Dentro do Palácio

6 Aquele em que Sherlock e Molly estão em paz


Notas iniciais
Gente, prometi um fantrailer da fic no cap final, mas n sei oq couve, meu editor de video n ta funfando como deveria~ Vou deixar a musikinha q ia usar pro trailer e q foi, inicialmente, a minha inspiração pra fic... https://www.youtube.com/watch?v=VWozLE0yBJw

Sherlock estava deitado. Era a única coisa que ele sabia estar. Ele não sentia mais nada. Não havia brisa, não havia marulho, não havia o cheiro de sal. Ele sabia estar flutuando no nada, e não precisava abrir seus olhos para saber que onde estava só havia escuridão.

Suas mãos tateavam o vazio, como se procurasse pelas mãos de alguém. Era uma busca vã, e por mais que ele tivesse consciência disso, suas mãos buscavam ansiosas por aquela mão delicada e quente, que ele estava habituado a segurar.

— Molly?! – chamou em sussurro. – Molly?

Não havia resposta, e repentinamente, o corpo de Sherlock começou a tremer.

— Molly! – gritou o detetive em desespero por ajuda, enquanto seu corpo convulsionava.

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A música animada era incessante, e as luzes coloridas lhe queimavam a retina, forçando-a a semicerrar seus olhos. Ela via os vultos ao seu redor, e apesar de amistosos e conhecidos, eles lhe sufocavam. Seu coração estava acelerado de uma tal forma, que era quase como se ela tivesse corrido uma pequena maratona. Veio-lhe uma vontade de gritar, de fugir sem olhar para trás. O ar começava-lhe a faltar, e ela se sentia desesperada por uma pequena golfada de ar.

— Está bem, querida? – perguntou uma voz gentil ao seu lado.

— Estou! – respondeu enquanto olhava para os lados, tentando se localizar.

Tantos rostos, pensou, tanta gente estava lá, mas ela não reconhecia ninguém. Os rostos estavam embaçados e moviam-se rapidamente. Ela sentiu-se tonta, e por um breve instante, cedeu. Lestrade a amparou com firmeza, e ela, tentando respirar, se recompôs.

— Molly! – chamou Lestrade.

Mas na cabeça da legista, o nome dela foi emitido por outra pessoa. Ela podia ouvi-lo, e isso foi o suficiente para que ela se levantasse e procurasse novamente pelos rostos embaçados. Ela o ouviu, tinha certeza disso. Ele tinha que estar ali.

— Só vou lá fora um pouco! – disse a garota para o recém-marido.

— Quer que eu vá com você?! – perguntou. Mas antes de obter uma resposta, Molly já tinha ido.

Passando por todos aqueles rostos irreconhecíveis, Molly tentava abrir caminho pela multidão. Onde ele estava? Ele tinha que estar lá! Seus ouvidos não podiam enganá-la daquela forma!

Afastando-se do salão, da música, das luzes e das pessoas, Molly alcançou os jardins. Finalmente, ela era capaz de respirar, porém, seu coração estava tão apertado, que ela nem percebeu que ela podia respirar normalmente agora.

— Sherlock?! – chamou baixinho, enquanto procurava ao redor.

O silêncio em resposta fez com que ela sentisse seu corpo fraquejar. Sua garganta estava seca. Ele estava ali, tinha que estar, pensou.

— Molly! – ouviu o tom grave que procurou com tanto desespero.

A garota se virou e pode ver o detetive bem atrás dela. Usava suas roupas habituais, provavelmente, concluiu a legista, porque não havia planejado ir ao casamento.

— Você veio! – falou a garota feliz, com o coração disparado. Ela era capaz de sentir pequenas lágrimas quentes se formando em seus olhos.

Sherlock sorriu compreensivo.

— Será que posso beijar a noiva? – perguntou.

Molly assentiu com um sorriso aliviado.

