Notas iniciais
Yoooooooooo Espero que gostem, realmente. Deixem um review ao final dos capítulos e me digam o que vocês acham, se está indo bem ou algo assim... :) Talvez esse capítulo esteja muito confuso, qualquer dúvida é só perguntar.

Em meio as colinas, os moradores do grande reino se reunem para fazer a última homenagem ao maior e mais imponente rei da legião. Demetrio Transguard deixa agora seu mundo. Seu corpo, invócrulo em um lençol de seda, está acima de um pedestal feito sob medida. Todos, ainda comovidos, despediam-se um a um. Anjos oravam cinco metros acima deles, e os guardas de metal não pareciam tão severos.

Sua filha, Aria Transguard, era a única coisa que restara da família, já que sua mãe se fora muito antes. A jovem, com agora 17 anos na contagem natural humana, estava de cabeça baixa, o mais longe possível, tentando não prestar atenção e não derramar uma única lágrima, como prova a seu pai que tentaria ser a melhor (e a única) rainha a governar Greeta.

Ao ver o olhar melancólico de Aria, um dos cavaleiros mais honrados, e que estava sempre tentando conquistar a moça, se aproximou. Wend tinha os mesmos olhos azuis de sua mãe, antigamente uma famosa maga da região. Apesar disso, o filho não tivera a mesma sorte, sendo quase humano como seu pai, um ferreiro. Tentando não parecer tão depravável, Wend inscreveu-se na Armada Principal, onde treinou com todas as suas forças.

– Não fique assim. Precisa ser forte — Murmurou, colocando o braço em volta do pescoço da garota, mas foi repelido.

– Estou tentando. Caso não saiba, eu terei que cuidar de tudo por aqui. E provavelmente os demônios do outro lado da colina já sabem, e virão correndo derrubar o reino. O meu pai era a única coisa que os mantinha afastados.

Sua voz, além de fria, parecia penosa, como se estivesse com dó de si mesma.

– Mas você é como seu pai. Não é o que todos dizem? Você puxou a ele. Vai ser tão boa quanto.

Aria levantou seus olhos castanhos com fúria, e eles ficaram vermelhos de repente. Wend arrastou-se de volta ao seu lugar, entendendo o recado. A garota sabia que era bastante parecida com seu pai, principalmente em personalidade, mas nunca havia treinado ou sequer pensado nisso, quando então ele acordara morto. Na verdade, nem acordara. Esses pensamentos estiveram a atormentando durante esses longos dois dias que se deram após o falecimento, junto com a tristeza de perder sua única família.

Ao final da última despedida (uma senhora idosa voltou chorando do pedestal), os cinco anjos que estavam logo acima, desceram o suficiente para carregarem o corpo, ainda envolto em seda, aos céus. Sumiram ao longe, e o levariam para as nuvens, onde iam todos os mortos de Greeta, cidadões honrados e humildes, que nunca fizeram nada de mal a ninguém. Diferente dos Demônios, que iam ao inferno. Esses eram uma raça cruel, que matavam sem piedade em praça pública, e faziam de tudo para dominar Greeta. Porquê? Greeta era o único local onde todos produziam seus próprios alimentos, e a economia era sub-dividida, não pesando para nenhuma classe social. Todos tinham o mesmo direito, e os impostos nunca eram alterados. A vida não era mansa, não mesmo. Porém, não haviam escravos, e todos viviam com alegria e respeitando tudo. Isso era demais para os Demônios, que não tinham sequer um bom trabalhador. Seus planos eram sequestrar todos os moradores para trabalharem para eles, sem pausa, apenas para dar aos bruxos e demônios alimento fresco e bem produzido.

Vou lhe explicar:

O mundo de Pérola tinha apenas três partes. Primeiro, os primeiros deuses chegaram e dominaram certa parte como Greeta. Lá onde vivia o paraíso dos bons e bem aventurados. A sociedade cresceu. Dos filhos dos deuses vieram os quase humanos. Quase humanos são chamados assim pelo fato de terem sempre algo especial. Nunca, em nenhum século, havia nascido um humano de verdade, porque todos tinham uma característica sobre humana. Ou fortes demais, ou até aqueles que podiam ver o futuro. Em seguida vieram os anjos, que serviam aos deuses.

Foi quando um dos anjos se sentiu usado e mal tratado naquela área, e fugiu, desbravando um lugar infernal, onde a lava consumia o verde das plantas. O anjo dominou aquele lugar, e disse que seria apenas seu. Porém, os demônios nasceram daquela lava mesmo, e comeram o anjo que disse que dominaria. Os demônios viveram cruéis, alimentando-se apenas de anjos e quase humanos, e invadindo Greeta diversas vezes.

Então, veio o Exílio.

O Exílio é a parte mais longíqua das duas sociedades rivais. Localizada em clima desértico, era pra onde eram mandados aqueles traidores de Greeta, ou bruxos que se infiltravam para tentar tomar posse. Lá não havia comida ou água, ou anjos para os demônios se alimentarem, apenas areia. Os exilados morriam por lá. Quem era mandado ao Exílio, não poderia mais voltar. Nunca mais.

* * *

Após os anjos sumirem, todos puderam voltar para suas casas. Porém, antes mesmo de darem as costas, um som crepitante, como um corvo chiando, soou ao longe. Os céus tomaram um tom avermelhado, como um pôr do sol sangrento, e lá veio o bando de demônios, sobrevoando Greeta com suas asas escuras e apodrecidas de lava. O caos começou. Todos começaram a gritar e correr desesperadamente.

Aria olhou tudo aquilo e ficou extremamente pálida, não era hora pra amarelar. Era hora de mostrar tudo que sabia.

