Dente Gelado
15 Trato com o Inimigo
Notas iniciais
– Isso faz tanto sentido agora.
Jack comentou sozinho, enquanto andava pelas ruínas das grandes estátuas de pedra. Guardiões podiam morrer sim e um lugar especial estava guardado para eles.
Mas resposta alguma apareceu para eles. Depois de procurarem a tarde inteira, a decepção acertou a todos, os deixando sem rumo e sem pistas para os próximos passos.
Fada apareceu, junto a Coelhão e Sandman.
– Nós vamos indo. Eu vou recolher alguns dentes para me distrair e... Sandman também tem trabalho a fazer. — Jack assentiu.
– Se quiser, posso ficar mais um pouco com você, Jack. Mas eu estava pensando em voltar pra casa do Norte e ver se acho algo. — Disse Coelhão.
Jack olhava agradecido aos amigos. Mas era momento de respirar e refletir sobre o que descobriram até agora.
– Coelhão, obrigado mas acho que você deveria descansar um pouco. Mas caso deseje mesmo ir pra casa de Noel, melhor devolver o gorro. Não temos direito de nos apropriar de um bem tão precioso por tanto tempo.
Coelhão confirmou, sério.
Logo, Jack estava a só. Sentiu a luz da Lua o iluminar e olhou para cima, agora bravo.
– QUAL É O PROBLEMA DE VOCÊ? AÍ NO CÉU, NOS TRATANDO COMO MISERÁVEIS FANTOCHES. — Jack respirou fundo. — Maldito.
– Ora, mas como as pessoas se transformam quando estão em situações extremas. Você deveria se cuidar, Jack. Palavras nunca retornam.
Jack olhou em volta, assustado, procurando quem falava com ele.
– Apareça. — Ele disse, sério.
– Jack, Jack, Jack... Para quê tanta pompa? Estamos entre conhecidos, não é mesmo?
Breu apareceu. Seu rosto estava desgastado e ele parecia cansado.
– Breu.
– Garoto do gelo. Vejo que já é conhecido. Meus parabéns.
Jack revirou os olhos.
– Veio rir de mim? Aposto que já sabe de minha desgraça.
– Do pequeno romance com a senhorita colorida? É, ouvi algo a respeito. Pelo que vejo, isso está tirando seu sono, não é mesmo?
– Ria o quanto quiser. Seu estado não está melhor do que o meu.
Breu começou a andar em volta de Jack, com um sorriso malicioso no rosto.
– O que você quer aqui?
– Conversar, é claro. E oferecer uma... Proposta.
Jack gargalhou na frente dele, com cara de nojo.
– Tudo o que eu quero de você é que suma. Não há proposta alguma vinda de você que me servirá.
– É aí que você se engana, Jack, querido Jack. Sou mais velho que você. Sei de coisas que nem Coelhão e Sandman sabem. Um tipo de conhecimento que você precisa.
Jack respirou fundo. Sabia que havia verdade nas palavras de Breu, Frost só precisava achar as desvantagens do acordo.
– E o que quer em troca do que sabe?
– Nada, caro jovem desconfiado. Considere como um presente. Uma forma de pagamento pelo que fiz. — Ele riu, ironicamente. — Além disso, tenho certo interesse em encontrar com a senhora Noel.
– Não vou deixar você machuca — lá!
Breu chegou bem perto de Jack e sussurrou, com cara de nojo:
– Não acho que é possível fazê — la sofrer mais ainda. Vamos, temos uma reunião a marcar.
– Com quem?
– Você estava falando com ele até agora. Nada menos justo do que dá — lo uma chance de responder não é mesmo?
Breu olhou para Lua.
Jack sentou um calafrio passar pelo corpo, mas seguiu o inimigo.
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