Sherlock não esperou segunda ordem. Ele a puxou para um beijo. Um beijo carinhoso e tenro. O braço dele a enlaçava pela cintura, mantendo-a firme, com medo de que ela fosse embora. Molly pode sentir, finalmente, seu coração leve. Ele flutuava, assim como ela.

— Molly?! – chamou a voz de Lestrade.

A garota abriu os olhos, assustada, ao ouvir seu nome. Olhou em volta e, para sua surpresa, se viu sozinha no jardim.

— Você está melhor? – perguntou o marido, se aproximando.

Molly o olhou confusa, ao mesmo tempo em que olhava para os lados, tentando entender o que acabara de acontecer. Enquanto Lestrade lhe fazia perguntas, Molly buscava as respostas em sua cabeça. Isso era um Palácio Mental, perguntou-se. Não podia ser! Era real. Tinha que ser. Era como se ela ainda pudesse sentir o gosto do beijo que acabara de dar.

— Molly, o que houve?

A garota o olhou. Os olhos de um gato confuso e assustado. Lestrade não disse mais nada, apenas abraçou a esposa com firmeza, querendo — lhe secar as lágrimas que começavam a cair de seu rosto.

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— Molly! –gritava Sherlock – John!

Ele tremia, e o detetive por mais que tentasse, não conseguia recuperar os movimentos de seu corpo.

— Eu te avisei! – a voz de Mycroft ecoava pelo vazio. – Olhe para seu estado, lastimável!

Sherlock não respondia, porém sua voz gritou. Uma forte pontada no peito o afligia.

— Você procurou por isso, querido irmão!

Ele tentou se rastejar, mas era inútil. Rastejar para onde? Ele estava no meio da escuridão, não havia nada que pudesse ajuda-lo. Ele sentia a disritmia dominá-lo. Era como se seu coração fosse explodir.

— Sherlock!

Ele pode ouvir a voz de Molly chama-lo ao longe. Era uma voz desesperada.

— Molly... – respondeu com a voz fraca.

— Sherlock!

Ela se aproximava, e ele podia vê-la. Uma pequena luz se formava na escuridão. Ele via a silhueta dela, suas mãos estendidas. Ela corria, como se quisesse alcança-lo.

— Sherlock! – chamou mais uma vez.

O corpo de Sherlock tremia cada vez mais rápido e desordenado. Sherlock sentiu seu coração falhar. Foi então que tudo se encerrou. Seu corpo não tremia mais e nem seu coração batia. A luz havia sumido, e Sherlock havia sido tragado de vez para a escuridão.

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A dificuldade para respirar era grande, e apenas o ato de tentar respirar lhe era incomoda. O tubo que estava preso a sua boca causava uma sensação sufocante, e foi a primeira coisa que ele removeu. Era instintivo. Nunca gostou de nada lhe prendendo. Seus olhos abriram com cuidado, acostumando-se pouco a pouco com a luz do local em que estava. Ajudava o fato de ser uma luz fraca, pensou. Olhou para seu lado e pode ver uma janela. As cortinas estavam fechadas, mas pela falta de luz, ele notou que era noite. Onde estava, perguntou-se. Virou a cabeça para o outro lado e pode ver uma segunda janela, que dessa vez dava para um corredor iluminado. A luz branca transpassava, teimosa, os vãos da cortina veneziana, que tentava, em vão, escurecer o quarto, criando-lhe um ambiente aconchegante. Era uma tentativa falha de fazer as pessoas acreditarem que elas não se encontravam em um hospital.

Sherlock ajeitou-se na cama, tentando sentar, porém, quando tentou puxar sua perna, sentiu algo a segurando fortemente. Ergue-se para ver o que lhe impedia de mover-se e espantou-se ao ver a pequena e quente mão de Molly. Ela estava sentada ao seu lado, mas metade do corpo da garota encontrava-se na cama onde estava o detetive. Ela estava dormindo. E Sherlock notou, com certa surpresa, que ela ainda trajava seu vestido de noiva.

— Molly! – chamou o detetive com delicadeza.

