Dentre tantos "ous".
1 Dentre tantos "Ous"
Notas iniciais
Dentre tantos "ous".
Eu não sei se falo ou se me calo,
Se eu arranco com os dentes as algemas,
Ou se guardo lágrimas para o silêncio das noites tormentas.
Permito-me, quem sabe, transbordar,
Ou
Permito-me, quem sabe, enganar.
Não sei se me esclareço,
Ou se me esqueço.
Se eu grito?
Se eu minto?
Será que eu me conto?
Ou se conto somente a metade,
E que a outra torne-se a verdade;
Mas silenciada?
Sim. Talvez. Não. Simplesmente ignorada.
Não sei se finjo,
Ou se fujo.
Ou será que atuo?
Mesmo que má atriz?
— A gente costura um sorriso feliz.
Conto-me então sem medo?
— A gente interpreta como um pesadelo.
Ou será que me contenho e me enterro?
Encho os lábios de terra fina,
Para afinar esse sangue?
Ou
Para afiar esse desmanche?
Eu não sei o que eu faço,
Ou se enfim me desfaço.
Eu não sei o que estou fazendo,
Ou se enfim apenas entretendo.
Não sei se continuo o poema,
Ou se encerro o dilema.
Será que me sufoco de pontos finais,
Ou deixo as interrogações me afogarem cada vez mais?
Aliás, que desnecessário,
— É só um sentimento temporário.
De qualquer forma, o mundo sabe que não importa,
Ou se importa,
Ninguém aparenta entender,
— Entender qual é a dúvida?
A de continuar desejando viver.
Fale com o autor