Piscou, e no segundo seguinte, seus olhos ficaram vermelhos novamente. De suas costas descobertas do vestido, duas asas igualmente escuras se abriram e Aria deu um impulso para cima, começando a voar. Ficou na mesma altura que os demônios que vinham, liderados por Crow, seu rei, justamente quando a voz de Wend ecoou nos alto falantes do reino.

– Entrem em suas casas, mantenham-se lá! Não se retirem em hipótese alguma. Escondam suas crianças.

O povo, ao ouvir o conhecido aviso, seguiu as regras. Os demônios chegaram cada vez mais perto. Os guardas de metal se postaram em cada rua, protegendo seus moradores. E os anjos surgiram dos céus para se juntarem á Aria. Os cavaleiros montaram seus cavalos e se dividiram na cidade para lutarem com todas as forças.

– Não podia dar uma trégua, pelo enterro do meu pai? — Gritou Aria, quando Crow parou a cinco metros de distância dela. De seu rosto vermelho e assustador, brotou um sorriso pontiagudo, seguida de uma gargalhada.

– Estavam aguardando terminar, Transguard. Era o mínimo que poderiamos ter feito — Aria demonstrou raiva e ódio entre seu olhar — Aliás, meus parabéns. Fiquei sabendo que será a querida rainha desse seu povo... — ele olhou embaixo de si, os quase humanos correndo para se esconderem — nojento. Continuam covardes, não é? Se fosse você, os colocaria para lutar. Mas, se vai ser só isso... será fácil como mastigar uma noz.

– Não tocará um dedo no meu povo — Ameaçou Aria.

Crow sorriu mais uma vez, e se virou para os anjos, atrás dela. Eram dez, no total.

– E esses? Vieram para o banquete? Estavamos mesmo com fome, como adivinhou nosso prato predileto?

– Vou fazer vocês comerem a si mesmo, desgraçados! — Esbravejou Aria, dessa vez murmurando umas palavras em latim no final. Em instantes, um machado colossal se materializou nas mãos da jovem, que o agarrou com força e partiu pra cima dos demônios, que vinham com cada vez mais rapidez. Contavam com quase trinta agora, e ainda dava pra ver a onda que surgia logo atrás.

Aria tentou desferir um golpe na cabeça de Crow, mas este desviou, voltando a rir como se estivesse se divertindo. Os anjos começaram a se confrontar com os demônios logo atrás do casal principal. O machado passou zunindo os chifres de Crow quando este se abaixou para se desviar outra vez.

– Só isso que sabe, Transguard? Invocar um brinquedo? — Provocou, dando um mergulho no ar abaixo dela, e surgindo logo atrás. Com um soco, Crow quebrou uma de suas costelas, e Aria deu um grito de dor. Caiu muitos metros abaixo até conseguir ter forças o suficiente para voar mais — Então é mesmo só isso... imaginei. São desprezíveis. Seu pai sentiria vergonha.

– Cale a boca... — Gemeu Aria, sentindo a pontada na coluna cada vez mais forte. Virou-se cara a cara com Crow, mas este logo ergueu seu punho para socar-lhe o rosto. Por um triz, ela virou-se para o lado e sobreviveu. Os outros que restaram aterrissaram no chão de pedra e começaram a derrubar tudo em volta, inclusive o pedestal onde estivera seu pai minutos antes. Os guardas de metal e os cavaleiros vieram correndo, empunhando suas espadas e lanças. Podia-se ver o sangue, a maioria das vezes de seus bravos lutadores e vez ou outra dos demónios. Aria levantou o machado colossal tremendo de raiva e o desceu direto na cabeça de Crow, se este não tivesse dado outro mergulho no ar e dado o mesmo golpe nas costas da garota. Dessa vez ela quase não aguentou a dor profunda. Crow aproximou-se mais um pouco e segurou a asa direita de Aria, dobrando-a. A garota caiu girando até o chão, batendo a cabeça.

* * *

Acordou em um lugar escuro e mofado, as costas pareciam não estar doendo mais. Um lugar tremendamente conhecido. Estava presa em sua própria masmorra, em seu castelo. Um guarda de metal estava do lado de fora das grades, segurando sua lança, olhando pra ela.

– O-Oque....?

– Eles dominaram o reino, rainha — Sussurrou o guarda de metal, tentando não ser ouvido — Trancaram todos os cavaleiros que não morreram nas masmorras, e colocaram o povo pra trabalhar 24 horas. Nos forçaram a serví-los. Tenho a honra de ser o guarda da senhorita.

Aria olhou em volta, os olhos ardendo de culpa. Era ridícula, e agora seu povo estava sendo escravizado nesse mesmo momento.

– Não sou mais digna de ser rainha, guarda de metal. E, por todos que ainda vivem, faça o que eles pedirem, não os julgue. E eu e os que quiserem vir comigo farão uma guerra, que poderá durar anos ou séculos, mas que vai destruir todos aqueles filhos da mãe. Está entendendo? Vou sair daqui pronta pra acabar com a raça deles.

Dessa declaração, suas palavras jamais foram esquecidas.

Notas finais
Bom... A aparência dos bruxos, magos e quase humanos são como humanos, ok? Não precisa ser exatamente como os contos de fadas. Mas meio que como nos RPG's. É :) Espero que tenham gostado :) E esses aqui são os guardas de metal, pra quem não entendeu. Não são realmente pessoas. É como os guardas da Rainha Vermelha, em Alice no País das Maravilhas :) http://fc04.deviantart.net/fs70/f/2011/099/4/c/alice___red_knight_2_by_michaelkutsche-d3dl0qs.jpg São bonzinhos, os queridos :) Estou esperando sua ficha: http://www.tfaforms.com/295490 Kissus ^u^