A garota remexeu-se, como se fosse acordar, e Sherlock a chamou mais uma vez. Molly abriu os olhos lentamente. Ela mantinha a expressão confusa habitual das pessoas que são acordadas repentinamente, e tentam se localizar no tempo e espaço. Assim que os olhos da garota encontraram os de Sherlock, Molly levantou-se em um pulo e correu para abraçar o detetive.

— Sherlock! – exclamou abraçando-o desesperada – Graças a Deus!

O detetive mantinha a feição confusa. Essa Molly que o abraçava agora, era real? A verdadeira Molly nunca havia desferido qualquer intenção de contato físico para com ele.

— O que houve? – perguntou, tentando manter-se no controle.

Molly desvencilhou do abraço e o olhou com uma expressão séria e ao mesmo tempo preocupada.

— Sério, Sherlock?! Como você pode ter sido tão irresponsável? O que você ingeriu...a quantidade...não é possível que você não soubesse o que isso ia causar!

O detetive tentou assimilar o que a legista lhe contava. Aos poucos, lembrou-se do que acontecera. Ele sabia o que aquelas quantidades iam causar, recordou-se, e ele fizera de propósito. Sherlock abaixou o rosto. A vergonha de encarar Molly, naquele momento, era enorme.

— Desculpe arruinar seu casamento! – falou o detetive, sem jeito.

Molly hesitou.

— Você não arruinou, Sherlock! – disse a garota – Eu mesma fiz isso!

Ele ergueu a cabeça surpreso. Molly lhe mostrou a mão esquerda, não havia um único anel ali. Sherlock a olhou, confuso. A garota respirou fundo, como se procurasse as palavras certas para dizer.

— Olha Sherlock, eu pensei muito sobre tudo o que está acontecendo ultimamente! Eu, realmente, poderia ter sido muito feliz com Greg. Ele é amável, gentil e sempre me trata com delicadeza!

Sherlock notou o tom seguro na voz de Molly. Ela não mostrava nenhum conflito ou arrependimento. Ele nunca vira a garota falar nesse tom, e Sherlock, de repente, ficou temeroso com o restante do discurso dela.

— Mas a verdade, é que se eu continuasse, eu teria que mentir para mim mesma! – Ela olhou nos olhos do detetive – Nós dois conhecemos meus verdadeiros sentimentos, Sherlock!

— Molly, eu...

— Espere um pouco! – pediu a legista – Eu ainda não terminei!

Sherlock engoliu em seco. Molly, vendo que ele aceitara, continuou:

— Eu sei que você não tem os mesmo planos futuros que eu! Sei que não almeja casar, ter filhos, chegar em casa para jantar depois do trabalho, sair aos domingos para o parque! Em resumo: sei que você não nasceu para essa vida rotineira de um casal normal!

Houve uma pausa. Um silêncio que demonstrou toda a tensão que havia naquele quarto. Sherlock não se atreveu a falar nada, sabia que Molly iria continuar. Estava apenas hesitando naquilo que ela queria falar.

— Sherlock...- recomeçou a garota após um tempo – Eu sei que você me ama!

Os olhos do detetive mantiveram-se firmes nela, após essa declaração.

— Sei que você me ama, não... eu sinto que você me ama! Sinto isso no fundo da minha alma, e eu sinto isso, porque é impossível eu te amar do jeito que eu te amo, sem que você me ame de volta! Por isso, não adianta você me rejeitar ou eu ignorar o que eu sinto, porque a verdade é que, mesmo que eu queira ter filhos, uma casa e uma vida rotineira, a coisa que eu mais quero é continuar com você! Porque nada disso tem sentido, se não for com você!

Sherlock estava estarrecido. Ele olhava Molly surpreso. Jamais imaginou ouvir essas palavras da boca da garota. A legista pulou da poltrona e sentou-se do lado dele. Ela pegou as mãos dele e segurou com delicadeza. Sherlock não mudou sua expressão, mas permitiu-se ganhar esse carinho dela.

