Demons in our Hearts
4 Capítulo 3: A garota da Lenda
Notas iniciais
Alice estava assustada, não tinha reação perante aquela situação, era uma visão totalmente distorcida da realidade, “Flores com rostos?” como seria possível, uma árvore gigante e falante, se ela achava que aquilo era um sonho então ela só poderia ter enlouquecido para ter um sonho daqueles. Ela escutou o que a árvore falou e arriscou a pergunta.
– G-garota d-da lenda? Q-quem? – ela gaguejava de medo, não tinha mais certeza do que era realidade ou mentira.
– Você. – respondeu a Árvore anciã – Há uma lenda que diz que diz que a escolhida viria pelo buraco de coelho. – resumiu a Árvore ao explicar.
– Que lenda é essa? – perguntou curiosa, porém ainda assustada.
– Tweedle Dee, Tweedle Dum, venham cá. – chamou a Árvore anciã com um peso de cansaço sobre a voz. Duas pessoas vieram de trás da grande árvore, dois gêmeos baixinhos, tinham metade da altura original de Alice, mas naquele momento eram mais altos que ela. Eles eram gordinhos, carecas e vestiam o mesmo short marrom com suspensórios vermelhos e blusas listradas, a única diferença era que na blusa Tweedle Dee havia listras horizontais e na de Tweedle Dum havia listras verticais. Eles se colocaram na frente da Árvore anciã, um do lado do outro.
– Prazer, eu sou o Tweedle Dee, e ele é o Tweedle Dum. – apresentou o de blusa listrada horizontal.
– Não, eu sou o Tweedle Dum, e ele é o Tweedle Dee. – disse o de blusa listrada vertical.
– Por favor, garotos, não briguem. – pediu a Árvore anciã.
– P-prazer... – disse Alice hesitante -... Meu nome é Alice. – ela se curvou apresentando-se formalmente, ela não podia se mexer demais ou sua roupa larga cairia.
Os gêmeos a olharam e sorriram para ela curvando-se também – O prazer é nosso! – disse os dois ao mesmo tempo.
– Quero que vocês a levem até o Coelho e Arganaz, de lá, junto deles, levem-na até a Lagarta. – mandou a Árvore anciã.
– Sim, senhor. – assentiram com a cabeça os gêmeos.
– Venha, Alice, vou leva-la até o Coelho e Arganaz. – disse Tweedle Dee pegando na mão de Alice e a levando.
– Não, EU vou que irei leva-la até o Coelho e Arganaz. – falou Tweedle Dum pegando na outra mão de Alice.
– Os dois podem leva-la. – disse a Árvore – desde que a levem em segurança.
Sendo levada pelos gêmeos, Alice foi por uma trilha, a cada passo que dava se impressionava com o lugar, as belas árvores e flores, que eram realmente árvores e flores, sem a capacidade de falar. Aquilo era algo detalhado demais para ser um sonho, a não ser que venha do subconsciente de Alice, ela queria tanto escapar daquele mundo deturpado no qual vivia que criou esse lugar em sua cabeça. Depois de quinze minutos de caminhada eles chegaram ao local onde se encontrava o Coelho e Arganaz.
– Olá! – disseram os dois ao mesmo tempo.
– Tweedle Dee, Tweedle Dum o que vieram fazer aqui? – perguntou o Coelho, e ele era realmente um coelho, pelo branco e olhos vermelhos, e ele ainda usava um paletó azul com um relógio de bolso dourado.
– E quem é essa? – perguntou Arganaz desconfiada, ela era uma camundongo fêmea, mas era bípede, vestia um traje como se fosse um cavaleiro que estava sem sua armadura, em sua cintura havia uma espada, que se parecia mais com uma agulha.
– E-eu, sou Alice. – apresentou-se sem graça.
– Ela veio pelo buraco de coelho. – disse Tweedle Dum sorridente.
Coelho e Arganaz olharam surpresos – C-como disse? – perguntou o Coelho.
– Ela veio pelo buraco de coelho! – dessa vez quem falou foi o Tweedle Dee – A Árvore anciã pediu para que vocês nos guiassem até a Lagarta.
– Absolem? – perguntou retoricamente Arganaz – Pra que querem leva-la até ele?
– A Árvore anciã acredita que ela seja a garota da lenda. – explicou Tweedle Dum, Tweedle Dee fez que sim com a cabeça concordando com o que o irmão tinha dito.
– Me diga, Alice, como achou o meu buraco? – perguntou o Coelho chegando perto de Alice.
– Bem, eu... – ela estava sem graça e ainda assustada com o que estava acontecendo –... Segui o som do seu relógio de bolso. – explicou ela.
– Não é possível, o Coelho nem foi para a superfície hoje. – disse Arganaz desconfiada.
Nesse momento o Coelho recitou uma parte da lenda do qual eles tanto falavam:
Quando o relógio ela escutar
Seu coração pulsará
E na floresta ela adentrará
E pelo buraco de coelho ela vai entrar
Todos olharam para Alice, ela não entendia nada daquilo, queria acordar desse sonho louco, não sabia como. O Coelho a olhou e resolveu quebrar o silêncio.
– Arganaz. – chamou.
– Sim. – respondeu Arganaz.
– Temos que leva até o Absolem!
– Como assim!? – ela perguntou – E se ela não for a garota da lenda?
– Só há como saber levando-a até ele.
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