Dentro de um Coração Vazio
9 Me Traga à Vida
Notas iniciais
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Três Anos Depois...
Damon
O processo de Dessecação de um Vampiro era pior do que morrer. Pelo menos quando você está morto, a dor se vai rapidamente. Porém, dessecar não era bem assim, em vez da dor acabar, a cada dia só aumentava, como se cada órgão do meu corpo morto estivesse sendo esmagado repetidas vezes. Havia momentos que me sentia como um humano frágil... Quando queria respirar, não tinha oxigênio, quando gritava ninguém ouvia minha voz, quando eu chorava, ou suplicava sempre seria acolhido por solidão e silêncio, quando sentia sede e fome era como se ingerisse verbena. E, assim, vivi num loop infinito de agonia.
No entanto, todo esse sofrimento foi fruto de minha própria decisão egoísta. A dor nem era grande coisa quando eu merecia tudo aquilo. Meu corpo estava paralisado, numa paralisia física constante, onde apenas minha mente trabalhava como um carrasco me punindo através de intensas lembranças cruéis:
"Eu não concordo com essa decisão. Não concordo que você escolha a si mesmo. Não concordo que nunca mais vou ver você, o meu melhor amigo... Isso me machuca..."
Cada lembrança dela e de sua voz cheia de suplica, ou daqueles olhos verdes refletindo tristeza e amargura eram como navalhas afiadas, sendo cravadas em meu coração, obscurecendo minha alma:
"Quando você estiver dessecando e sentindo as dores da fome, enquanto o sangue é drenado do seu corpo, é disso que quero que se lembre. Que você me machucou." Suas últimas palavras iriam para sempre me atormentar.
Quando a dor da dessecação se tornava insuportável, minha mente transformava minhas lembranças dolorosas em ilusões sedutoras. Doces ilusões, onde eu poderia vê-la tão lindo e sexy com o meu presente adornando seu pescoço, combinados com a sua pele negra acetinada, embrulhada apenas naquela toalha branca como se fosse um presente feito, especialmente, para mim.
Então, eu a segurava possessivamente em meus braços, encaixando nossos corpos numa fricção deliciosa, sentindo sua intimidade quente e úmida se apertar em torno de mim, enquanto minhas mãos navegavam em seu corpo nu, procurando decorar cada pequeno pedaço dela. Seus lábios eram macios e viciantes, seus toques eram tão ansiosos e ardentes, seu cheiro era inebriante e sua voz gemendo o meu nome me deixava mais faminto por ela. Não havia nada mais sublime e excitante, do que me perder no calor dos braços daquela bruxinha orgulhosa. Mas, no exato momento em que estava prestes a atingir o ápice do prazer, aquela doce ilusão se deteriorava diante de mim, se transformando em amargos pesadelos.
A Beleza exuberante de olhos verdes indomáveis, foi substituída por um corpo delgado frio e olhos castanhos de corça cheios de expectativas, me fazendo confrontar o meu maior inimigo. —O meu amor obsessivo por Elena.
"Eu estou tão feliz por estar aqui com você, Damon." Ela se aconchegou a mim e tocou suas mãos em meu rosto. "Você me ama, Damon?" Suas mãos eram traiçoeiras, tentando me manter eternamente como seu prisioneiro.
"Não, Elena. Eu não te amo mais." Estava na hora de ser honesto com os meus sentimentos. Agora aqui mofando nesse caixão, decidi que estava na hora de dar adeus à Elena e seguir em frente para um caminho que me levasse até aquela bruxinha teimosa.
"Eu me lembrei que você é minha melhor amiga e que se algo acontecesse com você, eu ficaria completamente louco."
Bonnie era a minha melhor amiga e minha bússola moral, que me guiava quando me sentia perdido. Era a única pessoa que eu confiava, incondicionalmente, sem hesitar. Eu confiava nela de uma forma que nunca confiei em Elena. Então, sutilmente aquela bruxinha teimosa foi se embrenhando em minha vida, até que sua esperança inabalável, exalando força, juventude e amor, foi conquistando meu coração a tal ponto que eu passei, avidamente, a deseja-la com uma força irresistível.
Portanto, desafiando todas as barreiras do destino, eu me apaixonei irrevogavelmente por Bonnie Bennett e, enfim, estava pronto para voltar e reconquistá-la.
Todavia, o destino sadicamente resolveu complicar mais a minha vida...
— Eu preciso de você. Acorda logo Damon! — Eu senti meu corpo morto sendo puxado, violentamente, para a realidade e num solavanco despertei me sentindo tão desorientado, confrontando os olhos verdes de Stefan. — Até que enfim, irmão. Nós temos que ir! — Nós estávamos escondidos dentro do compartimento de carga de um caminhão que estava a toda velocidade.
— Por que a pressa, irmãozinho? — Eu pergunto em desgosto ainda sentado no caixão.
De repente houve uma explosão destruindo as portas do compartimento de carga. Numa ação rápida, Stefan usou o próprio caixão como um escudo para nos proteger dos tiros que atravessavam o ar tentando nos matar.
— Uau, essa é uma terrível festa de boas-vindas! — Eu disse, sarcasticamente, quando fui pego de surpresa por uma bala com verbena que passou raspando meu rosto.
— Damon, você ainda não viu nada. — Stefan disse desviando dos tiros.
— Ela está de volta. Se segurem! — Ouvi Caroline gritar nos alertando enquanto dirigia o caminhão desgovernado.
— Mais que merda é essa?! — Eu grunhi de raiva ao ser atingido por uma bala direto no joelho e desejei arrancar a cabeça de alguém. — Afinal, quem está de volta?! — Questionei entredentes, sentindo a adrenalina tomar conta de meu corpo.
— Eles a chamam de Sentinela, criada estrategicamente para caçar vampiros. E não vai parar até nos matar...
Minutos depois, eu tive a chance de ficar cara-cara com a nova caçadora. A cena a seguir se transformou num confronto violento entre nós dois, tendo como testemunha toda a floresta.
— Quem é você? — Eu indaguei exausto caído ajoelhado diante dela, com a minha face suja de sangue e terra. Em contrapartida, a Sentinela caminhava suavemente, empunhando nas mãos a espada com a Pedra da Fênix, me deixando aterrorizado. — Se vou morrer aqui ao menos eu gostaria de ver os olhos da minha assassina...
— Tudo o que você precisa saber é que eu sou a Sentinela. E que sua alma pertencerá a mim. — Ela disse se aproximando de mim pronta para dar o golpe final. E, foi nesse momento, que eu fiquei em choque ao ouvir a voz dela. Aquela voz familiar que fez meu coração bater, desesperadamente.
Eu consegui vislumbrar que, debaixo do capuz que ela usava, haviam dois olhos verdes cheios de ódio. Aqueles olhos verdes impossíveis de esquecer.
— Parece que você sentiu muito a minha falta, Bon-Bon. — Por ironia do destino, a mulher que queria me matar era a própria Bonnie Bennett.
Fim
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