— Olha, eu vou pedir uma coisa pra você! Sei que tem suas ressalvas com relacionamentos e não quero força-lo a nada! – acrescentou após um olhar receoso do detetive – Quero pedir que recorra a mim, sempre que precisar! De agora em diante, Sherlock, mesmo que você viva sua vida de aventuras, a vida que eu acho que você deve viver, quero que saiba que eu estarei lá para você!

Ela olhou para a sua mão, presa na mão do detetive. Sherlock pode notar aquele sorriso compreensivo habitual, se formando no rosto dela, enquanto admirava os dedos dos dois entrelaçados.

— Prometo que não soltarei a sua mão! – disse. – Você aceita?

Os dedos de Sherlock brincaram com os dedos de Molly. Ele estava pensando. A garota sabia que ele estava tentando assimilar tudo o que ela havia lhe falado. Ela estava propondo que nunca mais teria um relacionamento com ninguém, porque o amava? Estava propondo que tudo permaneceria igual entre eles, e que ele sempre poderia contar com ela, já que ela ficaria esperando por ele? Molly Hopper, a garota que sonha em se casar e ter filhos, estava propondo desistir desse sonho, apenas para poder ficar com o detetive?

Sherlock olhava para a mão da legista entrelaçada na sua. Aquela pequena mão delicada e quente, que ele sempre procurava. Pela primeira vez em sua vida, Sherlock percebeu, ele estava tocando nela. A mão da garota era mais macia do que ele havia imaginado.

— Eu só fiz isso com você no meu Palácio Mental! – falou o detetive expondo seus pensamentos.

— Segurar minha mão? – perguntou.

O detetive afirmou.

— Você poderia ter segurado ela aqui também!

As palavras da legista, repentinamente, trouxeram a tona para o detetive, tudo aquilo que ele vivia com ela em seu palácio. Ela sempre fora seu refúgio. Em seu Palácio Mental, a garota lhe dava paz, lhe dava uma sensação boa de acalento. No palácio, eles trocavam carícias, beijos, palavras dóceis. Talvez por isso, o Palácio lhe parecesse mais real do que a verdadeira realidade.

— Molly, obrigado! – disse – Mas eu não posso usar você como um escanteio, pelo menos não como eu venho usando! Eu não sei ter um relacionamento, eu nunca tive um! Acho superficiais e desnecessários, mas...eu poderia ter um com você!

A garota hesitou.

— Tem certeza disso? – perguntou.

— Não posso me dar ao luxo de quase perder você de novo! É a segunda vez!

Molly deslizou carinhosamente sua mão pelo rosto do detetive.

— É a segunda vez que quase perco você também! – falou de forma gentil.

Sherlock sabia que ela se referia à overdose que ele acabara de sofrer. Molly aproximou seu rosto do detetive. Ele recuou, levemente assustado, mas o sussurro da garota dizendo “É só dessa vez!”, o tranquilizou. Ela se aproximou e pressionou seus lábios levemente nos dele. A sensação era boa, pensou Sherlock. Molly se afastou, mas Sherlock ainda estava em algum lugar para onde aquele leve selinho o levara. A garota fez menção de se levantar, mas Sherlock a deteve pelas mãos, que ainda estavam unidas.

— Você prometeu nunca mais soltar a minha mão! – protestou.

Molly sorriu, e sendo conduzida docilmente por Sherlock, ela deitou-se ao lado dele. Ele a abraçou. Seus olhos fechados e um sorriso satisfeito no rosto causaram intriga a legista.

— No que está pensando? – perguntou.

— No mar! – respondeu – No som das gaivotas e no cheiro de sal!

Molly fechou os olhos, respirando fundo também.

— É um belo lugar! – disse – Com o vento gelado, batendo no rosto.

Sherlock sorriu, puxando-a para mais perto de si. Era real, pensou, enquanto um calor invadia seu peito. Finalmente, era real.

Notas finais
ta aee!! cabouuu Ç__Ç Mas uma hora acaba XD~ espero q tenham gostado =D Bjins pra vcs
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!