sua?
– Tentando tirar o teu irmão de casa.
– Impossível. Pois é Dan, como você sabe, da história toda, Luci se recusa a ir ao funeral.
– Aquele idiota, passou a mão na minha bunda, e ele vivia dando em cima de mim.
Adam deu olhar meio indiscreto para Luciana. Que eu espero que só eu tenha percebido.
– Para Luci, ele morreu. Já chega com isso. – Como Juliana não tinha nem passado da porta, ela só deu meia volta. – Pois é maninho, eu tenho que ir agora, o Jorge tá me esperando lá em baixo.
– Tudo bem. Quando você volta?
– Não sei. Mas aviso quando tiver data.
Ela beijou rapidamente Luciana, me deu um abraço e saiu apressada.
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