Dentro de um sonho
1 Emboscada
As pessoas costumam me chamar de louca... Não sei por que, de verdade, todos nós temos um lado louco e psicopata, mas poucos sabem disso.
Estava passando mais um dia comum de minhas férias de verão, jogando Batman e falando no skype com o meu namorado. Tudo estava certo e comum, até um pouco entediante, eu queria mais emoção, mas não tinha mais nada pra fazer.
– E então, como ta indo o jogo Bell?
– Entediante, não tem mais nada pra fazer!
– Como assim? Sempre tem alguma coisa pra fazer.
– Dessa vez não... Eu to morta de sono, se importa se eu for dormir um pouco?
– Bem... Eu posso jogar aqui se você estiver cansada
– Valeu. Bom então eu ja volto ok?
– Ok. — ele respondeu meio desanimado também. Fui até meu quarto e me deitei, fiquei olhando para o tento e pensando que legal seria entrar na pele de Arlequina ou da Mulher-Gato por exemplo. Não sei por quanto tempo eu fiquei boiando no teto, quando vi já tinha adormecido.
O sonho começou como um outro qualquer, eu estava sentada na grama de uma praça, com Ninho ao meu lado, estavamos conversando sobre fazer cosplay de algum personagem, não lembro qual, até que ele se levantou e me ofereceu a mão para que eu me levantasse e o acompanhasse.
Nós adentramos em uma floresta escura e sombria, estava ficando frio e eu comecei a tremer, enquanto a floresta estava completamente na escuridão. Foi então que escutei uma risada maligna, eu conhecia muito bem essa risada, já havia escudado-a milhares de vezes. Ela ia ficando mais forte e maligna até que parrou de repente e um holofote se acendeu bem aonde estavamos. Ouvi uma multidão gritando e rindo, eu estava apavorada olhava de uma lado para o outro, procurando ver que lugar era aquele, mas a luz era muito intensa praticamente cegando-me. Olhei para o lado e Ninho também parecia confuso, menos do que eu, mas mesmo assim olhava para todos os lados.
– Sejam bem vindos!!! -disse o dono da risada de antes, sua voz era única, eu a reconheceria a quilômetros de distancia, e gargalhou de novo — Por que não se sentam?
Apareceram duas cadeiras deslizando pelo chão arenoso. Eu me virei para olha-las, eram cadeiras de ferro, estavam muito sujas e enferrujadas. Ninho colocou sua mão livre no encosto, mas tomou um choque
– Ops! — nosso anfitrião gargalhou novamente — Acho que é muito cedo para se sentar certo? — As cadeiras desapareceram como se tivessem sendo puxadas por cordas — Mesmo por que, pra que iriam se sentar se vocês são nosso show? Meus espectadores estão ficando impacientes...
Eu olhei com os olhos semicerrados para a escuridão a procura do dono da voz. Estava quase conseguindo enxergar as pessoas na plateia, mas Ninho soltou minha mão e deu um passo para frente. Eu fiquei boquiaberta e acompanhei cada movimento seu.
– Você disse que só queria nos ver palhaço! — disse ele cerrando os punhos de raiva — Por que está nos prendendo aqui?
– Ora ora... — disse um outra voz, desta vez feminina e impossível de não reconhecer, como a do outro — Não é que ele caiu direitinho? Por que está tão irritado porquinho? Você não nos interessa, só a garota.
Eu ofeguei. O que estava acontecendo? Meus olhos estavam arregalado, procurando desesperadamente uma saída.
– O QUE? — berrou Ninho — Isso não fazia parte do acordo?
A mulher gargalhou em deboche
– Tolinho, nunca lhe disseram que é perigoso confiar em nós? Guardas prendam-no!
Dois capangas gigantes chegaram. Um predeu as mãos de Ninho outro lhe deu uma joelhada na cabeça.
– NÃO! — eu gritei, estava desesperada, corri em sua direção, ele estava inconsciente
– Segurem-na, não a machuquem, ela é muito valiosa pra nós. Levem o garoto para junto dos outros.
Uma figura negra e vermelha saltou de algum lugar e parou atrás de mim. senti as mãos do capanga se afrouxarem e mãos finas e delicadas tomarem seu lugar, apertando meus braços.
– Agora minha querida, você vai conhecer o lugar perfeito, prepare-se para sua nova vida
Após essas palavras senti uma pancada na nuca e tudo ficou escuro.
Acordei assustada, ofegante e toda suada em minha cama. Estava tudo escuro, parecia que tinham se passado horas, quando eu achava que eram apenas alguns minutos.
Me levantei e minhas roupas pareciam diferentes, mais coladas e leves. Eu também estava calçada com botinhas de cano curto sem salto. Comecei a andar pelo quarto e achei minha porta.
Quando a abri um clarão de luz me atingiu. Coloquei a mão para proteger meus olhos. Sempre teve esse holofote aqui em casa e eu não sabia?
Infelizmente eu não estava em casa como achava que estava, pois uma figura esguia saltou na minha frente, e assim que ela levantou sua cabeleira loira, minhas duvidas foram confirmadas.
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